Por acaso
Sussurros de Cetim e o Peso da Coroa
A noite em Auradon parecia ter parado no tempo, como se o universo tivesse decidido dar uma trégua ao rei e sua rainha. O silêncio do quarto era denso, quebrado apenas pela respiração pesada de Ben e pelo som suave do vento batendo contra as janelas de vidro do castelo. Hanna sentia o calor do corpo dele como uma âncora, algo que a mantinha firme no chão enquanto sua mente ainda flutuava após os momentos de intensidade que haviam compartilhado.
Ben estava deitado com a cabeça apoiada no peito dela, o rosto escondido na curva do seu pescoço. Hanna sentia o peso reconfortante dele, a barba rala roçando sua pele de um jeito que a fazia arrepiar. Uma das mãos de Ben, grande e quente, subiu lentamente para massagear um de seus seios por cima do tecido fino, enquanto a outra mão permanecia firme em sua bunda, os dedos se enterrando levemente na carne macia.
— Você não tem noção do que faz comigo, Hanna — murmurou Ben, a voz vibrando contra a pele dela, rouca de desejo e exaustão. — Olhar para você, tocar você... às vezes eu acho que é um sonho. Seu corpo é a coisa mais bonita que eu já vi. E o melhor de tudo é saber que ele é meu. Só meu.
Hanna deu uma risadinha baixa, o som escapando como um suspiro de satisfação. Ela passou os dedos pelos cabelos castanhos dele, bagunçando-os ainda mais.
— "Só seu", majestade? Quanta possessividade para um rei tão diplomático — ela provocou, embora seus olhos brilhassem com o carinho que sentia.
Em resposta, Ben apertou a bunda dela com força, uma pressão súbita que a pegou de surpresa e arrancou um som involuntário de sua garganta.
— Ben! — ela exclamou, o nome dele saindo como um suspiro ofegante.
Ele levantou o rosto apenas o suficiente para olhá-la nos olhos, um sorriso convencido brincando em seus lábios.
— Esse som... — ele disse, a voz descendo uma oitava. — Ouvir você dizer meu nome desse jeito é o som mais lindo que eu poderia ouvir. Eu poderia passar a eternidade escutando você me chamar assim, sem fôlego, sem defesas.
Hanna sentiu o rosto esquentar, a audácia dele sempre a desarmando. Ben não parou. Sua mão, que antes massageava por cima, deslizou para dentro do sutiã de Hanna, o contraste da mão fria contra a pele quente fazendo-a soltar um suspiro longo. Ele continuou o movimento, explorando-a com uma familiaridade que era ao mesmo tempo carinhosa e provocante.
— Ben... a gente devia descansar — ela disse, embora suas mãos não fizessem nenhum esforço para afastá-lo.
— Eu estou descansando — ele rebateu, beijando a base da garganta dela. — Do meu jeito favorito.
Depois de alguns minutos de carícias lentas, Ben se afastou relutante, levantando-se da cama para ir ao banheiro. Hanna aproveitou o momento para se esticar, sentindo cada músculo do corpo relaxado. Ela se virou de barriga para baixo, afundando o rosto no travesseiro macio, sentindo-se preguiçosa e imensamente feliz. O silêncio voltou a reinar por alguns instantes, até que ela ouviu o som da porta do banheiro se abrindo e os passos leves de Ben retornando.
Hanna não se mexeu, apenas esperou que ele se deitasse ao seu lado. No entanto, o que ela sentiu foi um tapa estalado e firme em sua bunda, um golpe que ecoou no quarto silencioso.
— Ei! — ela gritou, virando-se rapidamente de frente, com os olhos arregalados pela surpresa.
Ben já estava lá, com aquele olhar travesso que ela conhecia tão bem. Sem dar tempo para que ela reclamasse, ele se jogou por cima dela, prendendo-a com seu peso e atacando seu pescoço com beijos rápidos e úmidos. Hanna tentou lutar contra o riso, mas acabou cedendo, abraçando-o pelo pescoço enquanto ele a enchia de carinhos.
— Você é um bárbaro, sabia? — ela disse entre risadas, tentando empurrar o rosto dele. — Onde está o decoro real agora?
— O rei está de folga — ele respondeu, finalmente se deitando ao lado dela e puxando-a para seus braços.
Hanna se aconchegou nele, encaixando a cabeça em seu ombro. Ben esticou o braço para pegar o controle remoto e ligou a televisão, sintonizando em um programa qualquer que passava na madrugada. Eles ficaram ali, abraçados, o silêncio sendo preenchido pelas vozes abafadas da TV. Mas Ben não conseguia ficar totalmente parado. Sua mão direita começou a dar tapinhas leves e rítmicos na bunda de Hanna, seguidos por apertos ocasionais que a faziam estremecer.
— Você não cansa, não é? — perguntou ela, olhando para ele de soslaio.
— De você? Nunca — ele respondeu, virando-se um pouco para encará-la. — Hanna... posso te pedir uma coisa?
— Depende. Se for para eu roubar a coroa do seu pai, a resposta é talvez.
Ben riu, balançando a cabeça.
— Não é isso. Eu queria... você se incomodaria se eu deitasse no seu peito? Mas, tipo... sem o sutiã? É que eu gosto de sentir o calor da sua pele direto na minha.
Hanna olhou para ele, vendo a vulnerabilidade e o desejo misturados naquele pedido simples. Ela deu um sorriso doce, o lado brincalhão dando lugar a uma ternura profunda.
— Claro que pode, seu bobo.
Ela se sentou na cama por um momento, soltando o fecho do sutiã e descartando a peça em algum lugar no chão. Quando se deitou novamente, Ben não perdeu tempo. Ele se acomodou com a bochecha encostada diretamente sobre o seio esquerdo dela, suspirando de satisfação ao sentir o contato direto. Hanna passou a mão pelos cabelos dele, fazendo um carinho suave que parecia acalmá-lo instantaneamente.
Eles voltaram a atenção para a TV. O programa era uma comédia romântica clichê de Auradon, cheia de mal-entendidos bobos e diálogos exagerados.
— Sério, Ben? — Hanna comentou, apontando para a tela onde um príncipe tentava escalar uma varanda e caía dentro de um arbusto de rosas. — Ninguém faz isso na vida real.
— Eu faria — disse Ben, a voz abafada pelo peito dela. — Se você estivesse trancada em uma torre, eu escalaria até com espinhos me picando.
— Você usaria a escada de serviço, Ben. Você é prático demais para arbustos de rosas.
Eles riram juntos, uma risada compartilhada que vibrava entre seus corpos. De vez em quando, uma cena particularmente ridícula os fazia soltar gargalhadas, e Ben aproveitava esses momentos para dar um beijo rápido na pele dela ou apertar sua cintura.
— Sabe — disse Hanna, os olhos fixos na TV mas o pensamento longe —, eu nunca imaginei que ser rainha seria assim. Eu achei que passaria o tempo todo em bailes chatos e assinando papéis.
— E você passa — lembrou Ben, divertido. — Mas a melhor parte é o que vem depois. O que ninguém vê.
Hanna concordou, sentindo uma paz imensa. Ela era a filha da Arlequina, a garota que amava o caos e que, por um golpe do destino (ou talvez apenas por ser inteligente demais para se deixar rotular), acabou encontrando seu lugar no coração do reino mais certinho do mundo. Mas, olhando para Ben ali, tão entregue e tão dele, ela percebeu que o verdadeiro reino deles não era feito de ouro ou castelos, mas de momentos como aquele.
— Eu te amo, Ben — sussurrou ela, quase sem perceber que estava falando em voz alta.
Ben se mexeu um pouco, olhando para cima para encontrar os olhos dela.
— Eu também te amo, Hanna. Mais do que qualquer lei ou coroa.
Ele voltou a se aninhar nela, e o silêncio voltou a ser a trilha sonora daquela noite perfeita. Entre risadas ocasionais da TV e o calor de seus corpos entrelaçados, o Rei e a Rainha de Auradon finalmente encontraram o descanso que tanto mereciam, protegidos pelas paredes do quarto e pelo amor que, contra todas as probabilidades, os tornou um só.