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O Banquete da Corça e a Fome do Dragão
As paredes de Pedra do Dragão sempre tiveram ouvidos, mas naquela tarde, elas pareciam sussurrar veneno. Alicent caminhava silenciosamente pelo corredor que levava aos jardins suspensos, pretendendo levar Helaena para ver as flores, quando o som de risadas agudas e o tilintar de taças de vinho a fizeram parar atrás de uma pilastra de pedra negra.
— Ah, Jeyne, você não faz ideia — a voz de Laena era inconfundível, carregada de um orgulho quase carnal. — Ontem à noite, Daemon estava como um animal. Ele me possuía com tanta força que achei que as vigas do teto iriam ceder. Ele gosta quando eu luto, quando eu arranho... ele precisa do fogo que só o meu sangue pode dar.
Alicent sentiu uma pontada no peito, mas o que veio a seguir foi o que realmente fez seu sangue ferver.
— E a pequena Hightower? — perguntou a amiga, com um tom de deboche.
— Alicent? — Laena soltou uma risada anasalada, depreciativa. — Ela é útil para ninar as crianças e rezar para os Sete, eu suponho. Na cama, deve ser como foder um saco de lã. Tão sem sal, tão... educada. Daemon vai até ela quando quer descansar, mas vem a mim quando quer se sentir vivo. Esta noite, eu planejei algo especial. Ele não vai sair dos meus aposentos até o amanhecer, e eu vou garantir que ele esqueça que aquela santinha sequer existe.
Alicent fechou os olhos, as mãos apertando o tecido verde de seu vestido até os nós dos dedos ficarem brancos. A humilhação queimava em sua garganta como fumaça de dragão. Ela sempre tentara ser a ponte, a paz, a esposa compreensiva que aceitava as migalhas de tempo e afeto para manter a harmonia. Mas ouvir Laena vangloriar-se de sua exclusividade sexual e diminuí-la a uma serva sem desejo despertou algo que Alicent Hightower vinha sufocando há anos: uma fúria possessiva e crua.
— Veremos quem vai descansar esta noite, Laena — sussurrou Alicent para as sombras, um sorriso frio e determinado surgindo em seus lábios.
Ela entregou Helaena à ama com instruções rígidas e seguiu para seus aposentos. Não havia orações em sua mente agora, apenas estratégia. Ela tomou um banho demorado em águas perfumadas com óleos de sândalo e jasmim, o tipo de aroma que grudava na pele e entrava nas narinas como um feitiço. Ela não escolheu o vestido recatado de costume; em vez disso, selecionou uma camisola de seda verde tão fina que era quase translúcida sob a luz das velas, deixando os mamilos marcados contra o tecido e o desenho de seus quadris evidente a cada passo.
Quando a noite caiu e as tochas foram acesas, Alicent não esperou que Daemon viesse até ela. Ela sabia que ele passaria pelo corredor principal após o treino tardio com os guardas. Ela o interceptou antes que ele pudesse chegar perto da ala de Laena.
Daemon estava suado, o cheiro de couro, suor e metal emanando de seu corpo imponente. Seus olhos violetas brilharam de surpresa ao ver Alicent ali, parada na penumbra, com o cabelo castanho-dourado solto em ondas selvagens que desciam até a cintura.
— Alicent? — Ele sorriu, a voz rouca. — Eu estava indo me lavar para...
— Você não vai a lugar nenhum, Daemon — interrompeu ela, a voz baixa, carregada de uma autoridade que o fez parar no lugar. — Venha comigo. Agora.
Ela não esperou resposta. Virou-se e entrou em seus aposentos, deixando a porta entreaberta. Daemon, intrigado pela mudança súbita de comportamento da esposa "gentil", seguiu-a.
Assim que ele entrou, Alicent fechou a porta e trancou-a. O som do ferrolho correndo foi como um sinal de guerra.
— O que é isso, minha doce corça? — Daemon perguntou, aproximando-se com aquele ar de predador confiante. — Você parece... faminta.
Alicent não respondeu com palavras. Ela caminhou até ele e empurrou-o contra a porta fechada. Suas mãos, geralmente tão delicadas, agarraram a túnica dele com força, puxando-o para baixo.
— Eu cansei de ser a sua paz, Daemon — sibilou ela contra os lábios dele, o hálito quente de vinho misturando-se ao dele. — Esta noite, eu quero que você se lembre exatamente de quem eu sou. Eu sou sua esposa. E eu vou te foder até você não conseguir sequer lembrar o nome de outra mulher.
Daemon soltou uma risada gutural, a surpresa dando lugar a um desejo imediato e violento. Ele agarrou a cintura dela, sentindo a seda fina e a pele quente por baixo.
— É assim, então? A santinha quer brincar de pecado?
— Eu vou te dar todo o pecado que você consegue aguentar — Alicent desceu as mãos para a braguilha de couro dele, desfazendo os laços com uma urgência febril. — Laena acha que você só tem fogo com ela. Ela acha que eu sou um "saco de lã". Vamos ver se você concorda quando eu estiver montada em você, sugando cada gota da sua força.
Ela se ajoelhou ali mesmo, no chão de pedra fria. Com uma vulgaridade que Daemon nunca imaginou que ela possuísse, ela libertou o membro dele, já pulsante e rígido. Alicent olhou para cima, os olhos verdes brilhando com um desafio lascivo, e envolveu-o com a boca, usando a língua com uma perícia faminta.
Daemon soltou um rosnado, as mãos enterrando-se no cabelo dela, puxando levemente.
— Porra, Alicent... onde você aprendeu isso?
Ela não parou. Ela o devorava com uma intensidade que beirava a raiva. Ela queria marcá-lo, queria que o cheiro dela ficasse impregnado nele de tal forma que nenhum banho pudesse tirar. Quando ele estava prestes a explodir, ela se afastou, deixando-o ofegante e frustrado.
— No quarto, Daemon — disse ela, levantando-se e caminhando para a cama imensa. — Eu ainda não terminei com você.
Ela se deitou, abrindo as pernas sem qualquer resquício de modéstia, a seda verde subindo até a cintura, expondo a pele alva e o monte de Vênus perfeitamente cuidado.
— Venha me tomar — ordenou ela. — E não ouse ser gentil.
Daemon não precisou de um segundo convite. Ele arrancou o restante de suas roupas e jogou-se sobre ela. O encontro não teve a delicadeza de seus atos passados. Foi um choque de carne, de dentes e de unhas. Alicent arranhava as costas dele, puxando-o para dentro de si com uma ferocidade que o deixava atordoado.
— Mais, Daemon! — ela gritava, as pernas envolvendo a cintura dele, prendendo-o. — Me fode com força! Mostra para mim esse fogo que você tanto se gaba!
— Você é uma vadia deliciosa quando quer ser, não é? — Daemon rosnou, estocando fundo, sentindo o aperto úmido e quente dela prendendo-o a cada movimento.
— Eu sou a sua vadia — retrucou ela, arqueando as costas, os seios balançando livremente. — E você é meu. Hoje, você é só meu.
As horas passavam, e o som de gemidos, gritos e o impacto rítmico de seus corpos preenchiam o quarto. Alicent não o deixava descansar. Cada vez que ele parecia satisfeito, ela usava as mãos, a boca, os pés, provocando-o até que ele ficasse rígido novamente. Ela o cavalgou até que suas próprias pernas tremessem, sentando-se sobre ele e rebolando com uma lascívia que faria uma prostituta de Porto Real corar.
— Você está cansado, Daemon? — perguntou ela, inclinando-se para frente, deixando os seios roçarem no peito suado dele, enquanto continuava a se mover ritmicamente. — Porque eu ainda tenho muito para te dar.
— Porra, Alicent... você vai me matar — ele riu, a voz fraca, mas o corpo ainda respondendo ao comando dela.
— Então morra em mim — disse ela, aumentando a velocidade, sentindo o clímax chegando como uma onda avassaladora. — Morra aqui, dentro da sua "santinha".
Quando ambos finalmente desabaram, exaustos e cobertos de suor e fluidos, a madrugada já estava avançada. Daemon estava completamente drenado, seus músculos pareciam chumbo e seus olhos mal conseguiam ficar abertos. Alicent, apesar da exaustão, sentia-se triunfante.
Houve uma batida na porta. Uma batida insistente e familiar.
— Daemon? — a voz de Laena veio do corredor, carregada de uma irritação crescente. — Daemon, eu sei que você está aí dentro. O que está acontecendo? Você disse que viria!
Alicent olhou para Daemon, que estava jogado nos lençóis, mal conseguindo murmurar um protesto. Ela sorriu, um sorriso predatório que nunca antes adornara seu rosto. Ela se levantou, caminhou até a porta — ainda nua, sentindo o sêmen de Daemon escorrer por suas coxas — e falou alto o suficiente para que Laena ouvisse do outro lado.
— Ele está dormindo, Laena — disse Alicent, a voz clara, sem um pingo de sua timidez habitual. — Ele teve uma noite... extremamente exaustiva. Eu duvido que ele consiga sequer levantar da cama antes do meio-dia.
Houve um silêncio mortal do outro lado da porta. Alicent quase conseguia ouvir a respiração furiosa de Laena.
— Você... sua rata de esgoto — sibilou Laena do lado de fora.
— Vá para o seu quarto, Laena — retrucou Alicent, encostando a testa na madeira da porta, o prazer da vitória sendo quase tão doce quanto o orgasmo. — Deixe o seu marido descansar. Ele está em boas mãos. Nas mãos da mulher que, segundo você, é "sem sal".
O som dos passos pesados de Laena se afastando pelo corredor foi a música mais bela que Alicent já ouvira.
Ela voltou para a cama e deitou-se ao lado de Daemon. Ele estava em um sono profundo, o rosto enterrado no travesseiro. Alicent passou a mão pelo cabelo prateado dele, sentindo o cheiro de seu próprio sexo e do dele misturados na pele.
— Amanhã, voltarei a ser a sua corça gentil, Daemon — sussurrou ela, fechando os olhos com um suspiro de satisfação. — Mas nunca mais esqueça quem manda nesta cama quando a corça decide que está com fome.
Naquela noite, Pedra do Dragão aprendeu uma lição silenciosa. O fogo do dragão podia ser devastador, mas a paciência e a estratégia de uma Hightower ferida podiam consumir um homem de forma muito mais absoluta. Laena Velaryon teria sua exclusividade sexual em suas histórias, mas Alicent Hightower tinha o corpo exausto de Daemon em seu leito, e a certeza de que, a partir daquela noite, ele nunca mais olharia para ela sem lembrar da fera devassa que se escondia sob o vestido verde.