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Namoro de METEntira

O Eclipse da Razão e a Geometria do Pecado

A biblioteca central da faculdade era, para mim, um santuário de ordem. O cheiro de papel antigo e o silêncio imposto pelas normas eram as únicas coisas que mantinham minha sanidade intacta enquanto eu tentava ignorar o fato de que minha vida havia se tornado um roteiro de comédia romântica de péssima qualidade, porém com uma classificação indicativa proibida para menores.

Eu estava sentado em uma das cabines individuais da ala de pesquisa avançada, cercado por livros de eletromagnetismo. Mas, em vez de focar nas equações de Maxwell, minha mente não parava de reproduzir a imagem de Felix saindo do laboratório no dia anterior, ajeitando aquela maldita minissaia com um sorriso que prometia a minha ruína.

— Você está encarando a mesma página há quinze minutos, Hwang. Se eu não soubesse que você é um gênio arrogante, diria que finalmente atingiu o seu limite intelectual.

A voz dele, aquele barítono profundo que contrastava absurdamente com sua aparência delicada, me fez fechar o livro com um estrondo que rendeu um olhar reprovador da bibliotecária a três corredores de distância.

Felix estava encostado na divisória da cabine. Hoje, ele tinha superado a si mesmo. Ele vestia uma saia plissada azul-marinho, tão curta que era um milagre ele conseguir andar sem mostrar tudo, e um suéter de cashmere branco que parecia macio o suficiente para fazer alguém querer se perder nele. Seus cabelos loiros estavam levemente bagunçados, e ele segurava um copo de café que custava mais do que a minha bolsa de estudos mensal.

— O que você quer, Lee? — perguntei, mantendo a voz baixa e carregada de veneno. — Não temos nenhum jantar com nossos pais hoje, e a cota de fingimento para o público já foi preenchida no almoço.

— Ah, mas quem disse que eu vim pelo público? — Ele deu a volta e sentou-se na beirada da minha mesa, cruzando as pernas lentamente. A saia subiu, revelando a curva das coxas que eu tinha apertado com tanta força no laboratório que, se eu olhasse de perto, provavelmente veria as marcas dos meus dedos. — Eu vim porque estou entediado. E porque você é o único brinquedo nesta faculdade que ainda não quebrou sob a minha pressão.

— Eu não sou seu brinquedo — sibilei, aproximando meu rosto do dele. — Eu sou o cara que está salvando a sua reputação de herdeiro inútil perante a sua família. Você deveria estar me agradecendo, não me provocando.

Felix soltou uma risadinha, inclinando-se para frente. O cheiro de cereja dele era como um soco no meu autocontrole.

— Eu te agradeço do meu jeito, nerd. Ou você vai me dizer que não gostou do "obrigado" que eu te dei na sala de aula ontem? — Ele passou a língua pelos lábios, um gesto deliberadamente lento. — Você estava tão bruto, Hyunjin. Quase parecia que você realmente sentia algo por mim além de desprezo.

— Foi apenas alívio de tensão, Felix. Você é conveniente, nada mais — menti, sentindo meu sangue começar a ferver.

— Conveniente? — Ele arqueou uma sobrancelha, um brilho perigoso nos olhos. — Então, se eu for até a mesa do Bang Chan agora e pedir para ele me levar para o banheiro, você não se importaria? Afinal, somos apenas "convenientes", e o Chan é um homem muito... generoso.

Eu senti uma onda de possessividade irracional e violenta subir pelo meu peito. Eu sabia que Minho mataria o Chan, e que Felix estava apenas jogando, mas a ideia de qualquer outra pessoa tocando naquelas coxas, ou ouvindo aqueles gemidos manhosos que ele só soltava quando eu o tratava com a brutalidade que ele pedia, me deixava cego de ódio.

Agarrei o pulso dele com força, puxando-o para mais perto, até que nossos narizes se tocassem.

— Tente — eu desafiei, minha voz soando como um rosnado abafado. — Tente dar um passo em direção a qualquer outra pessoa enquanto esse trato durar, e eu juro que mostro para você o que acontece quando um nerd decide ser realmente cruel. Você é minha propriedade de mentira, Lee Felix. E eu não gosto de compartilhar meus pertences.

Felix não recuou. Pelo contrário, ele suspirou, as pupilas dilatando até quase cobrirem a cor dos seus olhos.

— Propriedade... eu gosto de como isso soa vindo de você — ele sussurrou. — Mas você fala demais, Hwang. Menos teoria, mais prática. Eu estou com um tesão que está me matando desde que acordei. E a culpa é sua por ter aquele pau enorme e não saber quando parar de falar.

— Aqui não, Felix. Estamos na biblioteca — eu disse, embora minha mão já estivesse subindo pela coxa dele, sentindo a pele macia e quente.

— Onde está o seu espírito de aventura, gênio? — Ele provocou, deslizando para fora da mesa e pegando minha mão, puxando-me em direção ao fundo da biblioteca, onde ficavam as prateleiras de microfilmes e arquivos mortos, um lugar onde ninguém ia há pelo menos uma década.

O corredor era estreito, escuro e cheirava a poeira e negligência. Assim que chegamos ao final, eu o empurrei contra a última estante. O impacto fez alguns arquivos vibrarem, mas eu não me importei. Eu o beijei, não com carinho, mas com uma fome que beirava a agressão. Felix respondeu na mesma moeda, suas mãos puxando meu cabelo, suas unhas cravando no meu couro cabeludo.

— Você... é... um... nojo — eu disse entre beijos curtos e agressivos.

— E você... é... um... babaca — ele retrucou, arfando.

Eu levantei a saia dele, minhas mãos encontrando o caminho livre. Ele estava sem cueca de novo. Aquele exibicionista maldito.

— Você faz isso de propósito, não faz? — perguntei, pressionando dois dedos contra a entrada dele, que já estava úmida e pronta. — Você sai assim, esperando que alguém te pegue em um canto?

— Não qualquer um, Hyunjin — ele gemeu, a cabeça pendendo para trás enquanto eu começava a prepará-lo com movimentos rápidos e impacientes. — Só você. Só o nerd que se acha melhor que todo mundo, mas que fica de quatro pela minha buceta.

— Cala a boca — eu ordenei, abrindo minha calça e me libertando.

Eu o virei de frente para a estante, forçando-o a se inclinar sobre os arquivos empoeirados. A visão daquela minissaia azul levantada, revelando o contraste da sua pele clara contra a escuridão do corredor, era a coisa mais pecaminosa que eu já tinha visto.

— Segure-se — eu disse, segurando-o pelos quadris e entrando nele com uma estocada única e profunda.

Felix soltou um grito que foi imediatamente abafado pelas suas próprias mãos, que ele pressionou contra a boca. O corpo dele teve um espasmo, a buceta apertando meu pau com uma força que quase me fez gozar no primeiro segundo.

— Porra, Felix... — eu sibilei, começando a me mover, o ritmo ditado pelo meu desprezo e pela minha necessidade de possuí-lo. — Você é tão apertado. É a melhor do mundo, sabia? Eu odeio cada segundo disso, mas você é viciante.

Ele não conseguia responder com palavras coerentes, apenas com gemidos abafados e sons manhosos. Ele empurrava o quadril para trás, buscando mais profundidade, mais dor, mais de tudo o que eu podia dar. Eu era bruto, minhas estocadas eram curtas e rápidas, fazendo a estante ranger contra a parede.

— Mais... mais forte, nerd do pau grande... — ele conseguiu murmurar, a voz falhando. — Me quebra... me faz esquecer que eu te odeio...

— Você nunca vai esquecer — eu respondi, inclinando-me sobre ele, mordendo o lóbulo da orelha dele enquanto continuava a fodi-lo sem piedade. — Porque cada vez que você andar, cada vez que você sentar em uma daquelas cadeiras caras, você vai sentir o que eu fiz com você. Você vai lembrar que, por baixo de toda essa riqueza e arrogância, você é só a minha putinha particular.

Eu aumentei o ritmo, o suor começando a brotar na minha testa. O risco de sermos pegos era como uma droga, aumentando a sensibilidade de cada toque. Eu sentia Felix tremendo, os músculos das pernas dele vacilando. Ele estava chegando lá.

— Hyunjin... Hyunjin... — ele soluçou, o nome saindo como uma prece desesperada.

Eu dei as últimas estocadas, as mais profundas e violentas, sentindo o calor dele envolver meu pau em uma pulsação frenética. Ele gozou contra os arquivos, o corpo ficando mole, e eu o segui logo depois, despejando tudo dentro dele, sentindo uma exaustão que era tão mental quanto física.

Ficamos ali por um longo minuto, o único som sendo nossas respirações descompassadas. Eu me retirei dele e me ajeitei, sentindo a frieza habitual retornar ao meu peito assim que o prazer físico começou a dissipar.

Felix se virou, encostando as costas na estante, deixando a saia cair. Ele estava com o rosto corado, os olhos brilhando e um sorriso de puro escárnio nos lábios.

— Você limpa o estrago, Hwang — ele disse, apontando para os arquivos manchados. — Eu tenho uma aula de moda agora e não posso me atrasar.

— Você é um porco, Lee — respondi, pegando um lenço de papel do bolso e limpando o que podia, a raiva voltando a ocupar o lugar da luxúria. — Um dia alguém vai te pegar e você não vai ter um nerd para te salvar.

— Mas eu não quero que ninguém me salve — ele retrucou, caminhando em direção à saída do corredor com aquele rebolado provocador que ele sabia que eu odiava admirar. — Eu só quero que você continue sendo esse bruto inteligente. Até amanhã, "querido".

Ele desapareceu entre as prateleiras de livros de história, deixando-me sozinho na penumbra. Eu olhei para minhas mãos, que ainda tremiam levemente. Eu era um homem de lógica, de ciência, de fatos. E o fato era que eu estava perdendo o controle.

Saí da biblioteca dez minutos depois, garantindo que não havia ninguém por perto. No caminho para o meu dormitório, passei pelo pátio central e vi o grupo de Felix. Jisung estava rindo de algo que Seungmin disse, enquanto Jeongin tentava, sem sucesso, esconder um chupão no pescoço. Minho estava em um canto, falando ao telefone com um sorriso que só o Bang Chan conseguia arrancar dele.

Felix estava no centro de tudo, brilhando como a patricinha mimada que ele era, rodeado de pessoas que o adoravam. Ele me viu passar e, por um breve segundo, nossos olhares se cruzaram. Ele não sorriu, não acenou. Ele apenas inclinou a cabeça, um gesto imperceptível de reconhecimento da nossa guerra particular.

Eu apressei o passo. Eu tinha que estudar. Tinha que focar na minha tese. Tinha que esquecer o gosto de cereja e a sensação daquela buceta. Mas, enquanto eu subia as escadas do prédio de física, a voz dele ecoava na minha mente: *“Nerd do pau grande”*.

— Inferno — resmunguei para as paredes vazias.

Aquele namoro de mentira era o caos. Era um erro matemático de proporções catastróficas. E, no entanto, eu não conseguia parar de pensar em qual seria a cor da próxima minissaia que ele usaria. Porque, no fundo, eu sabia que a próxima aula seria muito mais interessante do que qualquer coisa que um livro pudesse me ensinar. E a geometria do corpo de Lee Felix era a única matéria na qual eu estava disposto a me tornar um mestre, mesmo que isso significasse a minha completa e absoluta ruína.