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Os irmãos

O Labirinto de Desejos e Traições

Os dias que se seguiram àquela primeira noite de tempestade foram envoltos em uma névoa de êxtase e perigo. A mansão, antes um mausoléu de silêncio e indiferença, transformara-se no cenário de um romance clandestino e ardente. Sem a presença de Arthur, Liana e Gabriel transformaram cada cômodo em um santuário para sua paixão. Eles faziam amor nas manhãs ensolaradas sobre os lençóis de linho, nas tardes preguiçosas no tapete da biblioteca e nas madrugadas silenciosas na cozinha, onde o único som era o da respiração ofegante de ambos.

Liana sentia-se florescer. A timidez que sempre a definira parecia ter sido substituída por uma autoconfiança sensual que ela desconhecia possuir. Gabriel a olhava como se ela fosse a única mulher na Terra, e esse olhar era o combustível que ela precisava para se entregar sem reservas. Eles já haviam combinado: quando Arthur voltasse, eles continuariam se encontrando às escondidas. Liana não se sentia pronta para abandonar a segurança de seu casamento — ou talvez o medo da reação da sociedade e da família fosse grande demais —, mas ela também sabia que não conseguiria mais viver sem o fogo que Gabriel acendera em suas veias.

Faltava apenas uma semana para o retorno de Arthur. A tensão do prazo final pairava no ar, mas naquela tarde, Liana decidiu ignorar as sombras do futuro. Ela desceu as escadas lentamente, o tecido de seu robe de seda deslizando suavemente por sua pele ainda sensível dos toques da manhã. Ao chegar à sala de estar, viu Gabriel sentado no sofá. A luz da televisão estava baixa, mas o som não deixava dúvidas: ele assistia a um filme adulto, as imagens explícitas refletindo-se em seus olhos escuros e intensos.

Liana sentiu um formigamento familiar entre as pernas. Em vez de se sentir envergonhada, como ocorrera na primeira vez, ela sentiu um desejo audacioso. Aproximou-se dele devagar. Gabriel notou sua presença, mas não desviou o olhar da tela, sua mão movendo-se ritmicamente por cima do tecido da calça. Liana parou à frente dele, abriu as pernas e sentou-se em seu colo, de frente para ele.

— Gostando do que vê? — sussurrou ela, a voz carregada de uma provocação que nunca imaginou ser capaz de proferir.

— Agora que você chegou, o que está na tela não tem mais importância — respondeu Gabriel, a voz rouca, as mãos subindo para as coxas dela.

Liana começou a se esfregar contra ele, sentindo o membro dele duro e pulsante sob o tecido. O contraste entre a maciez de sua pele e a rigidez dele a levava à loucura. Com movimentos ágeis, ela deslizou a mão para baixo, tirou a própria calcinha e a jogou em qualquer canto do tapete. Com os olhos fixos nos dele, ela desabotoou a calça de Gabriel e libertou seu membro.

Ela mesma o guiou. Segurando-o com firmeza, posicionou-se e começou a descer devagar. O tamanho de Gabriel sempre a intimidava no início, mas a sensação de preenchimento era o que ela mais desejava. Ela soltou um suspiro longo quando ele entrou completamente nela, sentindo cada centímetro daquela invasão deliciosa.

Liana começou a pular sobre ele, um ritmo frenético que acompanhava os gemidos que vinham da televisão. Gabriel segurou sua cintura com força, ajudando no impulso, enquanto ela se inclinava para frente, levando o bico do próprio peito à boca dele. Ele o chupou com avidez, provocando arrepios que percorriam toda a espinha de Liana. Os sons da sala se misturavam: as vozes abafadas do filme, os estalos da pele se encontrando e os gemidos guturais de Gabriel, que agora enterrava o rosto no pescoço dela.

Fizeram amor ali mesmo, no coração da casa que pertencia ao homem que ambos estavam traindo. Foi um ato de posse, de rebeldia e de uma conexão que transcendia a carne. Quando terminaram, exaustos e suados, ficaram abraçados no sofá por um longo tempo, até que o sono os vencesse ali mesmo.

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Na manhã seguinte, o sol parecia brilhar com uma intensidade diferente. Gabriel precisou sair cedo para resolver algumas pendências sobre sua estadia no Brasil, deixando Liana sozinha na mansão. Ela passou a manhã flutuando em memórias, organizando a casa e sentindo-se estranhamente em paz.

Por volta do meio-dia, Liana ouviu o som do portão eletrônico se abrindo. Seu coração deu um salto de alegria. "Gabriel voltou cedo", pensou ela, um sorriso radiante iluminando seu rosto pardo. Ela correu para o hall de entrada, ajeitando o vestido leve que usava, pronta para se jogar nos braços do amante.

— Você voltou! — exclamou ela, virando-se com os braços abertos.

Mas o sorriso congelou em seus lábios e o sangue pareceu fugir de seu rosto. Parado à porta, com uma mala na mão e um sorriso cansado, mas vitorioso, não estava Gabriel.

Era Arthur.

— Surpresa, querida! — disse ele, largando a mala e abrindo os braços. — Consegui adiantar o encerramento do contrato. Não aguentava mais ficar longe de você.

Liana ficou paralisada por um segundo que pareceu uma eternidade. O pavor a atingiu como uma onda gelada, mas o instinto de sobrevivência e a velha timidez agiram rápido. Ela forçou um sorriso, embora suas pernas estivessem trêmulas.

— Arthur! Que... que surpresa maravilhosa — gaguejou ela, aproximando-se.

Ao chegar perto dele, o cheiro familiar de seu perfume caro a atingiu, trazendo de volta a realidade de sua vida oficial. Arthur a envolveu em um abraço apertado e a beijou com uma intensidade que ela não esperava. Para sua surpresa, Liana sentiu uma pontada de saudade física dele. Ele era seu marido, o homem com quem dividira anos de sua vida, e aquele beijo trazia uma segurança que o caos com Gabriel não oferecia. Ela retribuiu o beijo, deixando-se levar pelo momento.

— Senti tanto a sua falta — sussurrou Arthur contra os lábios dela. — Brasília foi um inferno de reuniões, e tudo o que eu conseguia pensar era em como eu queria estar aqui, com você. Não vejo a hora de fazermos amor.

Ele a pegou pela mão, os olhos brilhando com um desejo renovado. Arthur parecia diferente; talvez a distância tivesse feito com que ele finalmente percebesse o valor do que tinha em casa. Ele a levou para o andar de cima, para a suíte master que ela evitara usar durante as últimas semanas.

No quarto, Arthur foi incomumente carinhoso. Ele a despiu com lentidão, admirando-a como se a visse pela primeira vez em anos. Fizeram amor de uma forma que Liana não lembrava de ter experimentado com ele: sem a pressa do poder, sem a agressividade da última noite antes da viagem. Foi um ato de reconciliação silenciosa. Liana sentia-se confusa, o coração dividido entre a paixão avassaladora por Gabriel e o afeto estável que Arthur agora parecia disposto a oferecer.

Após terminarem, Arthur beijou sua testa.

— Vou tomar um banho rápido, querida. Estou exausto da viagem. Prepare algo para comermos? Estou morrendo de fome de comida de verdade.

— Claro, Arthur. Vou descer — respondeu ela, sentindo-se como se estivesse vivendo em um sonho lúcido.

Liana desceu para a cozinha, tentando organizar os pensamentos enquanto pegava os ingredientes para uma refeição leve. Ela estava de costas para a porta, cortando alguns legumes, quando sentiu mãos fortes envolverem sua cintura por trás.

— Arthur, você já saiu? Foi rápido — disse ela, sorrindo sem se virar.

— O banho pode esperar um pouco mais — sussurrou ele no ouvido dela.

Arthur levantou o vestido de Liana, as mãos subindo por suas coxas. Liana sentiu o membro dele, já ereto novamente, roçar em sua área íntima. O calor subiu por seu corpo. Ela se apoiou no balcão de mármore da cozinha, sentindo a penetração de Arthur. Ele a possuía ali mesmo, com uma urgência renovada, os sons da cozinha — o tilintar dos talheres, o chiado de algo no fogão — misturando-se aos gemidos dela.

Foi nesse exato momento que o som da porta dos fundos se abrindo ecoou pelo ambiente.

Gabriel entrou na cozinha, com uma sacola de compras na mão e um sorriso no rosto que morreu instantaneamente. Ele estancou no lugar, a cena diante de seus olhos sendo o seu pior pesadelo materializado. Liana, apoiada no balcão, com o vestido levantado, sendo penetrada pelo irmão dele.

Liana imediatamente virou o rosto para o lado, as bochechas queimando de uma vergonha tão profunda que ela desejou que o chão se abrisse sob seus pés. Seus olhos encontraram os de Gabriel por um milésimo de segundo — um olhar cheio de dor, traição e fúria.

Arthur, sentindo a presença de alguém, parou a penetração e olhou por cima do ombro. Ao ver o irmão, ele não pareceu irritado ou envergonhado; em vez disso, soltou uma risada curta, a arrogância de sempre retornando em um instante.

— Ora, Gabriel! — disse Arthur, sem soltar Liana, apenas ajeitando a própria roupa de forma displicente. — Desculpe, irmão. Cheguei de viagem agora e não consegui me conter. Você sabe como é... a saudade de casa às vezes fala mais alto.

Gabriel não disse uma palavra. Ele apertou a sacola de compras com tanta força que o plástico estalou. Seus olhos viajaram de Arthur para Liana, que continuava de cabeça baixa, as mãos agarradas à borda do balcão como se sua vida dependesse daquilo.

— Sem problemas, Arthur — disse Gabriel, sua voz saindo tão fria e cortante quanto o gelo. — Eu só passei para deixar algumas coisas. Já estou de saída.

Ele largou a sacola sobre a mesa da cozinha com um estrondo e deu as costas, saindo da casa a passos largos. Liana ouviu o som da porta batendo e sentiu como se seu coração tivesse sido arrancado do peito.

Arthur voltou-se para ela, puxando-a para um abraço.

— Não ligue para ele, querida. Gabriel sempre foi um pouco estranho com essas coisas de privacidade. Onde estávamos?

Liana não respondeu. Ela olhava para a porta por onde Gabriel saíra, percebendo que o labirinto de mentiras em que se enfiara acabara de desmoronar, e que o preço a pagar por seus dias de felicidade seria muito mais alto do que ela jamais imaginara.