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Pra Sempre, nós

O Altar da Carne e o Segredo do Amanhã

O silêncio do novo refúgio era uma melodia de luxo e segurança que Sarah ainda levava tempo para processar. As paredes de concreto polido e vidro temperado do prédio de arquivos transformado em lar não guardavam os ecos dos gritos de seu pai, nem o cheiro acre de medo que impregnara sua adolescência. Ali, no andar superior, onde o loft privativo que dividia com Jungkook se abria para uma vista panorâmica de uma Seul adormecida, o mundo parecia, pela primeira vez, estar aos seus pés, e não sobre seus ombros.

Jungkook estava parado junto à janela, a silhueta emoldurada pelas luzes distantes da Torre Namsan. Ele havia acabado de tirar a jaqueta de couro, jogando-a sobre uma poltrona de design minimalista. Suas costas, largas e marcadas pelo esforço da missão naquela noite, subiam e desciam em uma respiração controlada. Sarah aproximou-se lentamente, o som de seus pés descalços no tapete felpudo sendo a única interrupção na quietude do quarto.

— Você ainda está com a adrenalina alta — notou ela, deslizando as mãos pela cintura dele, sentindo o calor da pele através da camiseta fina.

Jungkook virou-se em seus braços, os olhos escuros brilhando com uma intensidade que sempre fazia o estômago de Sarah dar piruetas. Ele a puxou para mais perto, enterrando o rosto na curva de seu pescoço, aspirando o perfume de baunilha e determinação que ela exalava.

— É difícil desligar — confessou ele, a voz rouca vibrando contra a pele dela. — Ver aqueles caras tentando fazer o que o Conselheiro fazia... isso desperta algo em mim que eu achei que tinha domado.

— Você não precisa domar, Kookie — sussurrou Sarah, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos dele. — Você só precisa saber para onde direcionar. E hoje, você direcionou para o lugar certo.

Jungkook sorriu, um gesto lento que suavizou as linhas duras de seu rosto de guerreiro. Ele levou as mãos ao rosto de Sarah, os polegares traçando as maçãs do rosto agora saudáveis e bronzeadas. Ele se lembrava da garota que resgatara no posto de gasolina — uma sombra loira de ossos proeminentes e olhos sem esperança. Agora, ele segurava uma rainha.

— Eu só quero que você esteja segura — disse ele. — Sempre.

— Eu estou segura aqui — respondeu ela, selando o compromisso com um beijo.

O beijo começou como um consolo, mas rapidamente se transformou em algo mais profundo e voraz. Era a linguagem que eles haviam desenvolvido para apagar os horrores do passado. Quando as línguas se encontraram, o resto do mundo desapareceu. Jungkook a levantou com uma facilidade que sempre a deixava sem fôlego, e Sarah entrelaçou as pernas ao redor de sua cintura, as mãos perdidas nos cabelos curtos e escuros dele.

Ele a carregou até a cama de lençóis de seda escura, deitando-a com uma reverência que contrastava com a força bruta que ele demonstrara horas antes. Suas mãos, marcadas por cicatrizes de batalhas que travaram juntos, agora percorriam o corpo de Sarah com uma delicadeza quase religiosa. Ele despiu-a lentamente, cada centímetro de pele revelado sendo um testemunho de sua recuperação. Sarah não era mais a garota que se escondia sob roupas largas; ela se orgulhava das curvas que o amor e a saúde lhe devolveram.

— Você é a coisa mais bonita que eu já vi — murmurou Jungkook, enquanto removia a própria roupa, revelando o corpo esculpido por anos de luta e vigilância.

— E você é meu — respondeu ela, puxando-o para baixo.

O encontro de seus corpos foi uma explosão de sentidos. Não havia mais o desespero de quem achava que morreria amanhã, mas a paixão de quem sabia que tinha uma vida inteira pela frente. Jungkook movia-se sobre ela com um ritmo que Sarah conhecia como sua própria respiração, cada estocada sendo uma afirmação de posse e proteção. Ela arqueou as costas, as unhas cravando-se nos ombros dele, enquanto o prazer subia como uma maré incontrolável.

Naquele momento, eles não eram o protetor e a protegida. Eram apenas duas almas que haviam atravessado o inferno de mãos dadas e que agora reivindicavam o paraíso que construíram sobre as cinzas. Jungkook sussurrava o nome dela como uma oração, e Sarah respondia com gemidos que preenchiam o quarto, abafando qualquer resquício de silêncio.

Quando o ápice chegou, foi como se o universo se contraísse em um único ponto de luz. Eles se seguraram um ao outro, trêmulos e suados, enquanto o êxtase os levava para longe das sombras da zona industrial e das lembranças de Jin.

Minutos depois, o silêncio retornou, mas desta vez era um silêncio confortável, preenchido apenas pelo som de suas respirações voltando ao normal. Jungkook estava deitado de lado, observando Sarah com uma adoração que nunca diminuía. Ele afastou uma mecha de cabelo platinado de seu rosto, beijando a ponta de seu nariz.

— Eu poderia ficar assim para sempre — disse ele, a voz carregada de contentamento.

Sarah sorriu, mas havia algo em seu olhar que Jungkook não conseguiu decifrar de imediato. Uma mistura de nervosismo e uma alegria tão pura que parecia transbordar. Ela sentou-se na cama, puxando o lençol para cobrir as pernas, e pegou a mão de Jungkook, entrelaçando seus dedos.

— Kookie... eu preciso te contar uma coisa. Algo que eu descobri há alguns dias, mas estava esperando o momento certo.

Jungkook sentou-se também, a expressão mudando instantaneamente para alerta.

— O que foi? Alguém te ameaçou? É o seu pai? Sarah, se alguém encostou em você...

— Não, não é nada disso — interrompeu ela, rindo suavemente da superproteção dele. — É o oposto de uma ameaça. É... é um recomeço. De verdade.

Ela pegou a mão dele e a guiou lentamente até o seu ventre, pressionando a palma de Jungkook contra a pele macia de seu abdômen. Jungkook franziu o cenho, confuso por um segundo, até que o significado começou a se infiltrar em sua mente.

— Sarah? — ele sussurrou, os olhos arregalados, a voz falhando.

— Eu fui ao médico enquanto você estava com o Namjoon na semana passada — disse ela, as lágrimas começando a brilhar em seus olhos. — Eu não sabia se era possível, depois de tudo o que meu corpo passou, depois de tanta fome e estresse... mas o médico disse que é um milagre.

Jungkook parecia ter esquecido como respirar. Ele olhava para a própria mão sobre o ventre dela como se estivesse tocando algo sagrado, algo que poderia quebrar se ele fizesse qualquer movimento brusco.

— Você está dizendo que...

— Eu estou grávida, Jungkook — revelou ela, a voz embargada. — Nós vamos ter um filho.

O silêncio que se seguiu foi o mais longo da vida de Sarah. Por um instante de terror, ela temeu que ele ficasse assustado, que o peso da responsabilidade fosse demais para alguém que ainda carregava o mundo nas costas. Mas então, ela viu uma lágrima solitária escorrer pelo rosto dele.

Jungkook soltou um soluço que parecia ter sido guardado por anos. Ele se inclinou para frente, encostando a testa no ventre de Sarah, os ombros tremendo enquanto ele chorava silenciosamente.

— Um filho... — ele repetiu, a voz abafada. — Nosso.

— Sim — disse ela, acariciando os cabelos dele. — Um pedaço de nós que nunca vai conhecer a fome, Kookie. Que nunca vai precisar se esconder em um galpão ou ter medo de um carro preto na rua.

Jungkook levantou o rosto, e Sarah viu uma luz em seus olhos que nunca estivera lá antes. Não era a luz da batalha, nem a luz da vingança. Era a luz de um homem que finalmente encontrara a paz absoluta.

— Eu juro — disse ele, a voz firme e carregada de uma nova espécie de determinação —, eu juro por tudo o que o Jin sacrificou por nós, que essa criança vai ter o mundo. Eu vou construir um império de verdade para ela. Ninguém, nunca, vai chegar perto de machucar vocês.

— Nós vamos construir juntos — corrigiu Sarah, puxando-o para um abraço apertado.

Eles ficaram ali, abraçados na penumbra do quarto, enquanto a primeira luz do amanhecer começava a pintar o horizonte de Seul. A tragédia que os unira agora era apenas o pano de fundo de uma história muito maior. Sarah Cameron, a garota que um dia desejou desaparecer, agora carregava o futuro dentro de si. E Jungkook, o garoto que se sentia invisível, agora era o pilar de uma linhagem que nasceria da força e da superação.

Lá fora, a cidade despertava. Namjoon estaria revisando processos, Yoongi estaria monitorando redes, e os outros estariam preparando o centro de acolhimento. A alcateia continuaria seu trabalho nas sombras, mas agora, havia um segredo dourado crescendo no coração do refúgio.

— Como vamos contar para os outros? — perguntou Jungkook, já começando a sorrir com a ideia da reação de Namjoon ou dos mimos que Jimin e Hoseok certamente fariam.

— Da mesma forma que enfrentamos tudo — respondeu Sarah, recostando a cabeça no ombro dele enquanto observavam o sol nascer. — Juntos. E com a certeza de que o amanhã não é mais um labirinto, mas o lugar onde finalmente pertencemos.

O sol finalmente rompeu o horizonte, inundando o quarto com uma luz dourada. Sarah fechou os olhos, sentindo a mão de Jungkook ainda protegendo seu ventre. O eco do silêncio e as sombras de ontem haviam finalmente dado lugar ao som da vida e à luz de um novo dia. A sobrevivência fora apenas o começo; agora, eles estavam prontos para viver.