One Piece • O Pirata e sua Estrela
O Jardim de Girassóis e a Marca do Rei
— Shishi! Peguei você, Shary! — gritou Luffy, rindo alto enquanto saltava do mastro principal, com os braços esticados como cordas gigantescas.
Shary Aurora, que estava distraída ajustando o lenço branco em seus cabelos azuis escuros, reagiu por puro instinto. Ela abriu seu leque de seda com um estalo elegante e girou o corpo. Uma fita de energia boreal, brilhando em tons de esmeralda e violeta, serpenteou pelo ar, envolvendo o torso de Luffy antes que ele pudesse atingi-la.
— Não pegou não, Luffy-kun! — ela exclamou, com uma risada espontânea e cristalina. — Você esqueceu que a aurora é mais rápida que a borracha?
Luffy, preso pela fita luminosa, não parecia nem um pouco incomodado. Ele se balançava no ar, achando a sensação da energia morna de Shary fascinante.
— Ah, é? Então toma isso! Gomu Gomu no... — Luffy começou a girar, tentando se desvencilhar, mas Shary apenas saltou para trás, fazendo um movimento de dança.
A luta deles parecia tudo, menos violência. Para quem olhava de fora, era uma coreografia de luz e elasticidade. Usopp, que observava do convés inferior, suspirou pesadamente.
— Lá vão eles de novo — resmungou o atirador. — Shary, cuidado com esse leque! Se você rasgar a seda, eu não vou consertar de graça!
— Deixa eles, Usopp! — gritou Chopper, pulando de alegria. — Eu também quero brincar! Brain Point!
Em poucos minutos, o treino "particular" do casal virou uma bagunça generalizada. Chopper tentava acertar Shary, que desviava com piruetas aéreas, enquanto Zoro, sentado num canto, apenas observava com um olho aberto, rindo por dentro da falta de jeito social da nova companheira. Shary era poderosa, mas sua inocência a tornava um alvo fácil para as piadas do bando.
Enquanto isso, no convés superior, Franky terminava de parafusar uma placa de metal reforçada na porta do quarto do casal. Ele limpou o suor da testa e deu um joinha para Nami.
— Está pronto, Navegadora-san! Usei um isolante acústico de tecnologia super-SUUUUPER avançada! — Franky exclamou, orgulhoso. — Agora o capitão e a Estrela da Aurora podem... bem, você sabe... sem fazer o navio inteiro parecer que está sendo atacado por um Kraken.
— Finalmente! — Nami suspirou, aliviada. — Eu não aguentava mais acordar com o barulho de borracha esticando e a Shary gritando o nome dele. Meus ouvidos agradecem, Franky.
Algumas horas depois, o Sunny ancorou em uma ilha que parecia ter saído de um livro de contos de fadas. Era um lugar calmo, coberto por colinas verdejantes e campos infinitos de flores silvestres. O aroma de lavanda era tão forte que Shary sentiu-se em casa no instante em que desceu a rampa.
— Shary, venha cá! — Nami a chamou, puxando-a para dentro do quarto das garotas. — Hoje é dia de dar um trato nessa aparência. Você é a esposa do capitão agora, precisa de algo especial.
Shary, sempre um pouco atrapalhada com questões de moda, deixou-se levar. Por anos, ela fora apenas uma ferramenta da Marinha, uma sacerdotisa vendida por aqueles que deveriam protegê-la. Ela nunca soube o que era ser "feminina" ou se cuidar apenas por prazer.
Nami começou a pentear os longos cabelos azul-escuros de Shary com uma delicadeza de irmã mais velha, enquanto Robin observava, oferecendo conselhos sobre quais óleos essenciais combinavam melhor com a fragrância natural de lavanda da moça.
— Você tem uma pele linda, Shary — comentou Robin, passando um batom rosado nos lábios da jovem. — Combina com o brilho da sua aurora.
— Eu me sinto... estranha — confessou Shary, olhando-se no espelho enquanto Nami a ajudava a vestir um vestido branco curto, decorado com girassóis amarelos vibrantes. — É tão leve. E as flores são lindas.
— Você está maravilhosa! — Nami exclamou, girando Shary para que ela visse o resultado. O vestido ficava um pouco acima dos joelhos, destacando as coxas torneadas e a silhueta que fazia até o mais forte dos piratas perder o fôlego.
Shary girou diante do espelho, sentindo-se, pela primeira vez, verdadeiramente bonita. Ela abraçou Nami com tanta força que a navegadora quase ficou sem ar.
— Obrigada, Nami-san! Obrigada por me ensinar essas coisas... eu nunca tive ninguém para me mostrar como ser uma mulher.
— Shishi! Só eu posso ensinar essas coisas para você — Nami brincou, retribuindo o abraço. — Porque se dependesse do Luffy, você estaria usando um saco de batatas e comendo carne crua no meio do mato.
Ao descerem para a ilha, a recepção foi calorosa. Shary logo se viu cercada por crianças da vila local. Sua energia era naturalmente atraente para os pequenos; ela fazia pequenas luzes dançarem entre os dedos, criando aviõezinhos de aurora que voavam baixo. As meninas da aldeia, encantadas, colheram lavanda e flores silvestres, trançando uma coroa que colocaram na cabeça de Shary.
— Você parece uma rainha das estrelas! — disse uma garotinha, sorrindo.
Shary estava radiante, desenhando as crianças em seu caderno de anotações, até que uma mão grande e elástica a envolveu pela cintura.
— Shary! Achei você! — Luffy apareceu, puxando-a para cima de seu ombro como se ela fosse um saco de tesouros.
— Luffy-kun! Me coloca no chão, eu sei andar! — ela gritou, rindo e tentando não deixar a coroa de flores cair. — Eu estava brincando com as crianças!
— Depois você brinca! — Luffy disse, com aquela determinação teimosa. — Eu achei um lugar lá em cima da colina. É bonito. Você precisa desenhar para o seu livro!
Ele correu com ela, saltando sobre pedras e atravessando campos, até chegarem a um platô isolado, cercado por girassóis gigantes e com uma vista desimpedida para o mar azul. Luffy a colocou no chão, mas não se afastou.
Shary sentou-se na grama, respirando o ar puro. Ela começou a desenhar a paisagem, mas sentia o olhar de Luffy queimando sobre ela. O capitão não estava olhando para o mar. Ele estava agachado ao lado dela, observando como o batom rosado realçava o sorriso dela e como o vestido branco de girassóis subia um pouco pelas suas coxas enquanto ela se acomodava.
— Shary... — Luffy murmurou, sua voz ficando mais grave. — Você está muito diferente hoje. Mais brilhante.
— A Nami e a Robin me arrumaram — ela disse, ficando vermelha e tentando focar no papel. — Você gostou?
Luffy esticou a mão e tocou a bochecha dela, descendo os dedos até a gola do vestido.
— Eu gostei. Mas eu gosto mais quando você não está usando nada disso.
Shary sentiu as pernas ficarem bambas, mesmo sentada. A ingenuidade dela ainda existia, mas o desejo que Luffy despertava nela era avassalador. Ele a puxou para um beijo intenso, derrubando o caderno de desenhos na grama. Ali mesmo, entre os girassóis e sob o sol da tarde, o capitão dos Chapéus de Palha decidiu que a paisagem era bonita demais para ser apenas desenhada; ela precisava ser celebrada.
Horas depois, o sol já começava a se pôr quando os dois retornaram ao Thousand Sunny.
Nami estava impaciente na amurada, batendo o pé no convés.
— Luffy! Shary! Onde vocês se meteram? Eu avisei que íamos zarpar antes do anoitecer e...
As palavras de Nami morreram na garganta assim que ela viu o estado dos dois.
Luffy caminhava com as mãos atrás da cabeça, ostentando um sorriso de orelha a orelha, parecendo mais satisfeito do que se tivesse acabado de comer um Rei dos Mares inteiro. Mas era Shary quem chamava a atenção.
A Estrela da Aurora estava com o rosto completamente vermelho, caminhando de um jeito um pouco aéreo, como se estivesse em transe. O lindo vestido branco de girassóis, que Nami gastara uma pequena fortuna e horas para preparar, estava amarrotado, manchado de verde de grama e com algumas pétalas presas no tecido. Mais do que isso: as marcas eram evidentes. Chupões e marcas de mordidas leves apareciam nos ombros, na curva do pescoço e até em suas panturrilhas, onde o vestido não cobria.
— Meu... meu vestido... — Nami murmurou, horrorizada. — Luffy, seu idiota! Você arruinou o vestido que eu fiz para ela!
— Ah, Nami, não reclama! — Luffy riu, sem um pingo de remorso. — A grama era fofinha, ela não se importou.
Shary tentou esconder o rosto atrás das mãos, mas Usopp não perdoou.
— Ora, ora, Shary... — o atirador disse, aproximando-se com um sorriso debochado. — Parece que a "observação de estrelas" hoje à tarde foi bem produtiva, hein? Você está parecendo um mapa de guerra de tantas marcas.
Shary demorou alguns segundos para processar a piada. Quando a ficha finalmente caiu, ela tentou dar um tapa no ombro de Usopp, mas seus movimentos estavam lentos e descoordenados.
— O Luffy-kun... ele foi... — ela começou, mas a voz falhou. — Ele foi muito intenso dessa vez. Usopp, você é um lesado por falar essas coisas!
Luffy soltou uma gargalhada alta, passando o braço pelo pescoço de Shary e puxando-a para perto.
— Ela está cansada, Usopp! Shishi!
— Cansada? Ela parece que foi atropelada por um bando de Sea Kings! — exclamou Sanji, saindo da cozinha com um pano de prato na mão, chorando lágrimas dramáticas. — Luffy, seu monstro! Como pôde marcar a pele de seda da Shary-swan desse jeito? Isso é um sacrilégio!
— Chopper! — Luffy gritou, ignorando o cozinheiro. — Leva a Shary para o quarto e dá algum remédio para ela descansar! Ela está meio travada.
O pequeno médico correu até eles, olhando Shary com preocupação clínica.
— Shary! Você está com febre? Suas bochechas estão fervendo! — Chopper tocou a testa dela. — E essas marcas... Luffy, você lutou com ela usando o Gear Fourth?
— Quase isso, Chopper! — Luffy respondeu, rindo enquanto empurrava gentilmente Shary em direção à enfermaria.
Shary deixou-se ser levada, ainda com aquele olhar satisfeito e envergonhado. Ela olhou para trás uma última vez, vendo Luffy acenar para ela antes de começar a pedir comida para Sanji.
— Nami-san... — Shary chamou baixinho, enquanto passava pela navegadora. — Desculpe pelo vestido. Mas... valeu a pena.
Nami suspirou, revirando os olhos, mas não conseguiu esconder um pequeno sorriso de canto.
— Tudo bem, Shary. Só não espere que eu faça outro amanhã. Da próxima vez, peça para o Luffy tirar o vestido antes de te levar para o meio do mato!
— Vou tentar lembrar! — Shary respondeu, com sua espontaneidade de sempre, antes de desaparecer para dentro do navio.
Naquela noite, o Thousand Sunny navegou sob um céu estrelado e silencioso. E, graças ao trabalho "SUUUUPER" de Franky, o bando finalmente conseguiu dormir em paz, enquanto, no quarto do capitão, a Aurora e a Borracha continuavam a escrever sua própria história, longe dos ouvidos de todos, mas bem perto do coração um do outro.