O amigo do meu irmão
O Jogo das Sombras no Pátio
A luz do sol de meio-dia batia implacável no pátio da escola, mas para Fred, o ambiente parecia mergulhado em uma penumbra gelada. Ele sentava-se em uma das mesas de cimento, cercado pelo barulho ensurdecedor dos outros alunos, mas seus ouvidos só conseguiam registrar o zumbido constante da ansiedade. Ele segurava um sanduíche que não conseguia morder, os dedos tamborilando nervosamente contra a embalagem plástica.
Cada vez que a porta dupla do prédio principal se abria, Fred sentia um solavanco no peito. Ele sabia que Jack estava por perto. Jack sempre estava por perto agora, como uma presença invisível que apertava seu pescoço.
— Ei, Fred! Cara, você tá no mundo da lua? — perguntou Leo, o irmão de Jack e melhor amigo de Fred, sentando-se à mesa com um impacto que fez Fred pular.
— Só... pensando no treino de mais tarde — mentiu Fred, forçando um sorriso que não chegou aos olhos. — O treinador está pegando pesado.
Leo riu, dando um tapa amigável no ombro de Fred, sem notar que o amigo recuou instintivamente ao toque.
— É, ele quer o título este ano. Mas relaxa, você é o melhor capitão que já tivemos. Ah, falando em intensidade, você viu meu irmão por aí? Ele disse que precisava falar com você sobre um "projeto" da escola.
O estômago de Fred deu um nó.
— Projeto? Que projeto? Eu não tenho nada com ele na escola, Leo.
— Sei lá, cara. Jack é um gênio, você sabe. Ele provavelmente quer que você ajude com alguma coisa de marketing do time ou algo assim. Ele está vindo aí, ó.
Fred seguiu o olhar de Leo e sentiu o sangue fugir do rosto. Jack atravessava o pátio com uma mochila jogada displicentemente sobre um ombro. Ele não usava o uniforme do time, mas seus músculos definidos preenchiam a camiseta preta de forma que atraía olhares de todos os lados. Ele caminhava com uma confiança predatória, um contraste absurdo com o caos interno de Fred.
— E aí, galera — disse Jack, parando ao lado da mesa. Ele colocou a mão no ombro de Leo, mas seus olhos, frios e inteligentes, fixaram-se em Fred. — Fred, ainda bem que te achei. Temos que terminar aquela conversa de hoje cedo no vestiário.
Leo olhou de um para o outro, curioso.
— Vestiário? Você estava lá, Jack?
— Passei por lá para pegar uma chave que esqueci — Jack respondeu sem desviar o olhar de Fred. — O Fred foi muito prestativo. Não foi, Fred?
Fred sentiu o suor frio escorrer pelas costas. A audácia de Jack em mencionar o local do encontro anterior na frente do próprio irmão era aterrorizante.
— Foi... foi o normal — Fred conseguiu dizer, a voz saindo mais fina do que pretendia.
— Bom, eu preciso dele por uns minutos, Leo — Jack disse, dando um aperto final no ombro do irmão antes de se inclinar levemente em direção a Fred. — Vamos? É sobre aquele "material" que eu te mostrei. Acho que você vai querer revisar os detalhes antes que eu decida o que fazer com ele.
Fred levantou-se como se fosse um autômato. Ele não tinha escolha. Cada passo que dava seguindo Jack para longe da multidão parecia um passo em direção a um abismo. Eles caminharam até a parte de trás do ginásio, um local isolado onde o barulho dos alunos era apenas um eco distante.
Assim que ficaram sozinhos, Jack parou e virou-se, encostando-se na parede de tijolos aparentes. Ele cruzou os braços, observando Fred com uma diversão cruel.
— Você parece que viu um fantasma, Fred. Ou será que é apenas a memória do meu pau dentro de você que está te deixando tão pálido?
— Cala a boca, Jack! — Fred sibilou, olhando para os lados para garantir que ninguém ouvia. — Você ficou louco? Falar aquilo na frente do Leo... você quer que ele descubra?
— O que ele descobriria, exatamente? — Jack deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Fred. — Que o melhor amigo dele gosta de ser usado pelo irmão mais novo? Que o grande capitão do time de futebol é, na verdade, uma puta submissa que geme meu nome quando eu aperto o lugar certo?
Fred sentiu a raiva borbulhar, mas era uma raiva impotente, sufocada pelo desejo que, traidoramente, começou a despertar em seu corpo.
— Você disse que eram suas garantias — disse Fred, tentando manter a voz firme. — Por que continua me provocando? O que você quer agora?
Jack esticou a mão e segurou o queixo de Fred com firmeza, forçando-o a olhar em seus olhos.
— Eu quero ver até onde você aguenta, Fred. Eu quero ver você quebrar em público, enquanto tenta manter essa fachada de homem perfeito. Eu quero que você saiba que, a qualquer momento, eu posso destruir sua vida com um clique. Mas, acima de tudo...
Jack baixou a voz, seus lábios quase roçando o ouvido de Fred.
— Eu quero que você sinta falta disso. Eu quero que você passe o dia todo pensando no que eu fiz com você naquele vestiário. E pelo volume no seu short agora, eu diria que estou conseguindo.
Fred fechou os olhos, soltando um suspiro trêmulo. Era verdade. Ele odiava Jack, odiava a chantagem, odiava a posição em que estava, mas seu corpo reagia ao garoto de uma forma que nunca havia reagido a ninguém.
— Você é um doente — Fred sussurrou.
— E você é meu — rebateu Jack, soltando o queixo dele e descendo a mão para o peito de Fred, sentindo o coração disparado sob o tecido da camisa. — Hoje à noite, na minha casa. Leo vai sair com uns amigos. Meu irmão mais velho não volta até tarde. Você vai estar lá às oito.
— Eu tenho compromisso — Fred tentou mentir.
Jack tirou o celular do bolso e apenas iluminou a tela, mostrando a miniatura da foto que havia tirado na noite da festa.
— Oito horas, Fred. Não me faça esperar. E venha preparado. Eu não vou ser tão paciente quanto fui no vestiário.
Jack deu um tapinha no rosto de Fred e saiu caminhando, assobiando uma melodia qualquer, como se tivesse acabado de discutir o tempo. Fred ficou ali, encostado na parede, tentando controlar a respiração. Ele sentia-se sujo, usado e, para seu horror absoluto, desesperadamente ansioso para que as oito da noite chegassem.
O resto do dia passou como um borrão. No treino, Fred cometeu erros básicos. Ele errou passes, perdeu o tempo de bola e acabou levando uma bronca do treinador na frente de todos. Leo olhava para ele com preocupação, mas Fred não conseguia explicar. Como explicar que sua mente estava presa em um quarto escuro, revivendo cada toque de um predador que por acaso era o irmão mais novo do seu melhor amigo?
Quando o relógio marcou sete e meia, Fred já estava no carro, estacionado a duas quadras da casa de Jack. Ele olhava para o painel, lutando contra o impulso de ligar o motor e fugir para outra cidade. Mas ele sabia que não adiantaria. Jack o encontraria. Jack tinha as provas, e pior, Jack tinha a chave para o corpo de Fred.
Às oito em ponto, ele tocou a campainha. Jack abriu a porta quase instantaneamente. Ele estava vestindo apenas uma calça de moletom cinza, sem camisa, exibindo o abdômen trincado e a pele que Fred agora conhecia tão bem.
— Pontual — comentou Jack, dando espaço para ele entrar. — Eu gosto de obediência.
Fred entrou, o cheiro da casa trazendo de volta as memórias da festa. Ele se sentia como se estivesse entrando em uma jaula por vontade própria.
— Onde está o Leo? — perguntou Fred, tentando manter alguma normalidade.
— Já disse, ele saiu. Estamos sozinhos.
Jack trancou a porta e girou a chave, o som do clique ecoando como um veredito no corredor silencioso. Ele se aproximou de Fred, que permanecia parado no meio da sala, os braços rígidos ao lado do corpo.
— Tire a roupa — ordenou Jack, sua voz calma e carregada de autoridade.
— O quê? Aqui na sala? — Fred gaguejou.
— Eu gaguejei, Fred? Tire tudo. Agora.
Fred hesitou por um segundo, mas o olhar frio de Jack foi o suficiente. Com as mãos trêmulas, ele começou a desabotoar a camisa. Ele sentia o olhar de Jack percorrendo cada centímetro de sua pele que era revelado. Era uma sensação de vulnerabilidade total. Quando Fred ficou apenas de cueca, Jack se aproximou, circulando-o como um tubarão.
— Você é realmente um belo espécime, Fred — Jack murmurou, parando atrás dele e passando as mãos pelos ombros largos do jogador. — É uma pena que toda essa força não sirva para nada contra mim, não é?
Jack deslizou as mãos para baixo, puxando o elástico da cueca de Fred, expondo sua nudez completa à luz da sala. Fred estremeceu quando sentiu os dedos frios de Jack tocarem sua pele quente.
— Sabe o que eu estava pensando hoje na escola? — Jack perguntou, puxando Fred para trás até que suas costas batessem no peito nu de Jack. — Eu estava pensando que você precisa de um lembrete mais duradouro. Algo que você não possa simplesmente lavar no chuveiro.
— Do que você está falando? — Fred perguntou, o medo voltando a crescer.
Jack não respondeu. Em vez disso, ele o guiou pelo braço até o sofá de couro.
— Deite-se de bruços — ordenou.
Fred obedeceu, o couro frio contra seu peito enviando arrepios por todo o corpo. Ele ouviu Jack mexer em algo em uma gaveta próxima. Quando Jack voltou, ele tinha um pequeno frasco e o que parecia ser um marcador permanente, mas Fred logo percebeu que era algo diferente.
— Eu vou marcar o que é meu — Jack disse, sentando-se nas coxas de Fred, prendendo-o com seu peso.
O que se seguiu foi uma sessão de tortura e prazer. Jack usou os dentes e os lábios para deixar marcas profundas no pescoço e nos ombros de Fred, chupões que ficariam roxos e visíveis por dias. Ele mordia com força suficiente para causar dor, mas logo em seguida lambia o local, enviando ondas de prazer confuso pelo sistema nervoso de Fred.
— Amanhã, quando você estiver no vestiário com os outros, todos vão ver isso — Jack sussurrou, sua mão trabalhando entre as pernas de Fred. — E você vai ter que inventar uma mentira muito boa. Mas por dentro, você vai saber. Você vai sentir o latejar dessas marcas e vai lembrar exatamente de como minha boca se sentiu na sua pele.
— Jack... — Fred gemeu, enterrando o rosto na almofada do sofá.
— Diz meu nome de novo — Jack comandou, aumentando a intensidade de seus movimentos. — Diz quem é o seu dono.
— Você... você é... — Fred não conseguia terminar, o prazer começando a nublar seu julgamento.
Jack o virou bruscamente, ficando por cima dele. Ele olhou nos olhos de Fred com uma intensidade que parecia queimar.
— Eu não quero apenas o seu corpo, Fred. Eu quero a sua vontade. Eu quero que, quando eu olhar para você no corredor, você sinta esse mesmo calor que está sentindo agora. Eu quero que você procure por mim em cada sala, em cada canto.
Jack o beijou, um beijo que sabia a posse e a destruição. Fred correspondeu com uma urgência desesperada, suas mãos agarrando os cabelos de Jack, puxando-o para mais perto. Ele estava perdido, e sabia disso. A chantagem era apenas a porta de entrada; o que o mantinha ali agora era algo muito mais sombrio e viciante.
A noite avançou entre sussurros de comando e gemidos de rendição. Jack explorou cada fraqueza de Fred, transformando o capitão do time em uma criatura que implorava por toque. Ele o levou ao limite várias vezes, apenas para parar e exigir que Fred pedisse por mais, forçando-o a verbalizar seus desejos mais profundos e humilhantes.
Quando finalmente terminou, Fred estava exausto, largado no sofá, o corpo coberto de marcas e suor. Jack levantou-se, parecendo intocado pela intensidade do encontro. Ele foi até a cozinha e voltou com um copo de água, entregando-o a Fred com uma indiferença quase casual.
— Você pode ir agora — disse Jack. — Leo deve estar chegando em meia hora.
Fred sentou-se, sentindo cada músculo protestar. Ele se vestiu lentamente, evitando olhar para o espelho da sala, temendo ver o que havia se tornado.
— E a foto? — Fred perguntou, a voz fraca.
Jack sorriu, aquele mesmo sorriso de canto que Fred agora via em seus sonhos.
— A foto continua comigo, Fred. E agora eu tenho novos vídeos também. — Jack apontou para um canto discreto da estante, onde um celular estivera gravando tudo. — Você foi um ótimo ator hoje. Acho que o público adoraria ver o "capitão" implorando daquele jeito.
Fred sentiu um frio gélido no coração. Ele não tinha escapatória. Ele estava preso em uma teia que Jack vinha tecendo com uma inteligência diabólica.
— Por que você está fazendo isso comigo? — Fred perguntou, parado à porta.
Jack caminhou até ele, ajeitando a gola da camisa de Fred, escondendo uma das marcas mais escuras no pescoço.
— Porque eu posso, Fred. E porque, no fundo, você adora ser minha vítima. Até amanhã na escola. Não se atrase para o treino. Eu estarei assistindo da arquibancada.
Fred saiu para a noite fria, o som da porta se trancando atrás dele ecoando como o fechamento de uma cela. Ele caminhou até o carro, o corpo doendo, a mente em frangalhos, mas com uma certeza terrível: ele estaria de volta. Jack o havia quebrado, e o que restava de Fred agora pertencia inteiramente ao jogo das sombras que o irmão de seu melhor amigo jogava com tanta maestria.
Ao ligar o motor, Fred olhou pelo retrovisor. As marcas em seu pescoço eram um mapa de sua ruína. Ele puxou a gola para cima, ocultando a prova de sua submissão, mas o calor que ainda queimava em seu ventre era algo que nenhuma roupa poderia esconder. O jogo continuava, e Fred percebeu, com um suspiro de derrota, que ele não queria mais que a partida terminasse. Ele era o troféu de Jack, e o preço daquela posse era a única coisa que o fazia se sentir vivo.