O contrato
A Anatomia do Desejo
As mãos de Leona desceram com força pelas costas desnudas de Christine, erguendo-a contra si até que os pés da garota perdessem o contato com o chão e ambas desabassem sobre os lençóis de linho egípcio.
O impacto contra o colchão king-size abafou o som da tempestade lá fora. Antes que Christine pudesse puxar o ar para os pulmões, o peso de Leona acomodou-se entre as suas coxas abertas. A executiva estava cega por uma urgência que não deixava espaço para cálculo. Seus dedos longos e ávidos agarraram o zíper do vestido carmesim, descendo o fecho de metal com um puxão áspero que rasgou a costura tênue do forro de seda.
Christine arqueou as costas quando o tecido se abriu por completo, expondo a brancura de sua pele à luz alaranjada que ainda restava das brasas da lareira.
— Leona... — murmurou Christine, a voz embargada, um misto de aviso e súplica.
— Olhe para mim — exigiu Leona, as mãos firmes segurando os pulsos de Christine e cravando-os contra o travesseiro macio, acima de sua cabeça. A mulher mais velha arfava, as mechas escuras caindo desordenadas sobre as maçãs do rosto, os olhos castanhos esverdeados escancarados em uma fome pura, quase violenta. — Eu passei semanas fingindo que você era apenas uma cláusula contratual. Mas eu quero tudo, Christine. Eu quero cada pedaço que você passou dois anos me negando.
— Então tome — sussurrou a assistente, os olhos azuis faiscando na penumbra com um desafio indomável. — Mas saiba que você nunca mais vai conseguir me controlar depois desta noite.
Leona soltou os pulsos de Christine apenas para arrancar o vestido carmesim pelos ombros da garota, livrando-se dele em um movimento rápido que atirou o tecido caro no tapete. Em seguida, as mãos de Christine subiram com a mesma fúria para a camisa de seda preta de Leona, desfazendo botão por botão com dedos trêmulos, expondo os ombros esculpidos, a clavícula proeminente e os seios firmes e pálidos cobertos apenas por um sutiã de renda escura.
Quando as peles finalmente se tocaram — o calor abrasador do peito de Leona contra o de Christine —, um estremecimento conjunto percorreu os corpos de ambas. Christine soltou um gemido arrastado pela garganta, sentindo a ponta dos seios roçarem-se em um atrito elétrico e febril que fez o seu ventre se contrair em ondas líquidas.
Leona desceu a boca devagar, devorando a linha do maxilar de Christine antes de descer pela curva exposta da garganta. Seus lábios eram quentes, implacáveis, intercalando beijos mordazes com a carícia úmida de sua língua que fazia a assistente torcer os lençóis sob os nós dos dedos. A boca da executiva desceu até o monte suave de um dos seios de Christine, capturando o bico túrgido e sensível entre os dentes, sugando com uma intensidade que arrancou de Christine um arquejo agudo, o quadril da garota erguendo-se involuntariamente contra a pélvis de Leona.
— Você é perfeita — murmurou Leona, a respiração queimando contra a pele úmida da assistente, enquanto uma de suas mãos descia pelo abdômen trêmulo de Christine. — Tão doce, Christine... e tão perigosa.
Os dedos de Leona alcançaram a renda fina da calcinha de Christine, deslizando por baixo do tecido empapado pelo calor que vazava sem reservas. Quando a ponta de seus dedos médios tocou pela primeira vez a carne intumescida e fervente da fenda de Christine, a garota jogou a cabeça para trás, cravando as unhas nas costas largas de Leona.
— Céus... Leona!
— Você está encharcada por mim — constatou Leona, a voz falhando em uma mistura crua de triunfo e assombro. — Admita, Christine. Diga que é por mim.
— É você... sempre foi essa droga de obsessão por você — admitiu Christine entre dentes, incapaz de mentir diante do choque daquele contato.
Leona puxou a peça íntima de Christine pelas pernas compridas com uma pressa voraz, atirando-a para longe. Sem perder um segundo, a executiva desfez o próprio cinto de couro e a calça de alfaiataria cinza, livrando-se de tudo até que ambas estivessem inteiramente despidas sob o dossel de linho, reduzidas à sua própria anatomia nua, sem títulos, sem cargos e sem contratos.
A mulher mais velha afastou as pernas de Christine com os joelhos, instalando-se no centro daquele calor. A visão de Christine aberta diante de si — as coxas trêmulas, a pele alva corada pelo desejo, a umidade brilhando entre as dobras delicadas de sua intimidade — fez o autocontrole de Leona estilhaçar-se em pó.
Leona deslizou a palma aberta sobre o monte de Vênus de Christine, descendo lentamente até que a base de sua mão pressionasse o clitóris ereto e hipersensível. Christine arfou alto, os quadris erguendo-se da cama em busca de mais fricção. Leona começou a mover os dedos em círculos lentos, espalhando a umidade viscosa pelas pétalas macias, enquanto dois de seus dedos desciam até a entrada apertada e latejante.
— Por favor... — suplicou Christine, com os olhos azuis marejados e nebulosos pelo prazer avassalador que se acumulava em seu baixo ventre. — Não me torture, Leona.
— Eu não estou torturando você, meu amor. Eu estou apenas aprendendo onde você começa e onde eu termino.
Com uma lentidão deliberada que quase levou Christine à loucura, Leona deslizou dois dedos para dentro da carne quente e apertada da assistente.
O gemido que escapou dos lábios de Christine foi quase doloroso em sua intensidade. As paredes internas de seu canal pulsavam em espasmos ritmados ao redor dos dedos de Leona, engolindo-os em uma sucção febril. Leona curvou os dedos suavemente no interior dela, encontrando o ponto exato que fez o corpo de Christine vibrar como uma corda retesada.
— Olhe para mim — exigiu Leona novamente, a respiração curta, sentindo o calor apertado de Christine ordenhar seus dedos com avidez.
Christine forçou os olhos a focarem o rosto de Leona. A executiva movia o punho com uma cadência firme e profunda, entrando e saindo com uma precisão que tirava todo o chão de sob os pensamentos da garota. Com a mão livre, Leona alcançou o clitóris intumescido de Christine, pressionando o polegar com firmeza sobre a pequena pérola ereta, ditando um ritmo circular e implacável.
O contraste entre a penetração profunda e o atrito constante na parte externa levou Christine a um abismo sensorial imediato. O som da umidade ecoava no quarto silencioso, misturando-se aos estalos da lareira e aos suspiros descompassados de ambas.
— Você é minha — rosnou Leona, abaixando a cabeça para morder com suavidade o lóbulo da orelha de Christine enquanto acelerava o ritmo dos dedos dentro dela. — Neste quarto, Christine... diante de Deus ou do inferno, você é inteiramente minha.
Christine não respondeu com palavras; respondeu puxando a nuca de Leona e cravando os dentes em seu lábio inferior com um desespero febril. As pernas de Christine envolveram a cintura firme de Leona, prendendo-a contra si, exigindo mais profundidade, mais atrito, mais fricção.
A sensação era uma maré violenta que subia sem freio. Christine sentia o calor se concentrar em uma espiral de fogo bem no centro de sua bacia, cada investida dos dedos de Leona fazendo a tensão se esticar até o ponto de ruptura. Suas mãos desceram pelas costas musculosas de Leona, descendo até encontrar as nádegas firmes da mulher, puxando-a contra o seu sexo com uma possessividade que não admitia qualquer hesitação.
— Eu vou... Leona, eu vou... — balbuciou Christine, as unhas arranhando a pele macia das costas da executiva.
— Vá — ordenou Leona, a voz falhando em um sussurro rouco e desesperado contra a boca da garota, aumentando a pressão do polegar sobre o botão túrgido no mesmo instante em que afundava os dedos até a base. — Venha para mim, Christine.
O clímax desabou sobre Christine como um trovão.
Seu corpo arqueou-se violentamente na cama, os calcanhares cravando-se nos lençóis enquanto um grito abafado rasgava sua garganta contra os lábios de Leona. As paredes de sua intimidade contraíram-se em espasmos avassaladores e contínuos ao redor dos dedos da executiva, inundando-os com uma torrente de calor líquido. Christine tremia inteira, os músculos do abdômen repuxando-se em espasmos deliciosos enquanto o orgasmo se espalhava em ondas elétricas que desciam por suas coxas e subiam direto para o seu cérebro, privando-a de qualquer resquício de ar.
Leona não parou; manteve os dedos firmes dentro dela, sustentando as contrações com carícias suaves, prolongando o espasmo até que o último vestígio de tensão se dissipasse em um tremor doce e languoroso.
Christine desabou contra os travesseiros, o peito subindo e descendo com força, os olhos brilhando de lágrimas provocadas pelo excesso de sensações.
Mas Leona ainda estava sobre ela, o corpo tenso, as pupilas completamente dilatadas, a respiração arfante traindo uma necessidade que beirava o insuportável. A umidade brilhava entre as coxas da executiva, e a linha de seu abdômen contraía-se a cada inspiração pesada.
Christine piscou, puxando o ar rasgado de volta aos pulmões. Seus lábios vermelhos e intumescidos curvaram-se em um sorriso fraco e devastador.
— A sua vez, Blair — sussurrou Christine, a voz rouca pelo prazer que acabara de vivenciar.
Com um movimento ágil que apanhou Leona totalmente desprevenida, Christine empurrou os ombros da executiva, girando o quadril e invertendo as posições até que Leona estivesse de costas sobre os lençóis amassados, com Christine montada sobre suas coxas.
A respiração de Leona travou na garganta.
A fria executiva da Nexus e da Vance & Sterling estava vulnerável, os cabelos escuros espalhados sobre o linho branco, o peito alvo subindo e descendo freneticamente, os seios reluzentes de suor. Ver Christine sobre si — com aquela autoridade recém-adquirida e aquele olhar azul impregnado de determinação — fez o coração de Leona socar o peito com uma violência inédita.
— Christine... — começou Leona, mas a garota calou-a colocando um dedo úmido sobre seus lábios desenhados.
— Você disse que o império era meu — lembrou Christine, inclinando-se para a frente, roçando a ponta dos seios contra os de Leona, sentindo a outra esticar os dedos sobre os lençóis em busca de apoio. — E eu decidi que quero ver você perder tudo.
Christine desceu beijos lentos e ardentes pelo queixo de Leona, pela garganta, deslizando pelo vale entre os seios até depositar beijos macios sobre o abdômen tenso da mulher mais velha. Ela sentia cada músculo de Leona tremer sob a sua boca, uma surrender absoluta que nenhuma quantia em dinheiro jamais seria capaz de comprar.
Quando Christine se ajoelhou entre as pernas abertas de Leona, a executiva tentou fechar ligeiramente as coxas em um reflexo involuntário de autodefesa — o instinto de quem nunca permitira que ninguém tivesse acesso à sua própria fragilidade.
Christine segurou os joelhos de Leona com firmeza, abrindo-os suavemente.
— Não se esconda de mim — murmurou a assistente, os olhos fixos nos castanho-esverdeados da noiva. — Não agora.
A visão do sexo de Leona, túrgido, brilhante e incrivelmente necessitado, tirou o fôlego de Christine. Havia uma beleza feroz na forma como a mulher arfava diante da expectativa. Christine inclinou-se e passou a língua pela fenda úmida de Leona, provando o calor salgado e almiscarado que emanava dela.
Um soluço rouco escapou dos lábios de Leona, as mãos da mulher subindo imediatamente para se embrenharem nos cabelos castanho-claros de Christine.
— Meu Deus, Christine... — gemeu Leona, as costas descolando-se do colchão.
A assistente não teve pressa. Ela usou a ponta da língua para desenhar círculos firmes ao redor do clitóris ereto de Leona, aprendendo as reações da mulher: a forma como a pélvis de Leona subia para encontrar a sua boca, a maneira como as unhas curtas da executiva enterravam-se em seu couro cabeludo, não para afastá-la, mas para mantê-la colada à sua pele.
Christine aumentou a sucção, cobrindo o botão sensível com os lábios enquanto deslizava dois dedos lubrificados para dentro do canal de Leona. A executiva soltou um grito abafado, as coxas tremendo violentamente contra os ombros de Christine. O interior de Leona era uma fornalha viva, apertada e pulsante, acolhendo os dedos com um desespero que contrastava com toda a frieza que ela ostentara nos últimos anos.
O ritmo imposto por Christine era impiedoso. A língua trabalhava com pressão constante sobre a pérola ardente, enquanto seus dedos moviam-se com vigor para dentro e para fora, encontrando o mesmo ritmo febril que Leona usara horas antes.
Leona contorcia-se sobre o linho egípcio, despida de qualquer máscara corporativa, reduzida a puro espasmo e gemidos desconexos.
— Christine... olhe para mim... eu não... eu não consigo... — implorou Leona, as lágrimas de pura sobrecarga sensorial queimando em seus olhos escuros.
Christine ergueu o olhar sem interromper a boca ou os dedos, fitando as íris castanho-esverdeadas de Leona através do espaço que as separava.
— Venha para mim, Leona — sussurrou Christine contra a pele molhada da mulher. — Perca o controle.
O comando foi o gatilho final.
A mandíbula de Leona caiu em um grito mudo quando o ápice a atingiu com a força de uma ressaca violenta. Seus quadris empurraram a boca de Christine com força cega, o corpo inteiro arqueando-se em uma convulsão de puro êxtase que parecia arrancar sua alma do peito. As paredes internas de Leona esmagaram os dedos de Christine em contrações descompassadas e profundas, liberando um calor líquido que banhou a mão da assistente enquanto Leona tremia dos pés à cabeça, incapaz de conter o choro de alívio e prazer que escapava de sua garganta.
Christine permaneceu ali, beijando o interior das coxas trêmulas de Leona com infinita doçura, esperando que a tempestade que devastara o corpo da mulher se acalmasse por completo.
Quando Christine finalmente subiu pela cama e deitou-se ao lado dela, Leona virou-se imediatamente de lado. A executiva não manteve distância; ela puxou Christine para o seu peito com os braços trêmulos, enterrando o rosto na curva do pescoço da assistente, respirando o cheiro de suor e pele com um desespero quase infantil.
O silêncio desceu sobre a suíte como um manto pesado.
Lá fora, a chuva havia se transformado em uma garoa mansa que sussurrava contra as janelas de vidro duplo dos Hamptons. O cheiro de sexo, sândalo e mar preenchia o ar morno do quarto, apagando qualquer resquício do mundo corporativo que as aguardava do outro lado daquelas portas de carvalho.
Christine mantinha os dedos entrelaçados aos cabelos escuros de Leona, acariciando os fios com uma calma que ela nunca imaginara ser capaz de sentir perto daquela mulher.
— Christine? — chamou Leona, a voz tão rouca e desfeita que mal passava de um murmúrio contra a sua pele.
— O que foi?
Leona levantou a cabeça devagar, apoiando-se sobre o cotovelo. Seus olhos castanhos esverdeados estavam límpidos, despidos de qualquer armadura de orgulho, encarando o rosto de Christine sob a luz trêmula das últimas brasas.
A mão esquerda de Leona ergueu a mão esquerda de Christine, onde o anel de noivado de diamante reluzia na escuridão. Os dedos da mulher mais velha envolveram o aro de platina com uma ternura quase reverente.
— Nós temos uma reunião com o conselho da Vance & Sterling na segunda-feira de manhã — disse Leona, a respiração calma, embora as palavras carregassem o peso de uma decisão irrevogável. — Nós vamos assinar a minha vice-presidência, vamos apresentar a queixa-crime contra Julian Vance e vamos destruir a Nexus Capital até que não sobre pedra sobre pedra.
Christine sustentou o olhar, sentindo o calor do corpo de Leona moldado perfeitamente ao seu sob o edredom macio.
— E depois disso? — perguntou Christine, a voz suave, sem medo do abismo.
Leona levou a mão ao rosto de Christine, os dedos roçando suavemente os lábios vermelhos e mordidos da garota, antes de inclinar-se para deixar um beijo casto e definitivo sobre a sua testa.
— Depois disso, Lovel — murmurou Leona contra a pele morna —, nós vamos rasgar o contrato de seis meses. Porque a única forma de eu deixar você sair da minha vida... é se você tiver a coragem de me arrancar daqui à força.
Christine sorriu contra o peito da executiva, fechando os olhos enquanto enlaçava a cintura de Leona com o próprio braço.
— Eu não pretendo ir a lugar nenhum, Blair — respondeu ela, ouvindo o ritmo firme do coração de Leona bater sob o seu ouvido. — O império é meu agora, lembra? E eu pretendo cuidar muito bem do que me pertence.