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nao consigo viver sem voce

O Juramento de Cinzas e o Despertar do Titã

O céu sobre Hogwarts não era mais azul ou cinza; era da cor de uma ferida aberta. Nuvens roxas e esverdeadas, carregadas de magia negra, giravam em um vórtice violento sobre a Torre de Astronomia. O ar estava saturado com o cheiro de ozônio e enxofre. Lord Voldemort não estava mais apenas retornando; ele havia chegado, e trouxera consigo uma abominação que nem mesmo os registros mais antigos da Seção Restrita ousariam descrever.

Lily Zneimer estava no parapeito da ponte de pedra que ligava o castelo às colinas externas. Ela estava com Harry e Hermione, os três com as varinhas em punho, cercados por Comensais da Morte que surgiam das sombras. Harry lutava com uma ferocidade desesperada, mas Lily sentia algo diferente. O calor em seu pulso, que sempre fora seu conforto, estava oscilando.

Longe dali, no limite da Floresta Proibida, Oscar Piastri estava em pé, sua forma humana emanando uma aura tão vasta que o chão ao seu redor rachava. Ele estava pronto para intervir, pronto para dizimar qualquer um que ousasse tocar em Lily. Mas Voldemort, em sua astúcia maligna, havia passado meses pesquisando a lenda do bruxo que o derrotara uma vez. Ele não sabia quem era a âncora de Oscar, mas sabia que Oscar estava ligado a algo — ou alguém — em Hogwarts.

Voldemort ergueu uma relíquia antiga, um Obelisco de Sangue de Sacrifício, e o cravou no solo sagrado da escola. O artefato soltou um pulso de magia estática, uma frequência projetada para interferir em vínculos de alma.

Oscar soltou um grito de agonia pura. Por um segundo, a conexão foi cortada por um ruído branco mágico. A visão dele escureceu e a proteção que ele projetava sobre Lily falhou.

Nesse exato segundo de fraqueza, um feitiço de impacto, disparado por Bellatrix Lestrange, atingiu o peito de Lily. Sem o escudo invisível de Oscar para absorver o golpe, o impacto foi brutal. Lily foi lançada para trás, sobre o parapeito da ponte.

— LILY! — gritou Harry, estendendo a mão, mas era tarde demais.

Ela caiu. O corpo dela, pequeno e frágil sob o uniforme da Grifinória, despencou em direção ao abismo rochoso que circundava o castelo. O vento uivava em seus ouvidos, e o último pensamento de Lily foi o calor daquela pena dourada em seu relicário.

No momento em que o corpo dela quase tocou as rochas afiadas, o vínculo de Oscar se reconectou com uma fúria avassaladora. O grito que ele soltou não foi humano. Foi o som de um deus sendo traído.

Em um milésimo de segundo, o espaço-tempo pareceu dobrar. Oscar não voou; ele simplesmente deixou de estar na floresta e apareceu na base do penhasco. Ele pegou Lily no ar, a poucos centímetros da morte. O impacto da captura criou uma cratera no solo rochoso, mas ele a segurou com uma delicadeza infinita.

Lily estava pálida, com um fio de sangue escorrendo pelo canto da boca. Ela não respirava.

Oscar a colocou no chão e pressionou a mão contra o coração dela. Ele não usou uma varinha; ele usou a própria essência.

— Você não vai. Eu não permito! — rugiu ele, sua voz fazendo as montanhas ecoarem.

Um pulso de luz dourada, tão brilhante que cegaria qualquer um que olhasse, saiu da palma de Oscar e entrou no peito de Lily. O coração dela deu um solavanco e ela tossiu, o ar voltando aos pulmões em um suspiro doloroso. Ela abriu os olhos por um segundo, vendo o rosto borrado do homem de seus sonhos, antes de desmaiar novamente.

Oscar sentiu o cheiro da magia negra de Voldemort pairando no topo do penhasco. Ele olhou para cima, e seus olhos não eram mais claros; eram orbes de puro fogo branco. Ele convocou, com um gesto curto, a presença de Dumbledore e Hagrid, que apareceram por aparatação forçada pela vontade de Oscar.

— Levem-na para a enfermaria — ordenou Oscar. Sua voz era calma, mas era a calma que precede o fim do mundo. — Se ela morrer, Alvo, não restará pedra sobre pedra neste castelo.

— Oscar, você não pode enfrentar o Lorde das Trevas sob o efeito daquele artefato... — começou Dumbledore, mas parou ao ver a expressão no rosto de Piastri.

— Ele tentou matá-la — disse Oscar, levantando-se. O chão sob seus pés começou a derreter. — Ele tentou tirar de mim a única coisa que justifica este mundo. Eu não sou mais o bruxo que se sacrificou pela paz. Eu sou o bruxo que vai acabar com isso.

Sem mais uma palavra, Oscar desapareceu em um estrondo que sacudiu as fundações de Hogwarts.

***

Na enfermaria, o silêncio era interrompido apenas pelos soluços baixos de Hermione. Lily estava deitada na cama central, cercada por feitiços de monitoramento que brilhavam em azul e verde. Harry estava sentado ao lado dela, segurando a mão fria da amiga, enquanto Ron andava de um lado para o outro, pálido.

— Ela caiu, Mione... — disse Harry, a voz trêmula. — Ela caiu de uma altura que mataria qualquer um. Como ela ainda está viva?

— Eu não sei, Harry — respondeu Hermione, limpando as lágrimas. — Mas você viu aquele homem? Aquele que a pegou? A pressão mágica que ele emanava... eu senti como se não pudesse respirar.

— Era ele — sussurrou Lily, sua voz fraca fazendo os dois pularem.

— Lily! — Harry se inclinou para frente. — Não tente falar, Madame Pomfrey disse que você quebrou três costelas e teve uma concussão séria.

— Era ele... o homem do meu pulso — Lily tentou sorrir, mas a dor a impediu. — Ele estava com tanta raiva. Eu nunca senti nada assim. Era como se o sol estivesse queimando dentro de mim.

— Quem é ele, Lily? — perguntou Ron, aproximando-se.

— O meu motivo — sussurrou ela, antes de fechar os olhos novamente, o calor da marca em seu pulso voltando a brilhar com uma intensidade protetora.

***

Lá fora, no pátio principal de Hogwarts, o cenário era apocalíptico. Lord Voldemort estava parado no centro, cercado por seus Comensais, rindo da tentativa fútil de resistência dos professores.

— Onde está o seu salvador, Dumbledore? — gritou Voldemort. — Onde está o fantasma de Oscar Piastri? Eu senti a fraqueza dele! Eu quebrei o vínculo!

— Você não quebrou nada, Tom.

A voz veio de todos os lugares e de lugar nenhum. O ar no pátio congelou instantaneamente. Os Comensais da Morte recuaram, sentindo um terror ancestral que seus instintos mais básicos gritavam para fugir.

Oscar Piastri caminhou calmamente através das chamas que consumiam o pátio. Ele não tinha um arranhão. Sua presença física era tão densa que os feitiços lançados pelos Comensais simplesmente se desintegravam antes de chegarem a um metro dele.

Voldemort estreitou os olhos, a varinha de sabugueiro tremendo levemente em sua mão pálida.

— Então você ainda rasteja, Piastri? Você se escondeu por quinze anos por causa de uma garota?

— Eu não me escondi, Tom — disse Oscar, parando a dez metros dele. — Eu estava esperando. Mas você cometeu o erro final. Você a tocou. Você a machucou.

— Ela é apenas um receptáculo! — sibilou Voldemort. — Um ponto fraco em sua armadura!

Oscar soltou uma risada curta e sem humor que fez as janelas do Salão Principal estourarem.

— Ela é a razão pela qual eu ainda permito que este mundo exista. E agora, eu vou mostrar a você o que acontece quando se tenta apagar o sol.

Voldemort lançou o Avada Kedavra mais poderoso que já havia conjurado. O raio de luz verde iluminou o castelo inteiro, uma torrente de morte pura.

Oscar nem se moveu. Ele apenas ergueu a mão esquerda. A luz verde atingiu a palma de sua mão e, em vez de matá-lo, a maldição foi absorvida, transformando-se em chamas brancas que ele simplesmente fechou no punho.

— É só isso? — perguntou Oscar.

A luta que se seguiu não foi um duelo; foi um desmantelamento. Oscar se movia com uma velocidade que o olho humano não conseguia acompanhar. Ele não usava palavras, apenas gestos de poder bruto. Ele destruiu o Obelisco de Sangue com um olhar, e cada Comensal da Morte que tentou intervir foi lançado a quilômetros de distância por ondas de choque telecinéticas.

Voldemort estava desesperado. Ele lançava maldição após maldição, mas Oscar as desviava como se fossem brinquedos de criança.

— Você acha que é poderoso porque não teme a morte, Tom — disse Oscar, sua voz ecoando como um trovão sobre o campo de batalha. — Mas eu sou o poder que a morte teme.

Oscar fechou a mão no ar, e o corpo de Voldemort foi erguido do chão por uma força invisível. O Lorde das Trevas sufocava, sua magia sendo drenada pelo vínculo de alma que Oscar agora usava como uma arma.

— Por ela — disse Oscar, os olhos brilhando com uma fúria divina.

Ele lançou um feitiço de luz pura, uma explosão de magia solar que atingiu Voldemort no peito. Não houve sangue, apenas uma desintegração molecular. O grito de Voldemort foi silenciado pela magnitude do poder de Oscar, e as cinzas do Lorde das Trevas foram espalhadas pelo vento frio da montanha.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Os professores e alunos que observavam das janelas estavam paralisados. Oscar Piastri, o homem que todos pensavam ser um mito, estava parado no centro das ruínas, respirando pesadamente. Sua fúria estava saciada, mas a preocupação voltou a dominar seu rosto.

Sem olhar para trás, ele se transformou em luz e desapareceu.

Segundos depois, ele estava na enfermaria. Madame Pomfrey tentou impedi-lo, mas Dumbledore, que acabara de chegar, colocou a mão no ombro da enfermeira e balançou a cabeça negativamente.

Oscar caminhou até a cama de Lily. Harry e Hermione recuaram, intimidados pela aura de poder que ainda emanava dele. Oscar sentou-se na beirada da cama e pegou a mão de Lily.

— Lily — chamou ele, sua voz agora doce e marcante, o barítono que ela ouvira em seus sonhos.

Ela abriu os olhos lentamente. A dor havia sumido, substituída por uma sensação de calor absoluto.

— Você voltou — sussurrou ela, as lágrimas transbordando.

— Eu nunca fui embora — respondeu Oscar, inclinando-se para beijar a testa dela. — Mas agora, ninguém mais vai nos separar. Nem reis, nem monstros, nem o destino.

— Quem é você? — perguntou Harry, a voz trêmula de curiosidade e respeito.

Oscar olhou para o garoto, e pela primeira vez, Harry viu a humanidade por trás do poder.

— Eu sou aquele que a ama, Harry Potter. E isso é tudo o que você precisa saber por enquanto.

Lily apertou a mão de Oscar, e a marca em seu pulso brilhou em um tom de ouro puro, selando não apenas a cura dela, mas o início de uma nova era. O bruxo mais poderoso do mundo havia retornado, e ele não aceitaria nada menos do que a eternidade ao lado de sua alma gêmea.

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