O amigo do meu irmão
O Trunfo do Predador
O som metálico do armário vibrando contra as costas de Fred era o único ritmo que importava naquele momento. O vestiário, com seu cheiro característico de desinfetante e umidade, havia se tornado uma redoma onde o tempo parecia ter dobrado sobre si mesmo. Fred, o capitão do time, o cara que todos admiravam pela força e pela postura inabalável, estava agora reduzido a uma massa de nervos expostos sob o toque de Jack.
Jack não tinha pressa. Ele saboreava a vitória como um vinho caro. Cada arquejo de Fred, cada tentativa frustrada de manter a dignidade, era um troféu para ele. Ele sabia que o áudio era a peça final do quebra-cabeça mental que vinha montando desde a noite da festa. Não importava se Fred se lembrava ou não; o que importava era que Jack detinha a narrativa.
— Você é tão fácil de quebrar, Fred — sussurrou Jack, a voz vibrando contra a clavícula do mais velho. — Toda essa pose de jogador popular... e olha só como você treme quando eu te toco.
Ele desceu a mão, que antes apertava a nádega de Fred, e começou um movimento lento e rítmico no membro pulsante do jogador. O contraste entre a pele quente de Fred e a frieza calculista de Jack era quase insuportável. Fred soltou um gemido abafado, escondendo o rosto no ombro de Jack, tentando ocultar a expressão de puro deleite que o traía.
— Eu te odeio — Fred murmurou, embora suas mãos estivessem firmemente presas nos ombros largos de Jack, puxando-o para mais perto em vez de empurrá-lo.
— Odeia? — Jack soltou uma risada sombria, parando o movimento da mão por um segundo, apenas para ouvir o protesto involuntário que saiu da garganta de Fred. — Se me odiasse, não estaria implorando silenciosamente para eu não parar. Você gosta de ser dominado, Fred. Gosta que eu tire de você a responsabilidade de ser o "alfa". Aqui dentro, você é só meu.
Jack empurrou Fred com mais força contra o metal frio, fazendo-o soltar um ganido de surpresa. Sem aviso, Jack virou o corpo de Fred, prensando-o de frente para os armários. A pele suada de Fred grudou no metal, e ele sentiu o corpo robusto de Jack se acomodar perfeitamente atrás dele.
— O que você vai fazer? — perguntou Fred, a voz trêmula, o coração martelando contra as costelas.
— Vou te dar exatamente o que você pediu — respondeu Jack, a voz agora desprovida de qualquer traço de brincadeira. — Vou marcar você de um jeito que, toda vez que você olhar para o meu irmão ou para os seus amigos de time, você vai sentir o meu cheiro na sua pele.
Jack pegou um frasco de lubrificante que havia trazido no bolso do seu próprio short — ele sempre estava preparado, um passo à frente. O som do líquido sendo espalhado nas mãos fez o estômago de Fred dar voltas, uma mistura de pavor e antecipação erótica. Quando o primeiro dedo de Jack o tocou, Fred arqueou as costas, a testa batendo contra a porta do armário 42.
— Relaxa, Fred. Se você lutar, vai doer mais. E nós dois sabemos que você quer sentir cada centímetro — Jack disse, começando a preparar o caminho com uma paciência cruel.
O silêncio do vestiário era preenchido apenas pelo som da respiração pesada de ambos e pelo ocasional estalo de metal. Fred sentia-se desmoronar. A imagem de si mesmo como o amigo mais velho, o exemplo a ser seguido, estava sendo estilhaçada. Ele era agora apenas um brinquedo nas mãos do irmão mais novo de seu melhor amigo. A ironia da situação era tão pungente quanto o prazer que começava a irradiar de seu baixo ventre.
— Jack... por favor... — Fred tentou novamente, mas as palavras se perderam quando Jack adicionou um segundo dedo, explorando-o com uma precisão que sugeria que ele conhecia aquele corpo melhor do que o próprio dono.
— Pede com vontade, Fred. Diz: "Jack, me fode como a sua puta" — Jack ordenou, sua boca colada à orelha de Fred, os dentes roçando o lóbulo sensível.
— Me... me fode... — Fred cedeu, as lágrimas de frustração e desejo começando a embaçar sua visão. — Por favor, me fode, Jack.
Jack não precisou ser instigado uma segunda vez. Ele se posicionou, sentindo a resistência inicial ser vencida pela preparação cuidadosa. Quando ele entrou, foi de uma vez, um movimento possessivo e bruto que arrancou um grito de Fred, que foi prontamente abafado pela mão de Jack sobre sua boca.
— Shhh... quer que o treinador apareça aqui e veja o capitão dele nessa posição? — Jack zombou, começando a se mover.
O ritmo era impiedoso. Jack não estava ali para ser gentil; ele estava ali para conquistar. Cada estocada era um lembrete de quem estava no comando. Fred sentia-se preenchido, esticado ao limite, sua mente se tornando um borrão de sensações físicas. Ele agarrava as bordas das prateleiras do armário, os dedos deslizando no metal suado, enquanto seu corpo era jogado para frente e para trás pela força de Jack.
— Você é meu, Fred — Jack rosnou, o suor pingando de sua testa nas costas de Fred. — A foto, o áudio... nada disso importa perto disso aqui, não é? A realidade é muito melhor que a chantagem.
Fred não conseguia responder. Ele estava em um estado de transe, onde a dor se transformava em um prazer agudo e elétrico. Ele sentia o membro de Jack atingir pontos que ele nem sabia que existiam, provocando espasmos em suas pernas. A mão de Jack voltou para a frente, estimulando Fred simultaneamente, levando-o ao ápice com uma velocidade estonteante.
— Eu vou... eu vou... — Fred arquejou, o corpo ficando rígido.
— Goza para mim! — Jack ordenou, aumentando a velocidade, suas estocadas tornando-se curtas e frenéticas. — Mostra o quanto você gosta de ser usado por mim!
Com um último grito sufocado, Fred se desfez, o prazer explodindo em cores atrás de suas pálpebras fechadas. Ele sentiu Jack atingir seu próprio limite logo em seguida, despejando seu calor dentro dele, um selo final de posse. Por alguns segundos, o único som era o das respirações entrecortadas, o ar pesado com o cheiro de sexo e rendição.
Jack retirou-se lentamente, deixando Fred cambalear para frente, apoiando-se no armário para não cair. Suas pernas pareciam feitas de gelatina. Jack, por outro lado, parecia revigorado. Ele pegou a toalha de Fred do chão e limpou-se com uma indiferença que feriu Fred mais do que qualquer insulto.
— Isso foi... instrutivo — disse Jack, vestindo seu short de volta e ajeitando o cabelo no espelho manchado acima das pias.
Fred virou-se lentamente, tentando recuperar um pouco de sua dignidade, embora estivesse nu e trêmulo.
— O que acontece agora? — perguntou Fred, a voz rouca. — Você vai apagar a foto? O áudio?
Jack virou-se para ele, o sorriso de canto retornando. Ele caminhou até Fred e tocou levemente o rosto do jogador, um gesto que poderia ser confundido com carinho se não houvesse tanto gelo em seus olhos.
— Por que eu faria isso? — Jack perguntou retoricamente. — Essas são minhas garantias, Fred. Garantias de que, na próxima vez que eu quiser você, você virá. Sem perguntas. Sem lutas.
— Você é um monstro — Fred sussurrou, embora não houvesse convicção em suas palavras.
— Talvez — Jack deu de ombros, dirigindo-se à saída do vestiário. — Mas sou o monstro que te faz gemer mais alto do que qualquer garota que você já pegou. Vejo você no treino de amanhã, "capitão". Tente não mancar muito.
Jack saiu, o som da porta batendo ecoando como um veredito final. Fred desabou no banco de madeira, o rosto escondido nas mãos. Ele olhou para o próprio corpo, vendo as marcas vermelhas no pescoço e a sensação de preenchimento que ainda persistia. Ele sabia que deveria sentir raiva, deveria contar ao irmão de Jack, deveria acabar com aquilo.
Mas, enquanto ele se levantava para ir ao chuveiro, a única coisa que conseguia pensar, com um horror silencioso, era em quanto tempo levaria até que Jack o chamasse novamente. A armadilha estava armada, e Fred percebeu, com um calafrio, que ele não queria mais escapar.
O vapor do chuveiro logo envolveu o vestiário novamente, mas desta vez, não havia silêncio na mente de Fred. Havia apenas a voz de Jack, o som do áudio e a certeza de que sua vida, como ele a conhecia, havia mudado para sempre sob o domínio de um garoto de dezoito anos que era muito mais inteligente — e perigoso — do que qualquer um poderia imaginar.
Fred lavou o corpo, tentando esfregar as marcas, mas o calor da água só parecia reavivar a memória do toque de Jack. Ele saiu do banho, vestiu-se mecanicamente e pegou seu celular. Havia uma nova mensagem. Não era uma foto, nem um áudio. Era apenas um texto curto de Jack:
"O armário 42 combina com você. Guarde o segredo, ou eu guardo você."
Fred guardou o celular no bolso, o coração acelerado. Ele caminhou pelo corredor da escola, cruzando com rostos conhecidos, sorrindo por reflexo, mas sentindo-se como um estranho em sua própria pele. Ao longe, ele viu Jack conversando com seu irmão, rindo de alguma piada interna. Jack olhou por cima do ombro, seus olhos encontrando os de Fred por um breve segundo.
Não houve aceno, nem sinal de reconhecimento público. Apenas aquele olhar predatório que dizia tudo o que precisava ser dito. Fred desviou o olhar primeiro, apressando o passo. O jogo estava apenas começando, e ele já havia perdido a peça mais importante: sua própria vontade.
Ao chegar em casa naquela tarde, Fred deitou-se em sua cama, a mesma onde tudo começara de forma nebulosa. Ele fechou os olhos e, pela primeira vez, não tentou lutar contra as memórias da noite da festa. Ele deixou que os flashes de Jack sobre ele voltassem, a sensação de ser dominado, a voz grave ditando ordens.
Ele percebeu que a foto e o áudio eram apenas desculpas que ele dava a si mesmo para aceitar o que realmente queria. Jack sabia disso. Jack sempre soube. E essa era a parte mais assustadora de todas.
O "irmãozinho" de seu melhor amigo não era mais uma criança, nem apenas um garoto inteligente da escola. Ele era o dono de Fred. E, no fundo daquela escuridão de submissão e desejo, Fred finalmente parou de mentir para si mesmo. Ele estava ansioso pelo próximo encontro. Estava ansioso para ser, mais uma vez, a "puta" de Jack.
A noite caiu sobre a cidade, e com ela, o peso do segredo. No quarto ao lado, ou em qualquer outro lugar, Jack provavelmente estava estudando ou planejando seu próximo passo. Fred, por outro lado, apenas esperava. Esperava pelo som da notificação que ditaria o ritmo de sua próxima respiração. O predador havia vencido, e a presa, estranhamente, sentia-se finalmente em casa.