Problemas de Ron Weasley
O Trono de Seda e a Rendição do Leão
O silêncio nos aposentos privados de Draco Malfoy era espesso, carregado com o aroma inebriante de sândalo, couro e a doçura inconfundível de baunilha e canela que emanava do centro do quarto. A iluminação vinha apenas das brasas moribundas na lareira e do brilho esverdeado que atravessava as águas do Lago Negro, projetando padrões ondulantes nas paredes de pedra polida.
Draco estava sentado em sua poltrona de couro negro, com as pernas longas estendidas e os dedos entrelaçados sob o queixo. Seus olhos cinzentos, geralmente frios e calculistas, estavam fixos em um único ponto: o ninho.
Ele passara meses planejando aquele espaço. Cada detalhe, desde a escolha das sedas vindas da França até o feitiço de aquecimento constante entrelaçado nas fibras dos tapetes de pele de urso polar, fora pensado para Ronald. O ninho não era apenas um lugar para dormir; era um altar dedicado à sua obsessão. E ali, no centro de todo aquele luxo, o seu ômega finalmente repousava.
Ron estava deitado de lado, mergulhado em um sono tão profundo que parecia quase sobrenatural. O contraste era magnífico. Os cabelos ruivos, vibrantes como fogo, estavam espalhados contra os travesseiros de seda esmeralda, criando uma imagem que Draco desejava pintar na memória para a eternidade. O rosto de Ron estava relaxado, mas ainda mantinha aquele tom avermelhado, um eco do esforço e da intensidade das horas que haviam passado antes de o cansaço finalmente vencê-lo.
Draco sentiu um rosnado de satisfação vibrar em seu peito, baixo e gutural. Ele se levantou com a elegância silenciosa de um predador e caminhou até a borda do ninho.
A visão de perto era ainda mais inebriante. Os lábios de Ron estavam inchados, levemente entreabertos, exibindo as pequenas marcas das mordidas que Draco não conseguira evitar distribuir. O pescoço do ruivo era um mapa de posse: chupões arroxeados e marcas de dentes adornavam a pele clara, gritando para qualquer um que ousasse olhar que aquele ômega tinha um dono. Um Alpha Prime.
Draco estendeu a mão, mas hesitou por um segundo antes de tocar a pele de Ron. Ele queria sentir o calor, queria confirmar que não era um delírio. Quando seus dedos finalmente roçaram a bochecha sardenta, Ron soltou um suspiro suave no sono, inclinando o rosto inconscientemente em direção ao toque do Alpha.
— Tão lindo — murmurou Draco, sua voz mal passando de um sopro. — Meu pequeno rebelde, finalmente em casa.
Ele observou o peito de Ron subir e descer em uma cadência rítmica e pacífica. As vestes da Grifinória haviam sido descartadas há muito tempo, substituídas por uma túnica de dormir fina que agora estava desalinhada, revelando as coxas grossas e fortes de Ron, levemente afastadas sobre as peles macias.
O lobo dentro de Draco uivou. O instinto de Prime exigia que ele subisse ali, que reivindicasse cada centímetro daquela carne, que desse o nó e garantisse que a linhagem Malfoy começasse a florescer dentro daquele ventre agora mesmo. Mas Draco respirou fundo, fechando os olhos e forçando o autocontrole.
Ele prometera a si mesmo. Ele não seria um animal irracional como Nott, que provavelmente estava tentando derrubar as paredes do quarto de Neville neste exato momento. Draco era um esteta. Ele queria que Ron implorasse. Queria que o desejo do ômega superasse o orgulho do Weasley. Ele só daria o nó quando Ron, em pleno uso de seus sentidos, pedisse por isso.
A porta lateral do quarto se abriu silenciosamente. Blaise Zabini entrou, parecendo impecável como sempre, embora houvesse uma marca de unhas bem visível em seu pescoço, parcialmente escondida pela gola da camisa.
— O meu está devidamente instalado — disse Blaise em voz baixa, aproximando-se da lareira para se servir de um pouco de vinho. — Elias é... surpreendentemente resistente a confortos materiais, mas o aroma de âmbar acabou por vencê-lo. Ele está dormindo entre dois pergaminhos antigos.
Draco não desviou os olhos de Ron.
— Theodore? — perguntou Draco.
— Theo é um desastre — Blaise deu um sorriso irônico. — Neville tentou usar uma planta carnívora em miniatura para manter Theo longe da cama. Theo a incinerou e agora está basicamente enrolado em volta do Longbottom como uma jiboia. Se o Grifinório respirar muito forte, Theo acorda rosnando.
Draco soltou uma risada curta e seca.
— Eles não entendem a arte da paciência, Blaise. Olhe para ele. Ronald lutou por meses. Fugiu pelos corredores, usou supressores, escondeu-se atrás de Potter... e agora, veja onde ele está. No meu ninho. Com o meu cheiro impregnado até na alma.
Blaise caminhou até ficar ao lado de Draco, observando o ruivo adormecido.
— Você o marcou bastante, Draco. Lucius não vai gostar das cores dele, mas não poderá negar a força do vínculo.
— Meu pai terá que aceitar que o Clã Malfoy agora tem um toque de vermelho — Draco disse, passando o polegar sobre uma das marcas de mordida no pescoço de Ron. — E você? Rowle é um corvino puro. Ele vai tentar analisar logicamente o fato de você ser um psicótico possessivo.
— Deixe que ele analise — Blaise deu de ombros, bebendo um gole de vinho. — Enquanto ele pensa, eu o cerco. Elias gosta de silêncio e conhecimento; eu lhe darei ambos, desde que ele aceite que o silêncio dele pertence à minha biblioteca.
Um movimento no ninho chamou a atenção de ambos. Ron se mexeu, soltando um resmungo baixo. Ele abriu os olhos lentamente, as íris azuis nubladas pelo sono e pela névoa dos feromônios de Draco que saturavam o ar.
Ron piscou algumas vezes, focando a figura de Draco à sua frente. Ele tentou se sentar, mas o corpo parecia pesado, afundando nas almofadas luxuosas.
— Malfoy... — a voz de Ron saiu rouca, enviando um calafrio direto para a espinha de Draco.
— Estou aqui, Ron — Draco ajoelhou-se na borda do ninho, ignorando a presença de Blaise, que discretamente se retirou para as sombras do corredor.
Ron olhou ao redor, o reconhecimento voltando aos poucos. Ele viu as marcas em seus próprios braços e sentiu o latejar suave no pescoço.
— Você é um desgraçado — Ron murmurou, embora não houvesse veneno em sua voz. Havia apenas uma exaustão aceita. — Este lugar... cheira tanto a você que eu não consigo nem pensar direito.
— Esse é o objetivo, meu amor — Draco pegou a mão de Ron e a beijou, sentindo o pulso acelerado do ômega. — Você não precisa pensar. Eu penso por nós dois. Você só precisa existir, ser lindo e deixar que eu cuide de tudo.
Ron soltou um suspiro trêmulo e, para a surpresa de Draco, estendeu a mão livre para puxar a gola da camisa do Alpha.
— Eu odeio você — disse Ron, puxando Draco para mais perto, até que seus rostos estivessem a centímetros de distância. — Odeio o modo como meu corpo responde a você. Odeio que esse ninho seja a coisa mais confortável que já senti na vida.
— O ódio é apenas o outro lado da mesma moeda, Ronald — Draco sorriu, aquele sorriso predatório e charmoso que Ron tanto desprezava. — E você sabe que, no fundo, seu ômega está ronronando agora mesmo porque eu finalmente te trouxe para onde você pertence.
Ron desviou o olhar, o rosto ficando ainda mais vermelho.
— Harry e Hermione... eles vão vir atrás de mim.
— Deixe que venham — Draco sibilou, a aura de Alpha Prime expandindo-se pela sala, fazendo as janelas vibrarem levemente. — Eles encontrarão um ômega protegido pelo Herdeiro de Malfoy. Eles não têm poder aqui. Ninguém tem.
Ron olhou nos olhos cinzentos de Draco e, pela primeira vez, viu não apenas a arrogância, mas uma devoção absoluta e aterrorizante. Ele percebeu que Draco não estava brincando quando disse que destruiria qualquer um que se atravessasse entre eles.
— O que acontece agora? — perguntou Ron, sua voz falhando.
Draco subiu no ninho, acomodando-se ao lado de Ron e puxando o corpo maior do ruivo para o seu abraço. Ele envolveu Ron com seus braços, prendendo-o contra seu peito, deixando claro que, dali, o ruivo não sairia tão cedo.
— Agora? — Draco enterrou o rosto nos cabelos ruivos, inalando profundamente. — Agora você dorme. Amanhã, tomaremos café da manhã como um casal. Você usará minhas cores, e eu permitirei que você vá às aulas, desde que retorne para mim ao pôr do sol.
Ron se aconchegou contra o calor de Draco, seu corpo cedendo à exaustão e à segurança instintiva que o aroma do Alpha proporcionava.
— Você é possessivo demais — Ron reclamou, mas seus olhos já estavam se fechando novamente.
— Eu sou um Malfoy — Draco respondeu, depositando um beijo suave na têmpora de Ron. — Nós não dividimos nossos tesouros.
Enquanto Ron voltava a dormir, Draco permaneceu vigiando. Ele sabia que a batalha no mundo exterior continuaria. A Ordem, os amigos de Ron, as convenções sociais... tudo isso tentaria separar o que o destino havia unido com fios de obsessão e magia ancestral.
Mas, enquanto olhava para o ruivo em seus braços, Draco sentiu uma paz que nunca conhecera. Ele viu as marcas que fizera, os chupões que declaravam sua vitória, e soube que a "brincadeira de rebelde" de Ron havia chegado ao fim definitivo.
Lá fora, nas estufas, as plantas de Neville continuariam a crescer. Na biblioteca, os livros de Elias continuariam a ser lidos. Mas ali, nas profundezas da Sonserina, o tempo pertencia aos Primes.
Draco fechou os olhos, permitindo-se finalmente relaxar. Ele tinha o seu ômega. O ninho estava completo. E se o mundo quisesse tirar Ronald dele, o mundo teria que queimar primeiro.
— Boa noite, minha raposinha — sussurrou Draco, antes de também ser levado pelo sono, guardando o tesouro que o destino, em sua infinita crueldade e perfeição, havia lhe entregado.
A manhã chegaria com novos desafios, mas por aquela noite, o silêncio era de ouro, o cheiro era de sândalo e o coração de Ronald Weasley, embora ele ainda não admitisse, batia no mesmo ritmo que o do seu Alpha. A rendição não era um fim, era o início de um reinado onde o leão aprendia, finalmente, a amar a sua serpente.