Opostos
Sinfonia de Pele e Suor
O ar no quarto 402 parecia ter mudado de densidade. Não era mais apenas o oxigênio compartilhado entre dois estudantes; era algo carregado, elétrico, como a estática que precede uma tempestade de verão. Desde que voltaram do jantar com Helena, o silêncio que Benjamin tanto prezava não era mais uma ausência de som, mas sim uma presença vibrante que clamava por ser preenchida.
Scott jogou a jaqueta em qualquer canto, os movimentos rápidos traindo uma adrenalina que não tinha mais nada a ver com o confronto no restaurante. Ele se virou para Benjamin, que ainda estava parado perto da porta, a figura imponente bloqueando a saída como se fosse uma sentinela. A luz suave do abajur de cabeceira realçava o verde profundo dos olhos de Benjamin, que agora pareciam duas brasas em meio à penumbra.
— Você não tem ideia do que fez hoje, não é? — Scott quebrou o silêncio, sua voz um pouco mais rouca do que o normal.
Benjamin deu um passo à frente, a presença física dele fazendo o espaço de Scott encolher.
— Eu fiz o que precisava ser feito. Ninguém fala de você daquela maneira na minha frente.
Scott soltou uma risada curta, mas não havia deboche. Ele caminhou até Benjamin e espalmou as mãos no peito largo do maior, sentindo a rigidez dos músculos por baixo da camisa social preta.
— Você me defendeu como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo, Ben. E depois de tudo o que você disse... eu não acho que consigo simplesmente deitar e dormir.
Benjamin sentiu o calor das mãos de Scott atravessar o tecido. Sua disciplina, aquela muralha que ele construíra tijolo por tijolo durante anos, estava desmoronando sob o toque de dedos que sabiam exatamente como tirar música de cordas de aço. Ele segurou os pulsos de Scott, seus dedos longos circulando-os com facilidade.
— Scott — ele avisou, a voz vibrando no peito como um rosnado baixo —, se continuarmos com isso, eu não vou conseguir parar. Minha paciência tem limites, e você passou todos eles hoje à noite.
Scott deu um sorriso desafiador, inclinando a cabeça para trás para encarar o gigante.
— Quem disse que eu quero que você pare? Eu passei a noite toda vendo você ser o homem mais foda daquele lugar. Agora eu quero o Benjamin que só eu conheço. O Benjamin que perde o controle.
Benjamin não precisou de mais nenhum convite. Ele soltou os pulsos de Scott apenas para envolver a cintura do loiro e puxá-lo para cima com uma força súbita. Scott soltou um arquejo de surpresa quando seus pés deixaram o chão, instintivamente entrelaçando as pernas ao redor dos quadris largos de Benjamin. O contraste era absoluto: a delicadeza ágil de Scott fundida à solidez monumental de Benjamin.
O beijo que se seguiu foi urgente, quase violento em sua necessidade. Benjamin pressionou Scott contra a parede ao lado da porta, o impacto fazendo os quadros de bandas de rock tremerem. Não era mais o beijo cuidadoso de semanas atrás; era uma reivindicação. A língua de Benjamin explorava a boca de Scott com uma autoridade que fazia os dedos do loiro se enterrarem desesperadamente nos cabelos pretos e longos do mais velho, puxando o coque até que o elástico cedesse e os fios caíssem como uma cascata sombria ao redor deles.
— O quarto... a cama — Scott conseguiu ofegar entre os beijos, a respiração vindo em jatos curtos.
Benjamin o carregou sem esforço, como se Scott não pesasse nada, e o depositou no centro da cama de casal que ocupava a maior parte do lado de Benjamin no quarto. Antes que Scott pudesse se acomodar, Benjamin estava sobre ele, cercando-o com seus braços poderosos.
As mãos de Benjamin começaram a trabalhar nos botões da camisa social de Scott. Seus dedos, geralmente tão precisos e calmos, tremiam levemente. Ele estava faminto. Quando a camisa foi aberta, revelando a pele pálida e as sardas que se estendiam dos ombros até o peito, Benjamin parou por um segundo, admirando a visão.
— Você é perfeito — Benjamin murmurou, a voz soando como um trovão distante. — Cada linha, cada curva.
— Menos conversa, Gigante — Scott provocou, embora seus olhos estivessem nublados pelo desejo. — Me faz esquecer o resto do mundo.
Benjamin baixou a cabeça, sua boca encontrando a pele quente do pescoço de Scott. Ele não apenas beijava; ele marcava. Seus dentes raspavam levemente na clavícula de Scott, provocando arrepios que faziam o loiro arquear as costas. As mãos de Benjamin desceram para o cós da calça de Scott, livrando-o da peça com uma agilidade que vinha da urgência.
Quando ambos estavam nus, o contraste de suas peles sob a luz âmbar era uma obra de arte. O pardo profundo de Benjamin contra o marfim de Scott. O corpo de Benjamin era uma sinfonia de ferro e esforço, cada músculo definido, cada veia contando a história de sua disciplina. Scott era a melodia fluida, suave e vibrante.
Benjamin posicionou-se entre as pernas de Scott, sentindo o calor irradiar do corpo menor. Ele acariciou o rosto de Scott, o polegar traçando o lábio inferior que estava inchado dos beijos.
— Eu vou ser cuidadoso — Benjamin prometeu, embora seus olhos verdes estivessem escuros, quase pretos de luxúria.
— Não seja — Scott respondeu, puxando Benjamin para baixo pelo pescoço. — Eu quero sentir tudo. Quero sentir o seu peso, a sua força. Quero que você me mostre exatamente o quanto me quer.
Benjamin cedeu ao pedido. Ele mergulhou em Scott com uma intensidade que fez o loiro soltar um grito abafado contra o seu ombro. Era demais e, ao mesmo tempo, era exatamente o que ambos precisavam. Benjamin começou a se mover, um ritmo lento e deliberado no início, como se estivesse testando a resistência de um material precioso.
— Ben... — Scott gemia, o nome saindo como uma prece. Seus dedos arranhavam as costas largas de Benjamin, deixando trilhas vermelhas que se destacavam na pele escura. — Mais... por favor.
O controle de Benjamin, sua característica mais marcante, finalmente se partiu. Ele acelerou o ritmo, seus movimentos tornando-se poderosos e profundos. O som da respiração pesada de Benjamin misturava-se aos gemidos agudos de Scott, criando uma cacofonia que abafava o som da chuva que voltara a cair lá fora.
— Você é meu, Scott — Benjamin rosnou perto do ouvido dele, as mãos grandes prendendo as de Scott contra o colchão, os dedos entrelaçados com força. — Só meu. Entendeu?
— Sim... — Scott respondeu, a voz falhando enquanto ele se perdia nas sensações. — Sempre fui seu. Desde a primeira vez que você reclamou da minha música.
Benjamin sorriu, um sorriso predatório e amoroso ao mesmo tempo. Ele se inclinou para beijar Scott novamente, um beijo que tinha gosto de suor e entrega total. A cada estocada, Benjamin sentia como se estivesse fundindo sua alma à de Scott. Não era apenas sexo; era a derrubada de todas as barreiras que ele havia construído para se proteger do mundo. Ali, com Scott, ele não precisava ser o instrutor sério, o estudante exemplar ou o órfão abandonado. Ele era apenas um homem amando outro com toda a força de seus dois metros de altura.
A tensão no quarto atingiu o ápice. Scott apertou as pernas ao redor da cintura de Benjamin, puxando-o para mais perto, querendo cada centímetro dele. O prazer era uma onda avassaladora que ameaçava afogá-los. Benjamin sentiu o corpo de Scott tensionar sob o seu, os espasmos do clímax começando a tomar conta do loiro.
— Ben! — Scott gritou, o som sendo abafado pelo pescoço de Benjamin, onde ele enterrou o rosto.
Benjamin seguiu logo atrás, um rugido escapando de sua garganta enquanto ele se entregava completamente, despejando toda a sua paixão e sua proteção em Scott. Por alguns segundos, o mundo parou de girar. Não havia faculdade, não havia Helena, não havia amanhã. Havia apenas o pulsar rítmico de dois corações que haviam encontrado seu compasso.
Lentamente, a respiração de ambos começou a se acalmar. Benjamin não se afastou imediatamente; ele permaneceu sobre Scott, distribuindo beijos suaves nas têmporas e nas bochechas do loiro, que agora parecia estar em um estado de êxtase letárgico.
— Você está bem? — Benjamin perguntou, a voz voltando ao seu tom baixo e aveludado.
Scott soltou um suspiro longo, um sorriso preguiçoso surgindo em seus lábios.
— Eu acho que meus ossos viraram geleia. Você é um exagero, Benjamin. Em tudo.
Benjamin riu, saindo de cima de Scott com cuidado e deitando-se ao lado dele, puxando o lençol para cobri-los enquanto o ar condicionado começava a esfriar o suor em suas peles. Scott imediatamente se aconchegou no espaço entre o braço e o peito de Benjamin, usando o peitoral dele como travesseiro.
— Eu avisei que você não sabia no que estava se metendo — brincou Benjamin, passando a mão pelos cabelos loiros de Scott, desembaraçando os nós com paciência.
— Eu sabia exatamente — rebateu Scott, fechando os olhos. — Eu só não sabia que o silêncio podia ser tão barulhento quando você decide falar.
Eles ficaram ali por um longo tempo, apenas ouvindo o som da chuva e a batida constante do coração um do outro. O quarto 402, que já tinha visto tantas discussões sobre horários de estudo, proteínas e solos de guitarra, agora era o santuário de algo muito maior.
— Ben? — Scott chamou baixinho, quando o sono já começava a reclamar seu território.
— Oi.
— Amanhã... quando minha mãe ligar pra dizer que eu estou deserdado... você ainda vai me obrigar a fazer aquele treino de perna?
Benjamin sorriu na escuridão, dando um beijo no topo da cabeça de Scott.
— Especialmente amanhã, Scott. Você vai precisar de pernas fortes para aguentar o peso de ser o melhor guitarrista que esse país já viu. E eu vou estar lá para segurar a barra para você. Literalmente.
Scott soltou uma risada abafada contra o peito de Benjamin.
— Você é um brega, Gigante. Mas é o meu brega.
— Durma, Scott.
Enquanto o loiro adormecia, Benjamin ficou olhando para o teto por mais alguns minutos. Ele percebeu que, pela primeira vez em sua vida, o controle não era o que o mantinha seguro. O que o mantinha seguro era aquele garoto barulhento e rebelde que havia invadido sua rotina e transformado sua vida em uma música que ele nunca queria parar de ouvir. A montanha e o raio haviam finalmente encontrado o seu lugar na mesma tempestade.