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Problemas de Ron Weasley

O Silêncio antes da Tempestade de Sândalo

O ar nas estufas de Hogwarts costumava ser o único refúgio de Elias Rowle. O cheiro de terra úmida, o orvalho nas folhas de Mandrágora e o calor úmido do vidro eram as únicas coisas que conseguiam abafar, mesmo que por pouco tempo, a cacofonia de feromônios que inundava o castelo. Elias, com seus cabelos castanhos cacheados caindo sobre os olhos verde-avelã, movia-se com a delicadeza de quem não queria despertar o mundo ao seu redor.

— Você acha que ela vai florescer antes do Solstício? — perguntou Neville Longbottom, a voz um pouco mais rouca do que o normal.

Elias olhou para o amigo. Neville parecia exausto. Havia olheiras profundas sob seus olhos e ele apertava o transplantador de solo com uma força desnecessária.

— Se continuarmos com o fertilizante de escamas de dragão, sim, Nev — Elias respondeu suavemente, sua voz como o chá de camomila que ele tanto gostava de preparar. — Mas você está tremendo. É o Nott de novo?

Neville estremeceu ao ouvir o nome. Theodore Nott não era apenas um Alpha; ele era um Alpha Prime, assim como Malfoy. Mas enquanto Draco era uma tempestade de gelo e arrogância, Theo era um incêndio florestal contido: silencioso, quente e absolutamente devastador quando decidia queimar.

— Ele não me deixa em paz, Elias — sussurrou Neville, olhando para a porta da estufa como se esperasse que o sonserino surgisse das sombras a qualquer momento. — Ele me encurralou na biblioteca ontem. Ele não disse nada, apenas ficou lá, cheirando meu pescoço até que eu quase desmaiasse. Ele é... ele é assustador.

Elias sentiu um aperto no peito. Ele sabia exatamente o que Neville estava sentindo. Embora sua própria situação parecesse, na superfície, mais "tranquila", a verdade era que ele se sentia como uma presa sendo observada por um predador que não tinha pressa alguma em dar o bote.

Blaise Zabini. O terceiro vértice do triângulo de ferro da Sonserina.

Se Draco era o herdeiro barulhento e Theo era o caçador impaciente, Blaise era o observador. Ele era um Alpha Prime de uma linhagem antiga e obscura, e sua paciência era, de certa forma, psicótica. Ele não perseguia Elias pelos corredores; ele simplesmente *estava* lá. Em cada canto da biblioteca, em cada sombra da Torre da Corvinal, Elias sentia o olhar de Blaise. Era um peso constante, um perfume de âmbar e especiarias que parecia segui-lo como uma segunda pele.

— Eles estão ficando mais ousados — Elias comentou, limpando uma folha de Salgueiro Lutador em miniatura. — Ron está péssimo. Malfoy enviou um supressor marcado para ele hoje de manhã. É uma declaração de posse pública, Neville.

— O que vamos fazer? — Neville perguntou, a voz beirando o pânico.

— Sobreviver — disse Elias, embora a palavra soasse vazia até para ele. — E cuidar um do outro.

Enquanto isso, nas masmorras da Sonserina, o clima era drasticamente diferente. O salão comunal estava mergulhado em uma penumbra luxuosa, iluminado apenas pelo brilho esverdeado do Lago Negro através das janelas subaquáticas.

Draco Malfoy estava jogado em uma poltrona de couro negro, girando um copo de cristal com um líquido âmbar. Seus olhos cinzentos brilhavam com uma satisfação cruel.

— Ele usou o lenço — Draco murmurou, mais para si mesmo do que para os amigos. — Eu senti o cheiro dele saindo do Salão Comunal. Meu aroma está nele. Os outros Alphas recuaram como os cães covardes que são.

Theodore Nott, que estava afiando um canivete de prata com movimentos rítmicos e irritados, bufou.

— Você tem paciência demais, Draco. O meu é escorregadio. Neville corre toda vez que eu entro em uma sala. Meu lobo está por um fio de simplesmente arrastá-lo para as masmorras e acabar com essa brincadeira de esconde-esconde.

— Paciência é uma virtude, Theo — interveio Blaise Zabini, sua voz era um barítono suave que parecia vibrar nas paredes. Ele estava sentado à mesa, folheando um livro de Runas Antigas, mas sua mente estava longe dali. — Se você forçar demais agora, ele vai quebrar. E um ômega quebrado não tem graça. Você quer a submissão dele, não o seu cadáver emocional.

— Disse o homem que persegue um corvino como se fosse um fantasma — retrucou Theo, guardando o canivete. — Você nem sequer falou com o Rowle esta semana, Blaise.

Blaise deu um sorriso lento, que não atingiu seus olhos escuros e calculistas.

— Eu não preciso falar com Elias para que ele saiba que eu sou o dono dele. Eu deixo pequenos lembretes. Um livro deixado na mesa dele com uma anotação, o meu cheiro impregnado na cadeira onde ele gosta de sentar... Elias é inteligente. Ele sabe ler os sinais. Ele está processando a inevitabilidade da situação. Quando eu finalmente estender a mão, ele não terá outra escolha a não ser aceitá-la.

Draco soltou uma risada curta.

— Somos três desgraçados obcecados, não somos?

— Somos Primes, Draco — corrigiu Blaise, fechando o livro com um estalo seco. — O mundo foi feito para ser nosso. E nossos ômegas são o centro desse mundo. Se o destino nos deu os três amigos mais improváveis de Hogwarts, é porque o destino quer ver o que acontece quando os leões e os corvos são domados pelas serpentes.

No dia seguinte, a tensão em Hogwarts era quase palpável. Ron Weasley caminhava entre Harry e Hermione como se estivesse indo para o próprio funeral. O lenço de Draco estava escondido em seu bolso interno, mas o cheiro de sândalo parecia emanar de seus poros, criando uma bolha de isolamento ao seu redor.

No corredor que levava à aula de História da Magia, o trio encontrou Elias e Neville.

— Ron, você está bem? — Elias perguntou, aproximando-se e sentindo imediatamente a marca olfativa de Malfoy. Ele franziu a testa. — O cheiro está forte.

— Eu me sinto marcado como gado, Elias — Ron sibilou, os olhos vermelhos de quem não dormia bem. — Harry tentou usar um feitiço de limpeza, mas o cheiro não sai. É como se estivesse vindo de dentro de mim.

— É porque é um supressor de ligação — explicou Elias, sua mente de corvino conectando os pontos. — Malfoy não está apenas mascarando seu cheiro, ele está fundindo o dele ao seu através da química da poção. É magia de sangue de alto nível, Ron.

Neville soltou um som sufocado.

— Eles não vão parar até nos terem, não é?

Antes que qualquer um pudesse responder, o ar no corredor esfriou. O som de passos rítmicos ecoou pelas pedras.

O Trio de Primes estava descendo a escadaria. Draco à frente, com Theo e Blaise logo atrás, formando uma barreira de autoridade e poder que fazia os outros alunos se encostarem nas paredes.

Draco parou a poucos metros de Ron. Ele ignorou Harry e Hermione completamente, como se fossem apenas móveis no corredor. Seu olhar era uma carícia possessiva que percorreu o rosto de Ron, detendo-se nos lábios trêmulos do ruivo.

— Você está usando o meu presente, raposinha — disse Draco, sua voz carregada de um prazer sombrio. — Eu posso sentir daqui. Você cheira... perfeito.

— Vá para o inferno, Malfoy — Ron cuspiu, mas seu corpo deu um passo involuntário em direção ao Alpha, traído pelos instintos que o supressor estava despertando.

Enquanto isso, Theo deu um passo à frente, seus olhos fixos em Neville. O Grifinório tentou se esconder atrás de Elias, mas Theo foi mais rápido, segurando o braço de Neville com uma firmeza que não admitia protestos.

— Você tem aula de Herbologia agora, Longbottom? — Theo perguntou, sua voz baixa e perigosa. — Eu acho que vou acompanhar você. Temos muito o que conversar sobre o seu hábito de fugir de mim.

— Solte ele, Nott! — Harry interveio, levando a mão à varinha.

Blaise Zabini, que até então estava em silêncio, deu um passo à frente, ficando entre Harry e seus amigos. A aura de Blaise era diferente da de Draco ou Theo; era uma pressão estática, como o ar antes de um raio cair.

— Eu não faria isso, Potter — disse Blaise calmamente. — Você é um Alpha, mas não é um Prime. Se você atacar um de nós, o seu instinto de preservação vai falhar antes mesmo de você terminar o encantamento. Não somos seus inimigos, a menos que você tente tirar o que é nosso.

Blaise então virou o rosto para Elias. O corvino sentiu seu coração errar uma batida. Blaise não o tocou, não rosnou, nem mesmo sorriu. Ele apenas olhou para Elias com uma intensidade que parecia despir sua alma, camada por camada.

— Elias — disse Blaise, o nome soando como uma prece profana em seus lábios. — Você terminou o livro sobre Runas da Idade do Bronze?

Elias engoliu em seco, sentindo o cheiro de âmbar de Blaise inundar seus sentidos, acalmando sua ansiedade de uma forma que ele odiava.

— Sim — Elias respondeu, sua voz firme apesar do tremor interno.

— Ótimo. Eu deixei um novo na sua mesa hoje cedo. Trata sobre contratos de união e linhagens de sangue. Acho que você vai achar... educativo.

O aviso estava dado. Blaise não estava apenas interessado em Elias; ele estava preparando o terreno para uma reivindicação formal, algo que as leis bruxas antigas protegiam com unhas e dentes quando se tratava de Alphas Primes.

Draco deu um passo final, reduzindo a distância entre ele e Ron a quase nada. Ele se inclinou, sussurrando perto do pescoço do ruivo:

— Aproveite sua liberdade por enquanto, Ronald. O ninho na Mansão Malfoy está quase pronto. Eu escolhi as sedas nas cores que você gosta. Vermelho e dourado... para que você nunca se esqueça de onde veio, enquanto aprende a quem você pertence.

Com um aceno de cabeça elegante, Draco se afastou, sendo seguido por Theo — que relutantemente soltou o braço de Neville — e por Blaise, que lançou um último olhar de soslaio para Elias.

O corredor permaneceu em silêncio por um longo tempo após a partida deles.

— Eles estão loucos — Harry disse, a voz rouca de raiva e impotência. — Eles perderam a cabeça de vez.

— Não — corrigiu Elias, sentindo o peso do livro invisível que o esperava em sua torre. — Eles não estão loucos. Eles são Primes. Eles estão apenas seguindo a natureza deles. E a natureza deles diz que nós somos a propriedade que lhes falta.

Ron olhou para as mãos, as sardas empalidecidas contra a pele branca.

— Eu não quero ser propriedade de ninguém, Elias.

— Eu também não, Ron — sussurrou Elias, ajeitando a bolsa de livros no ombro. — Mas olhe ao seu redor. O castelo inteiro cheira a eles agora. Eles não estão apenas nos perseguindo. Eles estão mudando a realidade de Hogwarts para que não haja lugar onde possamos nos esconder.

Neville, ainda tremendo, olhou para os dois amigos.

— O que fazemos agora?

Elias olhou para a janela, onde uma coruja-das-torres — seu próprio patrono — parecia observá-lo do alto de uma gárgula.

— Nós estudamos, Neville. Estudamos os nossos inimigos. E rezamos para que, quando o momento chegar, tenhamos força para não cair de joelhos.

Mas, no fundo de seu coração, Elias Rowle sentia o cheiro de chá de camomila de sua própria alma ser lentamente sufocado pelo âmbar persistente de Blaise Zabini. E ele sabia, com a clareza de um corvino, que a paciência de um psicótico era a armadilha mais difícil de escapar.

Longe dali, no alto da Torre da Corvinal, um livro negro com detalhes em prata repousava sobre a cama de Elias. O título brilhava à luz do sol: *A Reivindicação do Prime: Leis e Destinos*.

A guerra silenciosa havia acabado. A ocupação havia começado. E Hogwarts, com todos os seus segredos, estava prestes a se tornar o palco da rendição de três corações que acreditavam ser livres.