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O Hyung cuida de você

Sinfonia de Sangue e Escolha

O céu de Sydney estava pintado em tons de pêssego e lavanda, uma paleta suave que parecia abraçar a varanda da casa de veraneio da família Bang. O som das ondas quebrando ao longe servia como uma trilha sonora constante, um metrônomo natural que acalmava os nervos de Seungmin. No entanto, o tremor em suas mãos enquanto ele segurava a taça de suco era difícil de ignorar.

Já fazia um ano que ele morava com Chan, e sua carreira solo estava em um patamar que ele jamais ousaria sonhar. Mas estar ali, na Austrália, diante da porta da casa onde Chan cresceu, era um desafio diferente de qualquer palco.

— Eles vão te amar, Minnie — disse Chan, surgindo atrás dele e envolvendo sua cintura com os braços fortes. O produtor enterrou o rosto na curvatura do pescoço de Seungmin, inspirando o perfume cítrico que ainda era seu favorito. — Eles já te amam por tabela, só pelo que eu conto nas chamadas de vídeo.

— É diferente pessoalmente, Channie — sussurrou Seungmin, virando-se nos braços do namorado. — Sua mãe, seu pai... eles são sua base. E se eles virem em mim apenas o "escândalo" que a outra empresa tentou criar?

— Meu pai não lê tabloides coreanos e minha mãe só se importa se você está comendo bem e se me faz sorrir — Chan selou os lábios de Seungmin com um beijo terno. — E, como você pode ver, eu não paro de sorrir desde que entramos no avião.

A porta da varanda se abriu com um estrondo, e uma figura loira e vibrante surgiu como um furacão de energia.

— Finalmente! — exclamou o rapaz, cuja voz era surpreendentemente profunda, contrastando com sua aparência delicada e as sardas que pontilhavam seu rosto como constelações. — Eu achei que vocês iam ficar se namorando aí fora para sempre enquanto as costelas do tio estão ficando prontas!

Chan riu, soltando Seungmin para abraçar o recém-chegado.

— Seungmin, este é o meu primo, Felix. Lix, este é o homem que roubou meu coração e metade do meu tempo de sono.

Felix abriu um sorriso radiante e, sem qualquer hesitação, puxou Seungmin para um abraço apertado. O gesto foi tão genuíno que Seungmin sentiu uma parte de sua tensão evaporar instantaneamente.

— É um prazer imenso, Seungmin-hyung! — disse Felix, afastando-se para olhá-lo de cima a baixo com olhos profissionais. — Chan me disse que você era bonito, mas ele subestimou. Como modelo, eu digo: sua estrutura óssea é impecável. Precisamos fazer um ensaio juntos para a minha próxima campanha.

Seungmin corou, soltando uma risada tímida.

— Obrigado, Felix. Chan fala muito de você também. "O orgulho da moda australiana", ele diz.

— Ah, ele é um exagerado — Felix piscou, entrelaçando seu braço no de Seungmin. — Venha, vamos entrar. Minha tia já preparou um lugar para você ao lado dela. E não se preocupe, eu vou te proteger das piadas sem graça do Chan.

Ao entrar na sala de jantar, Seungmin foi recebido por uma cena que parecia saída de um filme sobre famílias perfeitas. A mãe de Chan, uma mulher de olhar doce e sorriso idêntico ao do filho, correu para ele assim que o viu.

— Oh, querido! Finalmente você está em casa — disse ela, segurando o rosto de Seungmin com as mãos quentes. — Christopher nos contou tudo o que você passou. Você é um menino tão corajoso. Saiba que, nesta casa, você não é um trainee ou uma estrela. Você é nosso.

Seungmin sentiu um nó se formar em sua garganta. Ele estava acostumado com a frieza de seus próprios pais, com o silêncio punitivo após suas escolhas de carreira. Ser recebido com tanta aceitação, sem precisar provar seu valor ou seu talento, era uma experiência avassaladora.

O jantar foi uma sucessão de risadas, histórias de infância embaraçosas de Chan e uma quantidade de comida que teria alimentado um grupo inteiro de idols. O pai de Chan tratava Seungmin com uma camaradagem natural, perguntando sobre seus gostos musicais e contando como Chan costumava fugir para o estúdio quando era criança.

Hana, que já chamava o lugar de "casa da vovó", corria ao redor da mesa, ora sentando no colo de Seungmin, ora pedindo atenção a Felix.

Mais tarde, quando a lua já estava alta e a casa mais silenciosa, Seungmin e Felix sentaram-se nos degraus da varanda térrea, observando o jardim iluminado.

— Sabe — começou Felix, sua voz profunda soando suave na noite —, eu também tive medo quando comecei na moda. As pessoas olham para você e veem um produto. É fácil esquecer quem você é quando não se tem um porto seguro.

— Eu quase esqueci — admitiu Seungmin, olhando para as próprias mãos. — Se não fosse pelo Chan, eu teria desistido de tudo. Eu achava que família era algo que você ganhava por mérito, por ser o filho perfeito.

— Família é quem escolhe ficar quando o resto do mundo vai embora — Felix colocou a mão no ombro de Seungmin. — E os Bang são especialistas nisso. Você não é apenas o namorado do meu primo, Seungmin. Você é meu amigo agora. E eu sou muito exigente com meus amigos.

Seungmin sorriu, sentindo uma conexão genuína com o loiro.

— Obrigado, Lix. Eu nunca tive um melhor amigo que não fosse meu colega de trabalho ou meu produtor.

— Bem, agora você tem um modelo internacional para te dar dicas de estilo e te levar para as melhores festas de Sydney — Felix riu, levantando-se. — Vou deixar você ir falar com o "chefe". Ele está te olhando da janela há dez minutos com cara de quem quer te sequestrar para um abraço.

Seungmin riu e observou Felix entrar. Pouco depois, Chan saiu, caminhando lentamente até ele. O produtor sentou-se ao seu lado e o puxou para perto, cobrindo-os com uma manta.

— Você está bem? Foi muita informação para um dia só? — perguntou Chan, preocupado.

Seungmin encostou a cabeça no ombro de Chan, fechando os olhos e respirando o ar puro da Austrália.

— Eu estou maravilhoso, Channie. Eu estava apenas pensando...

— Em quê?

— Em como minha vida mudou desde aquela noite no estúdio. Eu entrei lá querendo uma chance na música, e acabei ganhando uma vida inteira. — Seungmin olhou para o namorado, os olhos brilhando com lágrimas de gratidão. — Obrigado por me dar uma família, Chan. Obrigado por me mostrar que eu não preciso estar sozinho.

Chan beijou a testa de Seungmin, apertando-o mais forte.

— Você sempre teve esse brilho em você, Minnie. Eu só ajudei a tirar a poeira. O resto foi você quem conquistou.

***

Cinco anos depois.

O sol de Byron Bay brilhava intensamente, refletindo-se nas águas cristalinas do oceano. O altar, montado diretamente na areia branca, era uma estrutura simples de madeira rústica, decorada com flores brancas e folhagens verdes.

Seungmin estava parado diante do espelho em uma das suítes do resort, ajustando o terno de linho branco. Ele não era mais o trainee de vinte anos que se sentia descartável. Aos vinte e cinco, ele era um dos solistas mais respeitados da Ásia, um homem que exalava confiança e serenidade.

— Você está tentando furar o espelho com os olhos ou o quê? — brincou Felix, entrando no quarto. O modelo usava um terno azul-claro que destacava seu cabelo agora platinado. — Você está perfeito, Seungmin. Se o Chan desmaiar quando te vir, eu assumo o altar no lugar dele.

— Você não ousaria — riu Seungmin, embora seu coração estivesse batendo a mil por hora. — Você está pronto para ser o padrinho?

— Eu nasci pronto. E a Hana está lá fora parecendo uma fada com a cesta de flores. Ela não para de dizer que "os papais finalmente vão ser oficiais".

Seungmin sorriu ao pensar na menina, que agora já era uma pré-adolescente cheia de personalidade.

A música começou a tocar — uma melodia de piano suave que Chan havia composto especialmente para aquele momento. Seungmin caminhou em direção à praia, sentindo a areia quente sob seus pés. Quando ele dobrou a curva do caminho e viu o altar, o tempo pareceu parar.

Lá estava Bang Chan. Aos trinta e três anos, o produtor parecia mais radiante do que nunca. Ele usava um terno bege claro e, assim que seus olhos encontraram os de Seungmin, as lágrimas que ele tentava segurar rolaram livremente por seu rosto.

Ao lado de Chan, a família Bang sorria, e a mãe de Chan limpava os olhos com um lenço de renda. Felix estava posicionado com um sorriso orgulhoso, e Hana, na frente de todos, jogava pétalas com um entusiasmo contagiante.

Ao chegar ao altar, Chan pegou as mãos de Seungmin. As mãos que outrora criaram batidas frenéticas e harmonias complexas agora tremiam levemente de emoção.

— Nós passamos por muita coisa para chegar aqui — começou Chan, sua voz ecoando através do sistema de som para os poucos e íntimos convidados. — Passamos por estúdios escuros, por perseguições, por recomeços e por vitórias. Mas, em cada nota que eu escrevi nos últimos cinco anos, havia um pedaço de você. Você não é apenas meu marido, Seungmin. Você é a minha música.

Seungmin respirou fundo, tentando manter a voz firme.

— Eu passei muito tempo achando que o silêncio era meu único refúgio. Mas você me ensinou que o som mais bonito é o de uma casa cheia, de uma família que te ama e de um homem que acredita em mim mais do que eu mesmo. Eu prometo ser sua harmonia, seu apoio e seu maior fã, por todos os anos que virão.

Quando o celebrante os declarou casados, o beijo que selou a união não foi apenas um gesto romântico. Foi a conclusão de um ciclo e o início de uma sinfonia eterna.

A festa que se seguiu foi uma celebração da vida. Felix arrastou todos para a pista de dança, Hana ensinou passos de dança modernos para os avós, e Seungmin e Chan observavam tudo de uma mesa lateral, compartilhando um momento de quietude.

— Conseguimos, Channie — sussurrou Seungmin, encostando a cabeça no ombro do marido.

— Nós só estamos começando, Minnie — respondeu Chan, entrelaçando seus dedos, onde as alianças de ouro brilhavam sob o luar australiano. — A próxima parte da música vai ser ainda melhor.

E ali, cercado pela família que ele escolhera e que o escolhera de volta, Kim Seungmin finalmente entendeu que a maior produção de Bang Chan não fora um álbum de sucesso ou um hit mundial. Fora a criação de um lar onde o amor era a única frequência que importava.