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PULGARRASCAL

Território Marcado

O apartamento de cobertura no Leblon ainda cheirava à tinta fresca e à madeira nobre dos móveis recém-instalados. Fazia menos de seis meses que Jorge Carrascal e Erick Pulgar haviam oficializado a união diante de um juiz e de um seleto grupo de aliados da máfia que comandavam com punhos de ferro. No entanto, se nos negócios a sintonia entre o chileno impiedoso e o colombiano ardiloso era cirúrgica, na intimidade dos recém-casados as faíscas ainda saltavam com facilidade assustadora.

Naquela noite de sexta-feira, o terraço envidraçado acolhia uma pequena reunião entre amigos próximos. O som abafado de reggaeton misturava-se ao tilintar de copos de cristal e à fumaça aromática de charutos cubanos. Samuel Lino e Gonzalo Plata dividiam risadas perto da churrasqueira gourmet, mas o centro gravitacional da sala pertencia, indiscutivelmente, a Jorge.

Vestindo uma camisa de seda preta entreaberta até o meio do abdômen bronzeado e coberto de tatuagens, Jorge dançava com aquela ginga caribenha inconfundível, o topete com reflexos loiros impecável, o riso solto brilhando no rosto. Ao lado dele estava Kevin Castaño. O volante colombiano, amigo de longa data das quebradas de onde ambos haviam saído antes do império do crime os abraçar, passava alguns dias no Rio de Janeiro.

Havia horas que Jorge não desgrudava do compatriota. Era uma enxurrada de causos antigos, memórias de quando dividiam marmitas frias e fugiam da polícia local pelas ruelas de terra batida.

— Não, para! — Jorge gargalhou alto, jogando a cabeça para trás e batendo no ombro de Kevin com intimidade escancarada. — Lembra daquele baile em Barranquilla, quando a gente teve que pular o muro da vila e você rasgou a calça toda no arame farpado?

— Puta merda, Jorginho, nem me lembra disso! — Kevin ria copiosamente, apoiando o cotovelo no ombro de Jorge. — Eu voltei pra casa sangrando e minha mãe ainda me deu de pau de vassoura!

— Você sempre foi um desastrado, *mi nenê*! — Jorge soltou com uma doçura natural, passando a mão pelos cabelos do amigo em um gesto afetuoso de pura nostalgia. — Um eterno bebê chorão que eu tinha que salvar das encrencas!

Do outro lado do balcão de mármore, a atmosfera congelou.

Erick Pulgar segurava um copo de uísque com tanta força que os nós de seus dedos tatuados ficaram brancos. O olhar escuro, pesado e predatório do chileno estava cravado na mão de Jorge sobre a cabeça de Castaño.

*Mi nenê.*

A expressão reverberou no cérebro de Erick como um tiro à queima-roupa. Aquele tom dengoso, os diminutivos carinhosos, a ternura explícita... tudo aquilo pertencia a *ele*. Fora Jorge quem o desarmara com sussurros de "meu amor", "amorcito" e carinhos manhosos na cama. Saber que outro homem, por mais inocente que fosse a amizade, recebia aquele tipo de intimidade verbal despertou a fera territorial que habitava o peito de Pulgar.

Erick pousou o copo no balcão com um estalo seco. O semblante fechado, com a mandíbula travada e as tatuagens do pescoço retorcidas pela tensão muscular, fez Lino e Plata silenciarem na mesma hora, farejando o perigo.

— A festa acabou — a voz grave e cortante de Erick cortou a música.

Jorge parou de rir, piscando surpreso.

— O quê? Como assim, Erick? São só onze da noite...

— Acabou, Jorge. Já passou da hora de todo mundo ir embora — Erick não pestanejou, sustentando um olhar tão intimidador sobre Kevin que o próprio convidado engoliu em seco, sentindo a temperatura da sala despencar.

Percebendo a tempestade iminente, Samuel Lino puxou Plata pelo braço.

— É, rapaziada... o papo tava ótimo, mas amanhã temos treino cedo e negócios na marina. Valeu pela recepção, Jorginho. Erick, boa noite.

Kevin hesitou, mas a postura rígida de Pulgar, como um pitbull pronto para estraçalhar a jugular de qualquer intruso, deixou evidente que permanecer ali seria um convite à violência.

— Vou nessa também, irmão. A gente se fala amanhã — despediu-se Kevin, mantendo uma distância prudente de Jorge antes de caminhar até o elevador privativo.

Assim que as portas de metal se fecharam e o silêncio fúnebre engoliu a cobertura, Jorge virou-se para o marido, os olhos castanhos chispando de indignação.

— Que porra de show foi esse, Erick? — Jorge disparou, marchando até o chileno e apontando o dedo contra o peito coberto de tinta do marido. — Você expulsou os meus amigos da nossa casa! O Kevin veio de longe pra passar uns dias aqui e você me faz passar uma vergonha dessas?

— Vergonha? — Erick deu um passo à frente, a estatura maciça engolindo o espaço de Jorge, os olhos faiscando puro veneno possessivo. — Vergonha foi a palhaçada que você tava fazendo na minha frente a noite inteira! Parecia que tava no cio, se esfregando nesse sujeito!

— O quê?! Tá maluco da cabeça, caralho?! — Jorge rebateu aos berros, a malandragem dando lugar à fúria colombiana. — O Kevin é meu irmão de vida! A gente se conhece desde pirralho!

— Me foda de onde vocês se conhecem! — rugiu Erick, batendo a mão na parede ao lado da cabeça de Jorge. O som ecoou pelo apartamento. — Eu não admito que você chame outro homem de "mi nenê" na minha presença! Não admito essa porra de intimidade mole! Você é casado comigo, Jorge! Comigo!

Jorge deu uma risada incrédula, amarga, balançando a cabeça em choque.

— Você tá com ciúme de um apelido de infância? Você é doente, Erick! Um paranoico possessivo do caralho! Eu falo como eu quiser com as pessoas que eu amo!

— Você não vai chamar ninguém de carinho nenhum além de mim, porra! — Erick estava cego pela cólera, o peito subindo e descendo em arfadas descontroladas. — Apelidinho doce, mão no cabelo, risinho frouxo... isso é MEU. Entendeu? Se você não sabe se portar como o marido do chefe dessa porra de cidade, eu te ensino!

— Você não me ensina merda nenhuma! — Jorge empurrou o peito de Erick com as duas mãos, furioso. — Eu não sou sua propriedade, Pulgar! Vai se foder com essa sua insegurança de merda!

— Quer saber? Não dá pra olhar pra tua cara essa noite — cuspiu Erick, dando as costas com um desprezo ensaiado para mascarar o quanto aquilo o atingia por dentro. — Não me procure.

Erick marchou pelo corredor até o quarto de hóspedes no fim do corredor e bateu a porta com força suficiente para estremecer os quadros caros pendurados na parede. O trinco correu ruidosamente.

Jorge ficou sozinho no meio da sala ampla, o peito arfando, os punhos cerrados. Soltou uma sequência interminável de xingamentos em espanhol, chutou uma almofada decorativa e bufou, passando a mão pelos cabelos arrepiados. Ele odiava a teimosia de Erick. Odiava o quanto o homem podia ser irracional e bruto quando o ciúme o dominava.

Porém, conforme os minutos se arrastavam e a adrenalina baixava, a cama king size do quarto principal parecia absurdamente fria e vasta demais. Jorge rolou de um lado para o outro por quase três horas. Ele conhecia Erick; sabia que por baixo daquela armadura de mafioso impiedoso e arrogante, o chileno tinha um coração que batia em um ritmo doentio de devoção por ele. A possessividade não vinha de desrespeito, mas do medo primitivo de perder o único ponto fraco que tinha no mundo.

E Jorge, com sua alma manhosa e arteira, sabia exatamente como dobrar aquele homem de volta aos seus pés.

Eram quase três e meia da madrugada quando a fechadura do quarto de hóspedes fez um clique quase inaudível. Jorge sabia que o chileno nunca trancava a porta de verdade quando estava bravo — deixava uma fresta para o caso de o perigo rondar a casa.

A penumbra do quarto era cortada apenas pela luz prateada da lua que entrava pelas cortinas semiabertas. Na cama, Erick estava deitado de barriga para cima, sem camisa, os braços tatuados cruzados atrás da cabeça. Pela respiração pesada e pelos olhos abertos fitando o teto, Jorge soube que o marido não havia pregado o olho.

Jorge vestia apenas uma cueca boxer preta de microfibra, deixando as coxas torneadas e o abdômen esculpido à mostra. Ele caminhou descalço, como um felino em caça, e subiu na ponta da cama sem fazer barulho.

Erick não se moveu, mantendo o semblante de pedra, mas a mandíbula travou ainda mais quando sentiu o peso suave do colombiano rastejar por cima do colchão.

Jorge não pediu licença. Escorregou para debaixo do edredom pesado, sentindo o calor brutal que emanava do corpo de Pulgar. Ele colou o peito liso nas costelas tatuadas de Erick, subindo lentamente até apoiar o queixo no peito largo do chileno.

— Ainda tá bravo comigo, meu pitbull? — sussurrou Jorge, a voz rouca, melodiosa e descaradamente doce.

Erick continuou fitando o teto, a voz saindo como um trovão abafado:

— Sai daqui, Jorge. Vai dormir.

— Não quero dormir lá sozinho... tá muito frio — manhou o colombiano, subindo a mão pela barriga trincada de Erick, traçando com as pontas das unhas cada linha de tinta que homenageava a família do marido. — E você sabe que eu não consigo dormir sem o meu travesseiro grandão.

— Você não tava com frio rindo pro Castaño agora há pouco — resmungou o chileno, tentando se manter inflexível, embora a respiração começasse a falhar quando a mão atrevida de Jorge desceu perigosamente até o cós do seu calção de moletom.

— Você é muito bobo, sabia? — Jorge subiu mais um pouco, roçando o nariz arrebitado na curva do pescoço de Erick, depositando ali um beijo molhado, sugando de leve a pele quente. — Kevin é só um amigo, Erick. Nunca foi nada além disso. Mas você... você é meu marido. O único que me come, o único dono de tudo isso aqui.

Erick soltou um rosnado baixo quando os lábios macios de Jorge encontraram o lóbulo de sua orelha, mordiscando devagar.

— Não vem com essa lábia pra cima de mim... — avisou Erick, mas o corpo o traía; o tecido do calção já começava a se esticar, denunciando a ereção violenta que tomava forma.

— Não é lábia, *mi amor*... — Jorge desceu o corpo por debaixo do lençol, os olhos castanhos brilhando na escuridão como duas chamas ardentes. — É só um pedido de desculpas. Deixa eu cuidar de você...

Sem esperar autorização, Jorge puxou o cordão do calção de Erick e o baixou com avidez, expondo a ereção grossa, latejante e escura que saltou para fora, com a ponta já brilhando de lubrificação natural.

Jorge não perdeu tempo. Passou a língua longa e quente da base até a glande com lentidão calculada, arrancando o primeiro gemido rouco e involuntário de Pulgar.

— Puta que pariu, Jorge... — Erick jogou a cabeça para trás no travesseiro, os dedos cravando-se nos lençóis.

O colombiano abriu a boca e o engoliu de uma vez só, descendo a garganta quente e apertada até acomodar o máximo possível daquele membro intimidador. Ele movia a cabeça em um ritmo hipnótico, chupando com força, fazendo um barulho úmido e obsceno no silêncio do quarto, enquanto usava uma das mãos para massagear a base e os testículos cheios de Erick. Olhava para cima de propósito, mantendo os olhos grudados nos do chileno, vendo a máscara de indiferença do chefe da máfia desmoronar em puro tesão desmedido.

— Caralho... você é uma tentação do inferno... — Erick arfou, enfiando as mãos grandes nos cabelos com mechas loiras de Jorge, guiando os movimentos com cada vez mais urgência e força. — Fundo... chupa até o fim, minha vadia... isso.

Jorge emitia sons sufocados de volúpia ao redor da carne pulsante do marido, adorando sentir o gosto salgado e quente daquele homem imponente completamente dominado por sua boca. Quando sentiu que Erick estava à beira do colapso, Jorge interrompeu a sucção com um estalo lascivo, deixando uma trilha de saliva escorrer pelo membro ereto.

Erick rosnou de frustração pura.

— Que porra cê tá fazendo? Volta aqui!

Jorge riu baixo, com um biquinho malicioso, engatinhando por cima das pernas musculosas do marido até se sentar escarranchado sobre o quadril dele.

— Eu disse que vinha pedir desculpas... mas você tem que me dar meu castigo primeiro — Jorge rebolou os quadris devagar, roçando a própria entrada aquecida contra a ponta latejante da ereção de Erick.

O olhar de Erick escureceu de vez. O pitbull assumira o controle absoluto. Em um movimento brusco e possessivo, Erick agarrou Jorge pela cintura fina, virando-o de costas para a cama e prendendo os pulsos do menor acima da cabeça com apenas uma das mãos tatuadas.

— Você quer castigo, Carrascal? — a voz de Erick era puro veneno e tesão concentrado, o hálito quente batendo na orelha do colombiano. — Então você vai aprender a nunca mais dar moral pra macho nenhum na minha frente.

Erick invadiu Jorge sem cerimônia prévia, aproveitando a umidade abundante que o próprio corpo do rapaz já produzia pelo tesão acumulado. A penetração foi profunda, dura e impiedosa, preenchendo Jorge até o limite.

— Ahnnn! Erick! — Jorge arqueou as costas do colchão, soltando um grito rouco que morreu em um gemido longo de volúpia. — Caralho... bem aí...

— De quem você é, hein? — Erick começou a estocar com força metódica, ritmada e profunda, batendo o quadril contra as nádegas bronzeadas de Jorge com um estalo de pele contra pele que ecoava pelo quarto. — Fala pra mim, porra! De quem você é?

— Seu... todo seu, caralho! Ah, mais rápido, amor! — Jorge suplicava, os dedos tentando se soltar do aperto de ferro de Erick para arranhar as costas do chileno.

Mas Erick não acelerou. Pelo contrário: ele diminuiu o ritmo de propósito, entrando até a raiz e parando ali, deixando Jorge queimar de desejo, se contorcendo em agonia voluptuosa.

— Não... não para, Erick! Por favor! — Jorge manhou, balançando a cabeça de um lado para o outro no travesseiro, com lágrimas de tesão acumulando nos cantos dos olhos. — Mete... fode fundo, caralho!

— Quem é seu homem, Jorge? — Erick rosnou, mordendo com força a pele do ombro do menor, marcando território para deixar um hematoma arroxeado visível. — Quem é que te fode até você perder a voz?

— É você... só você, Erick... meu pitbull gostoso... — Jorge gemia desconexo, empurrando a própria bunda para trás, buscando o atrito desesperadamente. — Por favor, Erick, me fode... eu vou gozar sem encostar se você continuar assim...

Satisfeito com a rendição completa do marido, Erick soltou os pulsos de Jorge e segurou com força a cintura bronzeada dele, afundando os dedos na pele macia. O ritmo das estocadas transformou-se em uma tempestade violenta. O chileno fodeu Jorge com uma fúria brutal e passional, acertando o ponto mais sensível dentro dele a cada investida precisa.

O quarto encheu-se de gemidos desesperados, suspiros entrecortados e palavras sujas sussurradas em espanhol. Jorge rebolava e se entregava por inteiro, os pés arranhando os lençóis amassados, completamente rendido àquela posse visceral.

— Eu vou gozar... Erick, amor, vem comigo! — Jorge gritou, o abdômen se contraindo violentamente quando atingiu o ápice mais destruidor de sua vida, derramando-se em jatos quentes sobre o próprio peito tatuado.

Sentindo as paredes internas de Jorge apertarem seu pau com espasmos irresistíveis, Erick perdeu o resto do controle. Ele deu mais três estocadas profundas, brutais, e rugiu contra o pescoço de Jorge enquanto despejava toda a sua semente bem no fundo do ventre do marido, preenchendo-o por completo.

O silêncio voltou a reinar aos poucos, quebrado apenas pela respiração arfante e pesada dos dois corpos colados pelo suor.

Erick desmontou por cima de Jorge, apoiando a cabeça pesada no peito arfante do colombiano, que ainda tremia com os espasmos pós-orgasmo. As mãos finas de Jorge subiram lentamente, embrenhando-se nos cabelos escuros do marido, acariciando os fios curtos com um carinho devoto.

— Viu só como você é exagerado? — murmurou Jorge baixinho, com a voz rouca e um biquinho dengoso nos lábios inchados. — Quase me desmontou no meio por causa de uma bobagem...

Erick levantou o rosto devagar, fitando Jorge com aquele olhar penetrante que costumava fazer os inimigos tremerem, mas que agora transbordava uma carência quase infantil. O gigante tatuado encostou a ponta do nariz no de Jorge, fazendo manha pela primeira vez na noite.

— Não era bobagem — resmungou Erick, a voz grossa arrastada, o semblante ainda emburrado, mas completamente amansado. — Nenê... amor... vida... essas coisas você só fala pra mim. Entendeu? Se falar de novo com outro, eu quebro a cara dele e depois te tranco na cama por uma semana inteira.

Jorge soltou uma risadinha gostosa, fechando os olhos enquanto enlaçava o pescoço do marido com os braços, puxando-o para um beijo lento, terno e salgado.

— Tá bom, meu grandão ciumento. Só você. Meu único nenê... — Jorge ronronou contra a boca de Erick, vitorioso ao sentir o chileno relaxar o peso sobre si, finalmente em paz, sabendo que ali não existia espaço para mais ninguém no mundo.

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