Papai
O Resgate da Inocência e a Promessa de Papai
O silêncio na mansão era absoluto, quebrado apenas pelo som dos passos pesados de Jonatan subindo as escadas de mármore. Ele carregava Ravi nos braços como se o rapaz de dezenove anos não pesasse absolutamente nada. Ravi, com a cabeça aninhada no pescoço do mais velho, ainda soluçava baixinho, o peito subindo e descendo de forma errática. A punição no parque e no carro havia drenado suas energias, deixando-o em um estado de vulnerabilidade extrema, onde a linha entre o medo e a necessidade de proteção se tornava turva.
Ao entrarem no quarto, Jonatan depositou Ravi no centro da cama king-size. O contraste entre a pele alva e os cabelos loiros de Ravi contra os lençóis de seda negra era uma visão que sempre alimentava a possessividade de Jonatan. Ele se afastou por um momento, retirando o paletó e desabotoando os primeiros botões da camisa social, revelando o peito largo e musculoso.
Ravi se encolheu, procurando por algo que o confortasse. Suas mãos pequenas tatearam os lençóis, os olhos arregalados procurando desesperadamente por seu objeto de segurança mais precioso.
— P-papai... — a voz de Ravi saiu embargada, um fio de som que denotava pânico. — Minha pepeta... Cadê minha pepeta?
Jonatan parou o que estava fazendo e olhou para o rosto do menor. As bochechas de Ravi estavam vermelhas de tanto chorar, e o lábio inferior tremia. O loiro começou a revirar as dobras da colcha, jogando os travesseiros para o lado com movimentos descoordenados e manhosos.
— Ravi, pare de se mexer assim — ordenou Jonatan, embora sua voz tivesse perdido um pouco daquela aspereza cortante de antes.
— Eu perdi, papai! Eu perdi no parque! — Ravi começou a chorar com mais força, escondendo o rosto nas mãos. — O senhor me puxou e ela caiu... ela caiu na grama!
Jonatan franziu o cenho. Ele se lembrava do momento em que arrastara Ravi para longe daquele estranho, mas na sua fúria possessiva, não notara que o objeto de silicone havia caído. Ver Ravi naquele estado — desolado, pequeno e completamente dependente — despertou algo diferente no homem de trinta anos. A arrogância ainda estava lá, mas o desejo de cuidar do "seu menino" falou mais alto.
Ele se aproximou da cama e sentou-se na borda, puxando Ravi para o seu colo. Desta vez, não houve brutalidade. Ele acomodou a cintura fina do loiro entre suas pernas e envolveu-o com seus braços fortes, permitindo que Ravi escondesse o rosto em seu peito.
— Shhh, pequeno. Calma — sussurrou Jonatan, passando a mão grande pelos fios lisos e loiros. — Papai está aqui. Não precisa chorar por causa de um pedaço de plástico.
— Mas era a minha favorita... — Ravi soluçou contra a camisa de Jonatan, as mãos pequenas agarrando o tecido caro. — Eu quero minha pepeta, papai... por favor...
Jonatan sentiu o corpo de Ravi tremer. O loiro estava entrando em um estado de regressão profunda, seu lado infantilista aflorando como um mecanismo de defesa após a intensidade das horas anteriores. O coração de Jonatan, geralmente gélido e focado apenas em controle, amoleceu diante daquela fragilidade. Ele apertou Ravi com mais força, sentindo o cheiro doce de shampoo que emanava do menor.
— Escute bem, Ravi — disse Jonatan, levantando o queixo do rapaz para que ele o olhasse nos olhos. — Eu vou resolver isso. Eu vou comprar uma nova para você. Uma muito melhor. Mas você precisa parar de chorar agora. Entendeu?
Ravi fungou, os olhos azuis marejados fixos na expressão séria, porém agora mais suave, de Jonatan.
— O senhor vai? — perguntou ele, a voz pequena e esperançosa.
— Vou. Mas antes, vou cuidar de você. Você está todo sujo e bagunçado — Jonatan se levantou, levando Ravi consigo no colo, sem nunca deixá-lo tocar o chão.
No banheiro espaçoso, Jonatan preparou uma banheira com água morna e sais relaxantes. Ele despiu Ravi com uma paciência incomum, removendo os restos da roupa que ele mesmo havia maltratado no parque. Ver as marcas vermelhas de seus dedos nas coxas de Ravi trouxe um brilho de satisfação possessiva aos seus olhos, mas ele também sentiu a necessidade de curar o que havia causado.
Ele colocou o loiro na água e o lavou com cuidado, usando uma esponja macia. Ravi relaxou sob o toque de Jonatan, fechando os olhos e deixando-se levar pelo carinho. A possessividade de Jonatan se manifestava agora de forma diferente: ele queria que cada centímetro de Ravi estivesse limpo, cheiroso e marcado apenas por ele.
— Você é meu, Ravi. Sabe disso, não sabe? — Jonatan murmurou, enquanto passava sabonete pelos ombros delicados do menor.
— Sou do papai — respondeu Ravi, a voz manhosa voltando a aparecer. — Só do papai.
Após o banho, Jonatan o secou com uma toalha felpuda e o vestiu com um pijama de flanela azul claro, adornado com pequenas nuvens. Ele carregou o loiro de volta para a cama e o cobriu.
— Fique aqui. Vou buscar o que você precisa — Jonatan deu um beijo casto na testa de Ravi, um gesto raro de ternura pura.
— Não demora, papai... o Ravi está com saudade já — o loiro se encolheu sob as cobertas, os olhos pesados de sono, mas a mente ainda fixada na falta de sua chupeta.
Jonatan saiu da mansão e dirigiu até a melhor loja de artigos infantis da cidade. Ele não se importava com os olhares curiosos das vendedoras ao verem um homem de sua estatura, vestindo roupas de grife e com uma expressão de poucos amigos, caminhando pelo corredor de chupetas. Ele escolheu três modelos diferentes: um azul pastel, um transparente com detalhes em ouro e um ortodôntico de silicone ultra macio. Além disso, comprou um prendedor de seda para que ela nunca mais caísse.
Ao retornar para o quarto, encontrou Ravi quase dormindo, abraçado a um travesseiro. Ao ouvir o som da porta, o loiro se sentou rapidamente, os olhos brilhando.
— Papai! O senhor voltou!
Jonatan caminhou até ele e sentou-se na cama. Ele abriu a embalagem da chupeta azul e a mostrou para Ravi.
— Veja se esta serve para o meu menino manhoso.
Ravi abriu a boca ansiosamente, e Jonatan a colocou com delicadeza. No momento em que o silicone tocou seu palato, Ravi soltou um suspiro de alívio profundo. Ele começou a sugar ritmicamente, os olhos se fechando enquanto a ansiedade deixava seu corpo. Ele se inclinou para frente, encostando a testa no ombro de Jonatan.
— Gostou? — perguntou o mais velho, passando o braço pela cintura fina de Ravi e puxando-o para seu colo novamente.
Ravi assentiu, fazendo um som abafado de satisfação. Ele estava em seu lugar seguro. O homem que o punira com tanta dureza horas antes era o mesmo que agora o embalava com uma doçura possessiva. Para Ravi, essa dualidade era seu mundo; o controle de Jonatan era a âncora que o impedia de flutuar para longe.
— Agora, vamos fazer amorzinho do jeito que você gosta, sem pressa — sussurrou Jonatan no ouvido de Ravi, sua voz carregada de uma intenção profunda. — Só nós dois. Para você esquecer o que aconteceu no parque e lembrar apenas que seu papai cuida de tudo.
Jonatan deitou Ravi suavemente nos travesseiros. Ele não queria a agressividade de antes. Ele queria adoração. Ele começou a beijar o pescoço de Ravi, subindo para a mandíbula, enquanto suas mãos grandes exploravam o corpo pequeno por baixo do pijama. Ravi soltava gemidos baixinhos, o som da chupeta se movendo em sua boca criando uma trilha sonora de inocência perdida e redescoberta.
— Você é tão lindo, Ravi — Jonatan disse, a arrogância dando lugar a uma admiração quase obsessiva. — Minha bonequinha. Minha propriedade.
Ele removeu o pijama de Ravi com movimentos lentos, apreciando cada curva daquela cintura fina que ele tanto gostava de apertar. Quando seus corpos se encontraram novamente, não houve dor. Jonatan se moveu com uma lentidão torturante, preenchendo Ravi de uma forma que o fazia arquear as costas e buscar os lábios do mais velho.
Mesmo durante o ato, Ravi não soltou a chupeta. Ele segurava a gola da camisa de Jonatan, os olhos fixos nos dele, encontrando naquela imensidão escura a segurança que precisava. Jonatan o beijava com paixão, suas mãos grandes espalmadas nas costas de Ravi, mantendo-o colado a si. Era um ato de posse, sim, mas também era um ato de entrega.
— Te amo, papai... — Ravi murmurou entre as sucções da chupeta, quando o prazer começou a atingir seu ápice.
Jonatan não respondeu com palavras, mas seu aperto aumentou, e ele enterrou o rosto no pescoço de Ravi, deixando sua marca ali, um lembrete para qualquer um que ousasse olhar para o seu loiro. Quando o clímax veio, foi suave e envolvente, deixando ambos exaustos e satisfeitos.
Horas depois, a luz da lua entrava pela janela, iluminando os dois corpos entrelaçados. Ravi dormia profundamente, a nova chupeta ainda firme em sua boca, a mão pequena descansando sobre o peito de Jonatan. O homem mais velho estava acordado, observando o sono do seu protegido. Ele sabia que sua proteção beirava o sufocamento, que sua grosseria às vezes passava dos limites, mas ao ver Ravi ali, calmo e seguro sob sua guarda, ele não sentia remorso.
Ele ajeitou o cobertor sobre Ravi e beijou o topo de sua cabeça.
— Ninguém nunca vai tirar nada de você de novo, Ravi — Jonatan prometeu para o silêncio do quarto. — Porque tudo o que é seu, é meu para proteger. E você é meu para sempre.
Ravi se mexeu no sono, soltando um suspiro satisfeito e se aninhando ainda mais no calor de Jonatan. O medo do parque havia sido substituído pela certeza de que, não importava o que acontecesse, seu papai sempre estaria lá para comprar uma nova chupeta, para punir quem o olhasse e para amá-lo daquela forma intensa e absoluta que só eles entendiam.
A mansão estava em paz, e no coração de Ravi, a tempestade finalmente tinha dado lugar ao sol, contanto que ele estivesse nos braços do homem que era seu dono, seu protetor e seu mundo.