Primeira vez
Entre Suor e Segredos
O apito final ainda ecoava nos ouvidos de Ana como um trovão distante. O estádio estava em polvorosa; as luzes dos refletores cortavam a névoa da noite, iluminando o gramado onde os jogadores do time de futebol comemoravam mais uma vitória esmagadora. Como capitã das líderes de torcida, Ana deveria estar no centro do campo, liderando a última rotina de celebração, mas seus olhos estavam fixos em apenas um homem: HAVY.
Ele era o herói da noite, o capitão que havia carregado o time nas costas até o último touchdown. Enquanto a multidão gritava seu nome, ele se afastou do grupo por um breve momento, cruzando o olhar com o dela. Não foi um olhar de triunfo esportivo, mas algo mais denso, carregado com a memória da noite que passaram juntos. Com um gesto sutil de cabeça, ele sinalizou para o corredor que levava aos vestiários e, antes que ela pudesse processar, ele articulou silenciosamente: "Vestiário. Agora."
Ana sentiu um frio na barriga que nenhuma acrobacia jamais lhe causara. Ela entregou seus pompons para uma das colegas, murmurando uma desculpa sobre precisar retocar a maquiagem, e deslizou por entre a multidão. O caminho até os vestiários masculinos era território proibido para a maioria, mas para a capitã da torcida, ninguém ousava questionar sua presença.
O corredor estava silencioso, em contraste absoluto com o caos do estádio lá fora. O cheiro de borracha, grama úmida e o forte aroma de spray de limpeza preenchiam o ar. Ela empurrou a porta pesada do vestiário, que rangeu levemente. O lugar estava vazio, exceto por uma figura sentada em um dos bancos de madeira ao fundo.
HAVY ainda estava com o uniforme completo, mas o capacete estava jogado no chão ao lado de suas chuteiras. Suas mãos estavam apoiadas nos joelhos, a respiração ainda pesada pelo esforço físico. Quando ouviu a porta fechar, ele levantou a cabeça. O suor escorria por suas têmporas, e a tinta preta sob seus olhos o deixava com um aspecto selvagem, quase predatório.
— Você veio — disse ele, a voz rouca ecoando nos azulejos brancos.
— Você mandou — respondeu Ana, aproximando-se lentamente. — O que foi, capitão? A vitória não foi o suficiente para o seu ego hoje?
HAVY soltou uma risada seca e se levantou. Ele parecia ainda maior naquele espaço fechado, a armadura do uniforme de futebol aumentando sua silhueta.
— A vitória é apenas o que eu entrego para a escola — disse ele, dando um passo em direção a ela. — Mas eu precisava de algo para mim. Algo que me fizesse sentir que o jogo realmente acabou.
Ele parou a poucos centímetros dela. Ana podia sentir o calor emanando de seu corpo, o cheiro de esforço misturado ao perfume que ele usara antes da partida. Era uma combinação inebriante. Ela estendeu a mão e tocou a frente da camisa dele, sentindo a textura áspera do tecido e a firmeza do protetor de peito por baixo.
— Você jogou como um louco hoje — sussurrou ela, olhando para cima para encontrar os olhos dele. — Eu não conseguia tirar os olhos de você.
— Engraçado — murmurou HAVY, as mãos descendo para a cintura dela, puxando-a para mais perto — porque cada vez que eu me preparava para uma jogada, eu buscava você na lateral do campo. Ver você saltar, ouvir sua voz... era a única coisa que me mantinha focado.
Ele inclinou o rosto, encostando a testa na dela. A tensão entre os dois era quase palpável, uma corda esticada prestes a romper.
— Aquela noite na sua casa... — Ana começou, mas foi interrompida pelo toque dos lábios dele contra os seus.
O beijo foi urgente, carregado da adrenalina que ainda corria nas veias de ambos. HAVY a pressionou contra os armários de metal, o som do impacto ecoando pelo vestiário vazio. As mãos dele, ainda enfaixadas para o jogo, subiram para o rosto dela, segurando-a com uma possessividade que a fazia perder o fôlego.
— Eu não consigo parar de pensar em você, Ana — confessou ele entre beijos fervorosos. — Desde