Nosso romance proibido
Cores do Coração e o Som do Silêncio
A noite em Seul parecia ter parado apenas para nos observar. No estúdio, o tempo não era medido por horas, mas pelas batidas compassadas de dois corações que finalmente haviam encontrado o mesmo ritmo. Hyunjin ainda me mantinha em seus braços, balançando-nos suavemente naquela dança improvisada, enquanto o brilho do anel em meu dedo refletia a luz suave das luminárias, como uma pequena estrela que ele havia capturado do céu apenas para mim.
— Sabe — ele sussurrou, a voz vibrando contra o meu pescoço, enviando arrepios por toda a minha espinha —, eu ensaiei esse pedido tantas vezes na frente do espelho que o Kkami já não aguentava mais me olhar. Acho que ele até tentou me morder uma vez para eu parar de falar sozinho.
Eu soltei uma risada alta, afastando-me apenas o suficiente para olhar para o seu rosto. Ele estava com aquela expressão adorável que eu tanto amava: as bochechas levemente coradas e um sorriso travesso que fazia seus olhos se transformarem em duas meias-luas perfeitas.
— Você? Nervoso? — brinquei, passando a mão pelo colarinho da sua camisa de seda. — O grande Hwang Hyunjin, que se apresenta para milhares de pessoas sem errar um passo, estava com medo de falar comigo?
— Milhares de pessoas não têm o poder de me fazer esquecer como se respira apenas com um olhar — ele rebateu, apertando minha cintura com carinho. — Com você é diferente. Sempre foi. É como se todo o meu talento artístico fosse drenado no momento em que você entra na sala. Eu fico... desarmado.
Ele me conduziu de volta para o pequeno sofá de veludo, mas desta vez não se ajoelhou. Ele se sentou ao meu lado, puxando-me para que eu descansasse a cabeça em seu ombro. O cheiro de tinta a óleo ainda estava presente, mas agora parecia misturado ao perfume amadeirado e doce dele, criando uma fragrância que eu queria guardar em um frasco para sempre.
— O que os meninos vão dizer? — perguntei, sentindo uma pontada de ansiedade. — Você sabe como o Changbin e o Han são. Eles não vão te deixar em paz por um segundo.
Hyunjin soltou um suspiro dramático, jogando a cabeça para trás.
— Oh, Deus, nem me fale. O Han provavelmente vai querer escrever uma balada trágica sobre como eu "o abandonei" pelo amor, e o Changbin vai passar o resto do mês fazendo piadas sobre como eu fico "mole" perto de você. Mas quer saber? Eu não me importo.
Ele pegou minha mão, entrelaçando nossos dedos e admirando o anel.
— Eu contaria para o mundo inteiro agora mesmo se pudesse — continuou ele, sua voz tornando-se séria novamente. — Eu quero que todos saibam que eu tenho a pessoa mais incrível do meu lado. Mas, por enquanto, gosto que seja o nosso segredo. É como se tivéssemos criado um universo paralelo aqui dentro deste estúdio, onde nada de ruim pode nos alcançar.
Ficamos em silêncio por alguns instantes, apenas aproveitando a presença um do outro. Eu olhei para as telas encostadas na parede, muitas delas com traços abstratos, outras com paisagens melancólicas.
— Você disse que tentou me pintar e não conseguiu — eu disse, quebrando o silêncio. — Por que?
Hyunjin se inclinou para frente, pegando um dos cadernos de esboço que estavam na mesa de centro. Ele o abriu e começou a folhear as páginas. Para minha surpresa, quase todas as folhas tinham traços que lembravam o meu perfil, o jeito que eu prendia o cabelo ou a forma como eu sorria quando estava distraída.
— Porque uma pintura é estática — explicou ele, passando os dedos por um desenho meu onde eu aparecia lendo um livro. — Eu consigo capturar a curva do seu nariz ou a cor dos seus olhos, mas não consigo capturar a luz que emana de você. Não consigo pintar a sensação de paz que sinto quando você ri. É frustrante para um artista não conseguir reproduzir sua maior inspiração.
— Hyunjin, isso é a coisa mais romântica que alguém já me disse — confessei, sentindo meus olhos marejarem novamente.
— Eu sou um romântico incurável, você sabe disso — ele sorriu, fechando o caderno e voltando sua atenção total para mim. — Mas agora que você é oficialmente minha namorada, acho que vou ter muito mais tempo para praticar. Prepare-se para ser minha modelo particular por muitas e muitas horas.
— Vou cobrar caro por isso — brinquei, tentando aliviar a intensidade do momento.
— E qual seria o preço? — ele perguntou, aproximando o rosto do meu, o olhar fixo nos meus lábios.
— Hum... beijos. Muitos beijos. E talvez você tenha que me ensinar a pintar alguma coisa que não seja um boneco de palito.
Hyunjin riu, um som cristalino que preencheu o estúdio.
— O pagamento eu posso garantir agora mesmo — disse ele, antes de selar nossos lábios em um beijo profundo e apaixonado.
Desta vez, o beijo não era carregado de incertezas ou do nervosismo do pedido. Era um beijo de posse, de pertencimento. Eu sentia o calor das mãos dele em meu rosto, a delicadeza com que ele me tratava, como se eu fosse uma obra de arte valiosa que ele finalmente tinha em sua coleção particular.
Quando nos separamos, ele ainda não parava de me olhar. Era aquele olhar que o fandom conhecia bem, mas que para mim tinha uma camada extra de ternura.
— Você está com fome? — ele perguntou de repente, mudando o tom para algo mais leve. — Eu estava tão focado no pedido que esqueci que não comemos nada desde que você chegou.
— Agora que você mencionou, meu estômago está começando a reclamar — admiti, rindo.
— Ótimo! Eu vou pedir algo. O que você quer? Frango frito? Pizza? Ou quer que eu tente cozinhar algo? — Ele fez uma careta engraçada. — Se bem que, se eu cozinhar, talvez nosso primeiro jantar de namoro termine em uma intoxicação alimentar.
— Vamos ficar com o frango frito, por favor — respondi, rindo da honestidade dele. — Quero aproveitar nossa primeira noite sem ter que ligar para a emergência.
Hyunjin pegou o celular e fez o pedido rapidamente. Enquanto esperávamos, ele me puxou para levantar e me levou até a janela grande do estúdio. De lá, podíamos ver as luzes de Seul brilhando como um mar de diamantes.
— Às vezes eu olho para essa cidade e me sinto tão pequeno — ele disse, abraçando-me por trás e apoiando o queixo no meu ombro. — É tudo tão barulhento, tão rápido. Mas quando estou com você, sinto que o mundo desacelera. Sinto que posso ser apenas o Hwang Hyunjin, e não o "Hyunjin do Stray Kids". Obrigado por me dar isso.
— Você me dá o mesmo, Jinnie — respondi, cobrindo as mãos dele com as minhas. — Com você, eu não sinto que preciso ser perfeita. Eu só preciso ser eu mesma.
Ele beijou minha têmpora, um gesto simples que carregava todo o peso de sua promessa de momentos atrás.
— Eu prometo que, não importa o quão ocupado eu esteja com turnês, retornos ou ensaios, eu sempre vou encontrar o caminho de volta para você. Você é o meu norte.
O entregador chegou cerca de trinta minutos depois. Comemos ali mesmo, sentados no tapete do estúdio, entre tintas e pincéis. Hyunjin insistia em me dar pedaços de frango na boca, rindo cada vez que eu ficava com vergonha. Ele fazia piadas sobre os outros membros, contava histórias engraçadas dos bastidores e, de vez em quando, parava apenas para me observar, como se ainda estivesse processando o fato de que eu havia dito "sim".
— Por que você está me olhando assim de novo? — perguntei, limpando o canto da boca com um guardanapo.
— Porque eu ainda não acredito que você é minha — ele respondeu com uma sinceridade que me desarmou. — Eu passei meses ensaiando como te dizer isso. Eu tinha medo de que, se eu confessasse, nossa amizade pudesse mudar ou que você não sentisse o mesmo. Ver esse anel no seu dedo... é o melhor sentimento do mundo.
— Eu também tive medo — confessei. — Mas sempre que você me olhava desse jeito, eu sentia que havia uma chance.
Depois de comermos, ele colocou uma playlist de músicas suaves para tocar. O som de um piano melancólico preencheu o ambiente. Hyunjin se levantou e me estendeu a mão novamente.
— Mais uma dança? — perguntou ele, com um brilho galanteador nos olhos.
— Sem música agitada desta vez? — brinquei, aceitando sua mão.
— Só nós dois — ele respondeu.
Dançamos lentamente, nossos corpos colados, movendo-nos quase sem sair do lugar. A iluminação do estúdio estava baixa, criando sombras longas nas paredes. Eu me sentia segura, amada e completamente em paz.
— Eu quero te mostrar uma coisa — disse ele, após a música terminar.
Ele me levou até o fundo do estúdio, onde uma tela estava coberta por um pano de linho branco. Ele parecia um pouco hesitante, o que era raro para ele quando se tratava de sua arte.
— Eu disse que não conseguia te pintar perfeitamente — começou ele, segurando a ponta do pano —, mas eu tentei capturar uma coisa. Não é o seu rosto, mas é o que eu sinto quando penso em você.
Ele puxou o pano com um movimento fluido.
Meus olhos se arregalaram. Não era um retrato realista, mas uma explosão de cores. Tons de azul profundo misturavam-se com dourado vibrante e toques de rosa suave. No centro da tela, havia uma silhueta que lembrava duas pessoas de mãos dadas sob uma chuva de estrelas. Era abstrato, mas transmitia uma emoção tão forte que eu senti um nó na garganta.
— É lindo, Hyunjin... — sussurrei, aproximando-me da tela.
— Eu chamo de "O Brilho do Silêncio" — disse ele, parando ao meu lado. — Porque é assim que meu coração fica quando estamos sozinhos. É colorido, é vibrante, mas é calmo. É você.
Eu me virei para ele e o abracei com força, escondendo meu rosto em seu peito. Como eu tive a sorte de ser amada por um homem que via o mundo através de tanta beleza e poesia?
— Eu vou cuidar de você, Jinnie — prometi, a voz abafada pela sua camisa. — Vou cuidar do seu coração tão bem quanto você cuida do meu.
Ele me apertou mais forte, e por um longo tempo, não precisamos de palavras. O silêncio no estúdio não era vazio; era preenchido por tudo o que havíamos acabado de construir.
Mais tarde, quando a madrugada já se fazia presente, Hyunjin me acompanhou até a porta. Ele não queria me deixar ir, e eu certamente não queria sair dali.
— Amanhã eu tenho ensaio cedo — disse ele, fazendo um biquinho adorável que me deu vontade de apertar suas bochechas —, mas eu vou te ligar assim que tiver um intervalo. E não se esqueça de olhar para o seu dedo e lembrar que você tem um namorado que é completamente louco por você.
— Não vou esquecer — prometi, sorrindo. — Bom descanso, meu artista.
Ele me deu um último beijo, um daqueles que parecem durar uma eternidade, antes de eu finalmente sair. Enquanto eu caminhava pelo corredor, olhei para trás e o vi parado na porta, acenando com aquele sorriso romântico que agora pertencia a mim.
Ao entrar no carro, olhei para o anel de estrela cadente. O pedido de namoro de Hyunjin não tinha sido apenas uma declaração de amor, mas a promessa de um novo começo. Um começo cheio de cores, de olhares profundos e de uma doçura que só ele possuía.
Eu sabia que haveria desafios. Sabia que a vida de um idol não era fácil e que o sigilo seria necessário por um tempo. Mas, enquanto eu tivesse aquele brilho nos olhos de Hyunjin voltado para mim, eu sabia que qualquer obstáculo seria apenas uma pincelada a mais na grande e maravilhosa tela que estávamos começando a pintar juntos.
E, naquela noite, sob o céu de Seul, eu dormi com a certeza de que a realidade, às vezes, consegue ser muito mais bonita do que qualquer obra de arte.