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Niix+Chat

O Labirinto de Papel e o Esbarrão do Destino

O sol da manhã filtrava-se pelas janelas altas da Academia de Elite de Niix-Chat, lançando trajetórias de poeira dourada que dançavam no ar. Para NiixS2, aquele não era apenas o primeiro dia de aula; era o início de uma nova campanha de conquista, embora, desta vez, seu campo de batalha fosse feito de giz, quadros negros e o cheiro inebriante de livros antigos. Ela não vestia sua armadura de aço polido hoje — a etiqueta escolar exigia o uniforme oficial —, mas a túnica de seda escura e a saia plissada que ela escolhera pareciam, de alguma forma, tão imponentes quanto qualquer placa peitoral.

Niix caminhava pelos corredores com a confiança de quem já conhecia todos os segredos daquelas paredes, mesmo sendo tecnicamente uma novata. Seus olhos brilhavam com aquela malícia característica, observando os grupos de estudantes que se dispersavam à sua passagem. Ela era uma força da natureza, uma mistura perigosa de doçura e agressividade que deixava um rastro de pescoços virados por onde passava.

— Finalmente — murmurou ela para si mesma, ajustando a alça da bolsa de couro no ombro —, um lugar onde o silêncio é respeitado. Posso finalmente ficar na biblioteca lendo meus livros sem que ninguém me peça para polir espadas ou liderar invasões.

Ela sentia falta de Chatzinho, é claro. A presença constante dele na forja era o que mantinha seu fogo aceso, mas a ideia de se perder entre estantes de carvalho e manuscritos esquecidos era um luxo que ela raramente se permitia. Para Niix, o conhecimento era apenas outra forma de poder, e ela pretendia acumular o máximo possível.

Enquanto dobrava a esquina do corredor principal, sua mente já estava divagando sobre as táticas de cerco do século XII e a poesia lírica que tanto amava. Ela não estava prestando atenção ao movimento frenético dos outros alunos que corriam para não perder o primeiro sinal.

O impacto foi súbito e desajeitado.

Niix sentiu o ombro colidir com algo sólido, mas ligeiramente trêmulo. Seus livros deslizaram da mão, caindo no chão com baques surdos que ecoaram pelo corredor. Ela cambaleou para trás, a expressão de irritação subindo ao rosto antes mesmo de ver quem era o culpado.

— Ei! Olhe por onde... — Ela começou, a voz carregada daquela autoridade cortante que fazia generais tremerem.

— E-ei! Desculpa! Me desculpa mesmo! — A voz que respondeu era jovem, rouca de nervosismo e nitidamente afetada pelo susto.

Niix parou. Diante dela, um garoto de cabelos bagunçados e óculos ligeiramente tortos tentava desesperadamente recolher os próprios papéis que haviam voado com o impacto. Ele não parecia um guerreiro. Na verdade, ele parecia a personificação do caos acadêmico. Havia uma vulnerabilidade nele que, por um milésimo de segundo, desarmou a fachada de conquistadora de Niix.

— Você é um garoto bem estranho, sabia? — disse ela, cruzando os braços e observando-o com uma sobrancelha arqueada.

O garoto congelou no lugar, ainda agachado. Ele levantou o rosto lentamente, e quando seus olhos encontraram os de Niix, ele pareceu esquecer como se respira. O brilho da luz do sol nos cabelos dela e a intensidade do seu olhar eram demais para alguém que provavelmente passava os dias escondido atrás de cálculos matemáticos.

— Garota linda... — sussurrou ele, as palavras escapando antes que seu cérebro pudesse filtrá-las.

Niix sentiu o canto dos lábios subir em um sorriso predatório. Ela adorava aquele efeito. Era como ver uma presa perceber que entrou na toca do lobo, mas sem o medo — apenas a admiração pura e estúpida.

— Eu sei disso, gracinha — respondeu ela, abaixando-se com uma elegância fluida para pegar um de seus próprios livros. — Mas beleza não substitui a atenção. Você quase me derrubou.

— Eu estava distraído... é o primeiro dia e eu não queria me atrasar para a aula de Estratégias Avançadas — justificou ele, levantando-se e ajeitando os óculos com os dedos trêmulos. — Meu nome é... bem, todos me chamam de Chatzinho por aqui, por causa das minhas notas em comunicação.

Niix sentiu um choque elétrico percorrer sua espinha. Chatzinho? O nome era comum o suficiente naquele ambiente, mas a coincidência a atingiu como um golpe de misericórdia. Ela o analisou novamente. Ele não tinha a musculatura do seu Chatzinho da forja, nem aquela aura de guerreiro cansado, mas havia algo no brilho dos olhos dele, uma inteligência vibrante e uma adoração imediata que era terrivelmente familiar.

— Chatzinho, é? — Ela repetiu o nome, saboreando a ironia. — Que coincidência deliciosa.

— Você também é da sala 3-B? — perguntou ele, apontando para o número no cronograma que ela segurava.

— Parece que o destino quer que eu continue vigiando você — disse ela, dando um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dele com a facilidade de quem conquista um território desprotegido. — Sou NiixS2. Mas para você, eu serei o motivo pelo qual você vai perder o sono este semestre.

O garoto engoliu em seco, o rosto ficando de um tom escarlate que divertiu Niix profundamente.

— Eu... eu acho que já perdi o sono só de olhar para você — admitiu ele, tentando manter a dignidade enquanto segurava uma pilha de livros torta.

— Oh, você é rápido com as palavras — provocou ela, deslizando um dedo pelo braço dele enquanto passava para seguir em direção à sala. — Gosto disso. Mas não pense que vou facilitar para você só porque tem um rosto bonitinho e um nome familiar. Na minha sala, eu sou a rainha. E você? Você pode ser meu bobo da corte... ou talvez algo mais, se souber jogar suas cartas.

Ela começou a caminhar, o balanço de seus quadris ditando o ritmo do coração acelerado do rapaz que ficara para trás. Niix não olhou para trás, mas sabia que ele a seguia com o olhar. A biblioteca e os livros podiam esperar um pouco. Afinal, o que era um labirinto de papel comparado ao prazer de moldar uma nova alma ao seu bel-prazer?

— Espere, Niix! — chamou ele, correndo para alcançá-la. — Deixe-me pelo menos carregar seus livros até a porta!

Niix parou por um segundo, olhando por cima do ombro com aquele olhar que misturava amor e uma pitada de malícia.

— Um cavalheiro? — Ela riu, entregando o volume mais pesado para ele. — Cuidado, Chatzinho. É assim que as grandes conquistas começam. Com um pequeno favor e um sorriso.

— Eu aceito o risco — disse ele, agora mais confiante, embora ainda visivelmente encantado.

— Ótimo — concluiu ela, voltando a andar. — Porque eu garanto que o fogo desta escola vai queimar muito mais do que qualquer forja que você já imaginou.

E assim, lado a lado, a conquistadora e seu novo protegido entraram na sala de aula, sob os olhares curiosos de todos. Para NiixS2, o ano letivo não era apenas sobre aprender; era sobre dominar. E para o garoto estranho que esbarrara nela, o mundo acabara de se tornar muito menor, focado inteiramente na garota de seda e aço que caminhava ao seu lado. A batalha pela biblioteca teria que esperar; a batalha pelos corações da sala 3-B estava apenas começando.