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o ctg e voce

Acordes de Couro e Algodão

A imensidão dos portões de ferro forjado abriu-se em um deslizar silencioso e automático assim que o Panamera apontou na curva da alameda ladeada por plátanos centenários. Lily olhou pela janela, fascinada. Sabia que Oscar era um homem de posses excepcionais — ninguém que circulasse nos mesmos meios que ele deixaria de notar os detalhes sutis de sua vida —, mas a visão da propriedade privada dele na serra sempre provocava uma sensação de assombro reverente.

A mansão se erguia contra o breu da noite como uma escultura viva de vidro, pedra bruta e madeira nobre. Iluminações pontuais em tom âmbar recortavam a arquitetura moderna que, de forma brilhante, incorporava o aconchego rústico gaúcho sem abrir mão de um luxo desmedido.

Oscar estacionou no pátio circular de pedras polidas e desligou o motor. Antes que ela pudesse destravar a própria porta, ele já havia contornado o capô e oferecido a mão espalmada para ajudá-la a sair. Seus dedos não se soltaram quando ela tocou o chão; em vez disso, Oscar entrelaçou os dedos nos dela e puxou-a de encontro ao seu flanco, mantendo o braço firme e possessivo cruzado por sua cintura.

— Bem-vinda à minha casa, Lily — murmurou ele contra o topo da cabeça dela, depositando um beijo demorado ali.

— É linda, Oscar. Parece um santuário.

— Agora é — respondeu ele com simplicidade, conduzindo-a pelos degraus largos da entrada principal.

A porta de madeira maciça de quase quatro metros de altura abriu-se de dentro para fora antes mesmo de alcançarem a maçaneta. Seu Ernesto, o encarregado geral e homem de confiança da casa, impecavelmente vestido em um terno escuro sem gravata, saudou-os com uma mesura discreta, os olhos gentis e profissionais.

— Boa noite, patrão Oscar. Senhorita Lily, é um prazer imenso recebê-la.

Lily sentiu o rosto queimar levemente pelo tratamento cerimonioso, mas a presença firme de Oscar ao seu lado dissipou qualquer desconforto. Ele não soltou sua cintura nem por um milímetro. Ao contrário: apertou-a contra si com mais ênfase, deixando absolutamente inequívoca a posição que ela ocupava ali.

— Boa noite, Ernesto — Oscar cumprimentou, a voz grave e calma. — Não precisa de nenhuma formalidade hoje. Apenas vamos direto descansar. Pode liberar o restante dos funcionários.

— Certamente, senhor. No entanto… — Ernesto hesitou por uma fração de segundo, apontando sutilmente para uma pasta de couro lacrada e um tablet de alta segurança sobre a mesa de mogno do vestíbulo. — O senhor Walter fez questão de enviar o portador de Porto Alegre há cerca de vinte minutos. O conselho internacional adiantou a rodada de fechamento da aquisição para a madrugada de Londres. Ele informou que as assinaturas e a revisão do anexo financeiro precisam do seu crivo antes do amanhecer.

Oscar suspirou de forma quase imperceptível, um lampejo de frustração passando por seus olhos escuros. Ele raramente deixava transparecer estresse com o trabalho, mas aquela noite fora reservada para algo infinitamente mais vital para sua alma.

Lily percebeu a hesitação dele e tocou suavemente o antebraço forte coberto pela camisa escura.

— Oscar, tudo bem. Trabalho é trabalho. Você precisa resolver isso.

Oscar voltou o rosto para ela, a expressão endurecida pelo dever desarmando-se em um instante diante da ternura no olhar de Lily. Ele levou os dedos até o queixo dela, acariciando a pele macia com as pontas ásperas de suas digitais de gaúcho e esportista.

— Eu não queria ter que pensar em números agora — murmurou ele, sem se importar com a presença educadamente invisível de Ernesto a poucos passos. — Eu queria apenas você.

— Eu não vou a lugar nenhum — sussurrou ela em resposta, sorrindo contra os dedos dele. — Eu espero.

— Não vai precisar esperar — sentenciou Oscar com uma autoridade mansa, pegando a pasta e o tablet com uma das mãos enquanto mantinha a outra presa na cintura de Lily. — Ernesto, providencie um café fresco para o escritório, por favor, e pode se recolher. O resto eu mesmo resolvo.

— Imediatamente, senhor.

Oscar não a largou. Guiou-a pelo corredor amplo com piso de mármore aquecido, contornando a imensa sala de estar com pé-direito duplo e lareira acesa, até a ala privativa onde ficava seu escritório particular.

O ambiente era um espetáculo à parte: paredes revestidas de painéis de nogueira escura, prateleiras repletas de livros encadernados e troféus conquistados nas danças tradicionais do CTG dividindo espaço com placas de homenagens corporativas. Uma imensa mesa de bordas orgânicas dominava o centro da sala, cercada por poltronas de couro artesanal e uma vista panorâmica de tirar o fôlego para o vale adormecido lá embaixo.

Oscar chutou a porta com suavidade para fechá-la, trancando o mundo lá fora pela segunda vez naquela noite. O clique da fechadura soou como a promessa de um isolamento absoluto.

Ele colocou os documentos e o aparelho sobre a mesa de madeira e começou a desabotoar os punhos da camisa, os olhos fixos em Lily que olhava maravilhada para os troféus da invernada artística dispostos em um nicho iluminado.

— Você ganhou esse troféu de melhor peão de dança tradicional em Santa Maria, não foi? — perguntou Lily, passando as pontas dos dedos pelo metal polido de uma estatueta que retratava um gaúcho laçando.

Oscar aproximou-se em silêncio felino, parando imediatamente atrás dela. O calor irradiado por seu corpo envolveu as costas de Lily antes mesmo que ele a tocasse. Suas mãos subiram pelas laterais dos braços dela, deslizando pelos ombros até descansarem sobre suas clavículas, puxando-a contra o seu peito largo.

— Foi há três anos — murmurou ele, a boca roçando a pele sensível da nuca de Lily, onde os cabelos haviam sido afastados. Lily estremeceu quando os lábios dele depositaram um beijo demorado e quente na curva entre seu ombro e pescoço. — Mas nenhuma dança que já dancei valeu metade do que senti hoje tendo você nos meus braços naquele tablado.

Lily virou-se no abraço dele, descansando as mãos sobre o peito firme que batia com força compassada.

— Você dança como se a música existisse só dentro de você, Piastri.

— A música é fácil — ele retrucou com a voz baixa e rouca, os dedos enterrando-se na cintura fina dela, erguendo-a levemente na ponta dos pés. — Difícil é olhar pra você girando com aquele vestido de prenda e lembrar o passo seguinte sem perder o juízo.

O elogio atingiu Lily com o peso de uma carícia física. Antes que ela pudesse respirar, a boca de Oscar desceu sobre a sua em um beijo profundo, lento e dominador. Era um beijo que provava, exigia e agradecia ao mesmo tempo. Lily soltou um gemido abafado contra os lábios dele, as unhas cravando-se nos músculos tensos de suas costas enquanto a língua quente de Oscar explorava cada canto de sua boca com uma familiaridade devastadora.

Quando ele finalmente interrompeu o contato, suas respirações estavam descompassadas. Oscar encostou a testa na dela, os olhos escuros ardendo com um desejo indisfarçável.

— Eu preciso ler essa papelada maldita em vinte minutos — disse ele, a voz impregnada de urgência, os lábios roçando os dela a cada palavra.

— Então vá trabalhar, homem. Eu sento ali naquele sofá e fico te olhando.

Oscar sorriu de canto, balançando a cabeça de forma resoluta.

— Nem pensar. Você fica comigo.

Ele a pegou pela mão e a conduziu até a imensa poltrona executiva estofada em couro italiano marrom-escuro. Oscar sentou-se primeiro, ajeitando a postura ampla, e antes que Lily pudesse protestar ou hesitar, ele segurou-a pelos quadris com firmeza inabalável e a puxou diretamente para o seu colo.

— Oscar! — ela exclamou em uma mistura de riso e surpresa quando suas coxas se acomodaram sobre as pernas compridas dele. — Você não vai conseguir se concentrar em nada comigo aqui em cima!

— Pelo contrário — rebateu ele, ajustando-a para que ela ficasse de lado, com as pernas repousando sobre a perna direita dele e as costas apoiadas contra a curva de seu ombro e peito. — Meu foco fica perfeito quando eu sei exatamente onde você está. E o único lugar aceitável pra você agora é aqui.

A mão grande e pesada de Oscar desceu possessiva sobre a coxa exposta de Lily, massageando a pele macia com lentidão deliberada. Ele puxou a pasta de relatórios com a mão esquerda, ativou o tablet com a digital e começou a folhear as cláusulas com uma facilidade desconcertante.

O contraste era quase avassalador para Lily. De um lado, ali estava o homem de negócios brilhante, analisando com olhos afiados termos jurídicos complexos em inglês, rolando telas e fazendo anotações precisas com uma caneta eletrônica; do outro, havia o homem primitivo e apaixonado cujos lábios não deixavam seu pescoço em paz.

Entre uma assinatura digital e a leitura de um parágrafo sobre ações preferenciais, Oscar enterrava o rosto na curva do pescoço de Lily, aspirando o perfume dela com uma intensidade faminta. Seus lábios depositavam beijos úmidos e demorados logo abaixo de sua orelha, mordiscando a carne macia com uma fome contida que fazia Lily arquear as costas contra ele, soltando pequenos suspiros trêmulos.

— Oscar… você tá assinando um documento de milhões… — sussurrou ela, sentindo o baixo ventre formigar com o roçar ritmado da barba rala dele contra sua pele.

— Uhum — murmurou ele, a voz vibrando direto contra a pele do pescoço dela. O polegar da mão que a segurava pela coxa subiu devagar, traçando pequenos círculos torturantes na parte interna da perna de Lily, deslizando perigosamente para cima da barra da saia. — Eles podem esperar eu ler as cláusulas de rescisão. Mas eu não posso passar mais um minuto sem encostar em você.

— Você é impossível.

— Sou louco por você, Lily. É diferente.

Lily levou a mão trêmula até a nuca dele, embrenhando os dedos nos cabelos castanhos e curtos, sentindo a tensão nos ombros largos diminuir à medida que ela acariciava sua pele. Oscar fechou os olhos por um breve instante, soltando um suspiro pesado de puro alívio sensorial, antes de voltar a tela do tablet.

— O anexo quatro tá aprovado — ele murmurou mecanicamente, enviando uma resposta cifrada para a equipe executiva do outro lado do oceano, para logo em seguida jogar o tablet na mesa e dedicar toda a atenção que restava ao corpo macio no seu colo.

Com as duas mãos agora livres, Oscar ergueu Lily para que ela ficasse montada sobre suas pernas, de frente para ele. A saia dela subiu sem cerimônia, expondo as coxas torneadas que descansavam de cada lado dos quadris estreitos dele.

Lily sentiu o volume evidente da ereção dele pressionando contra a sua intimidade através das camadas de tecido, arrancando um arfar surpreso de seus lábios. Os olhos escuros de Oscar a encaravam com uma intensidade quase dolorosa de tão crua.

— Terminou? — perguntou ela em voz quase inaudível, o coração galopando no peito.

— Terminei tudo que não importa — respondeu ele, as palmas quentes subindo pelas coxas dela com uma pressão firme, gravando seu toque na pele até repousarem com posse absoluta na curva de seus quadris. — Agora é só você e eu.

Oscar puxou-a para frente, eliminando qualquer centímetro de ar entre seus torsos. As mãos dele subiram para o rosto de Lily, segurando suas bochechas com uma delicadeza que contrastava brutalmente com a força de seu corpo. Seus polegares acariciaram os lábios entreabertos e avermelhados dela.

— Eu passei meses vendo você no galpão, Lily — disse ele, a voz rouca carregada de uma confissão desmedida. — Vendo você rir com as gurias, ajeitar o vestido antes da entrada das lanças, cuidar de todo mundo ao seu redor. E toda santa vez que alguém se aproximava de ti, eu tinha que apertar a cinta da bombacha pra não atravessar o tablado e arrancar a pessoa de perto com as próprias mãos.

Lágrimas de pura emoção e comoção arderam nos olhos de Lily. Ela pousou as palmas sobre o peito dele, sentindo o calor e o poder daquele homem que se curvava inteiramente diante do amor que sentia por ela.

— E por que você demorou tanto pra me dizer? — sussurrou ela, acariciando o contorno de seus lábios perfeitos. — Por que me deixou duvidar?

— Porque eu achei que se eu fosse com muita sede, você ia se assustar. Eu queria que você tivesse certeza de que não era só mais uma dança de fim de semana. Eu nunca soube ser meio termo, Lily. Se eu entrar na sua vida, é pra tomar conta de tudo. Pra cuidar de você, pra te dar tudo o que você merece e muito mais.

— Oscar… — Ela puxou o rosto dele para o seu, incapaz de suportar mais a distância.

O beijo que se seguiu foi um incêndio. Não havia mais nada do silêncio contido do peão do CTG ou da frieza calculada do empresário bilionário. Ali estava apenas o homem, devorando a mulher que amava com uma intensidade que tirou o chão de Lily.

A língua dele invadiu a dela em um ritmo cadenciado, urgente e faminto. As mãos grandes de Oscar desceram para a base das costas de Lily, puxando-a com força para que ela sentisse cada pulsação de seu desejo, colando os quadris dela aos seus em um movimento quase pecaminoso que arrancou um gemido longo e arrastado da garganta da mulher.

Oscar deslizou uma das mãos para a blusa de Lily, desabotoando os três primeiros botões com agilidade desconcertante, permitindo que seus dedos quentes tocassem a pele acetinada de seu decote, subindo até a curva dos seios que subiam e desciam descompassados. O toque dele queimava como brasa de lenha grossa, fazendo todo o corpo dela estremecer em ondas de prazer líquido.

— Linda… minha prenda linda… — ele sussurrava entre beijos úmidos que desciam da boca dela para o queixo, para a garganta pulsante e para a pele exposta de seu colo. — Você não tem ideia do que me faz sentir.

Lily jogou a cabeça para trás, cedendo completamente ao domínio dele, os dedos afundando nos ombros musculosos de Oscar.

— Oscar, por favor…

Ele parou por uma fração de segundo, os olhos escuros brilhando com uma ferocidade apaixonada ao vê-la tão entregue, vulnerável e aberta sob o seu toque na penumbra do escritório milionário.

— Por favor o quê, meu amor? — perguntou ele, a voz um sussurro rouco e provocador contra a pele dos seios dela.

— Me ama — pediu ela, a voz quebrada pela intensidade do que sentiam, as mãos descendo para segurar o rosto dele. — Me faz tua de uma vez por todas. Sem segredo. Sem medo.

Oscar ergueu o rosto, e a expressão de devoção que Lily encontrou ali fez seu peito transbordar de uma paz que ela nunca conhecera.

Ele se levantou da poltrona segurando-a sem esforço em seus braços, mantendo as pernas dela entrelaçadas em volta de sua cintura enquanto ela descansava a cabeça em seu ombro largo.

— Você sempre foi minha, Lily — disse Oscar, caminhando com passos firmes e seguros em direção à porta interna que levava à sua suíte principal. — E eu vou passar o resto da minha vida te fazendo lembrar disso todas as noites.

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