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O elfo apaixonado pela humana boba

O Banquete da Gratidão e o Brilho nos Olhos de Esmeralda

A luz do sol de primavera atravessava as janelas altas de Hogwarts, pintando o chão de pedra com tons de ouro e âmbar. [Nome] acordou antes mesmo do primeiro pio das corujas no corujal. Havia uma vibração diferente em seu peito naquela manhã, uma energia que parecia borbulhar como uma poção bem preparada. O medo e a ansiedade que costumavam ser seus companheiros constantes haviam dado lugar a um desejo avassalador de retribuir.

Hogwarts lhe dera um lar. Dumbledore lhe dera dignidade. Os elfos lhe deram amizade. E Dobby... Dobby lhe dera um motivo para acreditar que ela era especial, mesmo sem uma varinha.

— Hoje — sussurrou ela para as paredes de seu quarto, enquanto prendia o cabelo em um coque firme — ninguém vai ficar sem um sorriso.

Ela passou as primeiras horas da manhã organizando o que vinha preparando em segredo há semanas. No canto de seu quarto, várias cestas de vime transbordavam. Havia cachecóis de lã macia tricotados à mão, pequenos entalhes em madeira que ela fizera com sobras de carvalho, potes de geleia de amora colhida na orla da floresta e delicados artesanatos de palha e flores secas.

Sua primeira parada foram as cozinhas. O aroma de pão fresco e café era o convite perfeito.

— Bom dia, meus amigos! — exclamou ela, entrando com uma cesta imensa sob cada braço, sua força bruta tornando o peso insignificante.

Os elfos pararam o que estavam fazendo. Winky, que agora parecia muito mais sóbria e integrada, limpou as mãos no avental.

— Senhorita [Nome]! Por que tantas cestas? — perguntou Misty, a elfa idosa, curiosa.

— São presentes — disse [Nome], sentindo as bochechas corarem, mas mantendo o sorriso. — Para cada um de vocês.

Ela começou a distribuir os pacotes. Para Misty, um xale de lã cor de lavanda para aquecer seus ombros cansados. Para Binky, um pequeno boneco de madeira entalhado à semelhança de um dragão, já que o elfo adorava histórias de aventura. Para Winky, um diário com capa de tecido bordado com flores, para que ela pudesse escrever seus pensamentos em vez de guardá-los.

— Para nós? — soluçou Winky, abraçando o diário contra o peito. — Ninguém nunca dá presentes para elfos... só roupas para nos mandar embora.

— Estes não são para libertar ninguém — explicou [Nome] suavemente, ajoelhando-se para ficar na altura deles. — São presentes de amizade. Porque vocês fazem deste castelo um lugar quente e acolhedor.

Dobby apareceu de trás de uma pilha de caldeirões, seus olhos verdes dilatados de surpresa. [Nome] guardara o melhor para o final. Ela tirou da cesta uma caixa de madeira polida. Dentro, havia um conjunto de meias que ela passara noites bordando: uma tinha o desenho da lua e das estrelas, e a outra tinha o sol e girassóis.

— Para que você nunca se esqueça de que é a minha luz, em qualquer hora do dia — disse ela, entregando a caixa a ele.

Dobby não disse nada por um longo momento. Ele apenas olhou para as meias e depois para [Nome]. Suas orelhas tremeram violentamente e ele soltou um fungado sonoro.

— A senhorita [Nome] é... a senhorita é a alma de Hogwarts — murmurou o elfo, pulando para abraçar o pescoço dela.

Após as cozinhas, [Nome] seguiu para os andares superiores. Ela encontrou o Professor Dumbledore no corredor do terceiro andar, conversando com a Professora McGonagall. Com o coração batendo forte, ela se aproximou.

— Diretor? Professora? — Ela estendeu dois pequenos embrulhos. — Eu... eu fiz isso para vocês. Como agradecimento por terem me recebido aqui.

Dumbledore abriu o dele primeiro. Era um par de meias de lã grossa, tricotadas com um padrão de limões amarelos. McGonagall recebeu um broche de madeira entalhado em formato de um gato sentado.

— Meias! — exclamou Dumbledore, seus olhos azuis brilhando por trás dos óculos de meia-lua. — Nunca se tem meias o suficiente, [Nome]. E estas parecem ter um feitiço de conforto que nenhuma varinha poderia replicar.

— É um trabalho manual primoroso, querida — disse McGonagall, prendendo o broche em sua capa com uma expressão de rara ternura. — Muito obrigada.

[Nome] continuou sua jornada. Ela deixou um pote de geleia de amora na mesa do Professor Snape enquanto ele não estava — ela ainda tinha medo de sua reação direta, mas queria que ele soubesse que era apreciado. Para Hagrid, ela levara uma imensa torta de carne e um pente de madeira que ela mesma esculpira para que ele pudesse cuidar da barba.

— Oh, [Nome]! — trovejou Hagrid, as lágrimas inundando seus olhos negros enquanto ele a esmagava em um abraço de urso que, para a surpresa dele, ela conseguiu retribuir com a mesma intensidade. — Você é uma joia, é o que você é!

Até os alunos não foram esquecidos. Para Neville Longbottom, ela deu um pequeno saco de adubo orgânico que ela mesma preparara com ervas da floresta. Para Harry, Rony e Hermione, que ela via frequentemente nas cozinhas, ela entregou pacotes de biscoitos amanteigados com gotas de chocolate.

— Você não precisava fazer isso, [Nome] — disse Harry, sorrindo sinceramente.

— Eu queria — respondeu ela, sentindo-se mais leve do que nunca. — Ver vocês felizes me faz sentir que eu pertenço a este lugar.

Mas o dia ainda guardava surpresas. Ao entardecer, [Nome] seguiu para a orla da Floresta Proibida. Ela levava um fardo de ervas raras e sal grosso, um presente para os centauros que a haviam respeitado durante sua missão.

Bane e Firenze a encontraram sob a luz do crepúsculo.

— A humana que carrega a força da terra retorna — disse Bane, embora seu tom não fosse hostil.

— Eu trouxe presentes para o seu povo — disse ela, colocando o fardo sobre uma pedra plana. — Ervas para as suas curas e sal para os seus rituais.

Firenze inclinou a cabeça, seus olhos claros observando-a com sabedoria.

— Você dá sem pedir nada em troca, [Nome]. As estrelas falam de uma generosidade que raramente é vista entre os de sua espécie. Que a terra sempre seja firme sob seus pés.

Quando o sol finalmente se pôs, [Nome] voltou para o castelo, exausta, mas com o coração transbordando. Suas cestas estavam vazias, mas sua alma estava cheia. Ela caminhou em direção às cozinhas para ajudar na limpeza do jantar, mas ao entrar, parou bruscamente.

As cozinhas estavam decoradas. Centenas de pequenas velas flutuantes, como as que Dobby criara na noite da dança, enchiam o teto. As mesas estavam cobertas com as comidas favoritas de [Nome]: tortas, bolos, frutas e jarras de suco de abóbora gelado.

Todos os elfos estavam lá. Dobby estava no centro, usando suas novas meias descombinadas e segurando um pequeno buquê de flores silvestres.

— O que é tudo isso? — perguntou ela, as lágrimas finalmente começando a cair.

— O Banquete da Gratidão! — exclamaram os elfos em uníssono.

— A senhorita deu presentes para todos — disse Dobby, aproximando-se e pegando a mão dela. — Mas a senhorita é o maior presente de todos para nós. Os elfos decidiram que hoje a senhorita não limpa nada. Hoje, a senhorita é a nossa convidada de honra.

[Nome] sentou-se à mesa, cercada pelos pequenos seres que a amavam. Ela comeu com seu apetite voraz, sem vergonha, rindo das histórias de Misty e ouvindo Winky ler o primeiro parágrafo de seu diário.

— Dobby — sussurrou ela, enquanto o banquete chegava ao fim e os elfos começavam a cantar uma música folclórica élfica sobre a colheita. — Eu nunca pensei que poderia ser tão feliz sendo apenas eu.

— A senhorita é perfeita sendo apenas a senhorita — respondeu Dobby, sentando-se ao lado dela e encostando a cabeça em seu braço. — Dobby ama a senhorita mais do que todas as meias do mundo.

— Eu também te amo, Dobby — disse ela, beijando o topo de sua cabeça.

Naquela noite, antes de dormir, [Nome] olhou para a janela de seu quarto. Hogwarts era um lugar de magia, varinhas e dragões, mas ela percebeu que a magia mais poderosa de todas não exigia palavras em latim ou movimentos de madeira. Era a magia da bondade, do reconhecimento e do amor que florescia entre seres tão diferentes.

Ela fechou os olhos, sentindo o cheiro da lã e da madeira entalhada que ainda impregnava suas mãos. Ela não era mais a "aborto" solitária que temia o futuro. Ela era a guardiã dos corações de Hogwarts, a mulher que, com a força de dez cavalos e a doçura de uma canção de ninar, transformara um castelo de pedra em um verdadeiro lar.

E enquanto Dobby, em seu próprio cantinho, acariciava as meias de girassol e sonhava com o próximo sorriso dela, a paz reinava sobre a escola de magia, protegida pela força invisível, mas inquebrável, de um coração que aprendera a se dar por inteiro.