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Namoro de METEntira

O Banquete dos Hipócritas e o Gosto Amargo da Cereja

A cafeteria da faculdade era o epicentro da hierarquia social, o lugar onde as reputações eram construídas e destruídas entre um gole de café superfaturado e uma salada de quinoa. Eu odiava cada centímetro daquele lugar. O barulho de centenas de conversas fúteis se misturando era como estática no meu cérebro, mas ali estava eu, sentado no centro da mesa mais cobiçada do campus, ao lado do furacão de glitter e arrogância conhecido como Lee Felix.

Felix estava em seu elemento. Ele estava sentado com uma postura impecável, uma mão segurando um garfo de prata — ele se recusava a usar os de plástico da faculdade — e a outra gesticulando dramaticamente enquanto contava alguma fofoca sobre um herdeiro de uma marca de relógios. A minissaia plissada, que agora eu sabia muito bem o que escondia, estava perigosamente subida, atraindo olhares de todos os quadrantes do salão.

— E então eu disse a ele: "Querido, se eu quisesse algo básico, eu compraria na liquidação, não sairia com você" — Felix finalizou, soltando aquela risada cristalina que fazia todos na mesa rirem junto, exceto eu.

— Você é terrível, Lix — disse Jisung, limpando uma lágrima de riso no canto do olho. Ele estava sentado ao lado de Minho, que parecia estranhamente distraído, olhando para o celular a cada cinco segundos.

— Terrível é pouco — murmurei, cutucando minha comida com o desdém de quem preferia estar dissecando um sapo. — Ele é um monumento à futilidade humana.

Felix parou de rir instantaneamente, voltando seus olhos grandes e brilhantes para mim. O brilho neles não era de mágoa, era de puro desafio.

— Ah, olhem só, o gênio resolveu agraciar a plebe com sua voz — Felix disse, a voz pingando sarcasmo. — O que foi, Hyunjin? Ficou irritado porque ninguém te perguntou sobre a teoria da relatividade hoje?

— Eu fico irritado com a sua existência, Felix. É uma agressão constante à lógica — respondi, ajeitando meus óculos com o dedo médio, um gesto que ele sabia muito bem ser um insulto disfarçado.

— Parem vocês dois — Minho interveio, finalmente largando o celular. — A gente sabe que vocês se odeiam, mas pelo menos tentem não se matar na frente da comida. Eu tenho estômago sensível.

— Sensível? — Seungmin, que estava com a cabeça encostada no ombro de Jeongin, soltou uma risadinha anasalada. — Você estava literalmente comendo a cara do Chan atrás do ginásio ontem, Minho. Acho que seu estômago aguenta uma briguinha de casal.

Minho ficou vermelho instantaneamente, o que era uma visão rara.

— Isso... isso é mentira. Estávamos discutindo estratégias de treino — Minho gaguejou, enquanto Jeongin apenas revirava os olhos, acariciando a mão do namorado.

— Estratégias de treino com língua? — provoquei, permitindo-me um sorriso cínico. — Interessante. Deve ser uma técnica nova de respiração.

Felix aproveitou o momento de distração geral para deslizar a mão por baixo da mesa. Eu senti o toque das unhas dele na minha coxa, subindo lentamente. Ele não estava brincando. O desgraçado estava tentando me provocar no meio do almoço, com todos os nossos amigos assistindo.

— Sabe, Hyunjin — Felix disse em voz alta, mantendo o rosto angelical enquanto seus dedos chegavam perigosamente perto da minha virilha —, você devia relaxar mais. Talvez se você parasse de ser tão... rígido... as pessoas gostariam mais de você.

— Eu não preciso que gostem de mim, Lee. Eu preciso de silêncio e de pessoas com cérebro ao meu redor — respondi, tentando manter a voz estável enquanto sentia o calor da palma da mão dele através do tecido da minha calça.

— Que pena — Felix sussurrou, inclinando-se para mim como se fosse me contar um segredo romântico, mas seus olhos queimavam. — Porque eu adoro quando você fica rígido. Especialmente quando é por minha causa.

Ele apertou com força. Eu quase engasguei com o suco. A audácia dele era sem limites. Ele sabia que eu não podia reagir sem denunciar o que estávamos fazendo. O namoro de mentira exigia proximidade, mas o que ele estava fazendo era terrorismo sexual puro e simples.

— Você está bem, Hyunjin? — Jeongin perguntou, notando minha expressão tensa. — Você parece... pálido.

— Ele está ótimo, Innie — Felix respondeu por mim, dando um tapinha afetuoso na minha bochecha enquanto sua outra mão continuava o trabalho sujo por baixo da mesa. — Ele só está pensando em algum problema matemático muito difícil. Não é, amor?

— Exatamente — sibilei, agarrando o pulso de Felix por baixo da mesa e apertando-o até ele soltar um ganido baixo que disfarçou como um bocejo. — Um problema que envolve variáveis muito irritantes e uma necessidade urgente de... resolução.

— Bom, nós temos que ir — disse Jisung, levantando-se e puxando Minho. — Tenho um encontro com... bem, com alguém. A vida é curta demais para ficar ouvindo o Hyunjin reclamar.

Um a um, eles foram saindo, deixando apenas eu e Felix na mesa. O silêncio que se seguiu foi pesado, carregado com a eletricidade estática de dez mil volts. Assim que o último deles desapareceu de vista, eu o soltei.

— Você é um doente mental, Felix — eu disse, levantando-me e limpando o lugar onde ele tinha me tocado como se houvesse sujeira ali.

— E você está com o pau latejando agora, nerd — ele rebateu, levantando-se também, a saia balançando enquanto ele contornava a mesa. — Não adianta fingir. Eu sinto o cheiro do seu desejo a quilômetros. Você me odeia, mas morre de vontade de me ver de quatro na sua mesa de estudos.

— Eu sinto desprezo por você, Felix. O sexo é apenas uma liberação biológica necessária — menti, aproximando-me dele até que nossos peitos quase se tocassem. — Você é descartável.

— Então me descarta, Hyunjin — ele provocou, a voz ficando rouca, os lábios de cereja a centímetros dos meus. — Me descarta agora. Me leva para o seu dormitório e me trata como o lixo que você diz que eu sou. Ou você tem medo de que, se fizer isso, não consiga mais voltar para os seus livrinhos de física?

Eu o agarrei pelo braço, sem qualquer delicadeza, e o arrastei para fora do refeitório. O ódio fervia no meu sangue, mas a luxúria era um incêndio incontrolável. Fomos para o bloco de laboratórios, que a essa hora estava vazio. Eu sabia de uma sala de armazenamento nos fundos que quase nunca era usada.

Assim que entramos e tranquei a porta, eu o joguei contra uma prateleira de equipamentos. O som do metal batendo contra a parede ecoou, mas Felix apenas riu, um som maníaco e excitado.

— Isso, nerd... mostra essa força que você esconde atrás desses óculos — ele zombou, puxando a própria saia para cima, revelando a pele alva e o fato de que ele realmente não tinha colocado nada por baixo depois da aula.

— Você quer ser tratado como lixo? — eu rosnei, prendendo as mãos dele acima da cabeça com uma das minhas mãos, enquanto a outra apertava o pescoço dele com a pressão exata para fazê-lo arfar, mas não sufocar. — Você não passa de uma distração barata, Lee Felix. Uma patricinha que só serve para abrir as pernas quando o tédio bate.

— Então me usa... me usa até eu não conseguir mais respirar — ele implorou, os olhos revirando de prazer pelo tratamento bruto. — Me mostra o tamanho desse pau que você esconde, seu nerd desgraçado.

Eu não perdi tempo com beijos ou carinhos. Não havia espaço para isso entre nós. Eu abri minha calça, liberando minha ereção que já estava doendo de tanto tempo contida. Felix soltou um som agudo, um ganido de antecipação, quando eu o virei de costas para mim, prensando o rosto dele contra o metal frio da prateleira.

— Você gosta disso, não gosta? — perguntei, minha voz um sussurro cruel no ouvido dele. — De ser dominado por alguém que você diz desprezar.

— Eu... eu adoro... — ele confessou, a voz falhando, o corpo tremendo. — Eu odeio você, Hyunjin... mas sua buceta... ah, porra... entra logo!

Eu o penetrei com uma estocada violenta, sem qualquer preparação além da umidade natural dele que parecia nunca secar. Felix gritou, um som que eu abafei pressionando meu peito contra as costas dele. A sensação era avassaladora. Era como se cada nervo do meu corpo estivesse sendo eletrificado. A buceta dele era um milagre da biologia, um aperto quente e frenético que parecia sugar minha alma.

— Porra, Felix... — eu arfei, perdendo a compostura intelectual pela qual eu tanto prezava. — Você é... tão apertado... como você consegue ser tão gostoso sendo tão insuportável?

— É um dom... — ele conseguiu dizer entre gemidos rítmicos. — Mais forte, nerd do pau grande... me fode como se você estivesse tentando me apagar...

Eu obedeci. Cada estocada era um golpe de desprezo e desejo. O som do nosso sexo ecoava na sala pequena, uma sinfonia de carne batendo contra carne e suspiros desesperados. Eu o segurava pelos quadris, meus dedos deixando marcas roxas na pele delicada dele. Ele era tão manhoso, se curvando sob meu peso, pedindo por mais, murmurando insultos que soavam como orações.

— Você não é nada... — eu dizia, o ritmo aumentando até o limite. — Você é só um buraco para eu gozar, Felix. Nada mais.

— E você... você é só um motor... — ele retrucou, embora sua voz estivesse carregada de luxúria pura. — Um motor perfeito... ah! Hyunjin!

Eu senti o momento em que ele chegou ao limite. O corpo dele ficou rígido, os músculos internos se contraindo em volta de mim com uma força incrível. Ele gozou contra a prateleira, o líquido manchando o metal, enquanto eu dava as últimas estocadas profundas, sentindo meu próprio ápice explodir dentro dele. Foi uma liberação violenta, uma descarga de adrenalina e ódio que me deixou momentaneamente cego.

Ficamos ali, abraçados pela exaustão e pelo rancor, o silêncio retornando lentamente à sala. Eu me retirei dele, o som da sucção sendo o último vestígio da nossa união profana.

— Acabou — eu disse, minha voz voltando a ser o gelo habitual enquanto eu me recompunha. — Vá se limpar. Você tem aula de história da arte em dez minutos e eu não quero que ninguém sinta o cheiro de mim em você.

Felix se virou, o cabelo loiro bagunçado, o rosto vermelho e os lábios inchados. Ele parecia uma pintura de um anjo caído, mas o olhar em seus olhos era de pura vitória.

— Tarde demais, Hyunjin — ele disse, ajeitando a saia plissada com um sorriso de satisfação. — Você já está impregnado em mim. E eu em você. Você pode fingir o quanto quiser, mas nós dois sabemos quem é o viciado aqui.

— Você é um delírio, Lee — respondi, pegando minha mochila e caminhando até a porta. — E eu não tenho tempo para delírios.

— A gente se vê no jantar de noivado de mentira da semana que vem, "amor" — ele gritou enquanto eu saía. — Não esqueça de praticar seu olhar apaixonado no espelho. Ou talvez eu devesse ir até a sua casa para te ajudar com isso?

Eu não respondi. Saí do bloco de laboratórios com o coração ainda martelando e a mente tentando, desesperadamente, voltar para as equações diferenciais. Mas o gosto de cereja do gloss dele ainda estava nos meus lábios, e a sensação daquela buceta apertada parecia gravada na minha pele.

Eu odiava Lee Felix. Eu o desprezava com cada fibra do meu ser. Mas, enquanto caminhava pelo campus, eu já estava contando as horas até a próxima vez que eu teria a chance de silenciá-lo com a única linguagem que nós dois realmente entendíamos. A farsa continuaria, o caos aumentaria, e no final, eu não tinha certeza de quem sairia inteiro daquela guerra. Mas de uma coisa eu tinha certeza: o nerd do pau grande ainda tinha muita lição para ensinar à patricinha mimada. E ele, com certeza, seria um aluno muito, muito aplicado.