Nos 3
O Eclipse de Seda e Desejo
O quarto de Ester estava mergulhado em uma penumbra luxuosa, quebrada apenas pela luz suave de alguns abajures de cristal que lançavam sombras longas e sinuosas pelas paredes. O ar estava saturado com o perfume de baunilha de Camila e o aroma amadeirado e caro de Ester. Karla, sentada na poltrona de veludo no canto do quarto, observava a cena com um sorriso sereno e um brilho de antecipação nos olhos. Ela amava o espetáculo da devoção de Camila; amava como a mais nova se tornava uma criatura de puro instinto quando estava nos braços de Ester.
— Eu disse que queria toda a sua atenção, Ester — sussurrou Camila, as mãos pequenas subindo pelo peito do terno de Ester, desfazendo os botões com uma pressa possessiva. — Cada centímetro seu tem que ser meu agora.
— Eu sou sua, pequena — Ester respondeu, a voz rouca, uma oitava mais grave do que o normal. — Você sabe que não existe mais ninguém para mim.
Ester não era uma mulher comum. Além de sua beleza estonteante e inteligência aguçada, ela possuía uma característica que tornava a dinâmica entre elas ainda mais intensa e única: Ester nascera intersexual, possuindo um pênis funcional que, para Camila, era a extensão máxima do poder e da masculinidade feminina que a empresária exalava. Para Camila, aquilo era um tesouro, algo que ela guardava com um ciúme feroz.
Com movimentos ágeis, Ester despiu-se, revelando o corpo escultural e atlético. Quando sua nudez foi revelada, o membro de Ester já estava desperto, pulsando com o desejo que a proximidade de Camila sempre provocava. Camila soltou um suspiro baixo, os olhos castanhos dilatando-se de luxúria. Ela se ajoelhou no tapete felpudo, sem desviar o olhar daquela parte de Ester que tanto a fascinava.
— Meu mundo... — murmurou Camila, envolvendo a extensão de Ester com as mãos pequenas e quentes.
O primeiro encontro de seus corpos naquela noite foi explosivo. Camila não queria preliminares lentas; ela tinha fome. Ester a ergueu com uma facilidade impressionante, levando-a até a cama de lençóis de seda negra. Karla aproximou-se, sentando-se na ponta da cama, acariciando as pernas de Camila enquanto Ester se posicionava entre elas.
— Por favor, Ester... agora — implorou Camila, as pernas envolvendo a cintura da mais velha.
Ester penetrou-a com um impulso firme, preenchendo Camila de uma forma que a fazia revirar os olhos. O som da carne se encontrando e os gemidos manhosos de Camila preencheram o quarto. Ester movia-se com uma cadência poderosa, as mãos apertando os quadris de Camila com força suficiente para deixar marcas que a mais nova exibiria com orgulho no dia seguinte. Camila arranhava as costas de Ester, clamando por mais, enquanto Karla depositava beijos pelo pescoço de Camila, mantendo-a ancorada naquele mar de prazer. O primeiro ápice veio rápido, um espasmo violento que fez Camila gritar o nome de Ester, enquanto esta derramava-se dentro da namorada, ambas ofegantes e suadas.
— Isso foi só o começo — ofegou Ester, beijando a testa de Camila, que ainda tremia.
— Eu não vou deixar você parar — respondeu Camila, recuperando o fôlego apenas para puxar Ester para um beijo sedento. — Eu quero mais. Eu quero tudo.
Não demorou para que o desejo de Ester se renovasse, impulsionado pela possessividade adorável de Camila. Para a segunda vez, Ester virou Camila de costas, deixando-a de quatro sobre os travesseiros de seda. Karla posicionou-se à frente de Camila, oferecendo seus seios para que a mais nova os mordesse e acariciasse, enquanto Ester se posicionava atrás.
— Olhe para mim, Mila — pediu Karla, segurando o rosto da latina enquanto Ester entrava novamente, desta vez mais lenta, torturando Camila com a profundidade de cada estocada.
— Ah, Deus... Ester! — Camila arqueou as costas, sentindo Ester atingir seu ponto mais sensível repetidamente. — Karla, ela está me desmontando...
Ester segurou o cabelo de Camila com delicadeza, mas firmeza, puxando sua cabeça para trás para morder seu ombro. O ritmo acelerou, transformando-se em uma dança frenética de pele e suor. O prazer era tão intenso que Camila sentia que poderia desmaiar, mas o toque constante de Karla e a força bruta de Ester a mantinham presente. Elas atingiram o segundo clímax juntas, um coro de gemidos que ecoou pelo apartamento luxuoso, deixando-as emaranhadas em um nó de membros e respirações curtas.
— Você está bem, meu amor? — perguntou Ester, a voz suave, enquanto limpava uma lágrima de prazer que escorria pelo rosto de Camila.
— Eu estou perfeita — sussurrou Camila, embora suas pernas ainda estivessem bambas. — Mas você ainda está firme, Ester. Eu consigo sentir.
Ester sorriu, aquele sorriso de predadora que Camila tanto amava. A terceira rodada começou ali mesmo, sem espaço para o cansaço. Karla, sentindo o calor do momento, guiou Camila para o colo de Ester. Camila sentou-se sobre o membro de Ester, controlando o ritmo, descendo e subindo com um olhar desafiador e apaixonado.
— Você é tão linda mandando em mim — provocou Ester, as mãos grandes segurando a cintura de Camila, ajudando no movimento.
— Eu mando porque você é minha — rebateu Camila, aumentando a velocidade. — Só minha, ouviu?
— Inteiramente sua — confirmou Ester, antes de inverter as posições com um movimento brusco, deitando Camila e possuindo-a com uma urgência renovada.
O terceiro orgasmo foi profundo, longo e silencioso, marcado apenas pelos espasmos musculares e pelo aperto desesperado de Camila nos braços de Ester. Karla assistia a tudo com uma admiração quase divina; ela amava como Ester se entregava àquela pequena mulher e como Camila se tornava o centro do universo de Ester.
Após alguns minutos de descanso, onde apenas o som do ar-condicionado e das respirações pesadas era ouvido, Camila se aninhou no peito de Ester. Mas seu ciúme, sempre latente, despertou novamente quando ela viu a marca de batom de Karla no pescoço de Ester.
— Você é tão perfeita que dói — murmurou Camila, passando a língua sobre a marca. — Eu quero que você me leve ao limite uma última vez. Quero que você tire qualquer outra sensação de mim que não seja você.
Ester, cujo vigor parecia inabalável quando se tratava de satisfazer Camila, levantou-se e carregou a namorada até o banheiro de mármore anexo ao quarto. Karla as seguiu, ligando o chuveiro de teto que liberava uma água morna e relaxante. Sob a cascata de água, a quarta e última vez foi a mais emocional.
Ester encostou Camila contra a parede fria de mármore, o contraste da temperatura fazendo a mais nova estremecer. O pênis de Ester, ainda rígido e pronto, encontrou seu caminho de volta para o calor de Camila. Desta vez, não havia pressa. Era uma celebração de amor e posse. Ester movia-se com uma ternura que contrastava com a força das vezes anteriores.
— Eu amo você, Camila — disse Ester, olhando nos olhos dela enquanto se movia dentro dela. — Eu amo cada pedaço dessa sua possessividade, desse seu jeito manhoso.
— E eu amo você mais do que tudo no mundo — respondeu Camila, as mãos espalmadas no peito de Ester, sentindo o coração da empresária bater forte contra suas palmas. — Você é minha vida, Ester. Minha e da Karla.
Karla entrou debaixo da água, abraçando as duas, formando um casulo de afeto e luxúria. O vapor do chuveiro embaçava os vidros, criando um mundo isolado onde apenas as três existiam. O ápice final veio como uma onda avassaladora, deixando-as exaustas e completamente satisfeitas. Ester descarregou-se dentro de Camila pela quarta vez naquela noite, um selo final de sua união.
Depois, voltaram para a cama. Ester deitou-se no meio, com Camila agarrada ao seu lado esquerdo, a perna jogada por cima da dela, e Karla ao seu lado direito, com a cabeça repousada em seu ombro.
— Satisfeita agora, minha pequena ciumenta? — perguntou Ester, acariciando os cabelos úmidos de Camila.
— Por enquanto — murmurou Camila, já entregando-se ao sono. — Mas amanhã eu vou querer tudo de novo. Porque você é o meu mundo, Ester. E eu não divido o meu mundo com mais ninguém além da Karla.
Karla riu baixinho, fechando os olhos.
— Durma, Mila. Ester não vai a lugar nenhum.
— Eu sei — suspirou Camila, apertando o abraço em torno da cintura de Ester. — Ela não ousaria.
Ester sorriu, sentindo o peso reconfortante das duas mulheres que amava. Naquele apartamento luxuoso, cercada por seda e pelo cheiro de amor, ela sabia que era a mulher mais rica do mundo, não pelo dinheiro, mas por ter corações tão intensos batendo junto ao seu. O silêncio finalmente reinou, selando uma noite onde o desejo e a possessividade se transformaram na mais pura forma de pertencimento.