Nos 3
Domínio e Território
O sol da manhã refletia-se nas imensas vidraças de vidro espelhado do arranha-céu que abrigava a sede das Empresas Ester. No topo do edifício, o escritório da presidência não era apenas um local de trabalho; era um santuário de poder, decorado com mármore negro, móveis de carvalho escuro e uma vista panorâmica de tirar o fôlego.
Camila caminhava pelo corredor de mármore com a confiança de quem sabia que aquele império, de certa forma, também lhe pertencia. Naquele dia, ela decidira acompanhar Ester ao trabalho. Karla ficara em casa, aproveitando a manhã para terminar alguns projetos de design, deixando as duas saírem para o que Camila chamava de "inspeção de território".
Aos dezenove anos, Camila exalava uma sensualidade natural que contrastava com seu jeito manhoso. Ela usava um vestido de seda champagne que abraçava suas curvas, saltos altos que faziam um barulho rítmico no chão e o perfume de baunilha que Ester tanto adorava.
— Bom dia, Srta. Camila — cumprimentou a secretária da recepção, mas Camila apenas assentiu com um sorriso contido, seus olhos castanhos já vasculhando o ambiente à procura de sua mulher.
Ao se aproximar da porta da sala principal, Camila parou. A porta estava entreaberta. Através da fresta, ela viu Ester sentada em sua poltrona de couro, impecável em um blazer cinza-chumbo. Mas o que fez o sangue de Camila ferver não foi a beleza de Ester, e sim a presença de uma funcionária, uma mulher loira de saia justa que estava inclinada sobre a mesa de Ester de forma desnecessária.
— Aqui estão os relatórios de expansão, Ester — disse a mulher, sua voz saindo em um tom meloso que fez Camila cerrar os punhos. — Eu tomei a liberdade de destacar os pontos que achei que você gostaria de revisar... pessoalmente.
Ester, sempre profissional e gentil, nem sequer percebeu o jogo.
— Obrigada, Bianca. Pode deixar sobre a mesa, eu darei uma olhada assim que terminar esta ligação.
— Sabe — continuou Bianca, passando a mão levemente pela borda da mesa, aproximando-se ainda mais de Ester —, eu notei que você parece cansada. Se precisar de uma massagem ou de alguém para relaxar depois do expediente, eu estou sempre disponível.
Ester franziu o cenho, começando a perceber o tom inapropriado, mas antes que pudesse responder, a porta foi escancarada.
— Ela não vai precisar de nada disso, Bianca — a voz de Camila cortou o ar como um chicote.
Camila entrou na sala com passos lentos e predatórios. Ester sorriu imediatamente, seus olhos brilhando ao ver sua "pequena", mas Bianca empertigou-se, visivelmente incomodada com a interrupção.
— Camila, meu amor, você chegou — disse Ester, levantando-se para receber a namorada.
Camila ignorou Ester por um segundo, parando bem na frente de Bianca. Ela era mais baixa que a funcionária, mas sua presença era esmagadora.
— Bianca, não é? — Camila perguntou, medindo a mulher de cima a baixo com um olhar de puro desdém. — Creio que a Ester foi clara ao dizer que você pode deixar os relatórios. Agora, se não se importa, a dona dela chegou e nós temos assuntos muito mais importantes do que planilhas para resolver.
— Eu estava apenas sendo prestativa, Srta. Camila — Bianca tentou se defender, mas sua voz fraquejou.
— Seja prestativa voltando para a sua mesa e focando no seu trabalho — rebateu Camila, cruzando os braços. — E da próxima vez que pensar em oferecer "relaxamento" para a minha mulher, lembre-se de que eu sou muito boa em garantir que as pessoas que ultrapassam os limites não tenham mais um crachá para usar.
Ester limpou a garganta, escondendo um sorriso. Ela adorava quando Camila mostrava as garras.
— Pode ir, Bianca — ordenou Ester, sua voz recuperando a autoridade. — E por favor, não me interrompa na próxima hora. Não importa o que aconteça.
Bianca saiu da sala quase correndo, o rosto vermelho de vergonha. Assim que a porta se fechou, Camila virou-se para Ester, os olhos faiscando.
— Você é muito gentil, Ester. Gentil demais! — Camila exclamou, caminhando até a mesa e jogando sua bolsa sobre ela. — Aquela mulher estava praticamente se jogando no seu colo!
— Pequena, eu nem percebi... — Ester tentou se aproximar, mas Camila colocou a mão no peito dela, empurrando-a de volta para a poltrona.
— Não percebeu? Pois eu percebi. E agora eu vou ter que marcar o que é meu para que ninguém mais tenha dúvidas.
Camila subiu na mesa de carvalho, afastando os papéis e o laptop com um movimento impaciente. Ela sentou-se na borda, abrindo as pernas e puxando Ester pela gravata até que o rosto da empresária estivesse entre seus seios.
— Camila, estamos no escritório... — Ester murmurou, embora suas mãos já estivessem subindo pelas coxas de Camila, apertando a carne macia sob o vestido de seda.
— Eu não me importo — sussurrou Camila, sua voz tornando-se manhosa e perigosa. — Eu quero que você me possua aqui mesmo. E eu quero que aquela mulher ouça exatamente o que ela nunca vai ter.
Camila esticou o braço e apertou o botão do intercomunicador no telefone fixo da mesa. Era o canal direto que ligava a sala de Ester à mesa de Bianca na recepção externa. Ester arqueou as sobrancelhas, entendendo o plano de Camila.
— Você é terrível, sabia? — Ester riu baixo, já desabotoando a calça.
— Eu sou sua — corrigiu Camila.
Ester não perdeu mais tempo. Ela se posicionou entre as pernas de Camila, sua anatomia única já pulsando de desejo sob o tecido da roupa íntima. Com um movimento ágil, Ester baixou a lingerie de Camila e a sua própria, revelando seu membro rígido e pronto.
Quando Ester penetrou Camila com um impulso firme, a latina soltou um grito agudo que foi captado perfeitamente pelo microfone do telefone.
— Ahhh! Ester! — Camila gemeu alto, as unhas cravando-se nos ombros do blazer de Ester. — Mais forte... eu quero que você me sinta...
Ester começou a se mover com uma força bruta, a mesa de carvalho rangendo sob o peso das duas. O som da carne batendo contra a carne era rítmico e obsceno. Camila, ciente de que Bianca estava ouvindo cada som do outro lado da linha, inclinou-se para o telefone, soltando gemidos cada vez mais altos e deliberados.
— Isso... sim, meu amor... só você sabe como fazer isso — Camila arfava, sua voz carregada de uma luxúria possessiva. — Você é toda minha, Ester... diz que você é minha!
— Eu sou sua, Camila! — Ester exclamou, atingindo o fundo de Camila com uma estocada que a fez perder o fôlego. — Sempre sua!
O escritório, que antes era um local de negócios frios, tornou-se um vulcão de paixão. Ester não poupava esforços, movendo-se com uma urgência que refletia o quanto ela também precisava daquela afirmação de posse. Camila revirava os olhos, o prazer subindo por sua espinha como eletricidade, enquanto seus gritos de êxtase preenchiam a sala e, consequentemente, os ouvidos da funcionária do lado de fora.
— Ester... eu vou... ah! — Camila arqueou as costas, sentindo o ápice se aproximar. — Me preenche... agora!
Ester soltou um rosnado baixo e deu as últimas estocadas rápidas e profundas, derramando-se dentro de Camila com um espasmo violento. Camila gritou o nome de Ester uma última vez, um som de puro triunfo e prazer, antes de desabar nos braços da namorada, ofegante e suada.
Elas ficaram ali por alguns minutos, apenas sentindo o batimento cardíaco uma da outra. Camila, com um sorriso vitorioso, esticou a mão e desligou o intercomunicador.
— Acho que a mensagem foi entregue — murmurou Camila, beijando o pescoço de Ester.
— Você é completamente louca — Ester riu, limpando-se e ajudando Camila a se recompor. — Mas eu adoro essa sua loucura.
Depois de se vestirem e garantirem que tudo estava em ordem — embora a mesa de Ester agora tivesse um novo significado para ambas —, elas se prepararam para sair. Ester pegou sua pasta e Camila entrelaçou seu braço ao dela, caminhando com a cabeça erguida.
Ao passarem pela recepção, o silêncio era ensurdecedor. Bianca estava sentada em sua mesa, o rosto pálido e os olhos fixos na tela do computador, visivelmente mortificada. Ela nem sequer teve coragem de levantar a cabeça.
Camila parou bem em frente à mesa de Bianca. Ester, entendendo o papel, parou ao lado dela.
— Bianca — chamou Ester com uma voz firme. — Eu vou sair para o almoço e não voltarei hoje. Qualquer assunto urgente pode esperar até amanhã.
— S-sim, Sra. Ester — gaguejou a funcionária.
Camila então virou-se para Ester, ignorando completamente a presença da outra mulher para dar a Ester um beijo longo, profundo e barulhento, daqueles que deixavam claro que não havia espaço para mais ninguém. Quando se separaram, Ester, com um sorriso malicioso, deu um tapa sonoro na bunda de Camila, fazendo a mais nova rir.
— Tchau, amor — disse Camila em um tom alto o suficiente para que todos no andar ouvissem. — Até daqui a umas horinhas na NOSSA casa. Karla está nos esperando para o jantar, e eu mal posso esperar para ter você de novo. Te amo demais!
— Também te amo, pequena — respondeu Ester, beijando-lhe a testa.
As duas caminharam em direção ao elevador, deixando para trás uma Bianca devastada e uma equipe de escritório que agora sabia exatamente quem mandava no coração da poderosa Ester.
Dentro do elevador, Camila se encostou na parede espelhada, suspirando de satisfação.
— Você está feliz agora? — perguntou Ester, abraçando a cintura dela.
— Muito — respondeu Camila, aninhando-se no peito de Ester. — Eu só queria ter certeza de que todos sabem que você é o meu mundo. E que eu protejo o que é meu.
Ester riu, beijando o topo da cabeça de Camila enquanto o elevador descia.
— Você não precisa se preocupar, Mila. Meu mundo começa e termina em você e na Karla. Ninguém mais chega perto.
Camila sorriu, fechando os olhos. O território estava marcado, a rival estava silenciada e, em breve, ela estaria em casa, nos braços das duas mulheres que faziam sua vida ser completa. Para Camila, aquilo era o verdadeiro poder.