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One Piece • O Pirata e sua Estrela

O Eclipse de Lavanda e o Vapor da Paixão

O sol da manhã no Novo Mundo era generoso, refletindo-se nas ondas com uma intensidade que fazia o Thousand Sunny parecer esculpido em ouro. No convés, o clima era de uma calma rara. Shary Aurora, vestindo um vestido leve de alças finas, inclinava-se sobre o pequeno canteiro que dividia com Nami e Robin. Suas mãos, delicadas mas firmes, cuidavam com carinho de alguns arbustos de lavanda que ela trouxera de uma ilha remota. O aroma floral misturava-se ao cheiro cítrico das laranjeiras de Nami e às flores exóticas de Robin, criando um refúgio perfumado no meio do oceano.

— Elas estão crescendo bem, não estão? — perguntou Shary para ninguém em particular, sorrindo ao sentir a textura das folhas.

— Estão lindas, Shary-san — comentou Robin, que lia um livro sentada em uma cadeira de balanço próxima. — Parece que o seu dom da aurora também nutre a vida ao seu redor.

Shary corou levemente, agradecendo com um aceno. Ela aproveitou que Luffy estava ocupado no convés inferior, tentando pescar algo gigantesco junto com Usopp e Chopper, e decidiu que aquele seria o seu dia. Um dia para si mesma. Ela subiu até o ninho do corvo, carregando seu precioso caderno de desenhos e uma pena nova que Sanji lhe dera.

Lá em cima, o calor do sol era mais direto. Shary sentou-se no chão de madeira, sentindo a brisa bagunçar seus cabelos azuis escuros. Ela abriu o caderno e começou a escrever. Queria registrar as histórias que ouvira de Jinbe naquela manhã sobre a Ilha dos Homens-Peixe. O timoneiro falara sobre a Princesa Shirahoshi e como ela podia convocar os Reis dos Mares, uma herança de poder que ressoava com a própria natureza de Shary como Estrela da Aurora.

— Duas herdeiras de tronos tão diferentes, mas ligadas pelo mar — murmurou ela, traçando o desenho de uma sereia gigante ao lado de uma constelação.

A manhã passou voando. Shary divertiu-se com as cantadas poéticas de Sanji quando ele subiu para lhe entregar um chá gelado, e riu das piadas de Brook, que tentou compor uma sonata em sua homenagem (embora a letra tenha descambado para perguntas sobre suas roupas de baixo, o que lhe rendeu um chute de Nami vindo do convés). Era bom ser parte daquela família. Ela se sentia amada, segura e, pela primeira vez na vida, livre.

No entanto, conforme o início da tarde chegava, um sentimento diferente começou a borbulhar em seu peito. Shary sentia-se carente. Desde que se casaram por juramento, a presença física de Luffy tornara-se uma necessidade quase biológica. Ela sentia falta do calor constante dele, do cheiro de aventura e borracha que ele exalava. Mesmo sendo nova naquela intimidade, a conexão entre eles era tão intensa que parecia que se conheciam há décadas.

— Acho que um banho vai me ajudar a esfriar a cabeça — pensou ela, sentindo a pele pinicar sob o sol.

Shary desceu do ninho do corvo e dirigiu-se ao banheiro principal do navio. O ambiente era amplo, com uma banheira grande e muito vapor. Ela tirou o vestido, deixando-o cair no chão, e entrou sob o chuveiro. A água morna começou a escorrer por seu corpo, mas, em vez de relaxar, seus pensamentos traíram sua vontade.

Ao fechar os olhos, ela não viu as estrelas ou as plantas. Viu o sorriso largo de Luffy. Viu o olhar intenso e escuro que ele assumia quando a desejava, um olhar que a fazia sentir-se a única mulher no mundo. Shary começou a se ensaboar, suas mãos deslizando pela pele macia. Ao tocar os próprios seios, sentindo a sensibilidade dos bicos rosados que Luffy tanto amava, ela soltou um suspiro pesado.

— Luffy... — sussurrou ela, sentindo um calor úmido crescer em seu ventre.

Ela deslizou a mão para baixo, tentando buscar algum alívio para a tensão que a consumia, mas a frustração era maior. Ela queria o toque dele. Queria aquela força indomável que só o capitão possuía.

Nesse exato momento, a maçaneta da porta girou. Shary congelou. Luffy, que por um milagre ou por puro instinto, decidira que aquele seria o seu dia de banho semanal, entrou no recinto sem cerimônias. Ele estava suado, com restos de farinha no cabelo por causa de alguma brincadeira na cozinha, e carregava uma toalha jogada no ombro.

— Ah, Shary! Você já está aqui! — exclamou ele, com a naturalidade de quem entrava em sua própria cabine.

Shary não se cobriu. Não havia mais segredos entre eles, mas a visão dele ali, tão másculo e despreocupado, fez o coração dela disparar.

— Luffy-kun... eu achei que você estivesse com o Usopp.

— O Usopp caiu no mar e a Nami mandou ele se virar — Luffy riu, começando a tirar os shorts. — Eu estou todo sujo, Shary! A gente tentou fazer uma torta gigante, mas ela explodiu. Foi muito engraçado!

Ele entrou no box do chuveiro com ela. Luffy começou a contar as peripécias do dia, falando sobre como quase pegaram um peixe azul brilhante e como Zoro se perdeu tentando achar a cozinha. Shary tentava prestar atenção, mas seus olhos estavam fixos nos peitorais molhados dele. A água escorria pela cicatriz em forma de X, destacando os músculos definidos. O cabelo dele, grudado na testa, dava-lhe um ar selvagem que ela adorava.

— E você, Shary? Fez o quê? — perguntou ele, pegando o sabonete.

— Eu... eu escrevi um pouco — disse ela, a voz falhando. — E cuidei das plantas. Mas, Luffy-kun... eu senti sua falta.

Luffy parou de falar. Ele olhou para ela e viu o brilho diferente em seus olhos castanhos avermelhados. Ele largou o sabonete, e o sorriso brincalhão deu lugar a algo muito mais profundo.

— Você está carente, Shary? — perguntou ele, aproximando-se.

— Estou — confessou ela, dando um passo à frente e colando seu corpo ao dele.

— Eu também — admitiu Luffy, sua voz ficando rouca. — Eu estava tentando me distrair, mas o seu cheiro de lavanda está em todo o navio hoje.

Ele esticou o braço, que se alongou de forma sobrenatural apenas para alcançar a tranca da porta, fechando-os naquele mundo de vapor e água. Luffy a puxou para um beijo urgente. Não era o beijo gentil de um início de manhã; era o beijo de dois piratas que haviam conquistado o Novo Mundo e agora queriam conquistar um ao outro.

As mãos de Luffy, grandes e quentes, percorreram as costas de Shary, puxando-a para mais perto. A pele dela, escorregadia pelo sabão e pela água, parecia brilhar sob a luz fraca do banheiro.

— Você é linda, Shary... — murmurou ele contra o pescoço dela, enquanto a prendia contra a parede de azulejos. — Linda demais para eu não te tocar.

Shary envolveu as pernas na cintura dele, sentindo a firmeza dos músculos de Luffy. Ele a possuiu ali mesmo, sob o fluxo constante da água quente. Os movimentos eram rítmicos e intensos, fazendo a água espalhar-se por todo o chão do banheiro. Shary soltava gemidos altos, sua energia de aurora manifestando-se em pequenas faíscas que iluminavam o vapor, criando um espetáculo de luzes proibidas dentro do cubículo.

Luffy era incansável. Ele a girou, explorando cada ângulo do corpo dela, deliciando-se com a forma como ela reagia a cada toque seu. O som da água batendo no chão misturava-se aos sons da paixão deles, um eco que, infelizmente para o resto da tripulação, não ficava restrito apenas àquelas quatro paredes.

Horas depois, quando o sol já começava a se pôr, o bando reuniu-se na cozinha para o jantar. O clima estava... estranho. Sanji servia a comida com uma expressão de profunda desilusão, enquanto Usopp e Chopper evitavam olhar para a porta.

Quando Luffy e Shary entraram, ambos com os cabelos úmidos e uma expressão de satisfação radiante, o silêncio foi quebrado por um suspiro pesado de Nami.

— Vocês dois... — começou a navegadora, batendo o garfo no prato — ... não têm um pingo de decência?

— O que foi, Nami? — perguntou Luffy, sentando-se e pegando um pedaço enorme de carne. — Eu tomei banho, não foi? Você sempre reclama que eu não tomo banho!

— O problema não é o banho, seu idiota de borracha! — gritou Usopp, o rosto vermelho. — O problema é que o banheiro fica do lado da cozinha! Eu estava tentando lanchar e parecia que o navio estava sendo atacado por um monstro marinho que gritava o nome da Shary!

Shary sentiu o rosto queimar tanto que achou que sua energia de aurora fosse entrar em combustão espontânea. Ela sentou-se silenciosamente, tentando focar em sua sopa.

— Yohohoho! — Brook soltou sua risada característica. — Foi uma sinfonia aquática muito interessante, Shary-san. Embora eu não tenha ouvidos para escutar... ah, mas eu tenho!

— Eu só queria usar o banheiro para lavar as mãos — resmungou Zoro, bebendo seu saquê —, mas desisti quando vi que a porta estava trancada e o vapor estava saindo pelas frestas com cores de arco-íris.

— Peço desculpas a todos — disse Shary, a voz sumida, sem coragem de levantar os olhos do prato.

Luffy, porém, soltou uma de suas gargalhadas clássicas, limpando a boca com as costas da mão.

— Ah, parem de reclamar! A Shary estava carente e eu sou o capitão, tenho que cuidar do meu bando, não é?

— Não desse jeito! — gritaram Usopp e Sanji ao mesmo tempo.

— De qualquer forma — disse Jinbe, tentando trazer alguma ordem à mesa —, fico feliz que estejam bem. Mas, capitão, talvez da próxima vez... usem o quarto. O isolamento do Franky é melhor lá.

— SUUUUPER verdade! — exclamou o ciborgue, fazendo sua pose. — Eu gastei muito metal reforçado naquela porta do quarto para vocês desperdiçarem o esforço no chuveiro!

Shary olhou para Luffy, que apenas piscou para ela e roubou um pedaço de pão do seu prato. Ela sorriu, sentindo o coração leve. Sim, eles eram barulhentos, eram bagunçados e não tinham o menor senso de privacidade, mas eram a sua família. E Luffy... Luffy era o seu porto seguro, o homem que transformava até um simples banho em uma aventura épica.

Naquela noite, sob o céu estrelado do Novo Mundo, Shary voltou ao seu caderno. Ela não escreveu sobre princesas sereias ou constelações distantes. Escreveu sobre o calor da borracha, o som da água e como, no meio do caos de um bando de piratas, ela finalmente encontrara o seu trono: nos braços de um rei que não precisava de coroas, apenas do seu sorriso.