nos tres, num so jeito
Sinfonia de Cetim e Segredos no Paddock
O barulho dos motores V6 turbo híbridos ecoava pelas paredes da garagem da McLaren, um rugido que Anna Williams normalmente achava reconfortante, mas que hoje parecia apenas abafar o som do seu próprio coração acelerado. Após o encontro intenso com Oscar no trailer, ela sentia que cada fibra do seu ser havia sido reprogramada. Ela tentou focar nas telas, nos gráficos de telemetria que piscavam em verde e vermelho, mas a sensação dos lábios dele contra os seus ainda queimava.
A classificação estava prestes a começar. Oscar já estava no cockpit, o capacete escondendo a expressão triunfante que ele exibira minutos antes. Anna, com os fones de ouvido apertados e as mãos trêmulas sobre o console, tentava manter a fachada de engenheira profissional. No entanto, ela sentia que não era apenas o carro que estava sendo monitorado; ela sentia o peso de um segredo compartilhado que ameaçava transbordar.
— Anna, preciso que você verifique a temperatura dos pneus no setor dois novamente — a voz do engenheiro-chefe soou no rádio, trazendo-a de volta à realidade.
— Copiado. Verificando agora — respondeu ela, sua voz saindo mais firme do que ela esperava.
Mas o alívio de se perder no trabalho durou pouco. Pelo canto do olho, ela viu uma silhueta que conhecia bem demais. Lily Zneimer atravessava a garagem com a elegância de quem nasceu para habitar aqueles espaços de luxo e alta performance. Ela usava um conjunto de alfaiataria em tom pérola, um corte impecável que denunciava o valor de milhares de libras, e óculos escuros que ela deslizou para o topo da cabeça assim que seus olhos encontraram os de Anna.
Lily não disse nada. Ela apenas sorriu — um sorriso doce, mas carregado de uma promessa silenciosa — e inclinou a cabeça levemente em direção ao corredor que levava às salas privadas de análise de dados, um setor que, naquele momento da classificação, estaria vazio.
Anna sentiu um frio na barriga. Ela sabia que deveria ficar ali, colada aos monitores. Mas a atração magnética que o casal Piastri exercia sobre ela era agora uma força gravitacional impossível de ignorar. Como se estivesse em transe, Anna entregou o tablet a um assistente e murmurou algo sobre precisar de um cabo de substituição no estoque técnico.
Ela seguiu Lily. O corredor estava silencioso, o som dos carros lá fora transformado em um zumbido abafado. Assim que Anna entrou na pequena sala de servidores, a porta foi fechada e trancada com um estalo suave.
Lily estava lá, encostada em uma das prateleiras de metal frio, criando um contraste absurdo com sua aparência angelical e suas roupas de seda. A iluminação azulada dos servidores dava à sua pele um brilho etéreo.
— Você parece um pouco pálida, querida — disse Lily, sua voz suave como veludo, preenchendo o espaço exíguo. — Oscar foi muito duro com você no trailer?
Anna engoliu em seco, sentindo o rosto arder.
— Lily... eu não... ele me beijou. Eu tentei parar, mas...
— Shh — Lily deu um passo à frente, diminuindo a distância entre elas. O perfume de flores frescas e algo cítrico, caro e sofisticado, envolveu Anna imediatamente. — Eu sei que ele beijou. E eu sei que você não queria parar. Eu conheço o meu marido, Anna. E estou começando a conhecer você.
Lily estendeu a mão e tocou o rosto de Anna com as pontas dos dedos, uma carícia tão leve que parecia um sonho.
— Oscar é o fogo — continuou Lily, aproximando o rosto, seus olhos claros fixos nos de Anna com uma intensidade predatória disfarçada de doçura. — Ele é a adrenalina, a velocidade, a força bruta. Mas eu... eu sou a calma. Eu sou o que vem depois da corrida. E eu estive esperando a minha vez o dia todo.
Antes que Anna pudesse formular uma resposta, Lily a puxou pela gola da polo da McLaren. O beijo de Lily era completamente diferente do de Oscar. Se o dele era uma tempestade, o dela era um oceano profundo e envolvente. Seus lábios eram macios, movendo-se com uma lentidão deliberada que fazia os joelhos de Anna fraquejarem. Havia um sabor de luxo e desejo naquele beijo, uma sofisticação que Anna nunca tinha experimentado.
— Você é tão linda sob esta luz — sussurrou Lily contra os lábios dela, a respiração quente. — Tão inteligente, tão focada... e tão deliciosamente tímida.
Lily não perdeu tempo. Enquanto uma mão permanecia emaranhada no cabelo de Anna, a outra desceu pelo corpo da engenheira, traçando as linhas de seu uniforme com uma precisão quase cirúrgica. Anna soltou um suspiro trêmulo quando sentiu as mãos de Lily encontrarem o cós de sua calça de trabalho.
— Lily, aqui não... alguém pode entrar — Anna protestou fracamente, embora seu corpo estivesse traindo cada palavra, pressionando-se contra a mulher mais velha.
— Ninguém entra aqui sem a minha permissão, Anna — afirmou Lily, a voz agora tingida com uma autoridade que rivalizava com a de Oscar. — Relaxe. Sinta apenas a mim.
Com uma agilidade surpreendente, os dedos de Lily deslizaram para dentro da calça de Anna, encontrando a seda fina de sua lingerie. O toque era quente, experiente e terrivelmente eficaz. Anna arqueou as costas, abafando um grito contra o ombro de Lily. O contraste entre a frieza das máquinas ao redor e o calor da mão de Lily era avassalador.
Lily começou um movimento rítmico, seus dedos explorando a intimidade de Anna com uma confiança que a deixava sem fôlego. Ela sabia exatamente onde tocar, como pressionar, como levar Anna ao limite em questão de segundos.
— Veja como você reage a mim — murmurou Lily no ouvido de Anna, sua voz agora um sussurro rouco e carregado de luxúria. — Oscar te dá a velocidade, mas eu te dou o prazer que dura, Anna. Nós dois queremos você. Nós dois precisamos de você para nos sentirmos completos.
Anna sentia que estava prestes a desmoronar. O prazer estava subindo em ondas, uma sinfonia de sensações que ameaçava fazê-la esquecer quem era e onde estava. Ela agarrou os ombros de Lily, sentindo o tecido caro do conjunto de alfaiataria amassar sob seus dedos. Por um momento, ela quis se entregar totalmente, deixar que Lily a levasse até o fim ali mesmo, entre os servidores de dados da equipe de corrida mais famosa do mundo.
Mas, de repente, o som de um anúncio oficial pelo sistema de som do paddock ecoou, anunciando o início da Q2. O som da realidade foi como um balde de água fria. A responsabilidade profissional de Anna, o medo de ser descoberta e a própria timidez que a definia falaram mais alto.
— Eu... eu não posso! — Anna exclamou, recuperando a voz.
Com um movimento brusco e desajeitado, ela se afastou, desprendendo-se do toque de Lily. Ela tropeçou para trás, a respiração vindo em golfadas curtas, as mãos tentando desesperadamente ajeitar o uniforme e o cabelo.
Lily permaneceu onde estava, perfeitamente composta, exceto pelo brilho nos olhos e pelos lábios levemente inchados. Ela não parecia zangada; parecia divertida, como um gato que acabara de ver o rato escapar, sabendo que ele voltaria.
— Anna, querida, você não pode fugir para sempre — disse Lily, limpando um vestígio de batom inexistente no canto da boca. — O carro já saiu da garagem. O cronômetro está correndo.
— Eu preciso trabalhar, Lily. Eu sou uma engenheira, não... não isso! — Anna apontou para o espaço entre elas, a voz trêmula.
— Você é as duas coisas — respondeu Lily calmamente. — E é por isso que te amamos. Vá. Faça o seu trabalho. Mas saiba que, quando o sol se puser sobre este circuito, você não terá para onde correr.
Anna não esperou para ouvir mais nada. Ela destrancou a porta com mãos trêmulas e praticamente correu pelo corredor, sentindo o resíduo do toque de Lily ainda queimando em sua pele. Ela entrou na garagem no exato momento em que Oscar passava pela linha de chegada em sua primeira volta voadora da Q2, assumindo a liderança provisória.
Ela sentou-se em sua cadeira, colocou os fones e fixou os olhos nos dados. Sua frequência cardíaca estava fora das tabelas, e ela sabia que, se alguém olhasse para sua telemetria pessoal naquele momento, veria um motor prestes a explodir.
Oscar estava na pista, dominando a máquina. Lily estava na hospitalidade, dominando o ambiente social. E Anna estava ali, no meio dos dois, percebendo que, não importava o quanto tentasse escapar, ela já havia sido capturada pela gravidade daquele casal.
O rádio de Oscar estalou em seu ouvido.
— P1, Oscar. Ótima volta — disse o engenheiro-chefe.
— O carro está perfeito — respondeu a voz de Oscar, calma e controlada, mas Anna jurou que detectou um tom diferente ali, algo direcionado apenas a ela. — Digam à Anna que os ajustes que fizemos no "trailer" funcionaram perfeitamente.
Anna fechou os olhos por um segundo, sentindo o peso do mundo e o calor do desejo. Ela era uma engenheira de precisão, mas não havia cálculo no mundo que pudesse prever o que aconteceria a seguir. Ela estava cercada por luxo, poder e um amor que não seguia regras. E, pela primeira vez em sua vida, ela começou a se perguntar se fugir era realmente o que ela queria fazer.