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One Piece • O Pirata e sua Estrela

O Segredo das Constelações e o Calor do Amanhã

O Thousand Sunny cortava as águas cristalinas do Novo Mundo com uma elegância que escondia o caos amoroso da noite anterior. O sol, agora alto no céu, refletia-se nas ondas, criando pequenos prismas de luz que pareciam dançar ao redor de Shary enquanto ela se sentava em seu lugar favorito: a cabeça do leão, na proa do navio.

Ela segurava o caderno de desenhos com uma reverência quase sagrada. As páginas estavam cheias de diagramas complexos de estrelas, mas, se alguém olhasse de perto, veria que, entre uma constelação e outra, havia esboços rápidos de Luffy. Luffy rindo, Luffy dormindo, Luffy com as bochechas cheias de carne. O cheiro de papel novo e lavanda a envolvia, um conforto que ela nunca imaginou possuir quando era apenas o "Sujeito 7" nos laboratórios esterilizados da Marinha.

— Shary! — A voz de Luffy veio de cima, antes de ele aterrissar pesadamente ao lado dela, fazendo a proa balançar. — O que você está desenhando agora? É comida?

Shary fechou o caderno rapidamente, as bochechas assumindo um tom de rosa que rivalizava com os bicos de seus seios sob a blusa fina.

— Não é comida, Luffy! — Ela riu, a espontaneidade voltando conforme ela olhava para o rosto dele. — Estou mapeando a rota de ontem à noite. As estrelas estavam... diferentes. Mais brilhantes.

Luffy sentou-se, cruzando as pernas e apoiando o queixo nas mãos. Ele a olhou com aquela intensidade que sempre a deixava sem fôlego. Para Luffy, não havia mistério: se ele gostava de algo, ele olhava. Se ele amava, ele protegia. E ele amava Shary.

— Elas brilham porque você está aqui — disse ele, com a simplicidade de quem afirma que o céu é azul. — Você é a mulher da aurora, não é? O Usopp disse que você é como uma lâmpada gigante, mas eu acho que você é mais como um fogo de artifício que nunca apaga.

Shary sentiu o coração errar uma batida. Ela se aproximou dele, deixando que o braço dele a envolvesse. O calor que emanava de Luffy era constante, uma fornalha de determinação e vida. Ela encostou a cabeça no ombro dele, sentindo a textura da cicatriz em seu peito através da camisa aberta.

— Eu nunca tive isso antes, Luffy — sussurrou ela, os olhos castanhos avermelhados fixos no horizonte. — Uma família. Um lugar onde eu pudesse usar meu dom para criar aviõezinhos de luz em vez de armas de destruição.

Luffy apertou o abraço, o nariz mergulhando nos cabelos azuis dela.

— Agora você tem. E se alguém tentar te levar de volta para aquele lugar chato, eu vou chutar a bunda deles até o outro lado da Grand Line!

— Eu sei que vai — ela sorriu, virando o rosto para beijar a mandíbula dele.

A paz, no entanto, durou pouco. Do convés de grama abaixo, a voz irritada de Usopp subiu como um trovão.

— SHARY! LUFFY! Parem de namorar por cinco minutos! Shary, eu vi o que você fez com o leque!

Shary deu um pulinho, escondendo o rosto no peito de Luffy enquanto ria baixinho. Usopp subiu a escada, segurando o leque de madeira e seda que ele mesmo havia construído para ela. O objeto, que deveria ser um catalisador de energia pura, tinha agora uma pequena dobra na ponta.

— Você usou a técnica da "Fita de Aurora" para fazer um looping? — perguntou Usopp, incrédulo. — Shary, esse leque é um projeto de engenharia avançada! Se você sobrecarregar a seda com energia estelar só para brincar de avião, ele vai entrar em combustão espontânea!

— Mas Usopp — Shary disse, saindo do abraço de Luffy com um olhar de cachorrinho abandonado —, as crianças da ilha passada adoraram! E o Luffy disse que parecia um dragão de luz!

— Foi incrível! — Luffy confirmou, esticando um braço para dar um joinha. — Faz de novo, Shary!

— Não faz de novo! — gritou Usopp, massageando as têmporas. — Franky e eu passamos semanas ajustando a sensibilidade desse leque. Ele serve para você focar sua energia em lâminas de luz, não para fazer entretenimento infantil!

Shary levantou-se, pegando o leque das mãos de Usopp com uma delicadeza que contrastava com sua força oculta. Ela abriu o objeto com um estalo elegante.

— Tudo bem, Usopp-kun. Eu prometo ser mais cuidadosa. Mas você sabe que a energia da aurora não gosta de ficar presa. Ela quer dançar.

— É, e o navio inteiro quer dormir! — A voz de Nami veio da porta da cozinha. Ela caminhou até eles, cruzando os braços. — Shary, querida, eu fico feliz que você e o Luffy estejam... bem... conectados. Mas se eu ouvir mais um grito de "Gomu Gomu no..." seguido de um estrondo no meio da noite, eu vou cobrar aluguel dobrado de vocês dois!

Luffy soltou uma gargalhada, limpando uma lágrima do canto do olho.

— A Nami está zangada porque o barulho acordou os tesouros dela!

— O barulho acordou até os peixes no fundo do mar, Luffy! — retrucou Nami, embora um sorriso involuntário surgisse em seus lábios. Ver Shary tão integrada ao bando, tão radiante, era algo que todos valorizavam.

Shary sentiu uma pontada de timidez e escondeu-se atrás do leque, seus olhos brilhando com uma luz suave, um sinal de que sua energia estava reagindo às suas emoções.

— Sinto muito, Nami. É que o Luffy... ele é muito entusiasmado.

— Muito entusiasmado? — Sanji apareceu, trazendo uma bandeja com sucos tropicais e pequenos bolinhos de lavanda que ele fizera especialmente para Shary. — O meu coração sangra por você, Shary-swan! Ser levada por esse macaco de borracha... você merece um tratamento de cavalheiro, luz de velas, poesia!

Luffy pegou três bolinhos de uma vez, mastigando ruidosamente.

— Poesia não enche a barriga, Sanji! E a Shary gosta do meu jeito, não é, Shary?

Shary pegou um suco, seus dedos roçando nos de Luffy propositalmente.

— Eu gosto de todos os seus jeitos, Luffy. Especialmente daquele que você usou ontem para...

— SHARY! — Usopp e Nami gritaram ao mesmo tempo, enquanto Sanji caía de joelhos, derrotado pela imagem mental.

A tarde passou entre treinos e risadas. Shary passou um tempo com Robin na biblioteca, compartilhando notas para seu livro. O sonho de Shary era ambicioso: documentar não apenas a geografia do mundo, mas a alma dele — as histórias contadas pelas estrelas e os segredos que a Marinha tentava apagar.

— Você escreve com muita paixão — observou Robin, folheando uma das páginas onde Shary descrevia a sensação de manipular a Aurora.

— É porque eu sinto que, se eu não escrever, essas memórias podem ser roubadas de novo — explicou Shary, sua voz ficando séria por um momento. — Eles queriam que minha energia fosse apenas destruição. Mas aqui, com vocês, eu vejo que a luz pode ser apenas... luz.

Robin sorriu, um toque de compreensão mútua passando entre as duas. Ambas haviam sido perseguidas pelo Governo Mundial, ambas encontraram refúgio sob a bandeira do Chapéu de Palha.

— A luz aqui é livre, Shary. E você também é.

Ao cair da noite, o clima no navio mudou. O desejo que vinha crescendo entre Luffy e Shary desde a festa de casamento não havia diminuído com a noite anterior; pelo contrário, parecia ter ganhado um novo fôlego.

Shary estava na amurada novamente, olhando para o céu que começava a se tingir de tons de roxo e verde — um fenômeno raro que sua própria presença parecia atrair. Ela sentiu a aproximação de Luffy antes mesmo de ouvi-lo. O calor dele era como um farol.

Desta vez, não houve brincadeiras de Usopp ou interrupções de Sanji. O bando, percebendo a eletricidade no ar, deu espaço aos dois. Luffy aproximou-se e, com um movimento fluido, abraçou-a por trás, prendendo-a contra a madeira firme do Sunny.

— As estrelas voltaram — ele sussurrou no ouvido dela, sua voz vibrando em uma nota baixa que fez Shary inclinar a cabeça para trás, expondo a linha de seu pescoço.

— Elas nunca foram embora, Luffy — ela respondeu, fechando os olhos enquanto sentia os lábios dele trilharem um caminho de beijos quentes de sua orelha até o ombro. — Elas só estavam esperando por nós.

Luffy a virou abruptamente, segurando sua cintura com mãos firmes. Ele a olhou nos olhos, e Shary viu ali o capitão, o homem e o amante. Não havia hesitação em Luffy, nunca houve.

— Você é linda, Shary — ele repetiu, as palavras soando como um juramento. — Eu não consigo parar de olhar. E não quero parar de tocar.

Shary sentiu a timidez lutar com o desejo. Ela era espontânea, mas a intensidade de Luffy às vezes a deixava sem palavras.

— Por que... por que você me olha assim? — ela perguntou, a voz quase um suspiro. — Como se eu fosse o maior tesouro do mundo?

— Porque você é — Luffy respondeu, aproximando o rosto do dela. — O One Piece pode ser o maior tesouro do mar, mas você é o meu tesouro aqui, no meu navio.

Ele a beijou. O beijo começou como o da noite anterior, gentil e exploratório, mas rapidamente escalou para algo selvagem. As mãos de Shary subiram para o peitoral de Luffy, agarrando-se à sua camisa, enquanto as mãos dele desceram para a curva de sua bunda, puxando-a para mais perto, eliminando qualquer espaço entre eles.

Shary soltou um gemido baixo, sua energia de aurora começando a emanar de sua pele em pequenas faíscas de luz azul e rosa.

— Luffy... — ela murmurou contra os lábios dele —... todo mundo vai ouvir de novo.

Luffy deu aquele sorriso travesso, o brilho de desafio em seus olhos pretos.

— Deixa eles ouvirem. Eu sou o capitão. Eu faço o barulho que eu quiser!

Ele a pegou no colo com uma facilidade impressionante, e Shary se enroscou nele, escondendo o rosto em seu pescoço enquanto ele a carregava em direção ao quarto.

Dentro do quarto, a luz da aurora que emanava de Shary iluminava o ambiente com um brilho etéreo. Luffy a colocou na cama com uma delicadeza que contrastava com a urgência de seus movimentos seguintes. Ele a despojou de suas roupas como se estivesse abrindo um presente precioso, seus olhos devorando cada curva, cada centímetro de pele macia que cheirava a lavanda.

— Você brilha, Shary... — ele disse, maravilhado, enquanto passava as mãos pelos seios fartos e rosados dela. — É como se você tivesse o sol dentro de você.

— E você é o meu sol, Luffy — ela respondeu, puxando-o para cima de si.

A noite foi uma dança de luz e sombras, de borracha e energia estelar. Luffy era incansável, sua natureza elástica permitindo que ele a explorasse de maneiras que desafiavam a lógica, enquanto Shary se entregava com uma intensidade que fazia o ar ao redor deles vibrar. Seus corpos se moviam em sincronia, um ritmo ditado pelo batimento acelerado de dois corações que finalmente haviam encontrado seu par.

No meio do prazer, Shary sentiu sua energia se expandir, fitas luminosas de aurora preenchendo o quarto, girando ao redor deles como se o próprio universo estivesse celebrando aquela união. Luffy ria entre os beijos, amando a sensação da luz dela contra sua pele quente.

— Mais, Shary! — ele pedia, e ela dava tudo de si.

Do lado de fora, no convés, o silêncio da noite era periodicamente quebrado por sons que faziam os membros do bando revirarem os olhos em seus respectivos quartos.

— Lá vamos nós de novo — resmungou Zoro, colocando um travesseiro sobre a cabeça.

— Eu vou cobrar... eu vou cobrar tanto dinheiro dele amanhã... — murmurou Nami, tentando ignorar o som da cama batendo contra a parede de madeira.

— Pelo menos eles estão felizes — disse Robin para si mesma, fechando seu livro com um sorriso sereno.

Quando o amanhecer finalmente chegou, pintando o céu com as cores reais da aurora, o quarto de Luffy e Shary estava mergulhado em um silêncio exausto e satisfeito. Eles estavam entrelaçados, as pernas de Luffy jogadas sobre as dela, enquanto Shary repousava a cabeça no peito dele, ouvindo o ritmo calmo de seu coração.

Luffy acariciava os cabelos azuis dela, enrolando uma mecha nos dedos.

— Shary?

— Sim, Luffy?

— O que você vai escrever no seu livro hoje?

Shary sorriu, fechando os olhos e sentindo o calor do sol que começava a entrar pela janela.

— Vou escrever que as estrelas não são apenas guias no céu — ela disse suavemente. — Vou escrever que, às vezes, as estrelas descem à terra para encontrar o calor que tanto procuravam. E que eu finalmente encontrei o meu.

Luffy não disse nada, apenas a apertou mais forte e depositou um beijo no topo de sua cabeça. Ele não precisava de palavras complicadas ou de descrições poéticas. Para Luffy, a felicidade era simples: carne, aventura e a mulher que cheirava a lavanda e brilhava como o fim de um sonho e o começo de uma vida inteira.

E, enquanto o Thousand Sunny continuava sua jornada rumo ao desconhecido, a tripulação sabia que, não importava quão perigosa a rota se tornasse, eles sempre teriam a luz da aurora para guiá-los e a força da borracha para protegê-los. Mesmo que isso significasse perder algumas horas de sono todas as noites.