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O amor no meio das sombras

O Eco do Trono de Pedra

O vento uivava através das fendas de Nurmengard, um som que parecia o lamento de almas presas entre as pedras frias da fortaleza. Clara estava parada diante da imensa janela de arco ogival, observando os picos nevados que se estendiam como dentes de um gigante adormecido. Ela vestia um robe de seda escura, pesado e bordado com fios de prata que pareciam serpentes sob a luz bruxulante das tochas.

Desde a noite no Père Lachaise, o tempo havia se tornado uma substância fluida e estranha. O caos que Gellert desencadeara em Paris ainda ecoava em sua mente — o rugido do fogo azul, o olhar de desespero de Newt, o peso da escolha que a trouxera até aqui. Ela era, agora, a mulher ao lado do trono. Mas o trono era feito de medo e ambição.

Passos rítmicos e firmes ecoaram no corredor de pedra, o som das botas de couro que ela reconheceria em qualquer lugar do mundo. Clara não se virou. Ela sentiu a presença dele antes mesmo que o ar esfriasse.

— As montanhas têm uma beleza cruel, não acha? — A voz de Gellert era um murmúrio aveludado, vindo logo atrás dela. — Elas não pedem desculpas por serem o que são. Elas apenas existem, imponentes e inalcançáveis.

— Elas são solitárias, Gellert — respondeu Clara, sentindo o calor do corpo dele se aproximar de suas costas. — Como tudo neste lugar.

Grindelwald envolveu a cintura dela com os braços, puxando-a para trás até que a nuca de Clara repousasse em seu ombro. Ele inalou o perfume dos cabelos dela, um contraste suave com o cheiro de pergaminho antigo e magia latente que sempre o acompanhava.

— Você não está sozinha. Você tem a mim. E em breve, terá a gratidão de um mundo que finalmente entenderá o que estamos construindo.

Clara virou-se nos braços dele, encontrando os olhos heterocromáticos que a fascinavam e a aterrorizavam na mesma medida. O olho pálido parecia ver o futuro, enquanto o escuro parecia devorar o presente.

— Às vezes eu me pergunto se você me vê como uma pessoa, ou apenas como uma peça no seu tabuleiro, Gellert. Como o Credence. Como a Queenie.

Grindelwald sorriu, um movimento lento e predatório que não chegava aos olhos. Ele tocou o queixo dela com o polegar, erguendo seu rosto.

— Você nunca foi uma peça, Clara. As peças são descartáveis. Você é a única razão pela qual eu ainda me importo com o que este mundo se tornará. Os outros seguem a causa. Você... você segue o homem. E isso é muito mais perigoso.

Ele a beijou com uma urgência que cortou qualquer protesto que ela pudesse ter. Era um beijo que exigia submissão e, ao mesmo tempo, oferecia um tipo de adoração sombria. Clara sentiu as mãos dele subirem pelas suas costas, a seda do robe deslizando sob seus dedos longos e ágeis.

Gellert a conduziu para a grande cama de dossel no centro do quarto, onde as sombras pareciam dançar conforme o movimento das chamas na lareira. Ele a deitou sobre as colchas de pele, desfazendo o laço do robe dela com uma facilidade que denunciava sua impaciência.

— Eu quero que você esqueça o mundo lá fora — sussurrou ele, a voz rouca contra a pele do pescoço dela. — Esqueça o Scamander. Esqueça o Dumbledore. Aqui, neste momento, não existe nada além da nossa vontade.

Clara arqueou o corpo quando sentiu os lábios dele trilharem um caminho de fogo por seu peito. A sensação de ser possuída por ele era como ser consumida por um feitiço de alta magia — inebriante, avassaladora e impossível de resistir. Ela enterrou as mãos nos cabelos platinados dele, puxando-o para mais perto, querendo que ele preenchesse o vazio que a culpa havia deixado em seu peito.

— Diga meu nome — ordenou ele, os olhos fixos nos dela enquanto se despia com movimentos fluidos, revelando o corpo marcado por cicatrizes de duelos antigos, cada uma delas uma medalha de sua sobrevivência.

— Gellert — suspirou ela, a voz falhando.

— Não — ele se posicionou entre as pernas dela, a tensão em seus músculos evidente sob a pele pálida. — Diga como se eu fosse o seu único deus.

— Gellert... meu senhor... meu amor.

Ele penetrou nela com um impulso possessivo, arrancando um grito baixo de seus lábios que se perdeu contra a boca dele. O ritmo que se seguiu não era gentil; era uma batalha de vontades, uma dança de poder onde Clara tentava encontrar o homem por trás do monstro, e Gellert tentava fundir a alma dela à sua.

A cada estocada, as paredes de Nurmengard pareciam vibrar. O prazer era uma onda de choque que percorria a espinha de Clara, fazendo-a esquecer quem era e o que tinha perdido. Ela sentia a força bruta dele, a determinação inabalável de alguém que não aceitava nada menos que a totalidade.

— Você é minha — rosnou ele, as mãos prendendo os pulsos de Clara acima da cabeça dela. — Em todos os mundos, em todas as eras. Você pertence ao meu lado.

— Eu sou sua — confessou ela, as lágrimas de êxtase escorrendo pelos cantos dos olhos. — Sempre fui sua, mesmo antes de saber quem você era.

O clímax os atingiu como uma explosão de luz branca. Gellert se entregou ao prazer com um gemido gutural, desmoronando sobre ela, o peso de seu corpo sendo a única coisa que a mantinha ancorada à realidade. Por alguns minutos, o silêncio retornou ao quarto, apenas com o som de suas respirações ofegantes sincronizadas.

Gellert rolou para o lado, mas manteve Clara colada ao seu peito, os dedos traçando padrões invisíveis na pele dela.

— O que você estava pensando antes de eu entrar? — perguntou ele, a voz agora calma, quase terna.

Clara hesitou, sentindo o frio do quarto começar a retornar agora que o calor do ato se dissipava.

— Eu estava pensando em Nova York. Em como tudo parecia mais simples quando você era apenas Percival Graves e eu era apenas a amiga do Newt.

Grindelwald soltou um riso seco, um som sem alegria.

— A simplicidade é uma ilusão para os fracos, Clara. Nós nascemos para o caos. O Graves era uma máscara necessária, mas ele nunca poderia te dar o que eu te dou. Ele nunca poderia te dar o futuro.

— E o que o futuro nos reserva, Gellert? Sangue? Guerra?

Ele se levantou, caminhando até a mesa de carvalho onde um mapa da Europa estava estendido, marcado com diversos pontos de luz mágica.

— O futuro reserva a verdade. Os trouxas estão se preparando para uma guerra que destruirá o mundo deles. Nós apenas herdaremos as cinzas e as transformaremos em ouro. E você, Clara... você será a voz que acalmará os temores dos nossos.

Clara sentou-se na cama, puxando o robe para cobrir a nudez. Ela olhou para a silhueta dele, tão imponente, tão certa de sua própria retidão.

— E se o Newt tentar nos impedir?

Gellert virou-se, o rosto mergulhado em sombras.

— Newt Scamander é um homem que ama criaturas que não podem falar. Ele é inofensivo até que o encurralem. Se ele for inteligente, ficará em sua maleta. Se não for... — Ele deu de ombros, um gesto de indiferença que gelou o sangue de Clara. — ...então ele será apenas mais um obstáculo removido.

— Você prometeu que daria uma chance a ele — lembrou ela, a voz firme apesar do tremor interno.

Grindelwald caminhou de volta para a cama, ajoelhando-se diante dela e pegando suas mãos.

— E eu dei. Em Paris. Mas a paciência de um rei tem limites, minha querida. Não deixe que a sombra do passado obscureça o brilho do seu presente.

Ele a beijou na testa, um gesto quase paternal que contrastava violentamente com a paixão de momentos antes.

— Agora, descanse. Amanhã, partiremos para Berlim. Há pessoas que precisam ver que não estou sozinho. Que a beleza e a lealdade caminham ao meu lado.

Ele saiu do quarto, deixando a porta entreaberta. Clara ficou ali, sentada no escuro, ouvindo o vento de Nurmengard. Ela olhou para suas mãos, as mesmas mãos que haviam acariciado o rosto de Newt e que agora estavam manchadas, metaforicamente, pelo sangue que Gellert ainda derramaria.

Ela se deitou novamente, fechando os olhos. O perfume de sândalo ainda estava nos lençóis, uma droga que a mantinha cativa. Ela sabia que tinha cruzado uma linha da qual não havia retorno. Ela não era mais a pesquisadora de Londres, nem a companheira de viagens de Newt.

Ela era a consorte da tempestade. E, enquanto o mundo se preparava para queimar, Clara descobria que, talvez, ela sempre tivesse desejado o calor das chamas mais do que a segurança da luz.

Ao longe, o grito de uma criatura noturna ecoou pelas montanhas, um som que parecia uma pergunta sem resposta. Clara adormeceu, sonhando com olhos de cores diferentes que a observavam através de um mar de fogo azul, prometendo-lhe tudo, enquanto lhe roubavam, pedaço por pedaço, a própria alma.

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