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o meu amor e meu ex marido

Sinfonia em Mármore e Seda

A luz da manhã em Connecticut não era como a de Manhattan. Não havia o reflexo agressivo do vidro dos arranha-céus ou o som constante de sirenes distantes. Na mansão Piastri, o amanhecer chegava com um brilho suave que atravessava as cortinas de linho e o canto discreto dos pássaros nos jardins impecáveis. Para Lily, no entanto, o despertar não foi suave; foi intenso, marcado pelo peso possessivo de um braço musculoso sobre sua cintura e o calor de um corpo que ela conhecia melhor do que a si mesma.

Ela abriu os olhos e sorriu ao ver o brilho do diamante em seu dedo anelar esquerdo. O anel estava de volta, assim como ela. A reconciliação não fora apenas um acordo de paz; fora uma rendição total. Oscar não apenas provara sua inocência em relação àquela armação do passado, como também deixara claro que a vida sem Lily era um deserto que ele não estava mais disposto a atravessar.

— Você está acordada há cinco minutos e ainda não me beijou — a voz de Oscar soou rouca, vibrando contra as costas de Lily.

Ela se virou nos lençóis de seda negra, encontrando os olhos azul-esverdeados dele já focados nela com uma fome que parecia inesgotável.

— Eu estava admirando a vista — brincou ela, passando a mão pelo peitoral definido dele. — E não estou falando da janela.

Oscar soltou um riso baixo, puxando-a para cima dele em um movimento ágil.

— A vista é toda sua, Sra. Piastri. Pelo tempo que você quiser.

O que se seguiu foi a primeira das muitas sessões daquele dia. Oscar a possuiu com uma urgência que fazia parecer que tinham passado anos separados, e não apenas algumas horas desde a noite anterior. Ele a beijou com uma possessividade que marcava território, suas mãos grandes mapeando cada curva que ele agora reivindicava como sua novamente. Lily respondeu com a mesma intensidade, a braveza de outrora derretendo-se em gemidos que ecoavam pelo quarto vasto.

Algum tempo depois, Lily estava sentada em frente à sua penteadeira, tentando recompor o cabelo castanho que Oscar fizera questão de bagunçar. Ela usava apenas um roupão de seda branca, entreaberto, enquanto observava o marido pelo espelho. Oscar estava de pé, vestindo apenas a calça de um terno cinza, terminando de abotoar uma camisa branca impecável.

— Você tem mesmo que ir para aquele comitê hoje? — perguntou ela, fazendo um biquinho que ela sabia que o desarmava.

Oscar parou de ajustar as abotoaduras de platina e caminhou até ela. Ele se inclinou, apoiando as mãos nos ombros dela e encontrando seu olhar no reflexo.

— Infelizmente, sim. Mas a boa notícia é que eu sou o Juiz Presidente. O que significa que eu decido quando a sessão acaba.

— E quando ela acaba? — Lily se virou na cadeira, passando os braços pelo pescoço dele, ignorando o fato de que ele já estava quase pronto para o mundo exterior.

— Em exatamente três horas — ele murmurou, a boca a milímetros da dela. — E depois disso, meu único compromisso é com você.

Ele a beijou castamente, mas Lily sentiu a tensão no corpo dele. Ela sabia o efeito que tinha sobre Oscar. Com um sorriso travesso, ela deslizou as mãos pelo peito dele, desabotoando os três primeiros botões que ele acabara de fechar.

— Lily... eu vou me atrasar — ele avisou, embora sua voz tivesse descido uma oitava.

— Deixe que esperem, Excelência — sussurrou ela.

Lily deslizou da cadeira para os joelhos, ficando entre as pernas dele. Oscar soltou um suspiro pesado, fechando os olhos enquanto as mãos dela desfaziam o cinto de couro legítimo. Quando ela o libertou da calça, a reação dele foi imediata. Lily olhou para cima, encontrando a expressão de Oscar tensa, o maxilar travado em puro prazer.

Ela o envolveu com os lábios, movendo-se com uma lentidão provocante, sabendo exatamente como usar a língua para levá-lo ao limite. Oscar enterrou os dedos nos cabelos dela, soltando um rosnado baixo que misturava autoridade e rendição.

— Por Deus, Lily... — ele arquejou, a cabeça jogada para trás.

O contraste era delicioso: o juiz mais poderoso e respeitado do país, impecavelmente vestido da cintura para cima, perdendo completamente o controle nas mãos da mulher que era seu único ponto fraco. Lily continuou, saboreando o poder que tinha sobre ele, até que Oscar a puxou para cima com força, incapaz de aguentar mais um segundo sem possuí-la por completo.

Ele a prensou contra a penteadeira, afastando os frascos de perfume caros com um movimento descuidado do braço. Lily soltou um grito de surpresa que foi abafado pelo beijo faminto dele. Oscar a penetrou com um impulso firme, fazendo-a envolver as pernas na cintura dele. O ritmo era frenético, uma sinfonia de pele contra pele e respirações curtas.

— Você... é... minha — ele rosnou entre os dentes, cada estocada reforçando a sentença.

— Sempre... sua — ela respondeu, as unhas cravadas nos ombros dele, marcando a pele que logo seria coberta pelo paletó caro.

Quando o ápice os atingiu, Oscar a segurou com tanta força que Lily sentiu que seus ossos poderiam quebrar, mas ela não se importou. Era aquela intensidade que ela buscava, aquela paixão que beirava o perigoso.

Meia hora depois, Oscar saiu da mansão, parecendo o epítome da compostura profissional, enquanto Lily, com as pernas ainda trêmulas, observava o carro preto desaparecer pelo portão.

A tarde chegou com a promessa cumprida. Oscar retornou antes do previsto. Lily estava no escritório da mansão, tentando organizar alguns documentos da Pearson Hardman — ela decidira continuar trabalhando, mas agora de forma remota e com uma carga horária que Oscar "supervisionava" com zelo excessivo.

Ela ouviu os passos firmes dele no corredor. Oscar entrou no escritório, jogando o paletó sobre uma poltrona de couro. Ele não disse uma palavra; apenas caminhou até a mesa de mogno onde ela estava sentada.

— O comitê foi tão rápido assim? — perguntou ela, tentando manter o tom profissional.

— Eu dei um veredito sumário — disse ele, puxando a cadeira dela para longe da mesa e virando-a de frente para ele. — Eu disse que tinha um assunto de segurança nacional para tratar.

— E qual seria esse assunto?

Oscar a levantou da cadeira e a sentou sobre a mesa de mogno, entre pilhas de processos e o seu laptop.

— Segurança nacional da minha sanidade mental, Lily. Eu passei a tarde inteira pensando em como você ficou naquela penteadeira.

Ele a virou de costas, fazendo-a apoiar as mãos na madeira fria da mesa. Lily sentiu o arrepio subir por sua espinha quando ele levantou a saia de seu vestido leve de verão. Oscar não perdeu tempo com preliminares gentis. Ele a tomou por trás, com estocadas profundas e rítmicas que faziam os objetos sobre a mesa vibrarem.

— Oscar! — ela exclamou, a voz ecoando pelo escritório de teto alto. — Alguém pode ouvir... os funcionários... a governanta...

— Deixe que ouçam — ele respondeu, a voz rouca contra o ouvido dela. — Deixe que saibam que eu não consigo tirar as mãos da minha esposa por mais de duas horas.

Ele a segurou pelos quadris, ditando um ritmo que a levava ao delírio. Lily fechou os olhos, sentindo a frieza da mesa contra suas palmas e o calor abrasador de Oscar dentro dela. Era uma dicotomia perfeita, assim como o relacionamento deles: a frieza do mundo jurídico e o fogo da intimidade que compartilhavam.

Após o encontro no escritório, eles decidiram que precisavam de um banho. Mas o banho, previsivelmente, transformou-se em outra coisa. Sob o chuveiro de efeito chuva, entre o vapor e o cheiro de sabonete cítrico, eles se exploraram novamente. Oscar a pressionou contra os azulejos molhados, as mãos grandes ensaboadas deslizando pela pele dela, encontrando cada ponto de prazer com uma precisão cirúrgica.

— Você nunca se cansa? — perguntou Lily, ofegante, enquanto ele a beijava sob a água corrente.

— De você? Nunca — ele respondeu, levantando uma das pernas dela para facilitar o acesso. — Eu passei meses em um tribunal, Lily, ouvindo pessoas mentirem. Estar com você é a única verdade que eu tenho.

A noite caiu sobre a mansão, trazendo uma calma aparente. Eles jantaram na varanda, sob a luz das velas, servidos discretamente pelos funcionários que já estavam acostumados com a aura de "não perturbe" que cercava o casal. Oscar agia como o cavalheiro perfeito, servindo o vinho e discutindo literatura, mas seus olhos, sempre fixos nela, contavam uma história diferente.

— Por que você está me olhando assim? — perguntou ela, levando um pedaço de queijo à boca.

— Estou pensando que o sofá da biblioteca é muito confortável — disse ele, com um brilho malicioso no olhar.

Lily riu, sentindo o desejo despertar novamente.

— Oscar, nós já fizemos isso três vezes hoje.

— Quatro — corrigiu ele, levantando-se e estendendo a mão para ela. — E a noite está apenas começando, Sra. Piastri.

Eles foram para a biblioteca, um cômodo revestido de livros antigos e couro, com uma lareira que Oscar fez questão de acender. Ele a deitou no tapete persa diante do fogo. A luz das chamas dançava na pele deles, criando sombras longas e dramáticas.

Desta vez, foi lento. Oscar a explorou com a língua e os dedos, saboreando cada reação dela, cada suspiro, cada vez que ela sussurrava o nome dele como se fosse uma prece. Ele a tratou com uma adoração que beirava o espiritual, antes de se unir a ela em um movimento suave e contínuo.

— Eu te amo, Lily — ele sussurrou, a voz carregada de uma emoção que ele raramente mostrava. — E eu vou passar todos os dias da minha vida garantindo que você nunca mais duvide disso.

— Eu sei — respondeu ela, puxando-o para um beijo que selava não apenas o ato, mas a alma deles. — Eu também te amo, meu juiz teimoso.

Mais tarde, quando o fogo da lareira se transformou em cinzas e o cansaço finalmente começou a vencer o desejo, Oscar a carregou de volta para a suíte master. Ele a deitou na cama e a cobriu com o edredom, antes de se deitar ao lado dela e puxá-la para o seu abraço.

Lily sentiu o peso do anel em seu dedo e o calor do marido ao seu lado. A loucura do dia, os encontros em cada canto da casa, a paixão desenfreada... tudo isso era apenas o reflexo de um amor que quase fora perdido e que agora era guardado como o tesouro mais valioso.

— Oscar? — ela chamou, já quase dormindo.

— Hum?

— Amanhã você tem tribunal?

Oscar sorriu na escuridão, beijando o ombro dela.

— Amanhã eu sou todo seu, Lily. O mundo pode esperar.

Ela sorriu, fechando os olhos. O juiz Piastri podia ser o terror dos advogados e a autoridade máxima do país, mas ali, no silêncio daquela mansão, ele era apenas o homem que a amava com uma intensidade que nenhuma lei poderia explicar. E Lily Zneimer, a doce e brava Lily, sabia que aquele era o único julgamento do qual ela nunca quereria apelar.

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