O amigo?
O Eco do Desejo sob a Vigília do Comandante
A manhã seguinte na Clareira das Bestas não trouxe apenas o orvalho frio, mas também uma presença que fez o ar vibrar com uma autoridade ancestral. Sentado casualmente em um tronco que parecia ter se transformado em um trono sob sua postura, estava Virion Eralith. O ex-rei dos elfos, com sua longa barba branca e olhos que brilhavam com uma astúcia jovial, observava o grupo com um sorriso que Tessia conhecia muito bem — e que costumava preceder algum desastre social.
— Vovô! — Tessia exclamou, metade aliviada, metade aterrorizada. — O que você está fazendo aqui?
— Ora, querida, um velho não pode visitar sua neta e o seu pupilo favorito? — Virion levantou-se, apoiando-se levemente em seu cajado, embora todos ali soubessem que ele poderia derrubar uma montanha se quisesse. Seus olhos caíram sobre Arthur, que apenas cruzou os braços com um sorriso desafiador. — Além disso, ouvi dizer que o Arthur estava sendo "rigoroso" com seus amigos. Vim garantir que ele não os matasse antes da guerra começar.
Darvus, Caria e Stannard estavam em posição de sentido, paralisados pela presença da lenda viva. Mas Virion não parecia interessado em protocolos militares naquele momento. Ele caminhou até Arthur e deu um tapinha pesado em seu ombro.
— Então, Arthur... — Virion começou, sua voz subindo propositalmente para que todos ouvissem. — Como está o vigor? Da última vez que te vi no castelo, você parecia bastante "ocupado" tentando descobrir se a Tessia ficava melhor com ou sem aquele vestido de seda verde que eu lhe dei.
Tessia quase engasgou com o próprio ar, o rosto atingindo um tom de vermelho que faria um tomate parecer pálido.
— Vovô! — ela gritou, horrorizada.
Arthur, no entanto, nem piscou. Ele olhou diretamente para o velho elfo com um brilho travesso.
— O vigor está excelente, Virion. E para sua informação, a seda verde é um pouco difícil de tirar com pressa, então prefiro o vestido de linho azul. É mais prático para... emergências.
Darvus soltou uma tosse que parecia um engasgo, enquanto Caria tentava esconder o riso atrás das mãos. Virion soltou uma gargalhada estrondosa, batendo o cajado no chão.
— Prático! Ouviu isso, Tessia? O rapaz é um estrategista até no quarto! — O velho elfo inclinou-se para os companheiros de Tessia, que ouviam tudo boquiabertos. — Vocês sabiam que, quando eram mais novos, eu tive que colocar guardas extras na biblioteca? Não era para proteger os livros, era porque esses dois achavam que as prateleiras de história antiga eram o lugar perfeito para testar a resistência dos móveis.
— Isso é mentira! — Tessia protestou, cobrindo o rosto. — Nós estávamos apenas estudando táticas de mana!
— Táticas de mana que envolviam muita troca de fluidos, imagino — rebateu Virion, piscando para Arthur.
— Pelo menos eu não sou o velho que fica espiando atrás de estátuas para dar dicas de postura, não é? — Arthur retrucou, aproximando-se de Virion com um sorriso de canto. — Da próxima vez que você quiser dar um conselho, tente não usar uma aura de mana tão óbvia. Você quebra o clima.
— Ora, seu moleque atrevido! — Virion riu, mas havia um orgulho imenso em seus olhos.
A tarde seguiu com Virion alternando entre conselhos de guerra e histórias cada vez mais constrangedoras, até que o sol começou a baixar e a necessidade de descanso se tornou imperativa. Aproveitando que Virion estava ocupado explicando uma manobra complexa para Stannard e Darvus, Arthur puxou Tessia pela mão, sinalizando para que ela o seguisse silenciosamente para longe do círculo da fogueira.
Eles se afastaram até que o som das risadas de Virion fosse apenas um eco distante. Encontraram um refúgio natural sob uma enorme árvore cujas raízes formavam uma pequena caverna protegida por arbustos densos. A mana de Arthur se expandiu sutilmente, criando uma barreira de silêncio que ele esperava ser suficiente.
— Finalmente — murmurou Arthur, prensando Tessia contra o tronco da árvore. O olhar azul dele estava escuro, carregado de uma fome que as provocações de Virion só haviam alimentado durante o dia.
— Arthur... — Tessia arquejou, suas mãos subindo para o peito dele, agarrando a túnica preta. — O vovô pode nos ouvir...
— Eu coloquei uma barreira — disse ele, a voz rouca, descendo o rosto para enterrá-lo no pescoço dela. — E honestamente, depois de tudo o que ele disse hoje, eu não me importo se ele ouvir. Eu senti sua falta o dia todo, mesmo você estando ao meu lado.
Ele não esperou por uma resposta. Seus lábios encontraram os dela em um beijo faminto, urgente. Não era o beijo doce de um reencontro, mas o de dois guerreiros que sabiam que o amanhã era incerto e que o agora era tudo o que possuíam. Arthur a ergueu, as pernas dela circulando sua cintura instantaneamente.
A paixão explodiu. Arthur não foi gentil; ele a desejava com uma intensidade bruta, suas mãos explorando cada curva do corpo dela com uma possessividade que a fazia tremer. Ele desfez as amarras das roupas dela com uma destreza impaciente, sua boca descendo para os seios dela, mordiscando a pele macia e deixando marcas que seriam impossíveis de esconder no dia seguinte.
Tessia, entregue ao prazer e à necessidade de sentir Arthur dentro dela, esqueceu-se de onde estavam. Quando ele finalmente a penetrou, um estalo de prazer percorreu sua espinha e ela soltou um gemido alto, agudo, que ecoou pela clareira.
Longe dali, ao redor da fogueira, o grupo congelou. Darvus arregalou os olhos, olhando na direção da floresta.
— Isso foi... a Princesa? — perguntou ele, levantando-se instintivamente para ver se algo estava errado.
Antes que ele pudesse dar um passo, o cajado de Virion barrou seu caminho. O velho elfo estava sentado calmamente, bebendo um pouco de água, com um sorriso satisfeito no rosto.
— Sente-se, rapaz — ordenou Virion, a voz firme mas divertida.
— Mas Comandante, parecia que ela estava... com dor? Ou perigo? — Caria perguntou, preocupada.
— Dor? Não, minha cara. Aquilo é o som de alguém garantindo o futuro da linhagem Eralith — disse Virion, voltando a olhar para o fogo. — Eu quero bisnetos fortes antes que essa guerra acabe com a minha paciência. Deixem que eles terminem o que começaram. Se alguém tentar atrapalhar, terá que passar por mim.
O trio se sentou, em um silêncio profundamente desconfortável, enquanto outros sons abafados — mas inconfundíveis — continuavam a vir da floresta.
Horas depois, quando a lua já estava no topo do céu, Arthur e Tessia retornaram ao acampamento. Tessia tentava manter a compostura, mas era evidente que ela estava mancando levemente, e seu pescoço estava repleto de marcas arroxeadas que o colarinho de sua túnica, agora desalinhada, não conseguia esconder. Seus cabelos prateados estavam bagunçados, e ela evitava o olhar de todos.
Arthur, por outro lado, caminhava com a satisfação de um predador que acabara de se banquetear. Ele se sentou ao lado de Virion, que o avaliou de cima a baixo.
— Demoraram — comentou o velho. — Espero que a estratégia tenha sido produtiva.
— Foi a melhor que já executei — respondeu Arthur, pegando uma caneca de água.
Na manhã seguinte, o treinamento recomeçou com uma intensidade ainda maior. Virion decidiu participar, corrigindo os movimentos de Darvus com golpes de seu cajado, enquanto Arthur focava em Tessia. Em um momento de pausa, Arthur se aproximou dela, que estava limpando o suor da testa, e a puxou para um beijo rápido e possessivo.
— Vocês dois parecem dois coelhos em época de acasalamento — comentou Virion, passando por eles. — Arthur, tente não quebrar a menina, ainda precisamos dela inteira para a batalha. E Tessia, da próxima vez, tente gritar um pouco mais baixo, ou o Darvus vai acabar tendo um colapso nervoso.
Tessia cobriu o rosto com as mãos, soltando um resmungo de frustração. Arthur apenas rosnou para o velho.
— Chega, Virion.
Sem dizer mais nada, Arthur agarrou o pulso de Tessia e a levou para trás de uma grande formação rochosa, longe da vista dos outros.
— O que você está fazendo? — ela perguntou, mas sua voz não tinha resistência.
— O velho não sabe quando calar a boca — rosnou Arthur, prensando-a novamente, mas desta vez o clima era diferente. Havia uma necessidade crua nele.
Ele voltou a beijá-la, mas agora suas mãos eram mais erráticas, apertando o corpo dela com força, sentindo a firmeza de seus músculos e a maciez de sua pele. Ele baixou a túnica dela novamente, expondo seus seios ao ar frio da manhã, e começou a chupá-los com uma voracidade que arrancou soluços dela.
— Arthur... aqui não... — ela implorou, mas suas mãos estavam cravadas no cabelo ruivo dele.
— Eu quero você agora — disse ele, a voz vibrando de desejo.
Ele a virou de costas contra a rocha fria, levantando o tecido de suas roupas. Sem preliminares suaves, ele a possuiu de forma bruta, arrancando um grito abafado dela contra a pedra. Arthur dava tapas firmes em sua bunda, deixando marcas vermelhas que contrastavam com a pele pálida, enquanto seus dentes mordiam os ombros e o pescoço dela. Ele era como uma besta, marcando seu território, deixando claro para o mundo — e para ela — a quem ela pertencia.
Em um momento de êxtase, Arthur a virou novamente, descendo ao solo e forçando as pernas dela a se abrirem. Ele ignorou os protestos fracos e começou a lambê-la, usando a língua com uma precisão que a fez perder o chão, o interior dela sendo explorado com uma intimidade que a deixou completamente desarmada.
Quando finalmente terminaram e voltaram para o grupo, a aura ao redor deles era quase palpável. Tessia estava exausta, as pernas tremendo visivelmente, e Arthur tinha um olhar de determinação renovada.
Virion olhou para eles, notando a nova marca de mordida no ombro de Tessia que aparecia por cima do decote. Ele abriu a boca para fazer mais um comentário ácido, mas Arthur apenas apontou um dedo para ele, seus olhos brilhando com uma centelha de Realmheart.
— Mais uma palavra, Virion, e eu desafio você para um duelo aqui e agora. E eu não vou segurar nada.
O velho elfo deu de ombros, sorrindo de forma vitoriosa.
— Não precisa ficar bravinho, Arthur. Eu já consegui o que queria. O fogo em vocês dois é o que vai ganhar essa guerra.
Darvus, Caria e Stannard apenas olhavam para o chão, decidindo que, a partir daquele momento, o melhor a fazer era nunca, sob hipótese alguma, questionar o que acontecia quando Arthur e Tessia desapareciam na floresta. Afinal, as lendas eram reais, e a paixão que as alimentava era tão perigosa quanto qualquer feitiço de nível superior.