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Nemhum

O Labirinto de Seda e Aço

O silêncio na cobertura de Emanuel era, muitas vezes, mais ensurdecedor do que os gritos de Sara. Naquela manhã, o ar estava carregado com o resíduo da briga da noite anterior, mas Eduarda não chorava. Ela não se trancou no quarto nem buscou o consolo de Dona Helena. Em vez disso, ela acordou cedo, vestiu um robe de seda champagne e sentou-se à mesa com uma calma que Emanuel achou, por um breve momento, reconfortante.

Emanuel tomava seu café concentrado no iPad, tentando ignorar a fatura do cartão que acabara de chegar por e-mail. Suas sobrancelhas se ergueram. O limite de dois de seus cartões corporativos, geralmente usados para despesas de alto nível nos estúdios, havia sido atingido em menos de três horas. Joias, sapatos de grife, um conjunto de malas de couro legítimo e uma doação generosa para uma fundação de arte.

Ele respirou fundo, fechando os olhos por alguns segundos. Sabia quem fora. Eduarda o olhava por cima da xícara de chá, os olhos castanhos límpidos, sem um pingo de arrependimento.

— Manu, eu precisava de algumas coisas para me sentir melhor — disse ela, a voz saindo doce, manhosa, como se estivesse pedindo um copo de água. — Você disse que eu era preciosa, então achei que não se importaria.

Emanuel soltou o ar lentamente. O dinheiro não era o problema — ele era um tatuador de renome mundial, rico o suficiente para não sentir falta daquelas dezenas de milhares de reais —, mas a audácia silenciosa de Eduarda era um sinal de que a "menina" estava aprendendo a morder.

— Tudo bem, Eduarda — murmurou ele, voltando ao tablet. — Se isso te faz sentir melhor pelo que aconteceu ontem, que seja.

— O quê? — O grito veio da escada. Sara descia os degraus como um furacão, ainda de pijama, mas já com o rosto carregado de fúria. — Como assim "tudo bem"? Emanuel, eu tentei passar o meu cartão na reserva do spa agora mesmo e deu recusado! Você deu todo o limite para essa sonsa gastar em livrinho e sapato de boneca?

— Ela comprou o que achou necessário, Sara — Emanuel disse, a voz gélida.

— Necessário? — Sara avançou até a mesa, batendo a mão no mármore. — Ela acabou com o limite de dois cartões! E eu? Como eu fico? Eu tenho um evento amanhã, preciso de um vestido novo, preciso de botox, preciso respirar! Você está deixando essa pirralha me sufocar financeiramente!

Eduarda deu um gole lento em seu chá, um sorrisinho de canto de lábio surgindo enquanto olhava para as unhas perfeitamente lixadas.

— Talvez você devesse ter sido mais rápida, Sara — disse Eduarda, a voz baixa e melódica. — O Manu valoriza quem sabe apreciar as coisas finas.

— Sua cadela! — Sara partiu para cima de Eduarda, mas Emanuel levantou-se num salto, segurando a loira pelo braço.

— Chega! Já deu por hoje! Sara, vá para o seu quarto. Eu vou liberar um fundo de reserva para você mais tarde, mas se eu ouvir mais um grito, eu corto tudo de vez.

Sara bufou, lançando um olhar de puro ódio para Eduarda antes de subir as escadas batendo os pés. Emanuel sentou-se novamente, sentindo a exaustão pesar em seus ombros. Ele olhou para Eduarda, esperando que ela viesse até ele, pedisse desculpas ou fizesse algum carinho. Mas ela apenas se levantou, caminhou até ele e sussurrou em seu ouvido:

— Hoje à noite, Manu... eu preparei uma surpresa para você. No seu quarto. Não se atrase.

O dia passou arrastado. Emanuel trabalhou em silêncio, mas a promessa de Eduarda pairava em sua mente. Ele esperava uma noite de reconciliação, talvez a entrega que ele tanto desejava daquela que ainda guardava sua virgindade como um tesouro sagrado.

Quando a noite caiu, ele entrou em seu quarto principal. A luz estava baixa, apenas alguns abajures de luz quente iluminavam o ambiente. Eduarda estava sentada na beira da cama grande, vestindo uma lingerie de renda branca que contrastava com sua pele delicada. Ela parecia um anjo, mas o olhar que ela lançou a ele tinha uma centelha de algo sombrio.

— Deite-se, Manu — pediu ela, manhosa, apontando para o centro da cama.

Emanuel obedeceu, sentindo o coração acelerar. Ele se deitou, esperando que ela se jogasse em seus braços. Em vez disso, Eduarda puxou um par de algemas de couro e metal que ele mantinha guardadas em uma gaveta lateral — um brinquedo que ele costumava usar com Sara, mas nunca com ela.

— Duda? O que é isso? — ele perguntou, rindo levemente, achando que era uma brincadeira.

— Você foi um homem muito mal ontem, Manu — disse ela, prendendo o primeiro pulso dele na cabeceira de ferro da cama. — Você me prendeu aqui dentro, me impediu de sair. Agora é a minha vez de ver como você se sente sendo um prisioneiro.

Antes que ele pudesse protestar, o segundo clique ecoou. Emanuel estava preso, os braços esticados acima da cabeça. Ele tentou puxar, mas as algemas eram profissionais.

— Ok, a brincadeira foi boa. Agora me solta, pequena.

Eduarda não respondeu com palavras. Ela subiu na cama, engatinhando como uma gata até ficar montada sobre o quadril dele. O peso dela era leve, mas a presença era esmagadora. Ela se sentou sobre ele, sentindo a ereção dele pulsando sob o tecido da calça.

— Você quer me tocar, não quer? — perguntou ela, passando as mãos pequenas e macias pelo peito dele, descendo até o abdômen.

— Duda, me solta... você não sabe o que está fazendo — Emanuel disse, a voz tornando-se rouca.

— Eu sei exatamente o que estou fazendo.

Eduarda então fez algo que Emanuel nunca imaginou. Ela se afastou um pouco, sentando-se sobre as próprias pernas ainda em cima dele, e abriu as suas. Com uma calma torturante, ela deslizou a mão para baixo, alcançando a própria intimidade. Seus olhos nunca deixaram os dele.

Emanuel assistiu, paralisado e em choque, enquanto Eduarda começava a se masturbar na frente dele. Seus dedos pequenos mergulhavam na renda da calcinha, e logo o som úmido e rítmico preencheu o silêncio do quarto.

— Duda... para com isso — Emanuel rosnou, puxando as algemas com força, fazendo a cama ranger. — Me solta agora! Isso não tem graça!

— Não é para ter graça, Manu — ela gemeu baixinho, a cabeça pendendo para trás, expondo a linha longa e branca de seu pescoço. — É para você sentir o que eu sinto. Querer algo que está bem na sua frente e não poder tocar. Não poder sair.

Ela acelerou o movimento. Seus gemidos eram manhosos, agudos, preenchendo o quarto e, certamente, chegando aos ouvidos de Sara no andar de cima. Eduarda fazia questão de ser ouvida. Ela enfiava os dedos em si mesma, explorando-se com uma luxúria que Emanuel nunca vira nela.

— Por favor... — Emanuel implorou, o desespero tomando conta. Ele era um homem de ação, de controle, e estar ali, preso, vendo a mulher que ele desejava se dar prazer sem ele, era uma tortura refinada. — Eduarda, eu estou mandando! Me solta!

— Você não manda em nada aqui dentro, Emanuel — ela disse, abrindo os olhos, que agora estavam nublados pelo desejo. — Hoje, o controle é meu.

Ela começou a rebolar sobre o colo dele, mas sem permitir que houvesse contato direto entre as genitais. Era apenas o roçar do tecido, o calor da pele dela contra a dele. Emanuel estava enlouquecendo. Ele tentou chutar, tentou se contorcer, mas o ângulo o deixava vulnerável.

— Eu vou quebrar essas algemas, Eduarda! Se você não me soltar agora, as coisas vão ficar feias para o seu lado! — ele ameaçou, a voz grossa de raiva e tesão.

Eduarda apenas riu, um riso infantil e cruel.

— Você não vai quebrar nada. E se gritar, a Sara vai vir aqui ver a sua humilhação. Você quer isso, Manu? Quer que ela veja quem manda em você de verdade?

Ele se calou, o rosto vermelho de frustração. Ela continuou a se tocar, a mão descendo cada vez mais fundo, os gemidos tornando-se mais intensos. Ela estava chegando perto do ápice, e Emanuel podia ver as contrações nos músculos das coxas dela.

— Manu... olha para mim — ela pediu, a voz trêmula. — Olha o que você está perdendo porque resolveu ser um ditador.

— Duda, eu te amo... por favor, me deixa participar disso... eu te dou o que você quiser... só me solta — ele implorou, a autoridade completamente