O ultimo
O Êxtase da Magia e do Sangue
O quarto estava mergulhado em uma penumbra densa, quebrada apenas pelo brilho pálido da lua que atravessava a claraboia do sótão. Luca sentia o peso de Kael sobre si, uma pressão bem-vinda que parecia ancorar sua alma enquanto sua magia, estimulada pela perda de sangue e pelo prazer súbito, rodopiava em seu peito como uma tempestade de areia.
Kael interrompeu o beijo por um breve segundo, apenas o suficiente para olhar nos olhos de Luca. As íris do vampiro estavam completamente tomadas pelo vermelho, uma cor vibrante que prometia tanto proteção quanto perdição. O suor brilhava na testa de Luca, e seus cabelos brancos, agora desgrenhados contra os lençóis escuros, pareciam fios de seda sob a luz lunar.
— Você está tremendo, pequeno mago — sussurrou Kael, sua voz vibrando contra os lábios de Luca. — É medo ou é a sua magia tentando encontrar uma saída?
— Eu... eu não sei — Luca arquejou, sentindo uma onda de calor percorrer sua espinha. — Só não para. Por favor, Kael, não para agora.
Kael soltou um riso baixo, um som gutural que fez os pelos do braço de Luca se arrepiarem. Ele soltou os pulsos do rapaz, mas Luca não fugiu; em vez disso, suas mãos subiram imediatamente para os ombros de Kael, cravando as unhas no tecido fino de sua camisa, puxando-o para mais perto.
O vampiro desceu novamente para o pescoço de Luca, mas desta vez não para morder. Sua língua traçou o caminho do sangue que havia escorrido da ferida anterior, limpando a pele com uma lentidão torturante. Quando ele passou a ponta da língua sobre a marca de nascimento de Luca — o ponto focal de sua sensibilidade mágica —, o jovem soltou um grito abafado, e uma faísca de luz azulada saltou de seus dedos, iluminando o quarto por um milésimo de segundo.
— Cuidado — advertiu Kael, embora houvesse um brilho de satisfação em seus olhos. — Se você descarregar sua magia assim, vai acabar destruindo a mansão. Ou a mim.
— Então me ajude a canalizar... — Luca implorou, sua voz falhando. — Você disse que me ensinaria... a controlar.
— Há muitas formas de controlar o fluxo, Luca. Algumas são teóricas... outras são puramente físicas.
Kael deslizou a mão pelo abdômen de Luca, sentindo os músculos do rapaz se contraírem sob seu toque. Ele desceu mais, desfazendo o cinto das calças de Luca com uma destreza que denunciava séculos de experiência. Luca sentiu o ar frio do sótão atingir sua pele exposta, mas o frio foi rapidamente substituído pelo calor avassalador do corpo de Kael.
— Kael... — o nome saiu como um suspiro quebrado.
— Shhh. Apenas sinta.
O vampiro voltou a morder o pescoço de Luca, mas desta vez foi uma sucção rítmica, compassada com o movimento de sua mão lá embaixo. A combinação de estímulos foi demais para o jovem mago. Luca fechou os olhos com força, e sua magia começou a vazar de seus poros em forma de uma névoa prateada e cintilante que envolvia os dois corpos.
Kael sentiu a energia. Era doce, embriagante e perigosa. O sangue de Luca já era potente o suficiente, mas a magia pura que emanava dele enquanto ele se perdia no prazer era algo que Kael nunca havia experimentado em toda a sua existência imortal. Ele sentiu sua própria excitação atingir um nível crítico. O controle que ele tanto se orgulhava de ter estava se esvaindo, substituído por um instinto primitivo de possuir cada fibra do ser à sua frente.
— Seus gemidos... — Kael murmurou contra a pele de Luca, sua respiração quente enviando choques elétricos pelo corpo do rapaz. — Eles alimentam minha fome mais do que o seu sangue, sabia?
Luca não conseguia responder com palavras. Ele apenas arqueou as costas, pressionando-se contra a mão de Kael, seus dedos se perdendo nos cabelos negros do vampiro. Cada toque de Kael parecia uma descarga elétrica que organizava o caos dentro dele. A magia, que antes parecia um fardo pesado e descontrolado, agora fluía como um rio, direcionada inteiramente para o ponto de contato entre eles.
— Está doendo? — perguntou Kael, sua voz subitamente suave, embora seus olhos ainda queimassem com luxúria.
— Não — respondeu Luca, abrindo os olhos e encontrando o olhar intenso de Kael. — É como se... como se eu estivesse finalmente completo. Por favor, Kael... eu quero mais.
Kael não precisou de mais nenhum convite. Ele se livrou de suas próprias roupas com movimentos rápidos e fluidos, revelando um corpo esculpido e pálido, marcado por cicatrizes de batalhas passadas que Luca nunca se atreveu a perguntar sobre. Quando ele se posicionou entre as pernas de Luca, o jovem sentiu a magnitude do que estava prestes a acontecer.
— Isso vai mudar tudo entre nós, Luca — Kael avisou, segurando o rosto de Luca com as duas mãos. — Não haverá volta. Eu não vou apenas ser seu mentor. Eu serei seu dono. Você entende isso?
— Eu já sou seu — Luca sussurrou, uma lágrima de pura emoção escapando pelo canto do olho. — Desde o momento em que você me salvou... eu sempre fui seu.
Kael selou a promessa com um beijo profundo e possessivo, enquanto se unia a Luca em um movimento único e firme. Luca soltou um gemido que foi metade dor e metade êxtase puro, suas pernas se envolvendo na cintura de Kael para puxá-lo ainda mais para dentro de seu mundo.
Nesse momento, a magia de Luca explodiu. Não foi uma explosão destrutiva, mas uma aura de luz dourada e azul que preencheu todo o sótão, fazendo os objetos flutuarem suavemente ao redor deles. Livros de feitiços antigos se abriram, suas páginas virando freneticamente, impulsionadas pela energia liberada.
Kael rosnou, sentindo a magia de Luca invadir seus próprios sentidos, intensificando cada sensação. Ele começou a se mover, um ritmo lento e torturante que arrancava soluços da garganta de Luca. Cada estocada parecia sintonizar a frequência mágica de ambos, criando um laço que transcendia o físico.
— Ah! Kael! — Luca gritava o nome dele, o som ecoando pelas vigas de madeira do teto.
O vampiro estava fora de si. Ele mordeu o ombro de Luca, deixando uma nova marca, enquanto suas mãos apertavam os quadris do rapaz com uma força que certamente deixaria hematomas. Mas Luca não se importava. Ele queria as marcas. Ele queria as cicatrizes. Ele queria tudo o que Kael pudesse dar.
A intensidade aumentou até que o ar no quarto parecesse estar em chamas. Luca sentia que ia se desintegrar, que sua alma estava sendo arrancada de seu corpo e fundida à de Kael. As luzes mágicas ao redor deles começaram a pulsar em sincronia com seus corações acelerados.
— Eu vou... eu não consigo segurar! — Luca exclamou, sua voz atingindo uma nota aguda de desespero e prazer.
— Não segure nada — Kael ordenou, aumentando a velocidade, sua própria voz carregada de uma urgência selvagem. — Me dê tudo, Luca! Me dê sua magia, seu sangue, sua vida!
Com um último movimento vigoroso, Luca atingiu o ápice, seu corpo retesando-se completamente enquanto uma onda de choque mágico emanava dele, fazendo as janelas do sótão vibrarem violentamente. Kael seguiu logo atrás, soltando um rugido profundo enquanto se derramava dentro e sobre Luca, sentindo o êxtase final que apenas a união entre um vampiro e um mago poderoso poderia proporcionar.
O silêncio que se seguiu foi absoluto, quebrado apenas pelas respirações pesadas e pelo som rítmico da chuva que começava a cair lá fora. A névoa mágica dissipou-se lentamente, e os objetos que flutuavam voltaram a seus lugares com baques suaves.
Kael desabou sobre o peito de Luca, escondendo o rosto na curva de seu pescoço. Ele sentia o coração do rapaz batendo forte contra suas costelas, um lembrete vívido da vida que ele agora protegia com mais afinco do que a sua própria.
Luca, exausto e trêmulo, passou a mão pelos cabelos de Kael, sentindo uma paz que nunca havia conhecido. Sua magia estava calma agora, como um mar após a tempestade, e ele sabia, com uma clareza absoluta, que Kael tinha razão. Nada seria como antes.
— Você ainda está aqui? — Luca perguntou baixinho, sua voz quase sumindo.
Kael levantou a cabeça o suficiente para olhar para ele. Havia uma ternura rara em seus olhos escuros, algo que ele raramente permitia que alguém visse. Ele inclinou-se e beijou a testa de Luca, bem acima da marca em seu pescoço que ainda latejava.
— Eu não vou a lugar nenhum, pequeno mago — Kael prometeu. — Você é meu agora. E eu protejo o que é meu.
Luca sorriu, fechando os olhos enquanto o sono da exaustão começava a levá-lo. Ele não tinha mais medo de sua magia, e não tinha mais medo do escuro. Pois no escuro, Kael sempre estaria lá para guiá-lo.