Problemas de Ron Weasley
O Pacto do Luar e o Preço da Rendição
A lua cheia pairava sobre o Lago Negro como um olho de prata vigilante, banhando as masmorras de Hogwarts com uma luz etérea que filtrava através das águas turvas. O silêncio nos corredores subterrâneos era absoluto, quebrado apenas pelo som rítmico de três pares de sapatos contra a pedra fria.
Ron, Neville e Elias caminhavam lado a lado, uma frente unida de ômegas que, após semanas de perseguição, vigilância e aromas possessivos, haviam chegado a uma conclusão inevitável. Fugir era exaustivo. Lutar contra a própria biologia era como tentar conter o oceano com as mãos. Mas eles eram grifinórios e um corvino; a rendição total, sem termos, era algo que seu orgulho não permitiria.
Ao pararem diante da parede de pedra que escondia a entrada da Sala Comunal da Sonserina, a passagem deslizou para o lado antes mesmo que pudessem pronunciar a senha. Alphas Primes não precisavam de senhas quando seus companheiros estavam à porta; eles sentiam a pulsação de cada um deles.
O salão estava imerso em luxo e sombras. Três poltronas de encosto alto estavam dispostas diante da lareira, onde as chamas verdes estalavam. Draco Malfoy ocupava o centro, com Theodore Nott à sua direita e Blaise Zabini à sua esquerda. Eles não se levantaram. Eles apenas observaram, os olhos brilhando com o triunfo predatório de quem finalmente vê a presa entrar na toca por vontade própria.
— Vocês demoraram — disse Draco, sua voz arrastada como seda sobre navalhas. — Eu já estava considerando ir buscar você pela nuca, Ronald.
Ron deu um passo à frente, o queixo erguido apesar do tremor em suas mãos.
— Nós não viemos aqui para sermos arrastados, Malfoy. Viemos para conversar.
Theodore soltou uma risada sombria, os olhos fixos em Neville, que parecia prestes a desmaiar, mas permanecia firme ao lado de Ron.
— Conversar? — Theo inclinou-se para frente. — Primes não negociam, Neville. Nós tomamos.
— Então vocês vão tomar apenas cascas vazias — interveio Elias, sua voz suave cortando a tensão como um feitiço de resfriamento. — Blaise sabe disso. Ele sabe que se vocês quiserem a nossa lealdade e não apenas a nossa submissão física, haverá termos.
Blaise Zabini inclinou a cabeça, um sorriso enigmático brincando em seus lábios.
— O corvino tem razão. Um companheiro que se entrega é infinitamente mais valioso que um que é forçado. Digam seus termos.
Ron olhou para os amigos e tomou fôlego.
— Primeiro: nada de marcas forçadas. Eu sei o que vocês querem, mas a mordida só acontecerá quando nós decidirmos que estamos prontos. Se tentarem nos marcar contra a nossa vontade, eu juro por Merlin que usarei cada grama de magia que tenho para destruir este castelo.
Draco estreitou os olhos. O instinto de Prime rugia dentro dele para reivindicar o pescoço pálido do ruivo agora mesmo, mas ele viu a determinação nos olhos de Ron.
— Aceitável — Draco murmurou. — Por enquanto.
— Segundo — Neville disse, sua voz ganhando força —, nós não somos prisioneiros. Continuaremos com nossos amigos, continuaremos nas nossas casas se quisermos, e continuaremos com nossas aulas. Vocês não podem nos trancar em "ninhos" como se fôssemos troféus.
Theo rosnou, um som gutural que fez as janelas vibrarem.
— Você é meu, Longbottom. O pensamento de você circulando por aí com o cheiro de outros Alphas me dá vontade de queimar o mundo.
— Então você terá que aprender a se controlar, Theo — Neville rebateu, surpreendendo a todos. — Ou terá um ômega que te odeia para o resto da vida.
Houve um silêncio tenso até que Theo assentiu, embora seus punhos estivessem cerrados.
— E o terceiro termo? — perguntou Blaise, olhando diretamente para Elias.
— Respeito intelectual e autonomia — Elias respondeu calmamente. — Eu não sou um acessório para a sua linhagem, Blaise. Eu continuarei minhas pesquisas, e você não interferirá no meu futuro profissional. Se você quer ser meu Alpha, terá que ser meu parceiro, não meu mestre.
Blaise levantou-se lentamente, caminhando até Elias até que seus peitos quase se tocassem. O cheiro de âmbar e poder era esmagador, mas Elias não recuou.
— Você é uma criatura fascinante, Elias Rowle — sussurrou Blaise. — Seus termos são justos. Mas agora... é a nossa vez.
Draco e Theo também se levantaram, cercando os três ômegas de forma que a luz da lareira projetava sombras gigantescas nas paredes.
— Nossas condições são simples — Draco começou, sua voz tornando-se perigosamente baixa. — Vocês podem manter sua liberdade, mas usarão os nossos aromas. Constantemente. Ninguém em Hogwarts terá dúvidas de quem vocês pertencem. Se um Alpha sequer olhar para vocês de forma errada, ele lidará conosco.
— E vocês passarão todas as noites aqui — acrescentou Theo, olhando para Neville. — Não importa se dormirão em camas separadas por enquanto. O ninho é para a proteção de vocês. A partir de hoje, vocês dormem sob a nossa vigilância.
— E por último — Blaise completou, tocando levemente o rosto de Elias com as costas da mão —, total transparência. Sem segredos de Harry Potter, sem planos de fuga com a Granger. Se vocês estão conosco, estão conosco por inteiro.
Ron olhou para Draco. O cheiro de sândalo do Alpha Prime estava tentando nublar seu julgamento, sussurrando promessas de segurança e prazer que seu ômega interior ansiava por aceitar.
— Se aceitarmos... vocês param de nos caçar como animais? — perguntou Ron.
Draco deu um passo à frente, envolvendo a cintura de Ron com um braço de ferro e puxando-o para perto. A dominância era absoluta, mas havia uma estranha ternura no modo como ele encostou a testa na de Ron.
— Eu não preciso caçar o que já é meu, Ronald. Eu vou cuidar de você. Vou te dar o mundo em uma bandeja de prata se você apenas parar de lutar contra o que o seu sangue já sabe ser verdade.
Ron fechou os olhos, sentindo o calor de Draco. Era inútil. Eles eram fortes demais, ricos demais e, infelizmente, destinados demais.
— Está bem — sussurrou Ron. — Nós aceitamos o pacto.
O efeito foi imediato. A tensão agressiva que permeava o salão transformou-se em algo diferente: uma possessividade protetora. Theo avançou sobre Neville, não com violência, mas com uma urgência faminta, escondendo o rosto no pescoço do grifinório e inalando seu cheiro de terra e flores silvestres como se fosse oxigênio.
— Finalmente — Theo murmurou contra a pele de Neville. — Finalmente você parou de correr.
Blaise, por sua vez, pegou a mão de Elias e depositou um beijo suave nos nós dos dedos, mantendo o contato visual intenso.
— Você não vai se arrepender, Elias. Eu vou te dar acesso a bibliotecas que você nem imagina que existam. Mas em troca, eu quero cada pensamento seu.
Elias sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele sabia que estava entrando em um jogo perigoso com um mestre estrategista, mas a solidão de ser um ômega desprotegido em um mundo de Primes era um preço alto demais para continuar pagando.
— Vamos para o ninho — Draco ordenou, conduzindo Ron em direção aos aposentos privados que haviam sido preparados nos níveis mais profundos da Sonserina.
O "ninho" não era apenas uma cama; era um santuário de luxo. Sedas, peles, almofadas macias e o cheiro dos três Alphas fundidos em um aroma de poder e proteção. Era um espaço projetado para subjugar os sentidos de qualquer ômega e fazê-lo sentir-se seguro, amado e, acima de tudo, possuído.
Ron sentou-se na borda da imensa cama circular, observando Draco tirar a capa de viagem com uma elegância predatória.
— Você parece assustado, raposinha — Draco comentou, desfazendo o nó da gravata.
— Eu sou um Weasley, Malfoy. Nós não somos conhecidos por nos rendermos a sonserinos.
— Você não é apenas um Weasley — Draco corrigiu, ajoelhando-se entre as pernas de Ron e segurando suas mãos. — Você é o companheiro de um Malfoy. E eu vou passar o resto da minha vida provando para você que isso é muito melhor do que ser um herói pobre da Grifinória.
Ron sentiu um nó na garganta. Ele sabia que sua vida havia mudado para sempre naquela noite. Ele não era mais apenas o amigo de Harry Potter; ele era a obsessão de Draco Malfoy. E, enquanto Draco o puxava para o centro do ninho, cobrindo-o com seu corpo e seu cheiro, Ron percebeu que a "rebeldia" que Draco tanto gostava de ver havia chegado ao fim.
Nas outras alcovas do ninho, Neville e Elias enfrentavam destinos semelhantes. Neville descobria que, sob a agressividade de Theo, havia uma necessidade desesperada de conexão. Elias descobria que a paciência de Blaise era, na verdade, uma forma de adoração intelectual que ele nunca havia experimentado.
A lua cheia continuava seu curso no céu, mas dentro das masmorras, o tempo parecia ter parado. O pacto fora selado com palavras, mas seria mantido pelos instintos. Os três ômegas haviam entrado na toca das serpentes por vontade própria, e embora tivessem imposto seus termos, todos sabiam a verdade fundamental do mundo Prime.
Uma vez que um Alpha Prime coloca as mãos no que é seu, ele nunca mais solta. E no fundo de suas mentes cansadas, Ron, Neville e Elias começavam a se perguntar se, talvez, ser propriedade de monstros que os amavam tão intensamente não era a forma mais estranha de liberdade que poderiam encontrar.
— Durma, Ronald — sussurrou Draco no ouvido de Ron, enquanto o ruivo finalmente relaxava contra o peito do Alpha. — Amanhã, o mundo saberá que você está sob minha proteção. E ninguém ousará tocar em um fio de cabelo seu.
Ron não respondeu, mas sua mão se fechou na camisa de Draco. A caçada terminara. O ninho estava pronto. E a escuridão da Sonserina nunca pareceu tão acolhedora.