my teacher
Entrelinhas e Possessões
O sol da manhã seguinte entrou pelas janelas francesas do quarto de Jennie, refletindo-se nos frascos de perfume de cristal sobre a penteadeira. A jovem coreana despertou com um sorriso preguiçoso, sentindo cada músculo do seu corpo reclamar de uma forma deliciosamente nova. Ela se espreguiçou, o lençol de seda deslizando por sua pele, enquanto a memória do beijo de Lisa e da intensidade da noite anterior na biblioteca passava por sua mente como um filme em replay.
Jennie sempre teve tudo o que queria. Roupas, carros, popularidade e a obediência cega de todos ao seu redor. Mas Lalisa Manoban era diferente. Lisa não era algo que se comprava ou se exigia; era uma força da natureza que Jennie precisava conquistar, ou melhor, à qual ela sentia uma vontade avassaladora de se render, mesmo que seu ego de "abelha rainha" lutasse contra isso.
— Ela pensa que vai me mandar — murmurou Jennie para o quarto vazio, um brilho travesso nos olhos felinos. — Vamos ver quem doma quem, Professora Manoban.
Enquanto isso, no estacionamento da Seoul High School, Lisa saía de seu carro, ajustando o relógio de pulso com uma expressão mais séria do que o habitual. A noite passada havia sido um erro tático, ela sabia disso. Envolver-se com uma aluna, especialmente a filha do diretor, era o caminho mais rápido para o desemprego e o escândalo. No entanto, enquanto caminhava em direção ao prédio de literatura, a sensação do corpo pequeno de Jennie em seus braços e a audácia daquela menina de 1,55m ainda faziam seu sangue ferver.
Lisa era uma mulher de princípios, mas também era uma mulher de instintos territoriais. E Jennie Kim, com todo o seu veneno de patricinha e doçura escondida, havia marcado um território que Lisa não estava disposta a ceder para mais ninguém.
O corredor estava lotado quando Jennie chegou, flanqueada por suas "seguidoras" habituais. Ela caminhava como se estivesse em uma passarela de Milão, a saia do uniforme perfeitamente ajustada, o cabelo brilhante caindo em ondas pelos ombros. No entanto, seus olhos procuravam apenas uma pessoa.
Ao passar pela porta da sala de literatura, ela viu Lisa conversando com um professor de educação física, um homem alto que parecia estar se esforçando demais para ser engraçado. O sorriso de Jennie desapareceu instantaneamente.
— Ele está flertando com ela? — sussurrou Jennie, as unhas cravando-se na alça de sua bolsa de grife.
— Quem, Jen? O professor Bang? — perguntou uma das meninas ao seu lado. — Dizem que ele está tentando sair com a professora nova desde que ela chegou.
Jennie não respondeu. Ela simplesmente entrou na sala, ignorando o grupo, e caminhou direto para a mesa de Lisa. Ela não se sentou. Em vez disso, bateu sua bolsa caríssima sobre a mesa, interrompendo a conversa dos dois adultos.
— Professora Manoban — disse Jennie, a voz doce como mel envenenado. — Eu tive algumas dúvidas sobre "O Morro dos Ventos Uivantes". Achei a dinâmica de poder entre os personagens... instigante. Poderia me explicar agora?
Lisa olhou para Jennie, notando imediatamente o fogo de ciúmes nos olhos da menor. O professor Bang pigarreou, sentindo a tensão súbita no ar.
— Bom, Lisa, a gente se fala no almoço? — perguntou o homem, tentando recuperar a atenção da tailandesa.
— Eu estarei ocupada, Bang — respondeu Lisa, sem desviar os olhos de Jennie. — Tenho muito material para corrigir e a senhorita Kim parece ter uma sede súbita de conhecimento que não posso ignorar.
O professor se retirou, um pouco sem graça, e assim que ele cruzou a porta, a expressão de Lisa endureceu, embora um canto de sua boca ameaçasse subir em um sorriso satisfeito.
— Ciumenta, senhorita Kim? — perguntou Lisa em voz baixa, inclinando-se sobre a mesa.
— Eu não gosto que toquem no que é meu, Lili — rebateu Jennie, inclinando-se também, o suficiente para que apenas Lisa pudesse ouvir. — E você deixou bem claro ontem à noite a quem você pertence.
Lisa sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A audácia de Jennie era sua maior arma.
— Sente-se, Jennie. A aula vai começar — ordenou Lisa, recuperando sua postura profissional. — E guarde esse seu temperamento para o papel. Quero um ensaio sobre a obsessão de Heathcliff até o fim do dia.
A aula transcorreu sob uma tensão elétrica. Jennie não tirava os olhos de Lisa, observando a maneira como os músculos de seus braços se moviam quando ela escrevia no quadro branco, ou como ela mordia levemente o lábio inferior enquanto lia um parágrafo. Lisa, por sua vez, tentava manter o foco, mas a presença de Jennie na primeira fileira, cruzando e descruzando as pernas e lançando olhares possessivos, era um teste constante para sua sanidade.
Quando o sinal finalmente tocou, Jennie esperou que todos saíssem. Ela se levantou e caminhou até a porta, trancando-a silenciosamente.
— O que pensa que está fazendo? — perguntou Lisa, largando o giz e cruzando os braços sobre o peito largo.
— Marcando território — disse Jennie, aproximando-se com passos lentos e calculados. — Eu vi o jeito que ele olhou para você. Eu vi o jeito que as outras meninas olham para você.
Lisa soltou uma risada anasalada, sua altura de 1,80m fazendo Jennie parecer ainda menor quando ela parou bem à sua frente.
— Você é muito possessiva para alguém tão pequena, sabia?
— O tamanho não importa quando eu tenho o seu nome escrito na minha lista, Lisa — Jennie subiu as mãos pelo peito de Lisa, sentindo a firmeza sob o tecido da camisa social. — Eu não divido meus brinquedos. E eu certamente não divido minha professora.
Lisa segurou os pulsos de Jennie, não com força, mas com uma autoridade que fez a menina arfar. Ela puxou Jennie para mais perto, até que seus corpos estivessem colados.
— Você fala muito sobre posse, Jennie, mas ainda não aprendeu a primeira lição de ontem — Lisa baixou o rosto, seus lábios roçando a orelha de Jennie. — Se você quer me reivindicar, tem que provar que é capaz de lidar com o que eu sou. Eu não sou um "brinquedo". Eu sou a pessoa que vai colocar você nos eixos.
— Então me coloque — desafiou Jennie, jogando a cabeça para trás e encarando Lisa com olhos desafiadores e brilhantes. — Me mostre quem manda, professora.
Lisa não precisou de um segundo convite. Ela ergueu Jennie pela cintura, sentando-a sobre a mesa de carvalho, espalhando alguns papéis no processo. Jennie soltou um gritinho de surpresa que logo se transformou em um gemido quando os lábios de Lisa encontraram os seus em um beijo faminto e dominante.
Era uma batalha de vontades. Jennie tentava ditar o ritmo com suas mãos pequenas puxando o cabelo de Lisa, mas a tailandesa era uma rocha, controlando cada movimento, cada toque, mostrando a Jennie que, naquela sala, as regras eram dela.
— Você... — ofegou Lisa, separando o beijo por apenas alguns milímetros — ...tem uma aula de história em cinco minutos.
— Que se dane a história — murmurou Jennie, tentando puxar Lisa de volta para o beijo. — Eu quero ficar aqui. Com você.
Lisa se afastou um pouco, respirando fundo para recuperar o controle. Ela arrumou a gola da camisa de Jennie e limpou um borrão de batom no canto da boca da menina com o polegar.
— Não — disse Lisa, a voz firme. — Você vai para a aula. Vai tirar uma nota excelente. E se você se comportar e parar de fazer biquinho para os outros professores, eu busco você depois do treino de torcida.
Jennie inflou as bochechas, o hábito de patricinha mimada voltando à tona.
— Você está me dando ordens?
— Estou — Lisa deu um tapinha leve e possessivo na coxa de Jennie antes de ajudá-la a descer da mesa. — E você vai adorar obedecer, porque sabe que a recompensa vale a pena.
Jennie ajeitou a saia, tentando manter sua pose de rainha da escola, mas seu coração batia tão forte que ela tinha certeza de que Lisa podia ouvi-lo.
— Você é um problema, Lalisa Manoban.
— E você é o meu problema favorito, Jennie Kim — Lisa sorriu, um sorriso de lado que desarmou Jennie completamente. — Agora, saia antes que eu mude de ideia e te deixe de castigo aqui mesmo.
Jennie caminhou até a porta, mas antes de sair, virou-se uma última vez.
— Eu vou para a aula. Mas não pense que isso acabou. Eu ainda vou fazer você admitir que é meu "pau mandado", professora.
Lisa soltou uma gargalhada alta, observando a pequena figura de autoridade sair pelo corredor. Ela sabia que Jennie era teimosa, mas Lisa tinha paciência de sobra. E, acima de tudo, ela tinha algo que Jennie não sabia que precisava: a capacidade de protegê-la de si mesma.
O restante do dia na Seoul High School foi um borrão para ambas. Jennie, milagrosamente, prestou atenção em todas as aulas, motivada pela promessa de ver Lisa mais tarde. Ela ignorou as investidas de Kai, o capitão do time de basquete, com um desdém tão frio que o rapaz ficou sem palavras. Seus olhos estavam fixos no prêmio maior.
À tarde, no campo de treinamento, Jennie liderava as líderes de torcida com uma energia renovada. Ela saltava e gritava com perfeição, mas sua atenção estava voltada para o estacionamento. Quando viu o carro de Lisa estacionar perto do ginásio, seu coração disparou.
Lisa saiu do carro, encostando-se na porta e cruzando os braços. Ela usava óculos escuros e uma jaqueta de couro que destacava seus ombros largos, atraindo olhares de quase todos os alunos que passavam. Mas ela só tinha olhos para a pequena garota de uniforme azul e branco que brilhava no centro do campo.
Ao terminar o treino, Jennie nem esperou as amigas. Ela correu em direção a Lisa, parando a poucos centímetros dela, ofegante e suada, mas radiante.
— Eu fui a melhor hoje — disse Jennie, buscando aprovação.
— Eu vi — Lisa tirou os óculos escuros, revelando um olhar carregado de orgulho e algo mais sombrio. — Você foi perfeita, Jennie.
— Então... qual é a minha recompensa? — perguntou a menor, aproximando-se do espaço pessoal de Lisa, sem se importar com quem pudesse estar olhando.
Lisa abriu a porta do passageiro, fazendo um gesto para que Jennie entrasse.
— A recompensa é que hoje não vamos estudar Shakespeare na biblioteca — disse Lisa, contornando o carro e assumindo o volante.
— Ah, não? — Jennie arqueou uma sobrancelha. — E o que vamos fazer?
Lisa deu partida no motor, lançando um olhar de soslaio para a coreana que parecia tão pequena e, ao mesmo tempo, tão poderosa naquele banco de couro.
— Vamos para o meu apartamento. E eu vou te ensinar sobre um tipo diferente de literatura. Aquela que não se escreve em livros, mas se sente na pele.
Jennie sorriu, encostando a cabeça no banco. Ela sabia que tinha o mundo aos seus pés por ser uma Kim, mas ali, naquele carro, sendo levada por Lalisa, ela se sentia pela primeira vez onde realmente pertencia.
— Eu sou uma aluna muito aplicada, Lisa — sussurrou Jennie, fechando os olhos enquanto o carro ganhava velocidade. — Mal posso esperar pela lição.
Lisa apertou o volante, a possessividade borbulhando em seu peito. Jennie Kim podia ser a rainha de Seul, mas naquela noite, ela aprenderia que, nos braços de Lalisa Manoban, ela era apenas uma garota entregue a um amor tão profundo e tempestuoso quanto os versos que fingia odiar. E Lisa garantiria que cada capítulo dessa história fosse escrito sob seus termos.