Nosso romance proibido
Entre Telas, Segredos e o Calor de um Abraço
A manhã seguinte ao pedido de namoro parecia ter despertado com uma luz diferente. O sol que entrava pela janela do meu quarto não era apenas o mesmo sol de todos os dias; ele parecia carregar os tons de dourado que Hyunjin tanto gostava de usar em suas pinturas. Olhei para a minha mão sobre o travesseiro e o brilho discreto do anel de prata me fez sorrir instantaneamente. Não tinha sido um sonho. Eu era, oficialmente, a namorada de Hwang Hyunjin.
Meu celular vibrou na mesa de cabeceira. Antes mesmo de ler, eu já sabia quem era.
— Bom dia, minha musa — dizia a mensagem, acompanhada de um emoji de coração e um gatinho sonolento. — Acordei sentindo falta do seu sorriso. O ensaio começa em dez minutos, mas minha mente ainda está presa naquele sofá do estúdio com você. Promete que vai pensar em mim hoje?
Ri baixinho, sentindo aquele calor familiar subir pelo meu rosto.
— Bom dia, Jinnie. É impossível não pensar em você, especialmente com esse brilho no meu dedo. Bom ensaio, não se esforce demais! — respondi, enviando logo em seguida.
A rotina de um idol era frenética, e eu sabia que os momentos de privacidade seriam raros. No entanto, Hyunjin tinha essa capacidade de fazer o tempo parar, mesmo através de uma tela de celular. Durante todo o dia, recebi pequenas pílulas de carinho: uma foto dele fazendo biquinho no espelho da sala de prática, um áudio de três segundos apenas com sua risada ao fundo, e uma foto de um esboço rápido que ele fez no verso de um cronograma de ensaio — um desenho simples de duas mãos entrelaçadas.
No final da tarde, recebi uma ligação inesperada.
— Consegui uma escapatória — a voz dele soou abafada, como se ele estivesse escondido em algum lugar. — O Chan-hyung me deu duas horas de folga antes da gravação noturna. Você... você quer vir me ver? Estou no terraço do prédio da empresa. Ninguém sobe aqui a esta hora.
— Hyunjin, você tem certeza? É arriscado — eu disse, já procurando minhas chaves, incapaz de dizer não.
— Tenho certeza absoluta. Eu preciso te ver, nem que seja por cinco minutos. Por favor? — O tom manhoso na voz dele era minha maior fraqueza.
Vinte minutos depois, eu estava subindo as escadas de emergência, com o coração batendo mais rápido do que se eu tivesse corrido uma maratona. Quando abri a porta pesada que dava para o terraço, o vento frio de Seul me atingiu, mas o frio desapareceu no momento em que vi a silhueta alta e elegante de Hyunjin encostada no parapeito.
Ele vestia um moletom preto largo e calças de treino, o cabelo loiro bagunçado pelo suor do ensaio e pelo vento. Assim que me viu, seu rosto se iluminou. Ele não caminhou até mim; ele praticamente correu, envolvendo-me em um abraço que me tirou o fôlego.
— Você veio — ele sussurrou contra meu ouvido, apertando-me como se não me visse há anos, e não apenas há algumas horas.
— Eu disse que viria — respondi, enterrando o rosto no peito dele, sentindo o cheiro de sabonete e o calor reconfortante de seu corpo.
Ele se afastou apenas o suficiente para segurar meu rosto entre as mãos. Seus dedos estavam frios por causa do vento, mas o olhar que ele me lançava era puro fogo e doçura. Ele ficou ali, parado, apenas me observando com uma intensidade que me deixava sem palavras.
— Por que você está me olhando assim de novo? — perguntei, sentindo minhas bochechas queimarem.
— Porque eu ainda estou tentando processar a sorte que eu tenho — ele disse, com um sorriso romântico que faria qualquer um desfalecer. — Eu passei o ensaio inteiro errando a contagem porque ficava imaginando você aqui. Os meninos estão começando a suspeitar. O Minho me perguntou se eu tinha comido algo estragado, porque eu não parava de sorrir para o nada.
— Jinnie, você precisa se concentrar! Não quero ser o motivo do seu líder te dar uma bronca — eu brinquei, mas ele apenas balançou a cabeça, puxando-me para um banco de cimento escondido atrás de uma grande unidade de ar-condicionado.
— O Chan sabe que eu sou intenso — ele deu de ombros, sentando-se e me puxando para o seu colo de um jeito fofo e possessivo. — Ele sabe que, quando eu me interesso por algo, ou por alguém, eu me entrego cem por cento. E agora, meu mundo inteiro gira em torno de você.
Ele pegou minha mão direita e começou a traçar círculos na palma com o polegar, seus olhos fixos no anel que ele me dera.
— Sabe o que eu mais gosto nesse anel? — ele perguntou em voz baixa.
— O brilho? — arrisquei.
— Não — ele sorriu, olhando nos meus olhos. — É o fato de que ele é um círculo. Não tem começo nem fim. É como eu quero que seja o que temos. Eu sei que o mundo lá fora pode ser cruel às vezes, e que minha vida é uma vitrine, mas aqui... aqui em cima, ou no meu estúdio, somos apenas nós.
Eu acariciei o cabelo dele, afastando as mechas que caíam sobre seus olhos.
— Eu sinto o mesmo, Hyunjin. Às vezes eu fico com medo de que tudo isso seja bom demais para ser verdade. Que eu vá acordar e você ainda seja apenas o idol intocável na tela da minha TV.
Hyunjin soltou uma risada baixa e doce, inclinando-se para colar sua testa na minha.
— Eu nunca vou ser intocável para você — ele prometeu. — Você é a única pessoa que conhece o Hyunjin que reclama de cansaço, que fica inseguro com um passo de dança e que chora assistindo filmes de romance. Para o resto do mundo, eu posso ser o "Prince", mas para você, eu só quero ser o seu namorado. O cara que vai te mandar flores sem motivo e que vai querer segurar sua mão até o fim dos tempos.
Ficamos em silêncio por um tempo, ouvindo o som distante do trânsito de Seul lá embaixo. Era um contraste estranho: o caos da cidade e a paz que sentíamos ali em cima.
— Os outros membros... — comecei a dizer, mas ele me interrompeu com um beijo rápido no nariz.
— O Felix já sabe — ele confessou, com um brilho travesso nos olhos. — Ele me pegou olhando para uma foto sua hoje cedo. Ele não disse nada, apenas me deu um abraço e disse que estava feliz por mim. O Felix tem esse instinto de saber quando o coração de alguém está cheio.
— Fico feliz que seja ele — comentei. — Ele é um bom amigo.
— Ele é. Mas ele também avisou que, se eu te fizer chorar, ele vai me fazer comer mosquitos por uma semana — Hyunjin riu, e eu não pude deixar de acompanhá-lo.
De repente, a expressão dele suavizou, e ele voltou a me olhar daquela maneira profunda que sempre fazia meu coração disparar. Ele se inclinou e me beijou. Foi um beijo lento, que carregava o sabor da saudade e a promessa de um futuro juntos. Suas mãos acariciavam minhas costas com uma delicadeza extrema, como se eu fosse feita de cristal.
— Eu queria poder ficar aqui a noite toda — ele murmurou contra meus lábios quando nos separamos. — Queria poder te levar para jantar em um lugar onde não precisássemos nos esconder. Queria poder gritar para todo mundo o quanto eu te amo.
— Nós teremos tempo para isso, Jinnie — eu o acalmei, passando os braços pelo seu pescoço. — No momento certo. O segredo torna tudo isso ainda mais especial, não acha? É o nosso pequeno tesouro.
— Você tem razão — ele concordou, dando-me mais um selinho. — O nosso pequeno tesouro. Mas eu aviso: sou um namorado muito carente. Vou querer sua atenção o tempo todo.
— Eu já percebi isso — ri, apertando suas bochechas. — E eu não me importo nem um pouco.
O celular dele tocou no bolso, quebrando o momento. Ele olhou para a tela e suspirou.
— É o Changbin. Eles estão me chamando para a gravação.
— Você precisa ir — eu disse, embora cada fibra do meu ser quisesse que ele ficasse.
— Só mais um minuto — ele pediu, escondendo o rosto na curvatura do meu pescoço e respirando fundo. — Só para eu gravar o seu cheiro e usar como energia para o resto da noite.
Ele me apertou uma última vez antes de se levantar. Ele me ajudou a ficar de pé e limpou um pouco de poeira do meu casaco, sempre com aquele toque cuidadoso e romântico.
— Vá primeiro — ele disse. — Eu vou esperar dois minutos para ninguém nos ver saindo juntos. Me mande uma mensagem quando chegar em casa, por favor?
— Eu mando. Boa gravação, meu amor.
A palavra "amor" pareceu ter um efeito mágico sobre ele. Hyunjin parou, um sorriso radiante se espalhando por seu rosto, e seus olhos brilharam de uma forma que eu nunca tinha visto antes.
— Você me chamou de "meu amor" — ele repetiu, parecendo saborear cada letra. — Eu acho que vou conseguir gravar essa música em uma única tomada agora. Você é incrível, sabia?
— Eu sei, você me diz isso o tempo todo — brinquei, caminhando em direção à porta.
— E vou continuar dizendo todos os dias da minha vida — ele prometeu, mandando um beijo no ar.
Saí do terraço com o coração leve. Enquanto descia as escadas, percebi que Hyunjin não era apenas um namorado fofo e romântico; ele era alguém que transformava a realidade em poesia. Ele via cores onde outros viam apenas sombras, e ele tinha escolhido compartilhar essa visão comigo.
Ao chegar em casa, meu celular apitou.
— Cheguei na cabine de gravação — dizia a mensagem. — Estou usando o anel no meu colar, por baixo da camisa. Ele está batendo bem em cima do meu coração. Assim, você está comigo em cada nota que eu canto. Te amo.
Deitei na cama, olhando para o teto, sentindo-me a pessoa mais afortunada do mundo. O caminho à frente poderia ter suas complicações, mas com Hyunjin, eu sabia que cada capítulo da nossa história seria pintado com as cores mais vibrantes do amor. Ele era o meu artista, o meu príncipe, e agora, o dono do meu coração. E eu mal podia esperar para ver qual seria a próxima obra de arte que criaríamos juntos.