nao consigo viver sem voce
O Alento da Alma e o Despertar do Vínculo
O silêncio na enfermaria de Hogwarts era pesado, interrompido apenas pelo estalar rítmico das chamas na lareira de pedra e pelo som errático da respiração de Lily. O ar ali parecia estático, carregado com o resquício da magia avassaladora que havia varrido o castelo momentos antes. Lily Zneimer sentia-se como se fosse feita de vidro estilhaçado; cada centímetro de seu corpo latejava com uma dor surda, um eco do impacto que quase a levara para além do véu.
Harry e Hermione estavam sentados ao pé da cama, os rostos pálidos e manchados de lágrimas e fuligem. Eles não conseguiam desviar os olhos da amiga, temendo que, se piscassem, ela simplesmente desaparecesse. A confusão em suas mentes era tão vasta quanto o medo que sentiam. Quem era aquele homem? Como ele havia parado o tempo e o espaço para salvá-la?
A porta da enfermaria se abriu com um estrondo suave, mas autoritário. Alvo Dumbledore entrou primeiro, sua expressão era uma mistura de alívio solene e uma reverência que Harry nunca vira o diretor demonstrar por ninguém. Logo atrás dele, a figura que parecia ter saído das lendas e dos pesadelos dos Comensais da Morte caminhava com passos silenciosos e firmes.
Oscar Piastri não olhou para as paredes, para os quadros ou para os outros alunos. Seus olhos claros e intensos estavam fixos apenas na figura frágil deitada entre os lençóis brancos.
— Alvo, o que está acontecendo? Quem é ele? — perguntou Harry, levantando-se e segurando a varinha, embora sua mão tremesse.
Dumbledore colocou uma mão gentil no ombro de Harry, forçando-o a baixar a guarda.
— Harry, Hermione... por favor. Saiam conosco. O senhor Piastri precisa de privacidade com Lily.
— Mas ela está ferida! Não podemos deixá-la com um estranho! — protestou Hermione, a voz aguda de ansiedade.
— Ele não é um estranho, senhorita Granger — disse Dumbledore, sua voz carregada de um peso ancestral. — Ele é a razão pela qual ela ainda respira. Por favor, confiem em mim.
Relutantes, e sob o olhar severo mas calmo de Oscar, os amigos de Lily recuaram. Madame Pomfrey tentou intervir, mas um único olhar de Oscar, um brilho de ouro puro em suas pupilas, a fez parar no lugar e assentir, saindo logo em seguida com os outros.
A porta se fechou. O isolamento era total.
Oscar caminhou até o lado da cama de Lily. A aura de poder que ele emanava, aquela força que fizera o castelo tremer, foi recolhida instantaneamente, substituída por uma ternura tão profunda que parecia física. Ele se sentou na beirada do colchão, o peso de seu corpo fazendo a cama ranger levemente.
Lily abriu os olhos. Sua visão estava turva, as cores dançando em borrões de branco e dourado. Ela tentou se mexer, mas um gemido de dor escapou de seus lábios secos.
— Shh... não se mova, minha pequena — a voz dele envolveu Lily como um cobertor de veludo. Era a voz de seus sonhos, o barítono marcante que ela buscava no vazio de suas noites.
— Você... — Lily sussurrou, a garganta tão seca que as palavras pareciam areia. — Eu conheço você.
Oscar esboçou um sorriso triste, levando a mão ao rosto dela e acariciando a bochecha com o polegar. O toque enviou uma onda de calor reconfortante através dela, silenciando a dor das costelas quebradas.
— Você me conhece em sua alma, Lily. Eu sou aquele que nunca a deixou, mesmo quando você não podia me ver.
Lily tentou focar o olhar nele. Ele era mais bonito do que qualquer imagem que sua mente pudesse ter criado. O rosto forte, os ombros largos que pareciam capazes de sustentar o mundo, e aqueles olhos... olhos que a olhavam como se ela fosse a única coisa sagrada em toda a criação.
— Eu sinto... um calor — murmurou ela, a voz falhando. — No meu pulso.
Oscar pegou a mão esquerda dela com uma delicadeza extrema. Ele beijou a marca da constelação, e Lily sentiu um choque de reconhecimento percorrer sua espinha.
— Esta marca é o nosso juramento, Lily. É a prova de que nossas almas foram forjadas no mesmo fogo. Eu passei cada segundo dos últimos quinze anos sentindo sua solidão, sentindo cada pequena alegria e cada dor. Eu sinto muito por ter deixado você se sentir sozinha por tanto tempo.
Lily tentou falar, mas sua boca estava tão árida que ela soltou um pequeno som de desconforto, seus lábios rachados sangrando levemente. Ela olhou para a jarra de água na mesa de cabeceira, mas não tinha forças nem para levantar o braço.
Oscar percebeu imediatamente. Ele estendeu a mão e pegou o copo de cristal, mas em vez de tentar ajudá-la a beber — o que a faria engasgar em seu estado de fraqueza —, ele levou o copo aos próprios lábios.
Lily o observou, confusa, enquanto ele tomava um gole generoso da água fresca. Oscar se inclinou sobre ela, aproximando o rosto do dela até que suas respirações se misturassem. Ele colocou uma mão na nuca de Lily, sustentando-a com uma firmeza gentil, e selou seus lábios nos dela.
Não foi um beijo de paixão avassaladora, mas um ato de cuidado puríssimo. Oscar transferiu a água de sua boca para a dela com uma suavidade meticulosa, permitindo que ela bebesse em pequenos goles, sem esforço. Quando a água terminou, ele não se afastou. Ele permaneceu ali, roçando os lábios nos dela, sentindo a vida retornar à pele de Lily.
— Melhor? — perguntou ele, a poucos centímetros de seu rosto.
— Sim — respondeu ela, a voz agora um pouco mais clara, embora ainda frágil. — Por que você fez isso? Por que se escondeu?
Oscar suspirou, e Lily sentiu a tristeza dele como se fosse sua.
— O mundo bruxo é um lugar ganancioso, Lily. Quando eu destruí a primeira forma de Voldemort, eles queriam me transformar em um rei, em uma arma. Mas eu só queria você. Você ainda era um bebê, uma luz que precisava crescer longe da escuridão que me rodeia. Eu fiz um pacto com Dumbledore para que você pudesse ter uma vida normal... até que o vínculo estivesse pronto.
— Mas eu não sou normal — disse ela, as lágrimas começando a rolar. — Eu sempre senti que faltava um pedaço de mim. Eu sentia esse vazio...
— O vazio era a minha ausência — interrompeu ele, limpando as lágrimas dela com o polegar. — E o meu vazio era você. O que você sentiu no penhasco, quando a proteção falhou... foi a única vez em que eu não pude te segurar. Eu juro por tudo o que é sagrado, Lily, que nunca mais haverá um centímetro de distância entre nós que eu não possa percorrer em um piscar de olhos.
Lily olhou para o pulso dele. Oscar afastou a manga de sua túnica escura, revelando uma marca idêntica à dela, mas que brilhava com uma luz dourada constante e poderosa.
— Você é... o bruxo mais poderoso de todos? — perguntou ela, a ficha finalmente começando a cair. — Harry disse que você desintegrou Voldemort com um olhar.
Oscar deu de ombros, um gesto casual que contrastava com a magnitude de seus atos.
— O poder não significa nada sem você para protegê-lo, Lily. Eu trabalharia no Ministério, eu lutaria em mil guerras, eu morreria mil vezes se isso garantisse que você acordasse todos os dias com esse sorriso.
Lily sentiu uma onda de sono profundo começar a envolvê-la. A magia de Oscar, agora que o vínculo estava totalmente aberto, agia como um bálsamo curativo, acelerando a regeneração de seus tecidos e ossos.
— Não vá embora — pediu ela, seus dedos se fechando fracamente na camisa dele.
Oscar se acomodou melhor na beirada da cama, puxando a mão dela para o seu peito, exatamente sobre o seu coração que batia forte e constante.
— Eu não vou a lugar nenhum, minha pequena. Eu vou ficar aqui até você acordar. E quando você acordar, o mundo será diferente. Não haverá mais sombras, não haverá mais segredos. Apenas nós.
— Oscar... — ela murmurou, o nome dele soando como a música mais doce que ela já ouvira.
— Durma, Lily. Eu sou o seu escudo. Eu sou o seu lar.
Ele se inclinou e beijou a ponta do nariz dela, observando-a mergulhar em um sono reparador. Oscar Piastri, o homem que o mundo bruxo temia e reverenciava, permaneceu ali, imóvel, agindo como a âncora de uma garota que era, em todos os sentidos, a sua única e verdadeira mestra.
Lá fora, Hogwarts tentava se reconstruir, mas dentro daquela enfermaria, o tempo havia parado. O bruxo mais poderoso do mundo finalmente encontrara sua paz, e ele sabia que, a partir daquele momento, ninguém ousaria desafiar o destino que os unira.