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nos tres, num so jeito

Sinfonia de Carbono e Confissão

O Grande Prêmio da Bélgica sempre trazia consigo uma atmosfera carregada, mas naquele sábado em Spa-Francorchamps, o ar parecia saturado de eletricidade estática e frustração. O terceiro treino livre tinha sido um desastre técnico para a McLaren. Uma falha intermitente no sistema hidráulico deixou Oscar Piastri preso na garagem durante a maior parte da sessão, e quando ele finalmente conseguiu ir para a pista, uma bandeira vermelha interrompeu sua única volta rápida.

Para Anna Williams, ver a telemetria era como ler um obituário de esperanças. Ela estava na garagem, os dedos voando pelo teclado, tentando isolar o erro de software que estava causando o caos. O ambiente estava tenso; os mecânicos trabalhavam em silêncio frenético e a aura de Oscar, geralmente calma e imperturbável como um lago congelado, estava visivelmente rachada.

Quando a sessão terminou e os carros foram recolhidos, Anna sentiu o peso do cansaço. Ela precisava de um momento, longe do cheiro de borracha queimada e do ruído das pistolas pneumáticas. Ela pegou seu tablet e saiu pelos fundos da garagem, caminhando em direção à área dos motorhomes, esperando encontrar um pouco de paz antes da classificação oficial.

Ela não percebeu que estava sendo observada.

Anna caminhava apressada, a mente divagando entre gráficos de pressão e o brilho persistente dos olhos de Lily Zneimer na noite anterior. O casal não tinha desistido. Pelo contrário, a cada dia que passava, a atenção deles parecia mais focada, mais deliberada.

Ao passar pela fileira de trailers luxuosos da equipe, uma mão firme e quente fechou-se em torno de seu pulso.

Anna soltou um pequeno arquejo de surpresa, mas antes que pudesse processar o movimento, foi puxada para o lado. A porta do trailer pessoal de Oscar Piastri se abriu e se fechou com um clique seco, isolando o mundo exterior.

— Oscar! — Anna exclamou, recuperando o fôlego. — O que você está fazendo? Você tem a classificação em menos de duas horas, você precisa...

Ela parou de falar no instante em que olhou para ele. Oscar não parecia o CEO jovem e composto, nem o piloto frio que o mundo conhecia. O cabelo estava levemente bagunçado, o macacão estava aberto até a cintura, revelando a camisa térmica branca que aderia ao seu peito atlético, e seus olhos claros estavam tempestuosos, escuros com uma mistura de adrenalina e irritação pura.

— Eu não preciso de mais dados, Anna — disse Oscar, sua voz soando mais profunda, um rosnado suave que enviou um calafrio direto pela espinha dela. — E eu não preciso de mais conselhos sobre o que fazer com o meu tempo.

Ele deu um passo à frente, forçando Anna a recuar até que suas costas encontrassem a parede acolchoada de couro do trailer luxuoso. O espaço era pequeno, cheirando a café caro e ao perfume amadeirado de Oscar, que agora parecia sufocante de tão bom.

— Oscar, você está estressado com o treino, eu entendo, mas... — Anna tentou colocar as mãos no peito dele para criar distância, mas suas palmas apenas sentiram o calor irradiando dele e a batida forte e rítmica de seu coração.

— Eu estou farto de simulações, Anna. Farto de ser paciente — murmurou ele, aproximando o rosto do dela. — Passei a manhã inteira vendo você através do visor do capacete, focada naquelas telas, ignorando o jeito que eu olho para você.

— É o meu trabalho — sussurrou ela, a voz falhando. — E você tem a Lily. Isso... isso é errado, Oscar. Eu não posso ser o seu escape para o estresse da pista. Eu não vou trair a confiança dela.

Oscar soltou uma risada curta, sem humor, e inclinou-se ainda mais, prendendo-a com os braços de cada lado de sua cabeça.

— Trair a Lily? — Ele roçou o nariz no dela, um gesto de uma intimidade devastadora. — Anna, você ainda não entendeu? Não existe traição onde há um convite aberto. A Lily está na hospitalidade agora, provavelmente olhando para o relógio e esperando que eu finalmente tenha tido a coragem de fazer isso.

— O quê? — Anna mal teve tempo de processar a frase.

Oscar não esperou mais. Ele a beijou.

Não foi o beijo contido que Anna imaginara em suas fantasias mais secretas. Foi um beijo faminto, carregado com a frustração da manhã ruim e o desejo acumulado de semanas. Era uma reivindicação. A mão de Oscar subiu para a nuca de Anna, os dedos se enroscando em seu cabelo, enquanto a outra mão pressionava a cintura dela, puxando seu corpo firmemente contra o dele.

Anna gemeu contra os lábios dele, uma luta interna travada em sua mente. Ela deveria empurrá-lo, deveria sair dali e voltar para seus números, mas o contato era inebriante. A firmeza dos braços dele, a urgência de sua língua, a sensação de ser desejada com tamanha intensidade por um homem que parecia ter o controle de tudo, exceto dela... era demais para resistir.

Ela cedeu. Suas mãos, antes hesitantes, subiram pelos ombros dele, agarrando o tecido da camisa térmica. Ela retribuiu o beijo com a mesma urgência, deixando que a telemetria de seus próprios sentimentos subisse aos níveis críticos.

Oscar interrompeu o beijo por apenas um segundo, mantendo suas testas coladas, ambos respirando pesadamente.

— Você é a única coisa que faz sentido hoje — ele sussurrou contra os lábios dela, as palavras saindo como uma confissão desesperada. — Esqueça os motores, esqueça o MTC, esqueça a porcaria do sistema hidráulico. Sente como eu estou agora? Isso não é sobre o carro, Anna. É sobre você.

— Oscar... — Anna tentou recuperar a razão, mas ele a segurou com mais força, suas mãos grandes moldando as curvas de seu quadril com uma possessividade que a fazia tremer.

— Você acha que somos apenas um casal rico brincando com você? — perguntou ele, os olhos fixos nos dela, buscando sua alma. — Eu sou um homem que sabe exatamente o que quer. E eu quero você ao meu lado, não apenas na garagem, mas na minha vida. A Lily te ama, Anna. E eu estou perdendo a cabeça por você.

— Eu não sei como fazer isso — confessou ela, as lágrimas de ansiedade e prazer começando a se formar. — Eu sou apenas uma engenheira. Minha vida é simples. Vocês são... tudo.

— Você é o nosso "tudo" agora — afirmou Oscar, sua voz suavizando, mas mantendo a autoridade de quem comanda impérios. Ele beijou o canto da boca dela, depois a mandíbula, descendo até o pescoço, onde deixou um beijo demorado que fez Anna arquear as costas. — Deixe-me cuidar desse medo. Deixe-nos cuidar de você.

Anna fechou os olhos, sentindo a segurança que emanava dele mesmo naquele momento de caos emocional. A timidez que sempre a protegera parecia uma armadura inútil diante da sinceridade bruta de Oscar.

— Lily realmente sabe? — ela perguntou, a voz quase um suspiro.

— Ela me disse para não voltar para a garagem sem ter deixado claro que você é nossa — Oscar respondeu, afastando-se o suficiente para olhar nos olhos dela e dar um sorriso pequeno, aquele sorriso raro que ele guardava apenas para os íntimos. — Ela está preparando um lugar para você, Anna. Em todos os sentidos.

Ele a abraçou então, escondendo o rosto na curva do pescoço dela, apenas segurando-a. Não havia mais a urgência agressiva de antes, apenas uma necessidade profunda de conexão. Anna descansou a cabeça no ombro dele, sentindo o tecido caro do macacão de corrida contra sua bochecha, e percebeu que, pela primeira vez, os números não importavam.

— Você tem que ir — disse ela, embora não fizesse menção de se soltar. — A classificação começa em breve.

— Eu vou — disse Oscar, dando um último beijo casto em seus lábios. — E eu vou colocar aquele carro na primeira fila. Por você. E por ela.

Ele a soltou e, com uma eficiência surpreendente, recompôs sua expressão, voltando a ser o piloto focado da McLaren. Mas antes de abrir a porta, ele se virou e piscou para ela.

— Encontre a Lily na hospitalidade. Ela tem algo para você. E Anna?

— Sim?

— Não tente escapar desta vez. Não há para onde ir quando nós dois já decidimos que você fica.

Anna ficou parada no centro do trailer luxuoso por longos minutos após ele sair. O silêncio agora parecia diferente, preenchido pela promessa de algo muito maior do que uma carreira na Fórmula 1. Ela tocou os lábios, ainda sentindo o calor de Oscar, e soube que a partir daquele momento, sua vida nunca mais seria regida apenas pela lógica.

Ela saiu do trailer e caminhou em direção ao prédio da hospitalidade, não como uma engenheira fugindo de um problema, mas como uma mulher caminhando em direção ao seu destino. E quando viu Lily sentada em uma mesa reservada, segurando duas taças de cristal e sorrindo como se soubesse exatamente o que tinha acontecido, Anna finalmente parou de lutar contra a corrente.

Afinal, em uma equipe de elite, todos sabiam que a vitória só era alcançada quando todas as peças se encaixavam perfeitamente. E Anna Williams tinha acabado de descobrir onde era o seu lugar.

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