O festival
O Trono de Gelo e o Pecado da Carne
A semana no Palácio de Gelo Branco não começou com diplomacia, mas com uma rendição absoluta aos sentidos. Guy Crimson, o Lorde do Orgulho, não era um homem de meias medidas. Assim que cruzaram os portões de seu domínio congelado, a atmosfera mudou. O frio cortante do exterior era um contraste violento com o calor opressor que emanava do quarto real, onde Rimuru — ainda mantendo sua forma feminina por exigência de Guy — descobria o que significava ser o foco da obsessão de um demônio primordial.
Guy cumpriu sua promessa sobre as roupas. Rimuru não usava nada que pudesse ser considerado "comum". Naquela manhã de terça-feira, o Slime vestia apenas um conjunto de seda translúcida que mal escondia a pele pálida, com amarras de couro que realçavam a curva de sua cintura e o volume de seus seios, que Guy parecia ter desenvolvido uma fixação quase religiosa.
— Você está distraído — murmurou Rimuru, sentada no colo de Guy enquanto ele revisava relatórios de inteligência.
O Lorde Demônio não respondeu com palavras. Sua mão grande e calejada subiu pela coxa de Rimuru, apertando a carne macia com uma possessividade bruta. Ele inclinou o rosto, enterrando-o no decote generoso de Rimuru, inspirando o aroma de flores estelares e mel que emanava dela.
— Esses relatórios são insignificantes comparados ao que tenho em meus braços — rosnou Guy contra a pele dela. Ele abriu a boca e mordeu levemente a curva superior do seio de Rimuru, deixando uma marca avermelhada que contrastava com a brancura da pele.
— Ah... Guy... — Rimuru arqueou as costas, as mãos perdidas nos cabelos vermelhos intensos do demônio. — Seus servos estão olhando.
Do outro lado do salão, um grupo de demônios de alto escalão, os guardas pessoais de Guy, observava a cena com um ódio mal disfarçado. Para eles, Rimuru era uma anomalia, um ser inferior que havia enfeitiçado seu mestre soberano. A aura de hostilidade que vinha deles era como facas de gelo, mas Rimuru, longe de se sentir intimidada, sentiu uma centelha de travessura.
Ela inclinou a cabeça para trás, soltando um gemido baixo e melodioso, enquanto passava a língua pelo pescoço de Guy, provocando explicitamente os espectadores. Guy percebeu a jogada. Um sorriso cruel e satisfeito surgiu em seus lábios. Ele adorava como Rimuru reivindicava seu território diante daqueles que a desprezavam.
— Deixe que olhem — disse Guy, sua voz ecoando com uma autoridade sombria. — Que eles entendam que o que é meu é intocável, e que eu faço o que desejo com o meu tesouro.
Ele a virou de frente para si no trono, sem qualquer delicadeza. O contato foi bruto, as peles colando pelo calor. Guy não queria romance; ele queria possessão. Ele a possuiu ali mesmo, no trono de gelo, com uma intensidade que fazia as paredes do palácio vibrarem. Seus movimentos eram poderosos, rítmicos e desprovidos de hesitação, enquanto Rimuru se perdia no prazer avassalador, suas unhas cravadas nos ombros musculosos de Guy. O som da carne colidindo e os suspiros pesados preenchiam o salão silencioso, humilhando os servos que eram obrigados a testemunhar a luxúria de seu rei.
Os dias seguintes seguiram um padrão de excessos. Guy raramente permitia que Rimuru saísse de seu alcance. Mesmo durante reuniões estratégicas com representantes de outras linhagens demoníacas, Rimuru permanecia em seu colo. O fetiche de Guy pelos seios dela tornou-se o centro de suas interações; ele frequentemente interrompia conversas sérias para lamber ou morder os mamilos de Rimuru por baixo das roupas finas, forçando-a a morder o lábio para não gritar de prazer na frente de generais severos.
— Mestre Guy, sobre a fronteira sul... — começou um general demônio, parando abruptamente ao ver Guy enfiar a mão por dentro da túnica de Rimuru, massageando-a com vigor enquanto o Slime escondia o rosto no pescoço do ruivo.
— Continue — ordenou Guy, seus olhos vermelhos brilhando com um desafio perigoso. — Eu estou ouvindo.
Rimuru, percebendo o desconforto e a fúria contida do general, esticou uma perna, deixando que a fenda de seu vestido revelasse quase tudo. Ela lançou um olhar lateral, carregado de deboche, para os servos presentes. Guy soltou uma risada baixa, incentivando a provocação silenciosa de sua companheira.
No entanto, à medida que a semana chegava ao fim, algo começou a mudar. Rimuru, que normalmente tinha uma energia inesgotável, começou a sentir um peso estranho.
Na manhã do oitavo dia, enquanto Guy a apertava contra o peito na cama vasta, Rimuru sentiu uma onda súbita de náusea. Ela se desvencilhou dos braços dele e correu para o banheiro, vomitando o nada.
— Rimuru? — Guy apareceu na porta, a expressão de tédio substituída por uma preocupação genuína. — Você está doente? Isso é impossível para um ser como você.
— Eu não sei... — respondeu ela, limpando a boca, sentindo-se pálida. — Deve ter sido algo que comi em Tempest antes de virmos.
Mas não parou por aí. Durante o dia, o humor de Rimuru oscilava drasticamente. Em um momento, ela estava rindo das piadas de Rain; no momento seguinte, estava gritando com Misery por ter trazido o chá na temperatura errada, terminando em um choro convulsivo que deixou até Guy perplexo.
— Eu odeio este lugar! É frio demais! — gritou ela, atirando uma almofada em direção ao trono.
— Rimuru, você ama o frio — retrucou Guy, tentando manter a calma, embora sua paciência estivesse no limite.
— Pois agora eu odeio! E você está me olhando de um jeito estranho! Por que você está sendo tão... tão vermelho?!
Guy piscou, confuso.
— Eu sou o Vermelho Primordial, Rimuru. É literalmente o que eu sou.
— Pois seja menos vermelho! — soluçou ela, escondendo o rosto nas mãos.
A tensão no palácio atingiu o ápice durante uma reunião de emergência com os conselheiros de gelo. O salão estava cheio. Guy estava em seu trono, e Rimuru, apesar de seus protestos matinais, estava sentada ao seu lado em uma cadeira menor, vestindo um robe de veludo pesado.
Enquanto um dos demônios explicava a situação das minas de cristal, a visão de Rimuru começou a escurecer. O cheiro de incenso no salão, que antes era agradável, tornou-se insuportável, atacando seus sentidos.
— Eu... eu preciso sair... — sussurrou Rimuru, tentando se levantar.
— O que foi agora? — perguntou Guy, virando-se para ela com uma pontada de irritação. — Estamos no meio de algo impo...
Antes que ele pudesse terminar a frase, os olhos de Rimuru reviraram. Seu corpo amoleceu completamente, e ela desabou do assento.
Guy reagiu com uma velocidade que rompeu a barreira do som. Ele a pegou antes que ela atingisse o chão frio.
— Rimuru! — o grito de Guy ecoou pelo salão, carregado de uma angústia que ninguém jamais pensou que o Lorde do Orgulho pudesse sentir.
Os servos se aproximaram, alguns com esperança maligna de que o "estorvo" tivesse finalmente sucumbido, outros em pânico absoluto pela fúria que Guy estava emanando.
— Chamem os curandeiros! Agora! — rugiu Guy. — Se ela não acordar, eu reduzirei este continente a cinzas!
Rain e Misery correram, trazendo especialistas em magia médica e análise espiritual. Guy não soltou Rimuru; ele a manteve em seus braços, transferindo sua própria energia para tentar estabilizá-la.
Após alguns minutos de análise tensa, o curandeiro-chefe, um demônio ancião de cabelos brancos, recuou com uma expressão de choque absoluto.
— Mestre Guy... isso... isso não é uma doença. Nem um ataque mágico.
— Então o que é? Fale antes que eu arranque sua língua! — Guy rosnou, sua aura vermelha queimando o ar ao redor.
O ancião engoliu em seco, curvando-se até o chão.
— A energia vital de Rimuru-sama está sendo drenada por um novo núcleo que se formou em seu interior. É uma fusão de essências... a sua e a dela.
Guy estancou. O silêncio no salão tornou-se mortal.
— O que você está dizendo? — a voz de Guy era um sussurro perigoso.
— Rimuru-sama está... gestando, meu senhor. Ela está grávida. Um herdeiro do Orgulho e do Caos está surgindo.
As mãos de Guy tremeram levemente enquanto ele olhava para o rosto pálido e inconsciente de Rimuru. O impossível havia acontecido. O sexo bruto, a semana de excessos e a mistura de suas naturezas divinas haviam gerado algo que o mundo nunca vira.
Guy Crimson, o ser mais poderoso e orgulhoso da existência, sentiu algo novo: um terror absoluto misturado com uma proteção feroz. Ele olhou para seus servos, que agora estavam congelados em choque.
— Saiam — ordenou Guy, sua voz fria como o zero absoluto. — Todos vocês.
Quando o salão ficou vazio, ele pressionou a testa contra a de Rimuru, protegendo-a com suas asas de poder. A semana de festival havia acabado, mas uma nova era, muito mais caótica e perigosa, estava apenas começando para o Lorde Demônio e seu Slime. E, desta vez, Guy não deixaria ninguém — nem mesmo os deuses — chegar perto do que era verdadeiramente dele.