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Os irmãos

O Labirinto de Vidro e a Máscara da Traição

A rotina na mansão transformou-se em uma coreografia perigosa de sombras e luzes. Durante o dia, assim que o motor do carro de Arthur desaparecia na curva da estrada, a casa deixava de ser uma prisão para se tornar o palco da libertação de Liana. Gabriel, movido por uma paixão que beirava a obsessão, a encontrava em cada canto. Eles não apenas faziam amor; eles se consumiam, tentando apagar o rastro de Arthur da pele dela. Liana, outrora tão tímida, agora se perdia nos braços do cunhado, permitindo que ele explorasse cada centímetro de seu corpo pardo com uma devoção que a fazia esquecer, por algumas horas, a aliança em seu dedo.

No entanto, o pôr do sol trazia o retorno da realidade. Arthur chegava do trabalho energizado por suas conquistas na firma, sempre com a libido alta, exigindo sua "recompensa" de esposa. Liana, em um estado de exaustão emocional e física, submetia-se. Ela se sentia como um campo de batalha onde dois irmãos lutavam por território. Para suportar a dualidade, ela começou a explorar sua própria sexualidade de formas que antes a assustariam.

Certa tarde, acreditando estar sozinha no quarto enquanto Arthur se trocava no closet, Liana sentou-se na beira da cama. Ela segurava um membro de borracha, um objeto que comprara escondida, tentando entender os limites do próprio prazer que Gabriel havia despertado. Ela o introduzia em si mesma, de olhos fechados, quando ouviu o som da porta do closet se abrindo.

— Liana? — A voz de Arthur soou, carregada de surpresa.

Ela deu um pulo, o rosto queimando em um tom de escarlate profundo, tentando esconder o objeto sob o lençol. O silêncio que se seguiu foi sufocante. Ela esperava um julgamento, um grito, mas Arthur apenas caminhou até ela com um sorriso enigmático.

— Não precisa ter vergonha, querida — disse ele, sentando-se ao seu lado e tocando seu ombro. — Na verdade, fico feliz que esteja explorando seus desejos. Isso só prova que você está pronta para o que eu planejei para esta noite.

— O que você planejou? — perguntou ela, a voz trêmula.

— Uma noite inesquecível. Vamos a um motel de luxo. Quero que você use aquela lingerie que comprei. Prometo que será a noite mais quente da sua vida.

O que deveria ser uma promessa de renovação matrimonial, no entanto, tornou-se o prelúdio de um pesadelo. No motel, o ambiente era opressor, com luzes neon vermelhas e espelhos no teto. Arthur parecia estranhamente distante enquanto ela entrava no banheiro para se trocar. Liana vestiu a renda preta, sentindo-se vulnerável. Ao sair, esperando encontrar o marido pronto para amá-la, ela o viu caído no chão, inconsciente ou dopado.

Antes que pudesse gritar, mãos brutas a agarraram. Ela foi jogada na cama com uma violência que a deixou sem ar. Quando seus olhos focalizaram o agressor, um grito de horror morreu em sua garganta.

— Ricardo... — sussurrou ela, reconhecendo o rival de Arthur na firma.

— Achou que seu maridinho ia ganhar aquela promoção sem pagar um preço, Liana? — Ricardo sorriu, um gesto predatório e cruel. — Ele me deve muito. E hoje, você vai pagar a dívida dele.

Ele a amarrou às colunas da cama com cordas de seda que cortavam sua pele. Liana lutava, as lágrimas escorrendo pelo rosto, mas Ricardo era mais forte. Ele dizia coisas horríveis, humilhando sua cor e sua doçura, transformando sua feminilidade em algo sujo. Ele começou a possuí-la de forma brutal, ignorando seus pedidos de socorro. Para silenciá-la, amarrou um pano em sua boca, abafando seus gritos em soluços desesperados.

A porta do quarto se abriu novamente. Outro homem entrou — um cúmplice que Liana não reconheceu. Ricardo posicionou-se embaixo dela, manipulando seu corpo como se fosse um boneco de pano, enquanto o outro homem a penetrava por cima. A dor física e a devastação psicológica foram demais para Liana. O mundo começou a girar, as luzes neon transformaram-se em borrões sangrentos e ela finalmente desmaiou, mergulhando na escuridão do trauma.

Liana acordou semanas depois em um quarto de hospital. O silêncio branco era um bálsamo após o caos. Ela soube que Ricardo e seu cúmplice haviam sido presos; Arthur, em uma reviravolta irônica, usou o escândalo para destruir a reputação do rival e finalmente conseguir o cargo de sócio sênior que tanto cobiçava. Ele a visitava todos os dias, agindo como o marido heróico e preocupado, mas Liana não conseguia mais olhar para ele sem sentir náuseas. Ela se sentia usada, uma peça de xadrez descartável em sua ascensão ao poder.

Quando recebeu alta, a mansão parecia um túmulo. Arthur estava sempre fora, celebrando sua nova posição. Foi Gabriel quem a recebeu. Ele havia retornado de uma viagem apressada assim que soube do ocorrido. Ao vê-lo, Liana desabou.

— Gabriel... eu não sei o que fazer — soluçou ela, nos braços dele. — Eu me sinto suja. Eu sinto que nada mais faz sentido.

— Shh... eu estou aqui — disse Gabriel, beijando o topo de sua cabeça. — Eu nunca vou deixar nada acontecer com você de novo.

Nos dias seguintes, a confusão mental de Liana cresceu. Ela queria apagar as memórias de Ricardo, queria substituir a dor pelo prazer que só Gabriel sabia proporcionar. Em um momento de desespero emocional, ela o puxou para o quarto.

— Por favor, Gabriel — pediu ela, as mãos trêmulas desabotoando a camisa dele. — Faça-me esquecer. Eu preciso sentir algo que não seja dor. Eu quero você.

Eles foram para a cama. Mas não era como antes. Havia uma urgência dolorosa, uma necessidade de cura através do pecado. Liana entregou-se a ele com uma intensidade febril, seus gemidos ecoando pelo corredor.

— Gabriel... sim, assim... — ela sussurrava, as unhas cravadas nas costas dele. — Só você... sempre foi você...

O que eles não sabiam era que Arthur havia chegado cedo. Ele subira as escadas em silêncio, querendo fazer uma surpresa para a esposa "recuperada". Ao parar diante da porta entreaberta, o mundo de Arthur desmoronou.

Pela fresta, ele viu o próprio irmão, o sangue do seu sangue, possuindo sua mulher. Ele viu Liana, a esposa que ele acreditava ser sua propriedade submissa, arqueando as costas e gritando o nome de Gabriel com uma paixão que ela jamais demonstrara por ele. O triunfo da promoção, o poder, o dinheiro... tudo pareceu insignificante diante daquela traição carnal.

Arthur permaneceu ali, paralisado, observando o ato de traição. O ódio começou a borbulhar em seu peito, uma mistura tóxica de ciúme e humilhação. Ele percebeu que, enquanto subia os degraus da firma, estava perdendo o alicerce de sua própria casa. O silêncio de Arthur no corredor era mais perigoso do que qualquer grito, marcando o fim de uma era e o início de uma vingança que não pouparia ninguém.