Outro tempo
O Batismo de Sangue e Seda
A tenda central estava imersa em uma penumbra dourada, aquecida pelo crepitar constante das brasas no braseiro de bronze. O cheiro de sândalo roubado das províncias do sul misturava-se ao aroma selvagem de couro e almíscar que emanava de Shan Yu. Mulan sentia o coração martelar contra as costelas, uma batida frenética que não era mais de medo, mas de uma antecipação que fazia suas extremidades formigarem.
Shan Yu a observava com uma intensidade que parecia desidratar o ar ao redor. Ele não precisava de rituais imperiais, de incensos ou de vinhos cerimoniais para selar aquele momento. Para o líder dos Hunos, a posse era o único contrato que importava, e ele desejava Mulan com uma fome que transcendia o político ou o estratégico. Ele a desejava como um homem faminto deseja o banquete após uma vida de privações.
— Você é uma visão que assombraria os sonhos de qualquer conquistador — sussurrou ele, aproximando-se com a lentidão de um predador que sabe que a presa não tem mais para onde fugir — e nem deseja mais fazê-lo.
Ele estendeu a mão, os dedos ásperos traçando o contorno do maxilar de Mulan antes de mergulharem em seus cabelos escuros, agora soltos e caindo como uma cascata de seda sobre os ombros. Mulan estremeceu, fechando os olhos enquanto inclinava a cabeça para o toque dele.
— Eu nunca imaginei que meu destino estaria em uma tenda no norte — admitiu ela, a voz saindo como um suspiro quebrado.
— O destino é para os fracos, Mulan — disse ele, puxando-a para mais perto, até que seus corpos se tocassem. — Nós somos aqueles que o moldam com as próprias mãos.
Shan Yu a pegou nos braços, erguendo-a com uma facilidade que lembrava a Mulan a força bruta que ele possuía. Ele a levou para o leito de peles de lobo e seda, depositando-a ali com uma delicadeza que contrastava com a agressividade de sua postura habitual. Ele se ajoelhou sobre ela, as mãos apoiadas de cada lado de sua cabeça, cercando-a com seu calor vulcânico.
— Eu serei gentil, pequena loba — murmurou ele, seus olhos amarelos brilhando com uma promessa perigosa. — Mas apenas até você aprender o caminho. Depois disso, eu não responderei por mim.
Mulan sentiu a primeira peça de sua roupa ser desfeita. Shan Yu trabalhava com uma precisão cirúrgica, seus olhos nunca deixando os dela enquanto revelava a pele pálida e macia que estivera escondida sob camadas de armadura e farsa. Quando ela finalmente ficou nua diante dele, banhada pela luz alaranjada do fogo, Shan Yu soltou um suspiro pesado, uma reverência silenciosa à beleza que ele finalmente reivindicava.
— Perfeita — disse ele, a voz rouca.
Ele se despiu com movimentos rápidos e decididos. Mulan observou, fascinada e intimidada, a musculatura poderosa dele, as cicatrizes que contavam histórias de mil batalhas, e a evidência clara de seu desejo por ela. Ele era uma criatura de guerra, mas ali, naquele momento, ele era apenas o homem que escolhera a paz por ela.
Shan Yu deitou-se sobre ela, o peso de seu corpo sendo um conforto sólido. Ele começou a beijá-la, não apenas nos lábios, mas em cada centímetro de pele que encontrava. Seus beijos eram marcas de posse, descendo pelo pescoço, clavícula, até alcançar os seios de Mulan. Ela arqueou o corpo, os dedos cravando-se nos ombros largos dele, soltando um gemido que pareceu inflamar ainda mais o líder huno.
— Diga meu nome — ordenou ele, sua boca roçando o mamilo ereto dela. — Quero ouvir quem você está aceitando em seu corpo.
— Shan Yu... — sussurrou ela, a voz trêmula.
Ele sorriu contra a pele dela, um som baixo e gutural de satisfação. Suas mãos exploravam as curvas de Mulan com uma curiosidade possessiva, descendo pelo ventre liso até encontrar a umidade que denunciava a prontidão dela. Mulan ofegou, as pernas se abrindo instintivamente para o toque dele.
— Você é tão pequena — murmurou ele, sentindo a delicadeza dela sob seus dedos —, mas guarda uma força que poderia derrubar montanhas.
Shan Yu posicionou-se entre as pernas dela, a ponta de sua virilidade pressionando a entrada de Mulan. Ele parou por um momento, olhando profundamente nos olhos dela, esperando pelo sinal final.
— Não pare — pediu Mulan, a determinação voltando aos seus olhos mesmo em meio à vulnerabilidade. — Eu escolhi isso. Eu escolhi você.
Com um movimento lento e controlado, ele começou a entrar nela. Mulan soltou um grito abafado, as unhas arranhando as costas de Shan Yu enquanto sentia a dor aguda da primeira vez. Ele parou imediatamente, os músculos tensos, a testa encostada na dela enquanto esperava que ela se acostumasse com a invasão.
— Respire, Mulan — disse ele, a voz suave como nunca fora. — Deixe-me sentir você.
Ele esperou, beijando o rosto dela, limpando as lágrimas que escaparam involuntariamente, até que sentiu os músculos dela relaxarem e o aperto ao redor dele tornar-se um convite em vez de uma resistência. Mulan começou a se mover timidamente, buscando o ritmo que aliviaria a pressão.
— Isso... — rosnou ele, os olhos escurecendo.
A gentileza de Shan Yu evaporou no momento em que ele percebeu que ela estava pronta. O que se seguiu foi uma demonstração da ferocidade que o tornara o homem mais temido da Ásia. Ele começou a se mover com estocadas profundas e poderosas, cada movimento fazendo a cama de peles ranger.
Mulan descobriu que o líder dos Hunos não era apenas um guerreiro no campo de batalha, mas um mestre na arte da dominação sensorial. Ele usava o corpo como uma arma, levando-a a picos de prazer que ela nunca imaginara existir. Seus gemidos tornaram-se gritos de êxtase, ecoando pelas paredes da tenda, abafados apenas pelos beijos vorazes de Shan Yu.
— Você é minha! — exclamou ele, a voz carregada de uma autoridade primitiva. — Diga que você me pertence!
— Eu sou sua! — gritou Mulan, as pernas entrelaçadas na cintura dele, puxando-o para ainda mais fundo. — Sempre sua!
O prazer era uma onda avassaladora, um incêndio que consumia tudo o que restava de suas antigas identidades. Shan Yu não se segurava mais; ele era bruto, intenso, sua boca proferindo palavras obscenas e elogios selvagens que faziam o sangue de Mulan ferver. Ele a virou, colocando-a de quatro sobre as peles, as mãos grandes segurando os quadris dela com uma firmeza que deixaria marcas.
— Olhe para mim — ordenou ele, e Mulan virou o rosto para vê-lo, os olhos dele brilhando com uma luxúria pura e indomável.
Ele a possuiu com uma força renovada, cada impacto fazendo a visão de Mulan nublar. Ela sentia cada nervo de seu corpo vibrar, uma tensão crescendo em seu ventre até que finalmente explodiu em um orgasmo que a deixou sem fôlego, o corpo tremendo violentamente sob o dele.
Shan Yu seguiu logo depois, um rugido escapando de sua garganta enquanto ele se derramava dentro dela, reivindicando-a em todos os níveis possíveis. Ele desabou sobre ela por um momento, o suor misturando-se no calor da tenda, a respiração de ambos sendo o único som no silêncio que se seguiu.
Lentamente, ele se afastou, mas apenas o suficiente para puxá-la para o seu lado, envolvendo-a em seus braços poderosos. Mulan encostou a cabeça no peito dele, ouvindo o coração de Shan Yu desacelerar gradualmente.
— Eu disse que você descobriria quem eu sou — sussurrou ele, beijando o topo da cabeça dela.
— Eu descobri — respondeu Mulan, um sorriso cansado, mas satisfeito, surgindo em seus lábios. — Você é um monstro, Shan Yu. Mas você é o meu monstro.
Ele soltou uma risada baixa, apertando-a contra si.
— E você, Mulan, é a única mulher que sobreviveu à minha tempestade e saiu dela com a coroa.
Eles ficaram ali, no altar de ossos e seda, enquanto o fogo no braseiro morria lentamente. A guerra lá fora poderia esperar. A China poderia esperar. Naquela noite, o Lobo e a Loba haviam encontrado sua própria paz, uma paz forjada no sangue da inocência perdida e selada na seda de uma paixão que mudaria o mundo para sempre. Mulan fechou os olhos, finalmente sentindo-se em casa, não em um palácio ou em uma aldeia, mas nos braços do homem que ousara ver a verdade por trás de sua armadura.