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One Piece • O Pirata e sua Estrela

O Sorvete de Lavanda e a Revanche do Rei

O sol mal havia cruzado a linha do horizonte quando o Thousand Sunny se tornou o palco de uma das cenas mais comuns e, ao mesmo tempo, caóticas da Grand Line. Shary Aurora estava sentada no convés, concentrada em retocar as estrelas em seu caderno de desenhos, quando sentiu um puxão familiar em seu lenço branco.

— Luffy! — exclamou Shary, sentindo seu penteado — que Nami levara quase uma hora para prender em um coque elegante — desmoronar sobre os ombros. — Meu cabelo!

Nami, que passava com um cesto de roupas, parou abruptamente. Suas sobrancelhas tremeram.

— Shary... — a navegadora disse com uma voz perigosamente calma. — Eu acabei de gastar meu precioso tempo disciplinando esses fios rebeldes.

— Desculpe, Nami-san! Foi o Luffy, ele... — Shary tentou se explicar, mas a interrupção veio na forma de um capitão saltitante.

— Shishi! Shary, você fica mais bonita com o cabelo solto, parece uma nuvem de aurora! — Luffy riu, sem notar a aura sombria que emanava de Nami.

Nami deu um passo à frente. Os meninos ao redor — Usopp e Chopper — encolheram-se, esperando o soco devastador que mandaria Luffy para o outro lado do navio. No entanto, Nami apenas deu um peteleco na testa de Shary e um empurrão leve em Luffy.

— Ei! — Usopp reclamou. — Por que ela só levou um peteleco? Quando sou eu, você quase arranca minha cabeça!

— É injusto! — Chopper choramingou. — A Shary é a protegida agora?

Shary, porém, não se sentiu aliviada. Ela olhou para o chão, os olhos castanhos avermelhados cheios de uma culpa genuína e desproporcional.

— Eu estraguei o trabalho da Nami-san... eu sou tão atrapalhada... — Shary murmurou, sentindo-se a pior pessoa do mundo.

Nami suspirou, percebendo que a sensibilidade de Shary era um terreno delicado. Ela olhou para Sanji, que já estava na porta da cozinha, observando tudo com o coração nos olhos.

— Sanji! — Nami ordenou. — Traga o "Remédio de Emergência para Estrelas Tristes".

Minutos depois, Sanji surgiu com uma taça de cristal lapidado. Dentro, um sorvete artesanal de cor lilás suave, decorado com pétalas de lavanda cristalizadas e uma calda de açúcar que brilhava como pó de estrela.

— Para a minha deusa da luz — Sanji disse, curvando-se. — Sorvete de lavanda real, feito para acalmar a alma e adoçar o espírito.

Shary brilhou instantaneamente. Ela pegou a colher e provou, soltando um suspiro de satisfação que quase fez Sanji desmaiar de alegria. Mas a paz durou exatamente três segundos.

Uma mão elástica atravessou o convés, vinda do mastro principal, e capturou a taça das mãos de Shary.

— Hmmm! Cheira bem! — Luffy exclamou, já enfiando uma colherada gigante na boca. — É gelado!

O convés ficou em silêncio absoluto. Shary, a "anjinho" do bando, a mulher que nunca perdia a calma com as mentiras de Usopp, sentiu uma veia saltar em sua testa.

— Monkey D. Luffy... — a voz dela saiu baixa, mas carregada de uma energia estática que fez os pelos dos braços de Zoro se arrepiarem.

— O quê? Estava uma delí... — Luffy não terminou a frase.

Shary saltou com uma agilidade que ninguém esperava. Ela não usou o leque, nem sua energia de aurora. Ela simplesmente fechou o punho e acertou o topo da cabeça de Luffy com um soco que ressoou como um tiro de canhão.

— MEU SORVETE! — ela gritou.

Luffy foi enterrado no gramado do convés, com as pernas para cima. O bando inteiro ficou boquiaberto.

— Ela... ela bateu no Luffy? — Usopp sussurrou, aterrorizado. — E doeu?

— O Haki dela é... espontâneo? — Zoro comentou, impressionado.

Luffy saiu do buraco com um galo enorme na cabeça, esfregando o local com lágrimas nos olhos.

— Shary! Por que você fez isso? Eu só queria um pedaço!

— Você roubou o sorvete que a Nami-san pediu para mim! — Shary cruzou os braços, bufando, parecendo uma criança brava e adorável ao mesmo tempo.

Luffy, no entanto, parecia ter a memória de um peixinho dourado para dor. Assim que a confusão do sorvete passou, ele mudou o foco. Durante o resto da manhã, ele tentou, por cinco vezes diferentes, levar Shary para algum canto isolado do navio.

A primeira foi atrás do aquário.

— Shary, vem ver esse peixe esquisito aqui... — ele sussurrou, puxando-a pela cintura e começando a beijar seu pescoço.

— Luffy-kun, agora não... — ela começou a ceder, mas a voz de Jimbe ecoou:

— Capitão! Corrente de ar à frente, precisamos ajustar as velas!

A segunda tentativa foi no ninho do corvo. Luffy a prendeu contra a parede de madeira, as mãos já descendo para a curva de sua bunda.

— Finalmente sozinhos... — ele murmurou.

— LUFFY! — gritou Chopper lá de baixo. — O USOPP EXPLODIU A OFICINA E ESTÁ PEGANDO FOGO!

E assim seguiu o dia. Interrupções de emergência, ataques de fome de Luffy, ou simplesmente Nami chamando Shary para ajudar com os mapas. Ao cair da noite, Shary, exausta e um pouco frustrada pelas interrupções, tomou uma decisão.

— Luffy-kun, hoje eu vou dormir no quarto das meninas — anunciou ela, enquanto o bando jantava. — Nami e Robin querem planejar a próxima rota e vamos fazer uma noite de garotas.

Luffy parou de mastigar o osso de galinha. Ele olhou para ela, processou a informação e, para a surpresa de todos, apenas deu de ombros.

— Tudo bem. Eu vou dormir com os caras então. Tem muito tempo que eu não ganho do Usopp no braço de ferro.

Quando Luffy entrou no quarto dos homens, o interrogatório começou.

— Você levou um chute da Shary, não foi? — Usopp perguntou, rindo. — Ela cansou de você ser um chiclete!

— Finalmente você voltou a ser humilde, Luffy — brincou Zoro.

— Shary-swan é uma mulher sábia! — Sanji exclamou, dançando. — Ela percebeu que precisa de distância desse capitão bárbaro para manter sua santidade! Ela merece alguém melhor ao lado dela na cama!

— Esse alguém não é você, Sanji — disseram todos os outros em coro.

No dia seguinte, o navio ancorou em uma ilha tropical exuberante. O ciclo recomeçou. Luffy tentava roubar a comida de Shary, Shary reclamava, e Luffy tentava — sem sucesso — arrastá-la para as cavernas da ilha.

— Shary! Vem brincar! — gritaram as crianças da vila local, correndo em direção à mulher de cabelos azuis.

Shary esqueceu Luffy no mesmo instante. Ela correu para o meio das crianças, usando sua energia de aurora para criar borboletas de luz que voavam ao redor delas. Ela ria, pulava e girava, parecendo ter a mesma idade mental dos pequenos.

— Ela é realmente um anjo — murmurou Usopp, enquanto trabalhava em seu leque.

Shary voltou para perto dele mais tarde, entregando o leque de seda para ajustes.

— Usopp, ele está fazendo um barulho estranho quando eu canalizo a luz — explicou ela.

— Deixe comigo! Vou colocar um pouco de pólvora de baixa densidade para dar um efeito de brilho extra — Usopp disse, entusiasmado.

Chopper aproximou-se para ajudar com alguns reagentes químicos. O resultado foi uma explosão imediata que cobriu os três de fuligem preta.

— MEU VESTIDO! — gritou Nami ao ver a cena. — Shary, você está parecendo um carvão! Venha agora para o banho!

Nami arrastou Shary e a preparou para o jantar. Quando Shary saiu da cabine, o bando inteiro parou. Ela usava um vestido branco imaculado, com um laço de fita azul-escuro na cintura que combinava com seus cabelos. Seus saltos vermelhos estalavam na madeira do convés.

— Você está deslumbrante, Shary-swan! — Sanji jorrou sangue pelo nariz.

Nami, porém, franziu o cenho enquanto olhava para o busto de Shary.

— Shary... por que seus seios estão tão... protuberantes hoje? — Nami perguntou, intrigada. — Esse vestido não é tão apertado assim.

Shary olhou para baixo, tocando o próprio peito com naturalidade.

— Ah! É que eu estava com tanta pressa depois do banho que esqueci de colocar o sutiã. Incomoda muito para lutar, sabe?

O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo som de Sanji atingindo o chão após um jato de sangue massivo.

Luffy, que estivera quieto e emburrado por ter sido ignorado o dia todo, levantou-se lentamente. Ele terminou sua montanha de carne em uma única bocada e olhou para o bando com um olhar que faria um Almirante da Marinha tremer.

— Escutem aqui — Luffy disse, a voz num tom baixo e perigoso. — Eu tentei ser legal o dia todo. Mas agora, se alguém me interromper, vai levar um soco que vai mandar vocês direto para o All Blue.

Sem esperar resposta, ele agarrou Shary pela cintura e a jogou sobre o ombro.

— Luffy! Eu já disse que sei andar! — ela gritou, batendo em suas costas, mas ele não parou até chegar ao quarto e trancar a porta com um estrondo.

Lá dentro, a atmosfera mudou instantaneamente. Luffy a colocou no chão, mas não a soltou. Suas mãos subiram para o rosto dela, e o beijo que se seguiu foi faminto, selvagem e carregado de uma frustração acumulada.

— Eu não aguentava mais... — Luffy murmurou contra os lábios dela, as mãos descendo e encontrando a maciez dos seios dela por baixo do tecido branco. — Por que você faz isso comigo, Shary? Sem sutiã?

Shary soltou um suspiro trêmulo, sentindo o calor das mãos de Luffy contra sua pele.

— Eu não fiz por mal... eu só... — ela foi interrompida por outro beijo, este mais profundo, que a fez segurar-se no peitoral firme dele.

Luffy a levou para a cama, deliciando-se com o fato de que, desta vez, não havia emergências. Ele explorou cada curva dela com uma curiosidade devota.

— Eu tentei o dia todo — Luffy reclamou, enquanto desamarrava o laço azul da cintura dela. — No aquário, no mastro... todo mundo ficava chamando.

— Eu sei, Luffy-kun... — Shary riu baixinho, a timidez dando lugar ao desejo. — Mas agora somos só nós.

Luffy experimentou várias formas de amá-la naquela noite. Ele era criativo, usando sua elasticidade para posições que faziam Shary soltar gritos que certamente atravessavam as paredes, apesar do esforço de Franky. Em um momento, ele a segurava pelos quadris, em outro, ele a envolvia completamente com seu corpo de borracha, sentindo a energia da aurora dela aquecer o quarto.

— Luffy... você é... demais... — ela arquejou, as unhas cravadas nas costas dele.

— E você é minha — ele respondeu, selando a promessa com um beijo final antes que ambos caíssem na exaustão.

Na manhã seguinte, Sanji estava na cozinha, com olheiras profundas e uma expressão de luto.

— Ela voltou para ele... — o cozinheiro murmurou. — A minha estrela foi corrompida novamente pelo capitão idiota.

Luffy entrou na cozinha pouco depois, radiante. Ele parecia ter crescido dois centímetros e brilhava de satisfação.

— Bom dia! — ele exclamou, sentando-se.

— E aí, Luffy? — Usopp provocou. — Não foi chutado da cama dessa vez?

— Cala a boca, Usopp! — Luffy retrucou, começando uma briga infantil de puxões de bochecha que logo envolveu metade da mesa.

Shary entrou logo em seguida. Ela caminhava de um jeito um pouco rígido e, ao sentar-se na cadeira, soltou um gemido audível de desconforto.

— Ai... — ela murmurou, ajeitando-se.

Nami olhou para ela e deu um sorrisinho de lado, soltando uma risadinha baixa.

— Noite longa, Shary?

Shary olhou para Nami, depois para Luffy, que estava tentando enfiar um garfo inteiro de panquecas na boca. Ela suspirou, sentindo o rosto queimar.

— Aquele... aquele lesado do Luffy não tem limites — ela disse, sendo a primeira vez que o bando a ouvia xingar o capitão. — Ele é um bruto... um borracha sem noção.

Luffy parou de comer e olhou para ela, confuso.

— Mas você disse que gostou quando eu fiz aquela coisa com a...

— CALA A BOCA, LUFFY! — ela gritou, jogando um pedaço de pão na cara dele.

O bando caiu na gargalhada. A vida no Thousand Sunny voltava ao normal. Entre socos por sorvete, explosões de pólvora e noites de aurora, Shary Aurora sabia que, apesar de reclamar, ela não trocaria seu capitão lesado e seu bando barulhento por nenhuma constelação de paz no universo. Ela era uma pirata, a esposa do futuro Rei, e sua história estava apenas começando a ser escrita nas estrelas.