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O neguinho do Rio de janeiro

Território Marcado

O sol da manhã entrava pelas frestas da persiana, desenhando listras douradas sobre a pele de Lucas. Eu acordei primeiro, sentindo o peso do braço dele atravessado na minha cintura, uma âncora de carne e músculo que me mantinha presa ao colchão. Ele ainda dormia o sono dos justos, com o rosto afundado no travesseiro, mas o aperto em meu corpo não relaxava nem por um segundo. Lucas era assim: mesmo inconsciente, ele precisava garantir que eu ainda estava ali.

Tentei me mexer devagar para não despertá-lo, mas foi em vão. No momento em que contraí os músculos das pernas, senti a mão dele subir da minha cintura para o meu quadril, os dedos longos e fortes se enterrando na minha nádega com uma força possessiva.

— Vai pra onde, gatinha? — a voz dele saiu como um trovão baixo, rouca de sono, mas carregada daquele sotaque que fazia meu ventre vibrar. — O dia nem começou direito e tu já quer fugir do pai?

Virei o rosto para encontrá-lo. Ele abriu apenas um olho, um sorriso de canto de boca surgindo na face morena. Os cachinhos estavam todos bagunçados, dando a ele um ar de menino que contrastava com a cicatriz pequena perto da sobrancelha e o porte de quem já tinha visto muita guerra.

— Só ia buscar um copo de água, Lucas. Minha garganta está seca — respondi, passando a mão pelo peitoral dele, sentindo a textura dos pelos ralos e a firmeza do tanquinho que parecia esculpido em pedra.

— Deixa que eu busco. Tu não bota esse pézinho no chão frio enquanto eu estiver aqui — ele disse, sentando-se na cama com uma agilidade impressionante para alguém do tamanho dele.

Eu o observei caminhar nu pelo quarto. Lucas era uma visão. Alto, imponente, a pele negra brilhando sob a luz matinal. Ver esse homem, que no Rio era temido e respeitado, agindo como meu protetor doméstico, era algo que eu ainda estava processando. Nós tínhamos deixado tudo para trás: a violência, o julgamento da minha família rica, a mesquinharia daquela minha ex-chefe que o olhava como se ele fosse um criminoso só pela cor da pele e pelas roupas que usava. Aqui, em outro estado, éramos apenas Lucas e sua "branquinha".

Ele voltou minutos depois com um copo de água gelada. Bebi sob o olhar atento dele. Lucas não desviava o foco; ele me estudava, me devorava com os olhos como se estivesse decorando cada poro da minha pele.

— Tá me olhando assim por quê? — perguntei, entregando o copo de volta.

— Porque tu é covardia, gatinha. Papo reto — ele se aproximou, sentando na beirada da cama e puxando minhas pernas para o colo dele. — Às vezes nem acredito que essa riquinha de olhos azuis largou o luxo pra viver com um preto que veio do lixo. Tu é doida ou é muito apaixonada?

— As duas coisas, Lucas — respondi com sinceridade, puxando-o pela nuca para um beijo que começou lento e logo se tornou urgente.

O beijo dele tinha gosto de posse. Ele explorava minha boca com a mesma intensidade com que explorava meu corpo. Senti suas mãos subirem pelas minhas coxas, subindo até alcançarem meus seios. Ele soltou um suspiro pesado quando sentiu a firmeza e o calor deles.

— Estão cheios de novo, né? — ele murmurou contra meu pescoço, a respiração quente me arrepiando inteira. — Esse teu cheiro de leite me deixa maluco, branquinha. É cheiro de vida, de coisa pura.

— Você me viciou nisso, sabia? — eu disse, arqueando as costas enquanto ele começava a beijar o colo do meu peito. — Agora eu sinto falta quando você não pede.

— O pai nunca vai deixar de pedir — ele garantiu, a voz vibrando contra minha pele. — Tu é minha fonte, gatinha. Meu sustento.

Ele me deitou novamente, ficando por cima de mim, mas sem descarregar todo o peso. Lucas era cuidadoso, ele sabia da diferença de nossas estruturas. Ele era bruto por fora, mas comigo, cada toque era carregado de uma adoração quase religiosa. Ele começou a mamar com calma, fechando os olhos e sugando com uma cadência que me fazia perder os sentidos. O leite escorria, e ele fazia questão de lamber cada gota que tentava fugir pelo meu torso.

— Sabe o que eu fico pensando? — ele disse, interrompendo o contato por um segundo, os lábios úmidos de leite. — Que se teu pai visse a gente agora, o velho infartava.

— Meu pai nunca entendeu nada, Lucas. Ele via cor, via dinheiro, via CEP. Ele nunca viu o homem que você é.

— Ele via um perigo, né? — Lucas riu, um som seco. — E ele tava certo. Eu era perigoso mesmo. Mas pra tu, eu sou só o teu homem. O cara que vai te dar tudo que aqueles playboys de condomínio nunca iam ter disposição de dar.

Ele desceu o corpo, beijando meu abdômen, descendo até o quadril. Lucas tinha uma fixação pela minha bunda, ele dizia que era a "oitava maravilha do mundo". Ele me virou de costas com um movimento firme, me deixando de quatro sobre os lençóis claros.

— Olha isso... — ele sussurrou, passando as mãos grandes pelas minhas nádegas, apertando-as com força até que seus dedos deixassem marcas temporárias na pele clara. — Tu é muito bunduda, gatinha. É muita carne pra um homem só. Mas ainda bem que esse homem sou eu.

Senti o rosto dele se pressionar entre minhas nádegas, como ele fizera durante a noite. Ele inalava meu perfume, se perdendo na maciez da minha pele. Era um momento de intimidade crua, sem máscaras.

— Lucas... — eu gemi, sentindo o calor do corpo dele atrás do meu.

— Fala, minha riquinha. Diz que tu é minha.

— Eu sou sua. Inteira.

Ele se levantou um pouco, apenas o suficiente para me puxar para mais perto.

— A gente vai vencer aqui, gatinha. Papo de visão — ele disse, a voz agora mais séria, voltando ao tom de homem que planeja o futuro. — Já consegui uns contatos pra carga aqui na região. Nada de morro, nada de tiro. Só negócio direito, mas do meu jeito. Vou te dar uma vida de rainha, sem precisar de um centavo daquele teu pai babaca.

— Eu não preciso de luxo, Lucas. Eu só preciso de você.

— Tu vai ter os dois — ele afirmou, voltando a me abraçar por trás, me puxando para que eu deitasse sobre o peito dele. — Porque tu merece o mundo. E porque eu sou o cara que vai conquistar ele pra te entregar de bandeja.

Ficamos ali em silêncio por um tempo, ouvindo o som da cidade nova lá fora. Era um recomeço. Para Lucas, era a chance de ser mais do que o "dono do morro". Para mim, era a liberdade de amar sem as correntes da minha classe social.

— Gatinha? — ele chamou, a voz já voltando a ficar manhosa.

— Oi, meu preto.

— Acho que ainda sobrou um pouco de leite ali... — ele brincou, me virando de frente para ele com um brilho malicioso nos olhos. — E o pai tá com fome de novo.

Eu ri, puxando a cabeça dele para o meu peito.

— Você não tem jeito, Lucas Ferreira.

— Com tu? Nunca vou ter — ele respondeu, antes de se perder novamente no meu corpo, selando nosso pacto de amor e obsessão em meio ao silêncio cúmplice daquela manhã.

A cada sucção, a cada toque bruto porém carregado de afeto, eu tinha a certeza de que não importava o que o futuro nos reservasse. Eu era a luz dele, e ele era a minha sombra protetora. Éramos o contraste perfeito, a união de mundos que nunca deveriam ter se cruzado, mas que agora não sabiam mais como existir separados.

Ele subiu novamente para me olhar nos olhos, as mãos grandes emoldurando meu rosto.

— Tu é a mulher mais linda que eu já vi na vida, branquinha. Às vezes eu tenho vontade de te guardar num potinho só pra ninguém mais olhar.

— Mas você já me guarda, Lucas. Nesse apartamento, na sua vida... no seu coração.

— É — ele sorriu, um sorriso largo que mostrava os dentes brancos e perfeitos. — Mas o melhor lugar onde eu te guardo é aqui...

Ele me puxou para um abraço apertado, colando nossos corpos de tal forma que eu podia sentir cada batida do coração dele contra o meu. Naquele momento, no calor do nosso quarto, o resto do mundo era apenas um detalhe irrelevante. Nós tínhamos encontrado nosso próprio paraíso, construído sobre o desejo, a superação e uma conexão que transcendia qualquer preconceito.

— Te amo, minha peituda — ele sussurrou, me fazendo rir contra seu ombro.

— Também te amo, meu dono.

E ali, entre carícias e promessas silenciosas, deixamos o tempo passar, sem pressa de enfrentar o mundo lá fora, pois dentro daquelas quatro paredes, éramos absolutamente tudo o que precisávamos ser.