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A Doçura que Desarma o Caos

O dia amanheceu com a luz filtrada pelas persianas do escritório de Emanuel, mas ele pouco havia dormido. A imagem de Eduarda, com sua fragilidade quase etérea, não saía de sua mente. Ele estava acostumado com o impacto de Sara — uma mulher que não pedia licença, que dominava o ambiente com o cheiro de perfume importado caro e a firmeza de quem sabia administrar um império. Sara era o fogo que o mantinha alerta, a sócia perfeita e a amante técnica. Mas Eduarda... Eduarda era o silêncio que Emanuel não sabia que desejava.

Emanuel passou a manhã em reuniões por videoconferência com seus estúdios em Londres e Tóquio. Ele era um homem de números, de traços precisos e de um controle férreo sobre sua vida. No entanto, ao olhar para o relógio e ver que faltavam poucos minutos para o horário marcado com a estudante de História da Arte, sentiu uma ansiedade que não experimentava há anos.

Ele se levantou, ajeitou a camisa preta de algodão fino que marcava discretamente seus ombros largos e caminhou até a recepção de seu estúdio principal. Ele queria estar lá quando ela chegasse.

A porta de vidro deslizou. E, por um momento, o som do trânsito lá fora pareceu desaparecer.

Eduarda entrou. Se no dia anterior ela parecia uma pintura renascentista, hoje ela era a personificação de um sonho romântico. Ela usava um conjunto de saia e top em tom de creme. A saia era curta, mas rodada, feita de um tecido leve que balançava a cada passo curto que ela dava. O top tinha mangas bufantes transparentes e um decote coração que realçava seus seios médios de forma suave, sem a agressividade das roupas de Sara. Era um look sexy, mas de uma doçura que dava vontade de protegê-la do mundo. Nos pés, sapatilhas delicadas com fitas de cetim amarradas nos tornozelos finos.

Ela parou ao vê-lo, os olhos grandes e expressivos encontrando os dele. Um rubor subiu instantaneamente pelas bochechas dela.

— Oi... — sussurrou ela, apertando um pequeno caderno contra o peito. — Eu achei que... talvez você tivesse esquecido.

Emanuel deu um passo à frente, ignorando os olhares curiosos de seus outros tatuadores. Ele estendeu a mão, e Eduarda, com um gesto manhoso e hesitante, deslizou os dedos pequenos para dentro da palma dele. A pele dela era tão macia quanto ele imaginara.

— Eu não esqueceria, Eduarda. Eu disse que estaria esperando — ele disse, sua voz baixando para um tom que apenas ela pudesse ouvir. — Você está linda.

— Obrigada — ela respondeu, baixando a cabeça, o que fez suas ondas castanhas caírem sobre o rosto. — Eu fiquei nervosa para vir. Aquela moça... a Sara... ela não está aqui, está?

Emanuel sentiu uma pontada de culpa, mas logo a substituiu por uma determinação possessiva.

— Sara está cuidando de assuntos na sede administrativa hoje. Estamos sozinhos aqui na minha sala — ele a conduziu para o espaço reservado, fechando a porta de vidro fosco atrás de si.

O ambiente era luxuoso e silencioso. Eduarda sentou-se na cadeira de couro, mas não se acomodou como uma cliente comum. Ela se encolheu levemente, puxando as pernas para perto e olhando ao redor com uma curiosidade infantil e fascinada.

— Seu estúdio é tão... imponente — comentou ela, voltando o olhar para ele. — Combina com você. Você parece alguém que tem todas as respostas, Emanuel.

Emanuel sentou-se na beirada de sua mesa de carvalho negro, ficando a poucos centímetros dela. Ele podia sentir o perfume de baunilha e flores frescas novamente. Era inebriante.

— Eu nem sempre tenho as respostas, Eduarda. Às vezes, as coisas simplesmente acontecem e nos tiram o chão — ele confessou, observando a curva do pescoço dela. — Trouxe os desenhos que queria me mostrar?

Ela assentiu, abrindo o caderno. Seus dedos tremiam levemente.

— Eu desenhei algumas ideias... baseadas no "Nascimento de Vênus". Mas eu mudei algumas coisas. Queria algo que fosse... meu. Que mostrasse que eu posso ser bonita, mesmo sendo tão... pequena perto de tudo.

Emanuel pegou o caderno. Os traços dela eram finos e delicados, exatamente como ela. Enquanto ele analisava os esboços, Eduarda se inclinou para frente, apoiando o queixo na mão, observando-o com uma carência evidente.

— Você acha que sou boba por querer algo assim? — perguntou ela, a voz carregada de uma insegurança que fez Emanuel querer abraçá-la.

— Eu acho que você é a pessoa mais autêntica que já conheci — Emanuel fechou o caderno e olhou fixamente nos olhos dela. — As pessoas costumam vir aqui para gritar para o mundo quem são através da pele. Você... você parece estar guardando um segredo precioso.

Eduarda mordeu o lábio inferior, um gesto que Emanuel notou ser um hábito quando ela se sentia exposta.

— Eu não sou muito boa com o mundo lá fora, Emanuel — ela admitiu, a voz ficando manhosa, quase como um pedido de socorro. — Tudo é muito barulhento, muito rápido. As pessoas são... como a Sara. Elas ocupam muito espaço. Eu sinto que estou sempre tentando sumir.

Emanuel esticou a mão e tocou o rosto dela, o polegar acariciando a maçã da face rosada. Eduarda fechou os olhos e inclinou o rosto contra a palma dele, buscando o contato físico como uma gata carente de afeto.

— Comigo você não precisa sumir — ele afirmou, sentindo uma onda de proteção percorrer seu corpo. — Comigo, você pode ser exatamente assim. Eu vou cuidar para que ninguém tire o seu espaço.

— Você promete? — ela abriu os olhos, que brilhavam com uma mistura de admiração e dependência.

— Prometo.

O clima na sala mudou. A tensão profissional desapareceu, dando lugar a uma intimidade perigosa. Emanuel sabia que o que estava sentindo por Eduarda era o oposto do que sentia por Sara. Com Sara, era uma parceria de poder, um embate de egos que terminava em um sexo voraz e prático. Com Eduarda, ele sentia vontade de parar o tempo, de sentá-la em seu colo e ouvir cada pensamento sensível de sua mente dedicada à arte.

Ele queria as duas. A percepção atingiu sua mente racional com a força de um soco, mas ele não a rejeitou. Ele era Emanuel, o homem que construiu um império do nada. Por que ele deveria se contentar com apenas uma faceta da vida? Ele queria a força bruta e a administração de Sara; e queria a doçura, a poesia e a dependência de Eduarda.

De repente, o celular de Emanuel vibrou sobre a mesa. O nome "SARA" brilhou na tela. Ele ignorou.

Eduarda olhou para o aparelho e depois para ele, o brilho de insegurança voltando aos seus olhos.

— Ela vai ficar brava se você não atender? — perguntou ela, a voz pequena.

— Ela não manda em mim, Eduarda — Emanuel respondeu com firmeza, pegando o celular e desligando-o. — Agora, o meu tempo é seu.

Eduarda deu um sorriso mais aberto, um daqueles que iluminava todo o seu rosto fino. Ela se levantou da cadeira e deu um passo para mais perto dele, ficando entre suas pernas enquanto ele continuava sentado na mesa.

— Eu gosto de como você fala — disse ela, brincando com um dos botões da camisa dele. — Você me faz sentir... segura. Ninguém nunca me tratou como se eu fosse algo que precisasse ser guardado com cuidado.

Emanuel envolveu a cintura esguia dela com os braços, puxando-a para o espaço entre seus joelhos. Eduarda soltou um pequeno suspiro de surpresa, mas não recuou. Pelo contrário, ela se apoiou no peito dele, escondendo o rosto em seu pescoço.

— Você é uma joia, Eduarda. E joias não ficam expostas ao sol forte sem proteção — ele murmurou, sentindo o calor do corpo dela contra o seu.

— Eu queria morar em um lugar assim... calmo. Com você — ela confessou, com a honestidade desarmada de quem não sabe jogar jogos de sedução. — Você parece um castelo, Emanuel. Forte por fora, mas... eu sinto que aqui dentro é diferente.

Emanuel sentiu seu coração acelerar. O desejo de tê-la em sua casa, de vê-la caminhando por seus corredores com aqueles vestidos românticos, era quase físico. Ele imaginou Eduarda em sua biblioteca, estudando seus livros de arte, enquanto ele trabalhava. E imaginou Sara, chegando à noite, trazendo a energia do mundo exterior, as fofocas do mercado financeiro e a paixão ardente.

— Talvez você possa — ele disse, levantando o queixo dela para que ela o olhasse. — Talvez eu queira exatamente isso.

Eduarda arregalou os olhos.

— Mas... e ela?

— Eu vou resolver tudo — Emanuel disse, a voz assumindo aquele tom de controle que ele usava para fechar negócios milionários. — Eu não sou um homem de abrir mão do que eu quero. E eu quero você, Eduarda. Quero cuidar de você, quero que você termine sua faculdade sem se preocupar com nada além das suas tintas e seus livros.

— Você faria isso por mim? — ela perguntou, a voz embargada. — Eu sou só uma estudante... eu não tenho nada para oferecer como a Sara tem.

— Você me oferece paz — ele respondeu, aproximando o rosto do dela. — Você me oferece algo que o dinheiro não compra e que a inteligência administrativa dela não alcança. Você me oferece a sua doçura. E isso, para mim, vale mais do que qualquer franquia.

Eduarda se inclinou, selando a distância entre eles. O beijo foi casto, doce, com gosto de descoberta. Ela se entregava de forma lenta, manhosa, buscando a guia dele em cada movimento. Emanuel a segurou com força, sentindo a fragilidade de seus ossos sob a pele, jurando silenciosamente que ninguém, nem mesmo Sara, a machucaria.

Quando se afastaram, Eduarda estava ofegante, o rosto mais vermelho do que nunca.

— Eu acho que estou sonhando — ela sussurrou, acariciando a nuca dele, onde alguns fios de cabelo curto se encontravam com a pele.

— Não é um sonho — Emanuel disse, levantando-se e levando-a até a cadeira de tatuagem. — Agora, vamos marcar a sua pele. Quero que você leve um traço meu com você hoje. Um sinal de que você agora pertence ao meu mundo.

Eduarda sentou-se na cadeira, olhando para os equipamentos com um temor reverente.

— Vai doer? — perguntou ela, estendendo o braço delicado.

Emanuel preparou a agulha, sua mão firme e precisa. Ele olhou para ela com um brilho de possessividade nos olhos.

— Só um pouco, querida. Mas eu estarei aqui para segurar sua mão depois.

Enquanto ele começava o trabalho, o contraste em sua mente ficava cada vez mais claro. Sara era a mulher que ele exibia para o mundo, a parceira de guerra. Eduarda seria seu segredo mais doce, a mulher que ele guardaria em uma redoma de vidro, protegida de tudo e de todos.

Lá fora, o mundo continuava seu ritmo frenético, e Emanuel sabia que, em breve, a tempestade chamada Sara voltaria para cobrar atenção. Mas, por enquanto, naquele pequeno santuário de arte e silêncio, ele só tinha olhos para a garota de vestido rosa que confiava nele como se ele fosse seu único salvador.

Emanuel sorriu para si mesmo. Ele teria as duas. O caos e a calmaria. O império estava completo.