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O lixo de um homem pode ser o tesouro de outro

Sussurros de Veludo e Ferro

A luz do luar na U.A. nunca parecia ser apenas luz; para Erick Afton, ela era uma testemunha prateada de seus pecados e de suas salvações. Ele caminhava pelos corredores com a quietude de um predador, a mente processando o treino do dia e a tensão constante que era carregar o sobrenome Afton. Ser "escopetado" ao lado de seu primo Michael não apenas deixou cicatrizes físicas, mas despertou uma sensibilidade para a escuridão que seu pai, Shota Aizawa — ou Vincent, como as sombras o chamavam —, escolhera ignorar através do sono e da apatia.

Erick parou diante da porta dos aposentos de Hizashi Yamada. Ele não precisava bater. O som abafado de um rádio antigo sintonizado em uma estação de jazz suave era o sinal. Ele entrou, trancando a porta atrás de si com um clique metálico que ressoou como um ponto final para o mundo exterior.

Hizashi estava sentado diante de uma pequena penteadeira, removendo o aparelho auditivo com mãos que ainda tremiam levemente. Sem o gel, seu cabelo loiro caía como uma cascata desordenada, dando-lhe uma aparência vulnerável que ele nunca mostrava diante das câmeras ou dos alunos.

— Você está atrasado, pequeno ouvinte — sussurrou Hizashi, sua voz desprovida da projeção heróica de Present Mic.

Erick aproximou-se por trás, envolvendo os ombros de Hizashi com seus braços fortes. O contraste era evidente: a juventude vigorosa de Erick contra a elegância madura e marcada de Hizashi.

— Shota estava patrulhando o corredor leste — explicou Erick, enterrando o rosto no pescoço de Hizashi, inalando o cheiro de baunilha e café. — Ele parece estar mais atento ultimamente. Ou talvez seja apenas a paranoia dele voltando à tona.

Hizashi inclinou a cabeça para trás, fechando os olhos enquanto sentia os lábios de Erick em sua pele.

— Ele não é paranoico, Erick. Ele é um caçador. Ele sabe quando algo mudou no ambiente. E eu mudei. — Hizashi soltou um suspiro trêmulo. — Eu não tenho mais os pesadelos com o seu tio quando você está aqui. O silêncio não me assusta mais.

Erick virou a cadeira de Hizashi, forçando o homem mais velho a olhá-lo nos olhos. A intensidade no olhar de Erick era algo que Hizashi amava e temia. Era o olhar de um homem que sabia exatamente o que queria e como proteger o que era seu.

— Shota te descartou porque ele é incapaz de sentir a profundidade da sua dor — disse Erick, sua voz grossa e possessiva. — Ele viu o trauma que o William te causou e achou que você era um fardo. Ele não percebeu que você é um tesouro que só precisava de mãos mais firmes para ser segurado.

— Às vezes eu me sinto como uma mulher traída, Erick — confessou Hizashi, um sorriso triste brincando em seus lábios. — Eu amei seu pai por anos. Eu aceitei ser a "mãe" que você não teve. E agora... agora eu me encontro nos braços do filho dele, sentindo coisas que ele nunca se deu ao trabalho de despertar em mim.

Erick ajoelhou-se entre as pernas de Hizashi, colocando as mãos nas coxas do loiro. Ele adorava como Hizashi se entregava a ele, como o herói barulhento se tornava submisso e delicado em sua presença