Problemas
O Pacto de Sangue e Neon
A semana que se seguiu ao confronto no corredor foi, para o grupo de amigos da Escola Preparatória de Anis, o período mais estranhamente silencioso de que se tinha notícia. Mizi, antes a personificação do brilho e da devassidão carismática, transformara-se em uma sombra. Ela não piscava para as calouras, não aceitava os convites de Lexy para festas e, o mais surpreendente, não abria a boca para fazer suas piadas de duplo sentido. Sua, por sua vez, havia se tornado uma fortaleza de gelo ainda mais impenetrável. Ela lia seus livros com uma intensidade febril, nunca levantando os olhos para a mesa onde o grupo se reunia, agindo como se Mizi fosse apenas um fantasma que ela decidira ignorar.
O clima era tão pesado que até Ivan, o mestre do caos, evitava fazer comentários ácidos. Luka olhava para a irmã com preocupação, e Hyuna suspirava toda vez que via Sua passar pelo corredor sem sequer girar a cabeça na direção de Mizi. Mas a corda estava esticada demais para não arrebentar.
Na tarde de quinta-feira, o calor abafado anunciava uma tempestade. Sua estava no depósito de materiais de teatro, um lugar raramente visitado, procurando por um roteiro antigo para um trabalho de literatura. O cheiro de mofo e madeira velha era sufocante. Ela estava prestes a sair quando a porta foi aberta com um estrondo e fechada logo em seguida.
Mizi estava ali. Seus cabelos rosa e azul estavam levemente bagunçados, e o olhar dourado, que antes era predatório, agora carregava uma urgência desesperada.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou Sua, tentando manter a voz firme, embora seu coração tivesse começado a martelar contra as costelas no instante em que viu a outra. — Eu disse que não queria falar com você.
— Eu não aguento mais, Sua — disse Mizi, dando um passo à frente. Sua voz não era a de uma sereia sedutora; era a de alguém que estava prestes a quebrar. — Uma semana. Uma semana inteira sem você me olhar, sem você me tocar... Eu sinto que estou sufocando.
— Você tem o resto da escola para te distrair, Mizi — retrucou Sua, virando o rosto. — Vá procurar a Lexy.
— Eu não quero a Lexy! — gritou Mizi, avançando até encurralar Sua entre uma estante de figurinos e a parede. — Eu não quero ninguém, Sua. Eu tentei, juro que tentei agir como se nada tivesse mudado, mas o mundo inteiro parece cinza sem você.
Sua tentou empurrá-la, mas Mizi não se moveu. Em vez disso, ela segurou as mãos de Sua e as pressionou contra o próprio peito, onde o coração batia de forma selvagem.
— Eu escolho você — disse Mizi, a voz agora caindo para um sussurro suplicante. — Só você. Se você quiser, pode colocar uma coleira em mim e eu deixo. Pode me dar uma daquelas xuxinhas de cabelo para eu usar no pulso e todo mundo saber que eu já tenho dona. Eu faço uma tatuagem com o seu nome na minha testa se for preciso, Sua. Mas, por favor, não me ignora mais. Eu imploro.
Os olhos de Sua se encheram de lágrimas. Ver o orgulho de Mizi desmoronar daquela forma era algo que ela nunca imaginou. A vulnerabilidade da garota era crua, real.
— Você está falando sério? — perguntou Sua, com a voz embargada. — Sem joguinhos? Sem Lexy? Sem calouras?
— Sem ninguém — prometeu Mizi, aproximando o rosto. — Eu sou sua, Sua. Se você me quiser.
Sua não respondeu com palavras. Ela puxou Mizi pela nuca e a beijou com uma fome que vinha sendo alimentada por sete dias de silêncio e mágoa. Mizi retribuiu com a mesma intensidade, suas línguas se encontrando em uma batalha desesperada por oxigênio e conexão. Quando se separaram, ambas estavam ofegantes.
— Eu vou te dar uma chance, Mizi — disse Sua, recuperando um pouco de sua autoridade, os olhos roxos brilhando com uma posse renovada. — Uma única chance. Se eu te vir perto de qualquer outra garota daquele jeito... se eu sentir o cheiro de outra pessoa em você, acabou para sempre. Entendeu?
— Sim — respondeu Mizi, um sorriso vitorioso e faminto surgindo em seus lábios. — Eu entendi perfeitamente.
Mizi não perdeu tempo. O desejo que fora reprimido durante a semana de gelo explodiu em um instante. Ela empurrou Sua contra a parede de madeira do depósito, o som do impacto abafado pelas cortinas de veludo penduradas ao lado.
— Mizi... aqui não... — começou Sua, mas o protesto morreu quando Mizi se ajoelhou à sua frente.
— Aqui sim — murmurou Mizi, os olhos dourados fixos nos de Sua. — Eu preciso sentir você agora, ou eu vou enlouquecer.
Com movimentos ágeis e experientes, Mizi levantou a saia pregueada do uniforme de Sua. Ela não perdeu tempo com preliminares gentis; a urgência era o que ditava o ritmo. Sua sentiu o frio do ar do depósito contra sua pele quando Mizi baixou sua calcinha até os joelhos.
— Mizi, alguém pode entrar... — Sua arqueou as costas quando sentiu a ponta da língua de Mizi traçar o contorno de sua intimidade por cima do tecido fino que restava, antes de Mizi afastá-lo completamente.
— Deixa entrarem — sibilou Mizi. — Que vejam que você é minha.
Mizi inseriu dois dedos de uma vez, encontrando Sua já úmida e pronta. O gemido que escapou da morena foi alto, ecoando pelas vigas do teto. Mizi usou a outra mão para segurar a coxa de Sua, firmando-a contra a parede para que ela não escorregasse, enquanto aumentava a velocidade.
Sua estava em outro planeta. A sensação de preenchimento, aliada à adrenalina de estarem em um local proibido da escola, levava seus sentidos ao limite. Ela enterrou as mãos nos cabelos rosa de Mizi, puxando-os enquanto sua cabeça pendia para trás.
— Mais... por favor, Mizi... — implorou Sua, as pernas tremendo incontrolavelmente.
Mizi adicionou o terceiro dedo, movendo-os em um ritmo implacável, focado exatamente no ponto que fazia Sua perder a razão. Ela observava cada reação da garota acima dela: o suor brilhando na testa pálida, os lábios entreabertos soltando ganidos curtos, os olhos roxos revirando de prazer.
— Você gosta disso, não gosta? — provocou Mizi, a voz vibrando contra a coxa de Sua. — Gosta de saber que eu só faço isso por você?
Sua não conseguia responder. O ápice veio como uma onda avassaladora, fazendo seu corpo inteiro tencionar e relaxar em espasmos violentos. Ela gritou o nome de Mizi, um som carregado de rendição e êxtase.
Mizi não parou imediatamente, saboreando as contrações de Sua ao redor de seus dedos até que a morena estivesse completamente exausta. Com uma lentidão provocativa, Mizi retirou os dedos e, para o choque e deleite de Sua, usou a boca para limpá-la, um gesto de devoção que selava o pacto que haviam acabado de fazer.
— Pronto — disse Mizi, levantando-se e limpando o canto da boca com o polegar, o olhar carregado de uma satisfação possessiva. — Agora você está marcada.
Mizi ajudou Sua a se recompor, subindo sua calcinha e ajeitando a saia do uniforme. Ela limpou o rosto de Sua com carinho e deu-lhe um selinho demorado.
— Vamos? — perguntou Mizi. — O intervalo já vai começar.
Sua assentiu, ainda um pouco zonza, mas com um brilho de determinação nos olhos. Elas saíram do depósito e caminharam em direção ao pátio central. Quando chegaram à mesa onde o grupo estava reunido, a mudança era visível. Mizi caminhava colada a Sua, e no pulso de Mizi, orgulhosamente exibida, estava uma xuxinha de cabelo preta que pertencia a Sua.
O grupo estava em silêncio quando elas se aproximaram. Lexy, que estava sentada na ponta da mesa esperando por Mizi, levantou-se com um sorriso esperançoso.
— Mizi! — disse Lexy, aproximando-se com a intenção de tocar o braço da loira. — Estava te procurando. Vai ter uma festa na casa do pessoal do vôlei hoje à noite, você quer...
Mizi parou e, pela primeira vez em muito tempo, olhou diretamente para Lexy, mas não havia o calor de antes.
— Lexy, para — disse Mizi, a voz firme e clara o suficiente para que todos na mesa ouvissem. — O que quer que você ache que a gente tinha, ou o que quer que eu tenha feito você acreditar... acabou.
Lexy piscou, confusa.
— Como assim? Mizi, a gente se divertiu tanto na mansão...
— Eu me divirto com muita gente, Lexy — interrompeu Mizi, segurando a mão de Sua e entrelaçando seus dedos diante de todos. — Mas eu só amo uma pessoa. E eu não vou mais perder meu tempo, nem o dela, fingindo que sou disponível. Eu não vou ficar com mais ninguém. Nunca mais.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Lexy olhou para as mãos entrelaçadas das duas, depois para o rosto desafiador de Sua, e finalmente para Mizi. Sem dizer uma palavra, a "Rainha de Gelo" virou as costas e saiu apressada, a humilhação evidente em seu passo.
Hyuna quebrou o silêncio com um grito de empolgação.
— MEU DEUS! — ela bateu na mesa. — Eu sabia! Eu sabia que essa semana de silêncio era o sinal de que a bomba ia explodir!
— Mizi, você é louca — disse Till, rindo e balançando a cabeça. — Falar isso na frente de todo mundo...
Ivan apenas sorriu, cruzando os braços.
— Eu disse que ela ia escolher. Só não achei que ia ser tão dramático. Mas, honestamente, vindo da Mizi, eu deveria ter esperado uma tatuagem na testa.
Luka, que observava a cena com uma expressão de choque que lentamente se transformou em compreensão, suspirou e olhou para a irmã.
— Então é isso? — perguntou Luka. — Você finalmente se aquietou, Mizi?
Mizi olhou para Sua, um olhar tão cheio de adoração e promessa que fez o coração da morena saltar.
— Eu não me aquietei, Luka — respondeu Mizi, puxando a mão de Sua para beijar os nós de seus dedos. — Eu só encontrei o meu lugar.
— É a Sua — disse Luka, afirmando o óbvio para o resto do grupo que ainda tentava processar a cena. — Sempre foi a Sua, não foi?
Sua sentiu o peso dos olhares de seus amigos, mas não se encolheu. Ela apertou a mão de Mizi, sentindo a xuxinha preta no pulso da outra como se fosse um anel de diamante.
— Sim — disse Sua, com uma confiança que nunca demonstrara antes. — E é bom vocês se acostumarem. A Mizi não está mais no mercado.
O grupo explodiu em conversas e perguntas, mas para Mizi e Sua, o barulho da escola era apenas um ruído de fundo. Elas haviam atravessado o labirinto de ciúmes e segredos, e o que restara era uma conexão que, embora nascida no caos de uma festa, agora se solidificava no compromisso silencioso de um corredor de escola. Mizi olhou para Sua e percebeu que, pela primeira vez, não precisava de uma plateia. Ela tinha tudo o que precisava bem ali, ao seu lado.