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Orchestria

Sinfonia de Faíscas e Sombras

O som abafado de uma explosão distante — provavelmente Howard tentando pescar com granadas de concussão — ecoou pelas paredes de madeira da casa de praia, mas para Clary e Tabitha, o mundo exterior era apenas um ruído branco irrelevante. O ar dentro do quarto estava espesso, carregado com o cheiro de sal, protetor solar e a eletricidade estática que parecia emanar da pele de Tabitha sempre que ela estava excitada.

Clary não permitiu que o momento de ternura após o primeiro ápice durasse o suficiente para que o calor esfriasse. Ela era uma estrategista, e sabia que o corpo de Tabitha era um território que exigia uma exploração contínua e implacável.

— Você acha que terminou, Tabby? — Clary sussurrou, sua voz era um ronronar perigoso, a ironia habitual dando lugar a uma urgência mais sombria. — Eu disse que você confia demais. E eu ainda não explorei todas as suas vulnerabilidades hoje.

Tabitha soltou uma risada curta, que rapidamente se transformou em um arquejo quando Clary a puxou novamente para o centro do colchão.

— Eu sou um livro aberto para você, Clary — Tabitha disse, os olhos brilhando com aquela mistura de inocência e desejo desenfreado. — Mas você... você é um código que eu amo tentar quebrar.

Clary não respondeu com palavras. Ela se posicionou sobre Tabitha, prendendo os pulsos da loira acima da cabeça com apenas uma das mãos. A força de Clary não era apenas física; era a autoridade de quem comandava uma equipe de seres cósmicos, transmutada agora em domínio absoluto. Com a mão livre, ela traçou o contorno dos seios de Tabitha, observando como os mamilos se arrepiavam instantaneamente sob seu toque frio e calculado.

— Você é tão expressiva — Clary comentou, observando o rosto de Tabitha se contorcer em prazer antecipado. — Cada pensamento seu está escrito na sua pele. É patético. E é absolutamente viciante.

— Então me vicia logo — Tabitha desafiou, tentando soltar um dos pulsos para envolver o pescoço de Clary, mas a líder apertou o aperto, mantendo-a subjugada. — Menos conversa, mais... cabum, Chefe.

Clary sorriu, aquele sorriso raro que nunca chegava aos olhos quando ela estava em missão, mas que agora queimava com uma intensidade predatória. Ela desceu o corpo, beijando o sulco entre os seios de Tabitha, descendo lentamente, deixando um rastro de mordidas leves e sucções que faziam a loira gemer alto, sem se importar se Norrin Radd ou Korg podiam ouvir do lado de fora.

Quando a boca de Clary encontrou novamente a intimidade de Tabitha, a loira perdeu qualquer resquício de controle. Clary era metódica. Ela usava a língua com uma pressão constante, circulando o clitóris de Tabitha enquanto seus dedos, habilidosos e firmes, deslizavam para dentro dela, encontrando o ritmo perfeito que a fazia delirar.

— Clary... ah, deuses... Clary! — Tabitha arqueou as costas, o quadril subindo involuntariamente para buscar mais contato. — Você está... você está fazendo de propósito... essa lentidão...

— Eu sempre faço tudo de propósito, Tabitha — Clary murmurou contra a pele úmida da coxa dela, sua voz vibrando de forma que fazia Tabitha tremer. — Eu quero que você sinta cada segundo da sua perda de controle.

Tabitha sentia como se pequenas bombas de plasma estivessem detonando sob sua pele. Ela era a mestre das explosões, mas Clary era a única pessoa capaz de transformar seu próprio corpo em um campo minado onde cada detonação era puro êxtase. A ansiedade de Tabitha, aquela energia frenética que a definia, estava sendo canalizada agora para uma necessidade física desesperada.

— Por favor... entra em mim. Agora. — O pedido de Tabitha foi quase um comando, mas sua voz falhou no final, revelando a submissão que ela só oferecia a Clary.

Clary se ergueu, soltando os pulsos de Tabitha apenas para que a loira pudesse puxá-la para baixo. Elas se beijaram novamente, um beijo faminto que tinha gosto de urgência. Clary posicionou um brinquedo de silicone que estava ao alcance na mesa de cabeceira, mas antes de usá-lo, ela olhou profundamente nos olhos de Tabitha.

— Olhe para mim — Clary ordenou. — Não feche os olhos. Eu quero ver o momento exato em que você desmorona.

Tabitha obedeceu, embora suas pálpebras pesassem. Quando Clary a preencheu, o impacto foi imediato. Tabitha soltou um grito abafado contra o ombro de Clary, suas unhas cravando-se nas costas da líder. O ritmo que Clary impôs era implacável, uma cadência de poder e entrega que não dava espaço para oxigênio.

— Isso... isso é melhor que qualquer supernova — Tabitha ofegou, o suor escorrendo por seu rosto, misturando-se às lágrimas de prazer que começavam a surgir.

— Concentre-se, Tabitha — Clary sibilou, aumentando a velocidade, seus próprios sentidos começando a nublar conforme o calor de Tabitha a envolvia. — Sinta o que eu estou fazendo com você.

O quarto parecia ter ficado menor, o ar mais denso. Clary, geralmente tão contida e manipuladora, estava começando a perder sua própria fachada. O modo como Tabitha a olhava — com aquela confiança absoluta e carinho, mesmo no meio do sexo mais selvagem — era a única coisa capaz de desarmar a líder da Legião Estelar.

As investidas de Clary tornaram-se mais erráticas, menos calculadas e mais movidas pelo instinto. Ela enterrou o rosto no pescoço de Tabitha, inalando o cheiro dela, enquanto a loira envolvia as pernas ao redor da cintura de Clary, puxando-a para o mais fundo possível.

— Eu te amo, sua idiota sarcástica — Tabitha disparou entre dentes, um sorriso trêmulo nos lábios enquanto o clímax começava a se formar novamente, mais forte que o anterior.

— Não estrague o momento com sentimentalismo — Clary respondeu, mas seu aperto em Tabitha suavizou por um microssegundo, um gesto de carinho que contradizia suas palavras ásperas.

O ápice veio como um colapso estelar. Tabitha sentiu o mundo desaparecer em um clarão branco enquanto seus músculos vaginais se contraíam violentamente ao redor de Clary. Ela gritou, um som puro de libertação, enquanto seu corpo era sacudido por ondas sucessivas de prazer que pareciam não ter fim. Clary, atingida pela intensidade da reação de Tabitha, soltou um rosnado baixo e se entregou ao próprio orgasmo, desabando sobre o peito da loira, o coração batendo em um ritmo frenético contra as costelas de Tabitha.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som das respirações pesadas e pelo zumbido distante de um inseto qualquer. Tabitha acariciava os cabelos de Clary, os dedos ainda trêmulos.

— Você é uma líder muito exigente — Tabitha murmurou, o carisma voltando à sua voz, embora ainda estivesse sem fôlego.

Clary levantou a cabeça, o olhar um pouco mais suave, embora o sarcasmo estivesse voltando ao seu lugar de direito.

— Alguém tem que manter os padrões de qualidade desta equipe, Tabitha. E você estava claramente precisando de uma revisão técnica.

Tabitha riu, uma risada clara e cristalina que iluminou o quarto mais do que o sol da Califórnia.

— Revisão técnica? É assim que você chama isso? Você é terrível, Clary. Realmente terrível.

— E, no entanto, você não consegue ficar longe — Clary retrucou, sentando-se na beira da cama e começando a procurar suas roupas descartadas.

Tabitha se sentou também, observando as marcas vermelhas que deixara nos ombros de Clary. Ela sentiu uma pontada de tristeza momentânea, aquela melancolia súbita que às vezes a visitava, mas ao olhar para Clary, a sensação desapareceu. Clary era sua âncora, a pessoa que entendia seu humor estranho e sua necessidade de explosões, mesmo que fingisse que não.

— A gente vai mesmo sair agora? — Tabitha perguntou, fazendo beicinho. — O Howard provavelmente já gastou todo o dinheiro do bar e o Norrin deve estar tentando explicar física quântica para uma gaivota.

Clary parou, com o sutiã na mão, e olhou para Tabitha por cima do ombro. O olhar manipulador estava de volta, mas havia uma promessa nele.

— O Howard pode se virar. E o Norrin tem paciência infinita — Clary disse, jogando a peça de roupa de volta no chão. — Eu decidi que a revisão técnica ainda não terminou. Há alguns componentes que ainda não testamos sob pressão extrema.

Os olhos de Tabitha se arregalaram, brilhando com uma alegria renovada.

— Sério? Mais explosões?

— Mais explosões — confirmou Clary, puxando Tabitha de volta para seus braços. — Mas desta vez, eu quero que você tente ser um pouco menos barulhenta. É um exercício de infiltração silenciosa.

— Ah, você sabe que eu sou péssima em silêncio, Chefe! — Tabitha exclamou, já se jogando sobre Clary, derrubando-as de volta nos lençóis bagunçados.

— Eu sei — Clary sussurrou, antes de calar a loira com um beijo que prometia mais uma tarde de caos absoluto. — É por isso que eu vou ter que me esforçar mais para silenciar você.

Lá fora, o sol continuava a brilhar sobre a casa de praia, alheio ao fato de que, dentro daquele quarto, a Legião Estelar estava sendo liderada através de uma missão muito mais íntima e perigosa do que qualquer batalha contra titãs cósmicos. E para Tabitha, que sempre esperava algo bom das pessoas, Clary era a prova de que, às vezes, o que há de melhor está escondido sob camadas de sarcasmo, manipulação e um desejo que queimava mais forte que qualquer sol.

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