Nova visão
O Vértice do Desejo
O vento uivava entre as engrenagens de ferro do velho moinho de vento da fazenda Kent, um som melancólico que contrastava com a eletricidade estática que parecia curvar o espaço ao redor de Clark e Chloe. Eles haviam subido até a plataforma mais alta, o ponto onde o mundo parecia se resumir a um horizonte de plantações escuras e ao céu carregado de Smallville. Clark não era mais o garoto hesitante que pedia desculpas por existir; ele era uma força da natureza, assertiva e faminta, cujos olhos azuis brilhavam com uma intensidade predatória que Chloe nunca vira antes.
— Você tem ideia do quanto eu esperei por isso, Chloe? — a voz dele era um rosnado baixo, vibrando contra a pele do pescoço dela enquanto ele a prensava contra a estrutura de madeira.
— Clark... — ela ofegou, as mãos perdidas na densidade da camisa dele. — Você está... diferente.
— Diferente? — Clark soltou uma risada curta e sombria, capturando os pulsos dela e prendendo-os acima de sua cabeça com uma única mão. — Talvez eu apenas tenha parado de fingir. Talvez eu tenha cansado de ser o "bom moço" que espera na fila. Eu quero você agora, e não vou pedir permissão para sentir o que é meu por direito.
Ele não esperou por uma resposta. Seus lábios colidiram com os dela em um beijo que não tinha nada de gentil. Era uma invasão, uma reivindicação de território. Chloe sentiu o gosto de uma confiança perigosa, uma arrogância que a fazia tremer não de medo, mas de um desejo avassalador que ela vinha reprimindo há anos. Quando ele a soltou, apenas para descer os beijos por sua mandíbula até a curva do ombro, Chloe sentiu os joelhos fraquejarem.
— Você é tão inteligente, Sullivan — murmurou ele, a voz carregada de uma malícia sexy que a fez arrepiar-se inteira. — Sempre com as palavras certas, sempre analisando tudo. O que seu cérebro brilhante diz sobre o fato de que eu vou beijar cada centímetro desse seu corpo até você esquecer como se soletra o próprio nome?
— Eu acho... que é uma teoria que merece ser testada — respondeu ela, a voz falhando enquanto sentia as mãos grandes de Clark deslizarem para baixo, levantando sua blusa com uma urgência selvagem.
As roupas foram descartadas com uma impaciência que beirava a violência, embora Clark fosse milimetricamente cuidadoso para não machucá-la com sua força sobre-humana. No entanto, ele não escondia sua superioridade física. Ele a manuseava com uma facilidade que lembrava a Chloe que ele poderia dobrar o aço, mas que, naquele momento, preferia dobrar a vontade dela.
— Olhe para mim — ordenou Clark, sua voz soando como um comando absoluto.
Chloe obedeceu, os olhos dilatados enquanto via Clark se livrar do restante de suas roupas. Sob a luz pálida da lua, ele era uma estátua de músculos perfeitos, uma visão de poder bruto. Ele se aproximou novamente, e desta vez, quando a tocou, não houve sutileza. Ele a deitou sobre a lona que cobria a plataforma, o corpo dele cobrindo o dela como uma sombra vasta e quente.
— Eu vou te mostrar o que acontece quando eu paro de me segurar — ele sussurrou no ouvido dela, a língua traçando o contorno de sua orelha antes de descer em uma trilha de fogo pelo seu peito. — Eu quero ouvir você gritar meu nome de um jeito que a cidade inteira saiba que você pertence a mim.
— Clark, por favor — ela implorou, as unhas cravando-se nos ombros largos dele.
— Por favor, o quê? — ele provocou, parando o movimento de suas mãos apenas para torturá-la com a expectativa. — Diga. Seja específica, Chloe. Você não adora detalhes?
— Eu quero você... agora!
Ele sorriu, um sorriso de pura conquista, e se uniu a ela em um movimento fluido e poderoso. O impacto foi imediato, uma explosão de sensações que fez Chloe arquear as costas e soltar um grito que se perdeu no vento. Clark não era gentil; ele era selvagem. Cada estocada era carregada de uma possessividade que parecia querer fundir as almas deles. Ele a dominava, ditando o ritmo, forçando-a a acompanhar a cadência frenética de seu próprio desejo.
— Você é minha — ele dizia entre beijos profundos e mordidas leves nos lábios dela. — Diga. Diga que você não quer mais ninguém. Que nenhum daqueles idiotas de Metrópolis jamais poderia te fazer sentir assim.
— Só você, Clark... sempre foi você — ela gemia, perdida em um mar de prazer que a deixava tonta.
Ele continuou a descida, cumprindo a promessa de beijar cada centímetro dela. Seus lábios percorreram o abdômen dela, as coxas, cada curva, acompanhados de palavras safadas e elogios sussurrados que faziam o rosto de Chloe arder tanto quanto seu corpo. Ele explorava as reações dela com uma arrogância deliciosa, sabendo exatamente onde tocar para fazê-la desmoronar.
O clímax veio como uma tempestade de verão em Smallville: súbito, violento e transformador. Chloe sentiu o mundo se dissolver sob ela, enquanto Clark soltava um rugido baixo, enterrando o rosto na curva do pescoço dela, sua força finalmente se libertando em uma entrega total. Por alguns instantes, o tempo parou no topo daquele moinho.
O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som rítmico das engrenagens e pelas respirações pesadas que tentavam voltar ao normal. A temperatura parecia ter caído subitamente, ou talvez fosse apenas o calor da adrenalina se esvaindo.
Clark permaneceu sobre ela por um longo tempo, o rosto escondido. Lentamente, ele começou a se afastar, sentando-se na plataforma. A luz da lua agora parecia mais fria, e o brilho esverdeado que Chloe não notara antes — um pequeno fragmento de kryptonita que estivera preso em uma das fendas da madeira, trazido talvez por um pássaro ou pelo vento — havia caído para o chão lá embaixo durante a agitação.
O efeito da pedra, que havia amplificado seus instintos mais básicos e derrubado suas inibições, desaparecera.
Chloe sentou-se, puxando a camisa de Clark para se cobrir, observando-o. O Clark que ela via agora não era o conquistador arrogante de minutos atrás. Ele estava com os ombros encolhidos, as mãos cobrindo o rosto, as pontas das orelhas visivelmente vermelhas.
— Clark? — ela chamou baixinho, estendendo a mão para tocar o ombro dele.
Ele estremeceu levemente ao toque e finalmente baixou as mãos. Seus olhos azuis, antes carregados de uma luxúria assertiva, agora estavam cheios de uma timidez quase infantil.
— Meu Deus, Chloe... — ele murmurou, a voz falhando. — Eu... eu disse aquelas coisas? Eu fiz... aquilo?
Chloe não pôde evitar um pequeno sorriso, embora seu coração ainda estivesse disparado.
— Você disse muitas coisas, Clark. E fez coisas que eu nem sabia que eram fisicamente possíveis, mesmo para um alienígena.
Clark gemeu de vergonha, escondendo o rosto entre os joelhos.
— Eu sinto muito. Eu não sei o que deu em mim. Eu agi como um... como um bárbaro. Eu te prendi, eu ordenei que você... — ele parou, incapaz de repetir as palavras safadas que haviam saído tão naturalmente de sua boca momentos antes. — Eu sou um monstro.
— Ei — Chloe aproximou-se, forçando-o a olhar para ela. — Olhe para mim, Clark Kent.
Ele levantou os olhos, a expressão carregada de culpa.
— Você não foi um monstro. Você foi... intenso. E, honestamente? Foi a coisa mais incrível que já aconteceu comigo. Você não me machucou, Clark. Você me possuiu. E eu quis cada segundo disso.
— Mas eu fui tão arrogante — ele insistiu, a voz sumindo. — Eu falei sobre você me pertencer, sobre Metrópolis... eu soei como um vilão de cinema barato.
— Você soou como um homem que sabia exatamente o que queria — rebateu ela, acariciando o rosto dele. — E, por mais que o Clark "bom moço" seja o meu favorito para tomar café, o Clark que eu acabei de conhecer no topo deste moinho... bom, digamos que ele tem o seu charme.
Clark soltou um suspiro longo, o rubor em seu rosto diminuindo apenas um pouco.
— Eu não estou arrependido — ele disse de repente, sua voz ganhando um pouco da firmeza habitual, embora a timidez ainda estivesse lá. — De nada disso. Eu só... eu queria ter tido mais controle. Eu queria ter sido mais romântico, talvez.
— Clark, nós tivemos anos de romance platônico e olhares carinhosos — Chloe riu, puxando-o para um beijo casto e doce. — Às vezes, uma garota só precisa de um alienígena assertivo no topo de um moinho de vento.
Ele sorriu finalmente, embora ainda parecesse um pouco atordoado com a própria performance. Ele a puxou para o seu abraço, envolvendo-a com o cobertor que estava por perto, protegendo-a do frio da madrugada.
— Eu te amo, Chloe — ele sussurrou, e desta vez não havia kryptonita, nem arrogância, nem sombras. Era apenas o Clark. — E eu prometo que, da próxima vez, eu vou tentar ser um pouco menos... selvagem.
— Não prometa coisas que você pode não querer cumprir, Kent — ela brincou, aninhando-se no peito dele. — Mas, por enquanto, vamos apenas ficar aqui. O mundo pode esperar até o amanhecer.
Clark beijou o topo da cabeça dela, sentindo uma paz que nunca conhecera com Lana. Ali, no alto do moinho, entre a vergonha do que fora e a certeza do que sentia, ele finalmente entendeu que não precisava de pedras espaciais para ser o homem que Chloe merecia. Ele só precisava ser ele mesmo — com todas as suas forças, suas falhas e o desejo incontrolável de nunca mais deixá-la ir.
Enquanto as estrelas começavam a desaparecer para dar lugar ao primeiro brilho do sol, o casal permaneceu unido. O moinho continuava a girar, um símbolo constante de mudança e renovação. Para Clark e Chloe, a noite havia terminado, mas a história deles estava apenas começando a ganhar suas cores mais vibrantes.