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Nas sombras

O Efeito Dominó das Máscaras Caídas

O Grande Salão de Hogwarts nunca estivera tão barulhento e, ao mesmo tempo, tão carregado de uma tensão que beirava o insuportável. A revelação pública do relacionamento entre Harry, Draco e Rony não fora apenas um escândalo; fora uma explosão que abalou os alicerces das casas. Na mesa da Grifinória, o trio permanecia sentado lado a lado, desafiando qualquer um a proferir o primeiro insulto.

Draco sentia o peso de mil olhares cravados em suas costas. Ele sabia que, na mesa da Sonserina, seus antigos "amigos" estavam processando a informação com uma mistura de nojo e incredulidade. No entanto, o calor da mão de Harry em sua coxa, por baixo da mesa, e a presença sólida de Rony ao seu lado direito funcionavam como um escudo mágico mais potente que qualquer *Protego*.

— Eles estão olhando como se fôssemos espécimes de um zoológico mágico — murmurou Draco, tentando manter o tom de voz blasé, embora seus dedos estivessem levemente trêmulos enquanto segurava a xícara de chá.

— Deixe que olhem — respondeu Rony, pegando uma coxa de frango com uma indiferença ensaiada que não enganava ninguém. — Se o Simas continuar encarando assim, eu vou enfiar esta coxa no olho dele.

Harry soltou uma risada baixa, inclinando-se para o lado e apoiando o queixo no ombro de Draco. O gesto foi deliberado, uma demonstração pública de afeto que fez o salão inteiro soltar um suspiro coletivo.

— Você está indo muito bem, Dray — sussurrou Harry, roçando os lábios no pescoço de Draco, logo acima do colarinho da camisa. — A melhor parte de não ter mais segredos é que eu posso fazer isso sempre que eu quiser.

Draco fechou os olhos por um segundo, permitindo-se desfrutar do carinho. A sensação de ser "mimado" por Harry em público era uma droga nova e viciante. Ele, que sempre fora o mestre da autossuficiência e da arrogância, descobria que havia um poder imenso em se deixar ser cuidado.

— Potter, você é um exibicionista — Draco retrucou, mas não se afastou. Pelo contrário, inclinou a cabeça para dar a Harry mais acesso.

A paz, entretanto, durou pouco. Pansy Parkinson levantou-se da mesa da Sonserina e caminhou em direção a eles com passos que estalavam no chão de pedra. Ela parou diante do trio, os olhos faiscando de uma fúria fria.

— Então é verdade — disse Pansy, a voz cortante. — O grande herdeiro dos Malfoy decidiu se tornar o animal de estimação da Grifinória. Que decadência, Draco. O que seu pai diria se visse você agora, agindo como uma... cadelinha carente desses dois?

O salão silenciou. Rony fez menção de se levantar, o rosto ficando vermelho, mas Draco colocou uma mão firme no braço do ruivo, impedindo-o. O loiro levantou o olhar para Pansy, e pela primeira vez em anos, não havia medo ou necessidade de aprovação em seus olhos cinzentos.

— Meu pai diria muitas coisas, Pansy — respondeu Draco, a voz calma e perfeitamente controlada. — Mas a diferença entre mim e você é que eu finalmente parei de me importar com o que os outros dizem. E quanto a ser um "animal de estimação"... bom, eu garanto que o tratamento que recebo aqui é muito superior a qualquer coisa que você já experimentou.

Harry deu um sorriso de lado, apertando a cintura de Draco de forma possessiva.

— Ele não é um animal de estimação, Pansy — disse Harry, o tom de voz perigosamente baixo. — Ele é nosso. E eu sugiro que você volte para sua mesa antes que eu decida que a sua opinião não é mais bem-vinda neste salão.

Pansy bufou, girando nos calcanhares e saindo pisando forte, mas o estrago estava feito. O murmúrio voltou com força total.

— Isso foi... intenso — comentou Hermione, que estava sentada à frente deles, observando tudo com um brilho de aprovação. — Mas vocês precisam estar preparados. O próximo passo não será apenas palavras. A notícia vai chegar ao Profeta Diário até o anoitecer.

— Que chegue — disse Rony, voltando a comer. — Pelo menos assim meu pai para de me mandar catálogos de "bruxas solteiras e prendadas" pelo correio.

A tarde seguiu com uma sensação de liberdade misturada com vigilância. Nas aulas, os professores pareciam ignorar a nova dinâmica, embora Slughorn desse olhares furtivos de curiosidade científica para o trio. Foi apenas quando a noite caiu que a verdadeira celebração — e a verdadeira entrega — começou.

Eles se retiraram para a Sala Precisa, que agora parecia ter se tornado seu santuário permanente. Desta vez, a sala não era um campo de batalha de dominação, mas um refúgio de luxo e conforto. Havia uma banheira de mármore enorme, cheia de água quente e espumas perfumadas com aroma de sândalo e cedro.

— Eu sinto como se tivesse corrido uma maratona contra um bando de hipogrifos — reclamou Rony, jogando-se em um sofá de veludo enquanto começava a desamarrar as botas.

Draco, que já estava de roupão, aproximou-se de Rony. Para a surpresa do ruivo, o loiro ajoelhou-se entre suas pernas e começou a ajudá-lo com os cadarços.

— O que você está fazendo, Malfoy? — perguntou Rony, surpreso pela submissão espontânea.

— Cuidando do que é meu — respondeu Draco, sem olhar para cima. — Você foi corajoso hoje, Weasley. Enfrentar a sua própria casa por minha causa... eu sei que não foi fácil.

Harry apareceu atrás de Rony, começando a massagear os ombros tensos do ruivo.

— Nós três fomos corajosos — corrigiu Harry. — Mas agora, o mundo lá fora não importa.

Eles se moveram para a banheira. A água quente relaxou os músculos, mas a tensão sexual, que havia sido alimentada pelo ciúme e pela exposição pública durante todo o dia, começou a borbulhar. Draco estava sentado entre as pernas de Harry, com as costas apoiadas no peito do moreno, enquanto Rony estava à frente deles, observando-os com olhos escurecidos pelo desejo.

Harry começou a passar uma esponja pelos ombros de Draco, seus movimentos lentos e deliberados. Ele beijava a nuca do loiro, deixando marcas que não precisavam mais ser escondidas por feitiços.

— Você adora isso, não é? — sussurrou Harry no ouvido de Draco. — Adora saber que todo mundo viu quem te possui.

Draco soltou um gemido baixo, inclinando a cabeça para trás.

— Eu adoro que seja você, Harry. E adoro que o Weasley esteja olhando para mim como se quisesse me devorar.

Rony não esperou. Ele se aproximou, deslizando pela água até ficar cara a cara com Draco. Ele segurou o rosto do loiro com as mãos grandes e quentes, iniciando um beijo que era uma mistura de gratidão e luxúria crua.

— Eu vou te devorar, Malfoy — prometeu Rony contra os lábios dele. — Mas primeiro, eu quero que você me mostre o quanto você sentiu falta disso enquanto estava fingindo ser o "hétero de gelo" no salão.

A sessão na banheira foi apenas o prelúdio. Quando saíram e se secaram com feitiços rápidos, a Sala Precisa já havia providenciado uma cama que parecia feita de nuvens e seda negra.

Draco, apesar de ser o ativo da relação no sentido físico, assumia agora seu papel de "cadelinha" emocional, como Harry gostava de brincar. Ele se deitou no centro da cama, esperando que os dois Grifnórios o cercassem. Harry posicionou-se atrás dele, enquanto Rony ficou à sua frente.

— Hoje — disse Harry, sua voz rouca de comando —, nós vamos fazer as coisas do meu jeito. Draco, você vai apenas receber. Rony, ajude-me a lembrá-lo de que ele não precisa estar no controle de nada aqui dentro.

Draco estremeceu de prazer. A ideia de entregar o controle total a Harry e Rony era o que mais o excitava. Ele fechou os olhos, sentindo as mãos de Harry explorando suas costas e as de Rony acariciando seu peito.

— Sim, Harry... por favor — murmurou Draco, entregando-se completamente.

Harry começou a marcar a pele de Draco com mordidas firmes, descendo pela coluna vertebral do loiro, enquanto Rony se concentrava em beijar cada centímetro do abdômen e das coxas de Draco. O loiro arqueava o corpo, os dedos enterrados nos lençóis de seda, soltando gemidos que eram música para os ouvidos dos dois amigos.

— Você é tão lindo quando está assim — disse Rony, olhando para Draco com uma adoração que o loiro nunca imaginou receber de um Weasley. — Tão vulnerável e tão nosso.

— Eu sou... — Draco ofegou — ...eu sou de vocês.

A noite progrediu para uma intensidade avassaladora. Harry guiava o ritmo, garantindo que Draco fosse levado ao limite do prazer antes de permitir qualquer liberação. Rony, movido por uma paixão que parecia ter crescido exponencialmente desde que o segredo fora revelado, era incansável em suas carícias.

Quando Draco finalmente foi possuído, a sensação de completude foi maior do que qualquer outra noite. Não havia mais o medo de serem descobertos, não havia mais a sombra da desaprovação familiar. Havia apenas eles três, unidos em um ato de amor e dominação que transcendia as barreiras das casas de Hogwarts.

Draco sentia-se preenchido, não apenas fisicamente, mas emocionalmente. A cada estocada de Harry, a cada beijo de Rony, ele sentia as últimas camadas de sua antiga máscara de gelo derreterem. Ele não era apenas um Malfoy; ele era a parte central de uma trindade que desafiava a lógica e a tradição.

— Harry! Rony! — Draco gritou, seu clímax atingindo-o como uma onda de choque que o deixou sem fôlego e trêmulo.

Eles desabaram juntos, um emaranhado de suor, pele e exaustão feliz. Harry abraçou Draco por trás, enquanto Rony puxou o loiro para a frente, envolvendo-os em um abraço protetor.

— O que vai acontecer amanhã? — perguntou Rony, a voz abafada pelo travesseiro.

— Amanhã o Profeta Diário vai publicar fotos nossas — respondeu Harry, calmamente. — Amanhã o Lucius Malfoy provavelmente vai mandar um Berrador que vai fazer o teto do Grande Salão tremer. E amanhã, nós vamos acordar e fazer tudo de novo.

Draco sorriu, sentindo-se seguro entre os dois.

— Deixe o Berrador vir — disse Draco. — Eu vou estar ocupado demais tomando café na mesa da Grifinória para me importar.

Harry riu, beijando a orelha de Draco.

— Sabe, Dray... eu acho que você está começando a gostar dessa coisa de ser um Grifnório honorário.

— Não exagere, Potter — retrucou Draco, embora estivesse se aninhando mais profundamente no abraço. — Eu apenas descobri que o vermelho combina com a minha pele quando eu estou... devidamente marcado por vocês.

Rony soltou uma risada sonolenta.

— Você é impossível, Malfoy. Mas você é o nosso impossível.

O silêncio finalmente caiu sobre a Sala Precisa, mas era um silêncio diferente de todos os anteriores. Não era o silêncio do medo ou da clandestinidade. Era o silêncio da vitória. Eles haviam derrubado os muros, queimado as máscaras e emergido do outro lado mais fortes do que nunca.

Draco adormeceu com a certeza de que, embora o mundo bruxo pudesse estar em caos por causa deles, seu próprio mundo — o mundo que consistia em Harry e Rony — estava finalmente em perfeita ordem. Ele não precisava mais fingir ser o ativo dominante para o público, nem o herdeiro frio. Ele podia ser apenas Draco, o homem que amava e era amado por dois heróis improváveis, encontrando na submissão privada a maior força que já conhecera.

E enquanto a lua brilhava sobre as torres de Hogwarts, o trio dormia em paz, prontos para enfrentar qualquer tempestade que o amanhecer trouxesse, contanto que estivessem juntos, sem segredos e sem máscaras. A era das mentiras elegantes chegara ao fim; agora, era o tempo da verdade nua, crua e intensamente apaixonada.