Nosso romance proibido
Luzes, Sombras e o Veneno do Ciúme
O brilho dos refletores nunca pareceu tão intenso quanto no dia do meu debut. O frio na barriga, que antes era apenas uma leve ansiedade, transformou-se em um turbilhão de emoções enquanto eu terminava de ajustar o figurino nos bastidores do Music Bank. Eu finalmente estava ali, realizando o sonho pelo qual lutei durante anos. Mas, além da carreira, havia algo mais que me mantinha firme: o olhar de Hyunjin.
Ele estava lá, escondido entre o staff, usando um boné preto e uma máscara para não ser reconhecido, mas eu conseguia sentir os olhos dele em mim. Aquele brilho de orgulho e admiração que ele nunca conseguia esconder. Quando nossas vistas se cruzaram pelo espelho do camarim, ele piscou discretamente, e eu soube que tudo ficaria bem.
No entanto, o que eu não esperava era que o clima de celebração ganhasse uma nota dissonante.
Após a nossa apresentação de estreia, o grupo foi levado para o lounge de convivência dos artistas. O Stray Kids também estava lá para promover o novo álbum japonês, e o reencontro foi inevitável. Enquanto as outras integrantes do meu grupo conversavam animadamente com o Bang Chan e o Changbin, eu tentava encontrar um momento para me aproximar de Hyunjin sem levantar suspeitas.
— Você foi incrível no palco — uma voz suave e levemente provocante soou logo atrás de mim.
Virei-me e encontrei Jeongin. O "Maknae de Ouro" exibia um sorriso radiante, mas havia algo diferente em sua expressão. Seus olhos, geralmente tão inocentes, carregavam uma pitada de audácia que eu ainda não conhecia.
— Ah, obrigada, Jeongin-sunbaenim! — respondi, tentando manter a formalidade, embora fôssemos amigos há tempos por causa do Hyunjin.
— "Sunbaenim"? — Ele riu, dando um passo para mais perto, encurtando a distância de uma forma que me deixou levemente desconfortável. — Achei que já tivéssemos passado dessa fase. Você estava brilhando tanto que foi difícil olhar para qualquer outra coisa. Acho que ganhei uma nova idol favorita hoje.
Ele estendeu a mão e, com uma delicadeza desnecessária, ajeitou uma mecha do meu cabelo que havia caído sobre o meu ombro. O toque durou um segundo a mais do que o normal.
Do outro lado da sala, senti o ar gelar. Olhei por cima do ombro de Jeongin e vi Hyunjin. Ele estava segurando uma garrafa de água, mas sua mão estava tão apertada que o plástico estalava. O olhar fofo e romântico que ele me dera minutos antes havia desaparecido, substituído por uma expressão sombria e uma mandíbula travada.
— Jeongin-ah — a voz de Hyunjin cortou o ar como uma lâmina fria enquanto ele se aproximava. — Não sabia que você era tão atencioso com as houbaes.
Jeongin não se intimidou. Ele se virou para o mais velho com um sorriso cínico, mantendo a mão perigosamente perto do meu braço.
— Só estou parabenizando ela, Hyung. O debut foi impecável. Você não acha que ela está maravilhosa nesse figurino? — Jeongin perguntou, voltando a olhar para mim de cima a baixo. — Realça muito bem a sua presença.
Hyunjin parou ao meu lado. Eu conseguia sentir o calor irradiando do seu corpo, mas era um calor de tensão, não de conforto. Ele colocou a mão no meu ombro — um gesto de posse claro para quem conhecesse os dois — e forçou um sorriso que não chegava aos olhos.
— Ela está sempre maravilhosa — disse Hyunjin, a voz baixa e perigosa. — Mas acho que o staff está chamando o grupo dela para as fotos oficiais. Não queremos atrasar o cronograma, não é?
— Na verdade, temos alguns minutos — Jeongin retrucou, ignorando o aviso implícito. — Eu estava pensando... talvez pudéssemos trocar números novos? Sabe, para eu te dar algumas dicas sobre como sobreviver à primeira turnê. O que acha?
Senti o aperto de Hyunjin no meu ombro aumentar levemente. Eu estava em uma situação impossível. Jeongin estava sendo descarado, e Hyunjin estava prestes a explodir.
— Eu... eu acho que já tenho o seu número, Jeongin — respondi, tentando rir para aliviar o clima.
— O antigo? Ah, eu mudei. Deixe-me anotar o novo no seu celular — ele disse, estendendo a mão para o aparelho que eu segurava.
Antes que eu pudesse reagir, Hyunjin deu um passo à frente, bloqueando o espaço entre mim e o maknae.
— Ela me passa depois, Innie — disse Hyunjin, usando o apelido, mas com um tom que dizia claramente "saia daqui agora". — Agora, se nos der licença, preciso falar com ela sobre um detalhe técnico da performance. Assunto de artista para artista.
Jeongin deu de ombros, ainda mantendo aquele sorriso irritante.
— Tudo bem, Hyung. Não precisa ficar tão nervoso. A gente se vê por aí — ele piscou para mim antes de se afastar, deixando para trás um rastro de tensão pura.
Assim que Jeongin sumiu de vista atrás de uma arara de roupas, Hyunjin me puxou para um canto mais isolado, atrás de um painel de LED desligado. Ele soltou um suspiro pesado, passando as mãos pelo cabelo loiro, bagunçando-o com frustração.
— O que foi aquilo? — ele perguntou, a voz tremendo levemente.
— Jinnie, calma... ele estava apenas sendo gentil — tentei dizer, embora soubesse que não era verdade.
— Gentil? — Hyunjin riu, uma risada seca e sem humor. — Ele estava dando em cima de você na minha frente! Ele sabe! Ele sabe que estamos juntos, e mesmo assim ele tocou no seu cabelo... ele olhou para você como se... como se...
Ele parou de falar, incapaz de completar a frase. Seus olhos estavam úmidos, e a raiva parecia estar se transformando em mágoa. O ciúme de Hyunjin não era agressivo, era sofrido. Ele tinha medo.
— Hyunjin, olhe para mim — pedi, pegando suas mãos. As mãos de artista que eu tanto amava estavam geladas. — Você sabe que eu só tenho olhos para você. O Jeongin é seu amigo, ele deve estar apenas brincando ou tentando te provocar.
— Ele não estava brincando — Hyunjin sussurrou, aproximando seu rosto do meu. — Eu conheço aquele olhar. É o olhar de quem vê algo precioso e quer para si. E você é a coisa mais preciosa da minha vida. Eu não suporto a ideia de outro homem, especialmente um dos meus melhores amigos, tocando em você ou te olhando daquela maneira.
— Você confia em mim? — perguntei, acariciando seu rosto com o polegar.
— Confio em você com a minha vida — ele respondeu prontamente. — Mas não confio neles. E não confio na minha própria capacidade de ficar calmo quando vejo alguém tentando tirar de mim o que eu levei tanto tempo para conquistar.
Ele me puxou para um abraço apertado, escondendo o rosto no meu pescoço. Eu sentia seu coração batendo freneticamente contra o meu peito. Era irônico: o homem que era admirado por milhões, o "Visual da Nação", estava ali, vulnerável e inseguro por causa de um simples comentário de camarim.
— Eu sou sua, Hyunjin — eu disse suavemente. — Nenhuma dica de turnê ou sorriso de maknae vai mudar isso. Você é o dono de todos os meus quadros, lembra? De todas as minhas danças.
Ele se afastou um pouco, olhando para o anel no meu dedo, que eu tinha coberto com uma fita da cor da pele para a performance, mas que ele sabia que estava lá.
— Eu sei — ele murmurou, recuperando um pouco da sua doçura habitual. — Desculpe. Eu agi como um idiota, não é? No dia do seu debut, eu deveria estar comemorando com você, não fazendo uma cena de ciúmes.
— Você não fez uma cena. Você só foi o Hwang Hyunjin: protetor e intensamente romântico — sorri, dando um selinho rápido nele, aproveitando que o staff ainda estava distraído. — Mas prometa que não vai brigar com o Jeongin no dormitório.
Hyunjin fez um biquinho, aquele mesmo biquinho fofo que ele fazia quando não queria acordar cedo.
— Não prometo nada. Talvez eu "acidentalmente" mude a senha do Wi-Fi e não conte para ele. Ou "esqueça" de avisar quando a comida chegar.
Ri da sua infantilidade, sentindo um alívio imenso por vê-lo sorrir novamente.
— Você é impossível.
— Sou — ele concordou, puxando-me para mais um beijo, desta vez mais calmo, selando a paz entre nós. — Mas sou o seu impossível. E agora, vá lá e brilhe. Mas lembre-se: aquele brilho nos seus olhos? Eu sei que ele é só meu.
Saí do esconderijo com o coração aquecido, mas ao passar pelo corredor, vi Jeongin encostado na parede, mexendo no celular. Quando ele me viu, ele não disse nada, apenas levantou o aparelho e mostrou a tela. Ele estava na minha página oficial de fã, curtindo todas as minhas fotos.
Ele me deu um tchauzinho de longe, com um olhar desafiador que dizia que aquela disputa estava longe de acabar.
Suspirei. O debut seria apenas o começo de muitas batalhas, e parecia que a maior delas não seria nos charts musicais, mas sim dentro do coração possessivo e artístico do meu namorado. Mas, enquanto eu tivesse Hyunjin me esperando no estúdio com seus pincéis e suas promessas, eu sabia que poderia enfrentar qualquer exército de admiradores — mesmo que um deles vivesse no mesmo dormitório que o meu amor.
Caminhei em direção ao palco para o encerramento do programa, sentindo o peso do anel sob a fita e o calor do olhar de Hyunjin me seguindo de longe. O mundo podia estar olhando para a nova idol do momento, mas eu só conseguia pensar no artista loiro que, com apenas um olhar de ciúme, me lembrou que eu era a sua obra-prima mais valiosa. E eu não pretendia deixar ninguém colocar as mãos na moldura.