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Pião todo tatuado

Águas Agitadas e Confissões Embriagadas

A adrenalina da noite anterior ainda pulsava residualmente nas veias de todos, mas o clima na fazenda havia mudado drasticamente. Com Jay e Lisa sob custódia e a segurança reforçada por homens de confiança, o peso que esmagava os ombros de Jungkook finalmente parecia ter se dissipado. O sol da tarde brilhava forte, e o calor do interior pedia algo que o ar-condicionado da sede não conseguia oferecer.

— Se eu ficar mais um minuto olhando para essas paredes, eu vou começar a latir — declarou Taehyung, jogando-se dramaticamente no sofá ao lado de Jimin. — Cunhado, me diga que temos um plano que envolva água, gelo e absolutamente nenhum tiro.

Jungkook, que terminava de revisar os postos de guarda com Namjoon, deu um sorriso de lado. Ele olhou para Jimin, que parecia exausto, mas com um brilho de alívio nos olhos loiros.

— O riacho da divisa sul está limpo — disse Jungkook. — Hoseok e Yoongi já levaram o cooler para lá. O que acham de um piquenique com bebidas que não sejam apenas café e energético?

A ideia foi aceita com um entusiasmo quase infantil. Em menos de meia hora, o grupo caminhava pela trilha familiar, mas desta vez sem a tensão de serem observados por olhos maldosos. O som da água correndo sobre as pedras era um convite irresistível.

— Primeira regra da tarde — anunciou Jin, erguendo uma garrafa de soju que ele insistira em trazer junto com as cervejas artesanais da fazenda. — Ninguém fala de segurança, de processos judiciais ou de cercas elétricas. Hoje, somos apenas seis idiotas tentando não afogar as mágoas, mas sim o juízo.

— Eu apoio o relator! — exclamou Hoseok, já tirando a camisa e saltando na parte mais funda do riacho com um grito de alegria.

O ambiente logo se transformou em uma celebração caótica. Jungkook sentou-se em uma pedra rasa, com a água batendo em sua cintura, enquanto observava Jimin tentar, sem sucesso, manter o equilíbrio sobre uma rocha escorregadia. O loiro ria, uma risada livre que Jungkook sentia que poderia ouvir pelo resto da vida.

As horas passaram e o álcool começou a cumprir seu papel. As garrafas vazias acumulavam-se no cooler de gelo, e a inibição evaporava sob o sol poente.

— Sabe o que eu acho? — Taehyung disse, a voz já arrastada, abraçado ao pescoço de Yoongi e Hoseok simultaneamente dentro da água. — Eu acho que vocês dois são as melhores coisas que já aconteceram nessa fazenda. Um é todo brava e o outro é todo sol. Eu sou a lua que une vocês.

Yoongi, que normalmente detestaria tal proximidade em público, apenas revirou os olhos com um sorriso bobo, a bochecha encostada na de Taehyung.

— Você está bêbado, Tae — murmurou Yoongi —, mas não está errado.

— Eu não estou bêbado! — protestou Taehyung, virando-se para beijar a bochecha de Hoseok e depois a de Yoongi. — Eu estou em um estado de iluminação poliamorosa!

Hoseok soltou uma gargalhada alta, puxando os dois para um mergulho desajeitado. A brincadeira logo se tornou mais silenciosa e intensa, com os três se afastando para uma parte mais reservada do riacho, onde as árvores choronas escondiam a margem.

Do outro lado, Jin e Namjoon compartilhavam uma garrafa de vinho branco, sentados em uma manta estendida na grama. Jin falava sem parar sobre como Namjoon ficava "extremamente intelectual e perigoso" usando óculos de proteção tática, enquanto Namjoon apenas o olhava com uma adoração que beirava o hipnotismo.

— Você fala demais, Jin — disse Namjoon, interrompendo o monólogo do mais velho ao segurar seu queixo com delicadeza.

— É um mecanismo de defesa contra sua beleza rústica — retrucou Jin, mas sua voz falhou quando Namjoon se inclinou.

— Deixe as defesas para o Jungkook hoje — sussurrou Namjoon antes de selar seus lábios nos de Jin.

O beijo começou calmo, mas logo se tornou urgente, carregado de meses de tensão não resolvida e admiração mútua. Eles se levantaram e, entre risos e tropeços causados pelo vinho, caminharam em direção à trilha que levava de volta à sede, buscando a privacidade de um quarto real.

Jungkook e Jimin ficaram para trás, sozinhos na penumbra azulada do crepúsculo. O silêncio agora era preenchido apenas pelo som da água e pela respiração pesada de ambos. Jimin estava sentado entre as pernas de Jungkook, as costas apoiadas no peito largo do moreno.

— Todo mundo sumiu — observou Jimin, a voz suave e levemente embriagada. — Acho que ficamos sozinhos de novo, capitão.

Jungkook apertou o abraço, sentindo o calor da pele de Jimin contra a sua. Ele depositou um beijo no ombro do loiro, sentindo o gosto do sal e da água do rio.

— Eu não me importo — confessou Jungkook. — Na verdade, eu estava torcendo para que eles fossem embora logo.

Jimin virou-se nos braços dele, ficando de frente para o moreno. Seus olhos loiros brilhavam com uma mistura de luxúria e carinho. Ele passou os braços pelo pescoço de Jungkook, puxando-o para mais perto até que seus narizes se tocassem.

— Você foi incrível ontem — sussurrou Jimin. — Mas hoje... hoje eu quero que você esqueça que é meu guarda-costas. Eu quero que você seja apenas o Jungkook. O meu Jungkook.

— Eu sou seu desde o momento em que te vi naquela balada, Jimin — disse Jungkook, a voz rouca de desejo. — Eu só fui teimoso demais para admitir.

Jungkook não esperou por mais palavras. Ele capturou os lábios de Jimin em um beijo que era puro fogo, contrastando com a água fria que corria ao redor deles. Suas mãos, grandes e calejadas pelo trabalho no campo, exploravam as curvas do corpo de Jimin com uma possessividade que o loiro recebia com gemidos baixos.

Eles se moveram para a margem, onde a grama era alta e macia. Jungkook deitou Jimin sobre a manta abandonada, cobrindo seu corpo com o dele. O mundo lá fora — Jay, a polícia, a fazenda — não existia mais. Havia apenas o toque, o cheiro de mato e o som de suspiros trocados sob a primeira estrela da noite.

— Jungkook... — Jimin arqueou as costas quando os lábios do moreno encontraram o ponto sensível em seu pescoço. — Por favor...

— Eu estou aqui — prometeu Jungkook, olhando profundamente nos olhos de Jimin. — Eu não vou a lugar nenhum.

Naquela noite, sob o céu vasto do interior, as sombras finalmente deram lugar à luz. Jungkook percebeu que a proteção que ele oferecia a Jimin não era mais um fardo ou um contrato, mas uma extensão de sua própria vida.

Pela primeira vez em anos, Jungkook tinha encontrado alguém que fazia o mundo parecer mais leve. E justamente por isso, o medo de perder Jimin começava a se tornar assustador. 🐴🤍